A situação das contas públicas de Goiás entrou no centro da disputa pelo governo estadual. Nesta sexta-feira, 4, o governador e candidato à reeleição Daniel Vilela (MDB) reagiu às críticas feitas por adversários e afirmou que não há risco de o Estado voltar a atrasar o pagamento dos servidores.

Durante sabatina concedida a um site de notícias, Daniel foi questionado sobre declarações de adversários que colocam em dúvida a capacidade financeira do Estado para manter despesas e investimentos nos próximos meses. Ao responder, o governador direcionou as críticas principalmente ao ex-governador Marconi Perillo.

“Estão vivendo em outro planeta. Marconi, como morou oito anos em São Paulo, desconhece completamente o Estado de Goiás. Isso aí, talvez, ele esteja lembrando do Estado que ele deixou em 2018, com folha de pagamento atrasada, com antecipação de ICMS do setor produtivo que ele fez ao longo do último mandato dele”, disse.

Daniel afirmou ainda que considera “risíveis” os questionamentos sobre a situação fiscal do Estado. “Ou eles estão faltando com a verdade ou eles desconhecem completamente a realidade fiscal do nosso Estado”, acrescentou.

Ao ser perguntado diretamente se existe possibilidade de atraso nos salários do funcionalismo nos próximos meses, o governador respondeu que o cenário está “descartado”.

Capag entra no debate eleitoral

Para sustentar a avaliação sobre as contas estaduais, Daniel citou a Capacidade de Pagamento (Capag), classificação utilizada pelo Tesouro Nacional para medir a situação fiscal de estados e municípios.

Goiás aparece atualmente com nota B+ e alcançou classificação A no quesito liquidez. Em 2018, o Estado estava na categoria C. Segundo Daniel, o governo contesta a avaliação atual por considerar que Goiás já teria condições de receber nota A na classificação geral.

“Na nossa avaliação, deixaram de pontuar algumas situações e a nossa Capag deveria ser A. Mas, de toda forma, B+ é o reconhecimento do Tesouro Nacional, que é vinculado ao Governo Federal e atestou a saúde fiscal do nosso Estado”, afirmou.

Os números das contas estaduais também foram usados pelo governador para estabelecer uma comparação com 2018. Naquele ano, Goiás terminou o exercício com aproximadamente R$ 6 bilhões em compromissos de curto prazo, enquanto a Conta Única do Tesouro tinha R$ 11 milhões. Mais de 4,5 mil fornecedores estavam com pagamentos pendentes.

Também havia uma insuficiência financeira superior a R$ 3,4 bilhões para o pagamento das obrigações e aproximadamente R$ 1,9 bilhão em despesas com pessoal que ficaram para o exercício seguinte.

No fechamento de 2025, o cenário registrado nas contas estaduais era diferente. Goiás contabilizou cerca de R$ 9,1 bilhões em caixa líquido, já descontados os recursos reservados para obrigações.

Outro indicador citado foi o peso da folha sobre a Receita Corrente Líquida (RCL). Pela metodologia da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o percentual passou de 52,79%, em 2018, para 39,96% em 2025.

A dívida consolidada também representa hoje uma parcela menor da receita estadual. A relação, que estava próxima de 93% da RCL em 2018, tem projeção de chegar a 61,8% em 2026. Segundo Daniel, R$ 5,5 bilhões em dívidas foram pagos pelo Estado nos últimos anos.

Obras e fornecedores

Daniel também rejeitou a possibilidade de uma eventual dificuldade de caixa comprometer obras estaduais. Segundo o governador, os projetos em execução contam com recursos previamente reservados.

“Todas as obras que a gente inicia têm recursos em caixa. Todas as obras que estão em execução, fazem-se a medição, entra com a nota fiscal, não precisa ir lá pedir para ninguém fazer pagamento. Isso tudo é automático, o fornecedor recebe”, declarou.

A discussão sobre as contas públicas ocorre em meio à campanha eleitoral, com a situação fiscal do Estado sendo usada tanto pelo governo para defender a continuidade da atual gestão quanto pelos adversários para questionar a sustentabilidade dos gastos e investimentos.

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