Afastamento de Temer diverge bancada goiana no Congresso

Deputados e senadores não têm consenso sobre a situação do presidente, apesar da maioria defender a saída 

Presidente Michel Temer durante coletiva de imprensa, quando bradou: “Não renuncio!” | Foto: Beto Barata/PR

Há duas semanas, o Brasil parou. Mais uma vez, um presidente da República se vê envolto em escândalo e a ameaça de afastamento volta a assombrar o Palácio do Planalto.

Gravado em uma conversa não-oficial com Joesley Batista, sócio e ex-presidente da J&F (holding que controla a JBS Friboi), Michel Temer (PMDB) é acusado de omissão e de ter envolvimento em uma suposta compra de silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB). Após a polêmica gravação ter sido divulgada, o Supremo Tribubal Federal (STF) decidiu abrir investigação e autorizou que o presidente preste esclarecimentos à Polícia Federal.

Desde então, a situação é instável. Alguns partidos, como o PPS e o PSB, deixaram a base de apoio, dizendo que Temer não tem mais condições de comandar o país. Outros, como o PSDB e o DEM (principais aliados do PMDB), ensaiam uma debandada. Contudo, é de se reconhecer que o furor pela renúncia diminuiu significativamente desde que o conteúdo do áudio na íntegra foi divulgado. Em princípio, imaginava-se que o presidente dava aval para que o magnata da carne continuasse pagando uma mesada para que Cunha se mantivesse calado. O que ficou “inconclusivo”.

O Jornal Opção foi atrás dos deputados e senadores por Goiás para saber qual o posicionamento com relação à permanência de Michel Temer na Presidência da República. Tentamos contato, durante toda a semana, com todos os 20 parlamentares da bancada goiana (17 deputados federais e três senadores). Alguns preferiram se manifestar por meio de nota, outros, não atenderam as ligações, mas se manifestaram por meio das redes sociais.

O balanço da reportagem mostra que não há consenso sobre a saída do presidente, enquanto oito pedem a saída, quatro defendem abertamente a permanência de Temer (pelo menos até que as investigações sejam concluídas). Cinco se mostraram indecisos, em especial devido à delicada situação da economia atualmente.

Apenas os deputados Giuseppe Vecci (PSDB) e João Campos (PRB), que apesar de reiterados contatos inclusive com a assessoria de imprensa de ambos, não atenderam ao Jornal Opção.

Veja abaixo a lista:

Deputados

Célio Silveira (PSDB)A favor — “Vamos esperar a decisão do TSE [Tribunal Superior Eleitoral] no dia 6 de junho que vai analisar os crimes cometidos pela chapa Dilma-Temer em 2014. Mas é fato que ele não tem condições de continuar. Perdeu a pouca credibilidade que tinha e perde apoio no Congresso. Infelizmente, não tem mais condições”

 

Delegado Waldir Soares (PR)A favor — “Fui o primeiro parlamentar a se manifestar pela renúncia. Ele recebeu propina da JBS, comprou o silêncio de Eduardo Cunha, é indefensável, a verdade é que é uma lama pura. Quem fala que ‘não é bem assim, é preciso esperar’ recebe vantagens. Quem for honesto e quiser mudança, o único caminho é a saída. Temos que seguir o que está na lei, eleição indireta. Não podemos em pensar em nada fora da Constituição”

 

Fábio Sousa (PSDB)A favor — “Somos escravos dos fatos e estamos falando da maior autoridade do Brasil. É claro que o presidente tem todo direito de se defender e temos que ter muita responsabilidade, mas ele precisa renunciar”

 

 

Flávia Morais (PDT) A favor — “Espero que o presidente renuncie, que abra espaço para um novo nome que não esteja envolvido com as denúncias, que possa conduzir os destinos do Brasil. Um presidente eleito pelo povo”

 

Heuler Cruvinel (PSD)A favor — “Primeira opção para mim, a melhor, seria a renúncia, mas já que ele não fez isso, a melhor solução seria a cassação da chapa Dilma-Temer. Ele perdeu a credibilidade, é muito mal avaliado, perdeu apoio no Congresso, está isolado. Agora, Maia não vai aprovar qualquer pedido de impeachment”

 

Thiago Peixoto (PSD)A favor — “Entendo que ele deveria se afastar e o caminho menos desgastante seria a renúncia. Não aconteceu e não vai acontecer mais, então acho que vai ficar nas mãos do TSE, que deve julgar a chapa no dia 6 de junho, e a tendência é que se casse. Assim, o presidente da Câmara assume e enquanto haja a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal], [Rodrigo] Maia fica como presidente, 30 dias depois convoca eleição indireta, como prevê a Constituição. Pessoalmente sou a favor da alteração constituicional para antecipar a eleição direta, seria mais legítimo ao país. Por outro lado é difícil o tramite todo”.

 

Rubens Otoni (PT)A favor

 

 

 

 

Alexandre Baldy (Podemos)Indeciso — “Não tenho posição. Estou aguardando, sem precipitação, sem oportunismo para dar posicionamento”.

 

 

 

Lucas Vergílio (SD)Indeciso — O assessor de imprensa disse que ele aguarda orientação institucional do partido e que muito em breve o Solidariedade vai se posicionar neste sentido.

 

 

Magda Mofatto (PR)Indeciso — “Tudo que ele fez está errado, não poderia de forma alguma, mas não posso pensar se estou a favor ou contra. O que me preocupa em afastar é o que vem depois. Quem vai assumir? O que vai ser? Que medidas vai tomar? É melhor? Convocar novas eleições indireta, quem? Questiono o que será de nós! Quem? Há uma insegurança do país, a ingovernabilidade e o que pode vir acontecer. Não posso fazer política miúda, temos que ser estadistas”.

 

Marcos Abrão (PPS)Indeciso — “As denúncias divulgadas são muito graves. A situação do presidente Michel Temer é muito delicada. Se as acusações que pesam contra ele forem confirmadas, não restará outro caminho senão a renúncia. Respeito e defendo as instituições brasileiras e a nossa Constituição”

 

Roberto Balestra (PP)Indeciso — “Não tenho posicionamento. Para mim, a melhor saída é a negociada. Porque se você votar impeachment fica até o ano que vem. O TSE já disse que não vai se pautar politicamente, não vai fazer nada de afogadilho, ou seja, não tem data para ser julgada a chapa Dilma-Temer. O presidente teria que falar o que falou mesmo, se tivesse renunciado, o Brasil tinha acabado. Para eleição direta tem que mudar a Constituição… Então, a saída é política e passa por três partidos PMDB, PSDB e PT. A decisão que eles encontrarem é o que teremos. Enquanto não houver negociação não tem acordo”.

 

Daniel Vilela (PMDB)Contra — “É cedo para cravar uma posição. Temos que aguardar o conjunto das denúncias, que ainda não foram todas apresentadas, e os próximos passos do STF para ter um cenário mais completo. É sem dúvida uma situação delicada”

 

 

Jovair Arantes (PTB)Contra — Por meio de nota assinada por ele, a bancada do PTB reafirmou apoio ao governo.

 

 

 

Pedro Chaves (PMDB)Contra — “É preciso esperar. O momento é delicado, reconheço isso, mas tem que esperar os próximos acontecimentos para onde vai caminhar”

 

 

 

Giuseppe Vecci (PSDB) — Não se posicionou — Apesar dos reiterados contatos, não respondeu ao Jornal Opção

 

 

 

João Campos (PRB) — Não se posicionou — Apesar dos reiterados contatos, não respondeu ao Jornal Opção

 

 

Senadores

Lúcia Vânia (PSB)A favor — “Acredito que a melhor saída seria a renúncia, mais rápida e permitira que partidos se reunissem e buscassem uma solução para fazer a transição até 2018. Meu partido optou pelas Diretas Já”

 

Ronaldo Caiado (DEM)A favor — “Sem renúncia, resta o doloroso caminho do impeachment ou o (mais provável) da cassação da chapa Dilma-Temer no TSE. Somente eleições diretas podem renovar e oxigenar o ambiente poluído da política brasileira. Crise política se resolve com política. E a necessária mudança constitucional pode ser obtida por um pacto suprapartidário que contemple, enfim, a voz das ruas”

 

Wilder Morais (PP)Contra — “A permanência do presidente não tem a ver com o momento.  A instabilidade da economia, o país estava se recuperando, então seria bom que presidente continuasse seu trabalho. Tivemos a intempérie das denúncias, tudo será apurado do Judiciário, mas o pais tem que continuar, a estabilidade tem que ser mantida. Deixa o homem trabalhar. Não pode parar o país por causa de uma delação”

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