ACM Neto admite que DEM pode apoiar Bolsonaro em 2022

O presidente nacional do partido sugere que não tem compromisso com a candidatura de João Doria a presidente

Numa entrevista à repórter Camila Mattoso, da “Folha de S. Paulo” (quarta-feira, 3), publicada sob o título de “‘DEM não vai com extremos em 2022, mas não posso descartar agora estar com Bolsonaro’, diz ACM Neto”, o presidente nacional do Democratas admite que não tem compromisso com o governador de São Paulo, João Doria, e que, dependendo das circunstâncias, pode até apoiar a reeleição de Jair Messias Bolsonaro.

Jair Bolsonaro e ACM Neto | Foto: Reprodução

“Você pergunta se eu descarto inteiramente a possibilidade de estar com Bolsonaro. Neste momento não posso fazer isso. Qual Bolsonaro vai ser? Os dos dois últimos anos que passaram? Não queremos. Agora, haverá um reposicionamento? Para a construção de algo mais amplo, que não fique limitado à direita? Não sei. Então, não posso responder agora. Portanto, seja Doria, Bolsonaro, Huck, Ciro, Mandetta, qualquer um dos nomes, vamos saber com o passar do tempo se vai ter mais ou menos chance”, afirma Antônio Carlos Magalhães Neto, de 42 anos. O ex-deputado federal e ex-prefeito de Salvador não acredita que o ex-ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro será candidato. Também não mostrou entusiasmo, ainda que tenha sido lacônico, a respeito de Luciano Huck — que, há quem diga, espera se tornar o novo Faustão da Globo.

Instado a responder se Bolsonaro hoje é menos extremista do que nos dois últimos anos, ACM Neto frisa que “o presidente tem pessoas no entorno dele que são mais extremistas do que ele”. De fato, o jogo com o centrão indica que Bolsonaro não é tão radical quanto sua “boca” sugere. O radicalismo excessivo é, quem sabe, um meio para ligá-lo com o eleitorado “radical” que o apoia.

Rodrigo Maia, ACM Neto e João Doria: novos rumos | Foto: Reprodução

Sobre João Doria, do PSDB, ACM Neto postula: “Da mesma forma que lhe afirmo que não temos compromisso com Doria, e nunca tivemos, também devo dizer que jamais nós descartamos essa possibilidade. Não é certo dizer que há compromisso, como não é certo dizer que há veto”. Eis a realpolitik expressada com estrema habilidade. Um caso para a ciência… política.

A repórter da “Folha” fez as perguntas certas, mas ACM Neto, mais escorregadio do que seu avô, ACM, que praticamente governou a Bahia como monarca — inclusive quando estava fora do poder —, respondeu-as de modo enviesado. Sugere, por exemplo, que o Democratas não pediu cargos ao governo, mas admite, de maneira oblíqua, que há possibilidade de o partido integrar a equipe de Bolsonaro. “A gente quer que avancem as agendas de reforma. Fora do campo econômico, é preciso equilíbrio e moderação”, postula o político pós-balzaquiano.

Ao dizer que a disputa na Câmara dos Deputados “foi um processo apenas do Legislativo”, ACM Netto subestima a inteligência da repórter e dos leitores. Claro que não foi. A poucos metros da sede do Legislativo, enquanto os jogadores estavam em campo, Bolsonaro, como uma espécie de Jorge Jesus da política, sugeria os caminhos para os atletas. Inclusive, é claro, liberando recursos para as bases dos parlamentares.

Link para a entrevista de ACM Neto

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/02/dem-nao-vai-com-extremos-em-2022-mas-nao-posso-descartar-agora-estar-com-bolsonaro-diz-acm-neto.shtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=social&utm_campaign=compwa

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