Ações contra suposto serial killer estão suspensas até divulgação do laudo de insanidade

TJ recomenda que esse mesmo exame seja usado em todos os processos movidos contra Tiago Henrique Gomes da Rocha. Resultado pode sair ainda esta semana

Tiago Henrique Gomes da Rocha, o suposto serial killer, ficou cabisbaixo durante as audiências dos casos Ana Lídia e Bárbara Luíza | Foto: Hernany César/TJGO

Nesta segunda-feira (23/2), durante audiências de instrução preliminar das ações penais pelos crimes de homicídios contra Ana Lídia de Sousa Gomes e Bárbara Luíza Ribeiro Costa movidas contra o suposto serial killer Tiago Henrique Gomes da Rocha, o juiz Eduardo Pio Mascarenhas determinou que as ações penais desses crimes fossem suspensas até a divulgação do laudo do exame de insanidade mental do acusado.

O exame foi realizado no dia 6/2 pela Junta Médica Oficial do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO). A previsão é de que o resultado seja divulgado até esta quinta-feira (26). Esse mesmo laudo deverá ser utilizado em todos os processos movidos contra o suposto serial killer. “Não justifica pedir um exame de insanidade para cada processo, pois além de onerar, já que tem custos, prejudica a celeridade dos casos”, explicou o Eduardo Pio Mascarenhas.

Após a conclusão do laudo, acusação e defesa poderão apresentar suas últimas alegações. “Só depois do resultado do laudo é que será decidido se Tiago vai ser levado a júri popular ou não”, enfatizou o magistrado.

Depoimentos

Testemunhas do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e da defesa de Tiago Henrique Gomes da Rocha foram ouvidas durante as audiências relacionadas aos homicídios praticados contra Ana Lídia de Sousa Gomes, ocorrido no dia 2 de agosto de 2014, e Bárbara Luíza Ribeiro Costa, em 18 de janeiro do mesmo ano.

Escoltado por policiais, o suposto serial killer esteve presente em ambas as audiências, mas ficou o tempo todo de cabeça baixa e não respondeu a nenhuma pergunta feita pelo juiz ou pela acusação. Durante os depoimentos, a defesa fez poucas perguntas às testemunhas.

O delegado Murilo Polati, que atuou na força-tarefa que levou à prisão de Tiago Henrique, foi o primeiro a falar na audiência do assassinato de Ana Lídia. Ele contou como foram as linhas de investigação da equipe para solucionar o caso do serial killer, ressaltando que foi possível chegar até o acusado através da investigação de crimes semelhantes que estavam sendo cometidos contra casas lotéricas e estabelecimentos comerciais.

De acordo com o delegado, a princípio eram investigados 15 crimes relacionados aos homicídios, que depois subiram para 18. “Ao final, chegamos ao número de 39, que foi a quantidade confessada por Tiago. Depois, amparado por advogados, ele reduziu para 29 assassinatos”, afirmou. Ainda segundo Polati, Tiago sempre se manteve frio em todos os interrogatórios, sem mostrar qualquer tipo de sentimento de arrependimento. “Ele era bastante vaidoso também. Se preocupava até com a fotografia”, disse.

Também foram ouvidas como testemunhas Wagner Martins da Silva, que participou da diligência que fez buscas na casa de Tiago, quando foram colhidas provas como a arma usada nos crimes; José Luiz Jacinto, que morava próximo ao ponto de ônibus onde ocorreu o crime; e Wellington Antônio da Silva, motorista do caminhão que seguiu o suposto serial killer.

O avô de Ana Lídia, Aloísio Fernandes Gomes, também foi ouvido e falou sobre os passos da neta no dia do crime: “Ela saiu às 15 horas para ir para a Feira da Lua. Sempre ia de carro com alguém, mas nesse dia resolveu ir sozinha. Nós pensamos que ela iria até o ponto final do ônibus, onde é mais movimentado. Mas a minha neta resolveu ir para o ponto que sempre tinha pouca gente”.

A avó de Bárbara Luíza, Valdomira Ribeiro do Nascimento, depôs na audiência da ação penal contra Tiago pela morte da jovem. Durante o depoimento, ela chamou várias vezes o suposto serial killer de monstro e gritou ordenando que ele erguesse a cabeça, porque no momento do crime teria matado sua neta de cabeça erguida. Devido ao nervosismo, Valdomira teve que deixar o local até a saída de Tiago.

O pai de Bárbara, Sidney Custódio da Costa, contou que a filha estava na casa da avó e que teria ido ao salão enquanto o tio e a avó foram a um supermercado. “Ela terminou de fazer as sobrancelhas e saiu do salão. Logo ele passou de moto e matou minha filha. Eu e a mãe dela estávamos indo buscá-la na casa da avó, quando meu cunhado ligou falando o que tinha acontecido. Quando chegamos, ela já estava morta. Ela ia fazer 15 anos, mas era apenas uma criança”, contou.

Além da avó e do pai da vítima, foram ouvidas outras testemunhas como Diego Santana de Oliveira e Roberto Machado Júnior, vizinhos do salão onde a garota foi assassinada, e o tio de Bárbara, Éder Pereira do Nascimento.

* Com informações da Assessoria de Imprensa do TJGO

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