Advogados são presos em Goiânia por estelionato

Dupla acumulava quase 50 documentos falsos e já movimentou cerca de R$ 6 milhões com seus golpes. Eles podem responder também por associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação e uso de documento público e uso de documento falso

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O Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (GREF) da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC) prendeu na última terça-feira (3/3) os advogados Alex Alves Ferrari e Alan Alves Ribeiro pela prática de estelionato. Eles podem responder também pelos crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, falsificação e uso de documentos públicos e uso de documentos falsos. Ambos já tinham passagem pela polícia por estelionato, associação criminosa, falsificação de documentos e furto qualificado.

Alex e Alan, que são irmãos, acumulavam, ao todo, 48 documentos falsos — o primeiro possuía 8 RGs e 15 CPFs; o segundo, 10 RGs e 15 CPFs — que eram usados para abrir contas em bancos, conseguir  financiamentos, empréstimos e realizar transações comerciais. A polícia tem indícios de que a dupla agia há pelo menos 17 anos. O valor estimado já movimentado pela dupla é de cerca de R$ 6 milhões.

Os irmãos, que são naturais de Paraúna, interior de Goiás, são formados em Direito e estão registrados na Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO). O registro de Alex, porém, foi feito com um de seus nomes falsos e, portanto, é inválida. Eles tinham um escritório na Vila Brasília, em Aparecida de Goiânia, onde atuavam como advogados.

Apesar do montante que já passou pelas mãos da dupla, eles não ostentavam o dinheiro que conseguiam em seus golpes. Alex tem em seu nome alguns terrenos, dois apartamentos na Vila Brasília, a casa onde mora no Jardim Vitória, em Goiânia, e um carro modelo Gol; Alan, por sua vez, é proprietário apenas da casa onde vive com sua esposa, no Jardim Mariliza, também em Goiânia. Nada que aponte os milhões movimentados por eles.

Investigação

Alex e Alan possuíam documentos de identidade e CPFs ideologicamente falsos (obtidos através de certidões de nascimento e casamento falsas, porém emitidos pelo Instituto de Identificação) e materialmente falsos (que não foram produzidos pelo órgão oficial). Alex chegou a se casar três vezes para mudar de nome e conseguir produzir novos documentos.

A polícia chegou aos estelionatários através de uma investigação que durou cerca de oito meses. Essa investigação teve início após o encerramento de um inquérito que resultou na prisão também por estelionato de uma mulher que portava documentos falsos conseguidos por Alex.

Foram realizados mandados de busca e apreensão nas residências e no escritório dos advogados, onde foram encontrados alguns dos documentos falsos identificados no inquérito policial. Outras duas pessoas também serão indiciadas: Janete Ribeiro Machado e Ana Maria Ferrari. Ambas foram casadas com Alex.

A delegada chefe do GREF, Mayana Rezende, informou que as investigações vão continuar com o objetivo de descobrir se existem mais pessoas envolvidas com a quadrilha.

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