Com o tema “Exploradores do Tempo”, o maior evento escoteiro de Goiás reuniu mais de 450 participantes de diversas cidades do estado no Acampamento Assembleia de Deus Anápolis, em Corumbá de Goiás. Promovido pelos Escoteiros do Brasil – Região Goiás, o acampamento proporcionou aos jovens uma imersão no método escoteiro, combinando atividades ao ar livre, visitas a pontos turísticos da região e momentos de convivência.

Para a presidente dos Escoteiros do Brasil – Região Goiás, Isabelly Castro da Silva, o evento superou todas as expectativas em termos de organização e participação. “Nós visitamos o Complexo Salto de Corumbá para que eles aproveitassem um pouco mais as cachoeiras e as belezas naturais que a região tem para oferecer”, relatou em entrevista ao Jornal Opção

A alegria e a segurança foram marcas registradas do acampamento, conforme destacou a presidente. “Nós trabalhamos com crianças nesse acampamento de 7 anos a jovens de 22 anos, onde eles trabalharam seus programas, e foi bem legal, foi uma atividade que foi surpreendente em relação à organização, todos os jovens saíram, não tivemos intercorrências, o que é muito bom, ninguém se machucou, não tivemos problema de saúde com ninguém, foi um acampamento só alegria”, comemorou Isabelly.

Isabelly Castro | Foto: Reprodução

Thewane Cavalcante de Oliveira, presidente do grupo escoteiro Salesiano Sagrado Coração de Jesus 52GO, também celebrou o sucesso do encontro e detalhou a composição dos participantes. “Foram 160 tropas escoteiras, 50 lobinhos, 108 sênior, porque a gente se divide em faixas etárias de idade”, explicou. Durante os dias de programação na sede do acampamento, os jovens tiveram a oportunidade de colocar em prática habilidades fundamentais do escotismo. “Eles mexeram com fogueira, aprenderam a fazer tudo. Foi muito legal”, completou.

O método escoteiro

O movimento escoteiro, que completa 120 anos de existência em 2027, foi criado na Inglaterra por Robert Baden-Powell em 1907, em um contexto histórico marcado pela busca dos jovens por aventura e propósito. Conforme explicou Isabelly Castro da Silva, “o grupo dos escoteiros é um movimento educacional centenário, que tem um método próprio de educação, que prioriza o aprender fazendo”. 

A história do movimento começou de forma quase acidental, quando Baden-Powell, então comandante militar, passou a publicar fascículos com atividades para jovens. “Os jovens começaram a comprar e fazer as atividades que ele colocava lá como proposta”, relembrou a presidente. O sucesso foi tão grande que a Rainha Alexandra convocou Baden-Powell para estruturar oficialmente o movimento.

Poucos anos depois, em 1910, o escotismo desembarcou no Brasil através da marinha, com os primeiros grupos surgindo no Rio de Janeiro. “O movimento escoteiro está fazendo 120 anos no ano que vem, e aqui no Brasil ele faz em 2030, 120 anos, foram três anos de diferença”, pontuou Isabelly. Em Goiás, a tradição também é centenária, com mais de 100 anos de atividades ininterruptas. “Por mais que muita gente veja o movimento escoteiro só como coisa de filme de criança como, por exemplo, na época do Huguinho, Zezinho e Luizinho, do Tio Patinhas, que falava sobre o movimento escoteiro, ele é algo real e existe no Brasil inteiro”, afirmou.

Um dos pilares do movimento escoteiro é o trabalho voluntário. Todos os adultos que atuam como chefes são voluntários, dedicando seu tempo e conhecimento para formar as próximas gerações. “Normalmente foram jovens escoteiros, e estão retribuindo o que outros adultos fizeram por eles, porque sentem que o movimento escoteiro fez diferença na vida deles”, afirmou Isabelly. Outros voluntários são pais que levam seus filhos e acabam se encantando com a filosofia do movimento.

Isabelly, que na vida real é advogada, ressaltou que sua atuação como presidente também é voluntária e passageira. O movimento busca o desenvolvimento integral dos jovens nas áreas afetiva, física, emocional e espiritual, sem vínculo a nenhuma instituição religiosa específica, mas incentivando que cada um tenha uma crença na vida.

Thewane Cavalcante de Oliveira com jovens escoteiros | Foto: Arquivo pessoal

Thewane reforçou a importância dos valores cultivados pelo escotismo: “É muita aventura, desafio, amizade, aprendizados, e acima de tudo, muito espírito escoteiro. Porque o movimento escoteiro é justamente para eles aprenderem esse conceito de respeitar o próximo, respeitar a natureza”. O contato com a natureza é especialmente valorizado, pois proporciona um desligamento saudável do mundo digital. “Lá eles se desligam dos celulares, eles saem da internet, eles não mexem em redes sociais, então fica só em contato mesmo com a natureza mesmo, com os outros jovens, eles interagem entre eles, brincam”, destacou Thewane.

Atualmente, os Escoteiros do Brasil estão organizados em três níveis institucionais: nacional, regional e local. A Região Goiás, presidida por Isabelly, coordena cerca de 20 grupos escoteiros espalhados por todo o estado. “A gente se reúne de 3 em 3 anos, em um acampamento regional, onde nós conseguimos reunir parte do nosso efetivo”, explicou. O 23º Acampamento Escoteiro Regional (23º AAP) é justamente esse encontro trienal, considerado o maior evento escoteiro de Goiás.

Veja fotos do 23º Acampamento Escoteiro Regional (23º AAP):

A atuação do movimento em Goiânia é bastante abrangente, como destacou Isabelly. “Tem movimento escoteiro no Parque Areião, no Parque Botafogo, no Parque Bernardo Élis, em todas as regiões de Goiânia nós estamos presentes, e em muitas cidades de Goiás também”. 

Ramos etários e atividades específicas

O movimento escoteiro atende crianças e jovens a partir de 5 anos, divididos em diferentes ramos conforme a faixa etária, cada um com atividades e desafios específicos. Thewane detalhou essa estrutura: “O Ramo Lobinho, eles começam de seis anos e meio a dez anos, eles fazem a mesma coisa que a gente, só que de forma mais moderada”. Para os mais novos, a abordagem é adaptada, com cuidados especiais em acampamentos e aprendizado gradual de técnicas como nós e amarras.

Mais recentemente, foi adicionado um novo ramo : O Ramo Filhotes é destinado a crianças de 5 a 6 anos e representa o primeiro contato com o Movimento Escoteiro.

Veja as fotos abaixo.

Já a tropa escoteira, composta por jovens de 11 a 15 anos, assume um protagonismo maior. “A tropa escoteira quando vai acampar já constroem a própria mesa deles, eles cozinham e o chefe do acampamento vai estar com eles”, descreveu Thewane. Antes do acampamento, os jovens recebem preparação, mas na prática eles são os responsáveis. “A gente ensina também eles a fazerem a fogueira, para quando forem acampar no meio do mato e não tem fogão”, acrescentou.

O ramo sênior, de 15 a 18 anos, encara desafios ainda maiores. “Eles saem em trilhas onde eles têm que montar o acampamento e cozinhar ali o que tiver”, explicou Thewane. O treinamento é mais intensivo e voltado para a autonomia total. Por fim, o ramo pioneiro, de 18 a 22 anos, trabalha com projetos de vida. “Como eles já estão maiores, aí eles fazem com o chefe deles, do ramo pioneiro, um projeto de vida que eles vão seguir durante aquele ano”, disse. Após essa fase, muitos optam por se tornar chefes voluntários, perpetuando o ciclo de aprendizado e serviço.

Como participar do movimento escoteiro

Para quem se interessou em fazer parte dessa tradição centenária, a participação é aberta a todos. “Qualquer pessoa a partir de 5 anos pode participar do movimento escoteiro”, informou Isabelly. Basta procurar o grupo mais próximo, e para isso o site nacional www.escoteiros.org.br oferece uma ferramenta de busca por CEP. “Ele consegue saber todos os endereços, se tem na cidade dele, porque infelizmente a gente não está em toda cidade de Goiás, mas estamos dispostos a ajudar na criação de novos grupos escoteiros”, acrescentou.

Os contatos também podem ser feitos pelo Instagram oficial @escoteirosgo. Thewane complementou dando o exemplo do próprio grupo. “O nosso fica aqui em Vila Nova, na Paróquia Sagrada do Coração de Jesus”. Quanto aos custos, Isabelly explicou que o movimento funciona em regime de associação, com instituições sem fins lucrativos.

“Todos os nossos eventos desse tipo costumam sim ter uma taxa para bancar a própria atividade”, afirmou, mas garantiu que os valores são acessíveis. “Cada grupo escoteiro costuma ter uma mensalidade também para se manter, para conseguir tocar as atividades, porque nada nessa vida é de graça, mas são valores acessíveis, são valores que normalmente a família consegue, sim, arcar”, tranquilizou. Além disso, existe a possibilidade de isenção para famílias em situação de vulnerabilidade financeira.

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