Coronel Silvio Benedito afirma que Comissão de Gerenciamento de Crises trabalha para que reintegração de posse das escolas ocupadas seja pacífica

Coronel Silvio Benedito é a aposta tucana em Aparecida de Goiânia
Para comandante-geral da PM, caráter pacificador será adotado para cumprir reintegração de posse determinada pela Justiça

O comandante-geral da Polícia Militar do Estado de Goiás, coronel Silvio Benedito Alves, disse na tarde desta terça-feira (19/1) em frente ao Palácio Pedro Ludovico Teixeira que a Comissão de Gerenciamento de Crises trabalha para que haja uma reintegração de posse pacífica das escolas estaduais ocupadas por manifestantes contrários à gestão do ensino estadual por Organizações Sociais (OSs), que deve ser implantada pelo governo.

De acordo com o coronel, a determinação de 14 de janeiro do desembargador Geraldo Gonçalves, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO), de reintegração de posse das escolas estaduais José Carlos de Almeida, Lyceu de Goiânia e Robinho Martins Azevedo, as três em Goiânia, deverá ser cumprida com todas as tentativas para manter uma ação pacífica em cumprimento à decisão judicial.

“A Polícia Militar de Goiás tradicionalmente é negociadora”, afirmou o coronel. Segundo o comandante-geral, a PM goiana quer colaborar com o impasse e espera que os “ânimos sejam pacíficos”. “Queremos que as pessoas resolvam os problemas no diálogo, no cumprimento da lei.”

O coronel deu um exemplo para mostrar o que ele considera o lado pacificador da Polícia Militar de Goiás. “Nós tiramos 3 mil pessoas ligadas ao movimento sem terra de uma fazenda lá na região de Pirenópolis e Corumbá sem estourar uma bomba de efeito moral.”

Silvio Benedito explicou que a Comissão de Gerenciamento de Crises tem trabalhado junto à secretária estadual de Educação, Cultura e Esporte (Seduce), Raquel Teixeira, para definir como será cumprida a decisão do desembargador de desocupar as três escolas estaduais. Em todo o Estado são 26 colégios ocupados por professores, alunos e apoiadores do movimento que não aceita a gestão por OSs do ensino público em Goiás.

Para o comandante-geral da PM goiana, que trata as ocupações como “invasões”, o Estado busca, ao tentar implantar a gestão compartilhada com OSs na educação, a melhoria do ensino público em Goiás. “Que essas pessoas saiam dessas escolas, deem oportunidade para as pessoas que precisam e alunos que querem se matricular nas escolas que estão invadidas. Não estão ocupadas, estão invadidas.”

Silvio se considera um exemplo vivo da busca de uma educação melhor. Ele contou que, “por conta de um ensino público de qualidade”, estudou no Colégio Militar Hugo de Carvalho Ramos, quando a carga horária de aulas era integral.

“Tive a oportunidade de fazer um cursinho de forma gratuita e passei para Medicina Veterinária, passei em primeiro lugar no curso oficial, na seleção, passei para Biomedicina na Católica (hoje PUC-GO) muito por conta de um ensino público de qualidade”, defendeu o coronel a proposta do Estado de gestão por OSs.

Comissão

A Comissão de Gerenciamento de Crises foi criada em 19 de agosto de 2002 por meio do Decreto Estadual número 5.642, assinado pelo governador Marconi Perillo (PSDB) em seu primeiro mandato à frente do Estado.

Subordinada à Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (SSP-GO), o grupo obedece à norma estabelecida pelo governo, como determinada em seu artigo primeiro: “Fica criada a Comissão de Gerenciamento de Crises, subordinada  ao Secretário da Segurança Pública e Justiça, com a finalidade de gerenciar e buscar soluções legais às crises de natureza policial, porventura advindas do sistema de segurança pública do Estado”.