Advogado pede que Justiça apure tabeliães que não dão expediente em cartórios

Márcio Messia Cunha apresentou reclamação à diretoria do Foro da comarca de Goiânia e denuncia casos de cartorários que moram no exterior

Advogado Márcio Messias Cunha  | Foto: Fernando Leite/ Jornal Opção

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) deve se ver, em breve, com mais uma polêmica em pauta. Na última sexta-feira (7/7), o advogado Márcio Messia Cunha apresentou à diretoria do Foro da comarca de Goiânia uma reclamação que pede apuração de cartórios de todo o estado.

O objetivo é constatar se, de fato, tabeliães estariam morando fora da comarca pela qual respondem e também se estão, ou não, dando expediente. “Cartorários prestam concurso para servir a sociedade, faturam milhões e comandam os cartórios via internet? É um absurdo”, lamentou.

Márcio Messias Cunha denunciou a situação em sua coluna semanal na edição impressa do Jornal Opção. “A titularidade de um cartório é outorgada por meio de delegação do Poder Judiciário, onde se subentende que o titular deva responder à sociedade quando for procurado. Todavia, tal fato é exceção, principalmente nos maiores cartórios do Estado de Goiás. É bastante improvável que o cidadão que paga pelos serviços cartoriais consiga falar com alguns titulares de cartórios goianos”, escreveu. Leia o texto na íntegra.

Segundo ele, a reclamação surgiu após o cartório Registro de Imóveis da 1ª Circunscrição de Goiânia, cujo titular é Igor França Guedes, ter se recusado a cumprir uma decisão judicial em um processo no qual foi representante. “Pedi para falar com responsável, mas fui informado que Igor [França Guedes] estaria nos Estados Unidos, onde mora com a família”, contou.

A situação não é incomum em Goiás e no Brasil, revela. Após a publicação da coluna no site do jornal, tabeliães que de fato moram nas comarcas pelas quais respondem entraram em contato com o colunista para apoiá-lo e corroborar com a denúncia. “O assunto será levado até ao CNJ [Conselho Nacional de Justiça], precisamos resolver isso. Faturam milhões às custas da população e nem sequer prestam expediente?”, questionou.

O advogado cita também o caso do cartório 1° Protesto, Registro de Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas de Goiânia. Quando esteve no local para resolver um problema de seu escritório, ele conta que procurou o titular, Naurican Ludovico, mas este estaria em Curitiba, no Paraná. “Me disseram que mora no Paraná com a esposa, que também tem um cartório”, explicou.

Outro ponto que deve ser apurado pela Justiça é a existência de pessoas com dois, três e até mais cartórios pelo país. “Fui informado que há uma situação reiterada de titulares que prestam novos concursos em outros estados e, aprovados, nomeiam substitutos, que geralmente são familiares, e tomam posse normalmente. Se aproveitam da morosidade do Poder Judiciário, que não realiza novo concurso. É gravíssimo”, relatou.

Nesta segunda-feira (10), Márcio Messias Cunha irá encaminhar cópia da reclamação ao presidente do TJ-GO, ao corregedor-geral de Justiça, ao presidente da Associação Brasileira de Advogados – Seção Goiás (ABA-GO), à Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (Asmego) e à seção goiana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-GO). “Para que as autoridades não passem despercebidas a esse problema”, sentencia.

 

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Rachan

Em Goiânia também existe o cartel do cartório. A única solução que há para este País, é redução ao mínimo do Estado. Serviço público é caro e de péssima qualidade. Tem que acabar com as monarquias neste país, antes que ela destrua o Brasil. Acorda povo!!!!!!

Cristino

Quando e nas mãos de que este país vai consertar? É lamentável isso os acontecimentos rolam solto em metros m2 em nosso país “BRASIL” os brasileiros não são desinformados da forma que muitos pensam, às vezes pela falta de dinheiro nas mãos da pobreza são consequências atuais na qual vivemos.

Jozilda Camatte

Está coberto de razão. Só vai encontrar os internos no Cartório, pois ali estão há anos atendendo a sociedade. E os concursados, que eventualmente estiverem por lá… não atendem ao público. Pior ainda se este Advogado resolver ingressar com ação prá investigar a ” máfia dos cartórios” , ou seja, o concursado que assume outro Cartório e vai deixando um parente que era tabelião substituto ( por nem 1ano) e fica recebendo pelos 2, 3 ou mais Cartórios.
Tem caso de tabelião substituto que ” reside” a 300 km da Cartório e não sabe nem fazer um reconhecimento de firma.

Cristiane

Existe cartórios no interior que o tabelião titular não parece, mora mais de 300 km da comarca do Cartório tem que investigar mesmo

André

O concurso para delegatários e o meio mais democrático num estado de direito.