Arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa foi nomeado cardeal pelo Papa Francisco

O arcebispo de Brasília, Dom Paulo Cezar Costa, recém-nomeado cardeal, acredita que a polarização política não é, necessariamente, um mal. Por outro lado, defende que ela passa a ser problema à medida em que os dois lados não conseguem dialogar. A declaração foi dada durante entrevista ao Jornal Opção.

“A divisão em si, a polarização em si, não é um mal. Há outras sociedades que também são polarizadas. Por exemplo, se você olha a sociedade americana, é bem dividida entre republicanos e democratas”, afirma Dom Paulo. O arcebispo, que se tornará cardeal oficialmente em cerimônia no dia 27 de agosto, acrescenta que o problema começa quando falta diálogo. “Ela [polarização] vai se tornando algo que pode ser negativo, quando as pessoas vão se acirrando nas suas posturas e perdendo a capacidade do diálogo, de construir aquilo que o papa Francisco chama a Cultura do Encontro”, opina.

O papa, por sua vez, chegou a falar em rejeição à polarização, durante sua mensagem de Natal, em 2021. “Só esses caminhos [do diálogo] podem conduzir à resolução de conflitos e a benefícios duradouros para todos”, afirmou à época. Além da nomeação como cardeal, o arcebispo de Brasília recebeu outro dois reconhecimentos do papa, quando, em 2020, se tornou membro do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos e da Pontifícia Comissão para a América Latina.

Cenário brasileiro e posicionamento

Analisando a realidade do Brasil, Dom Paulo Cezar Costa critica o foco no que ele chama de ideologia. “O perigo da polarização é quando se atém mais à ideologia do que a problemas reais do povo. Isso pode ser um problema da política nesse momento”, pontua.

Questionado sobre como um cardeal deve se posicionar em relação à política, Dom Paulo responde de imediato. “Ele deve sempre seguir aquilo que a Igreja manda. A Igreja não se envolve em política partidária”, afirma. Segundo ele, bispos, padres e cardeais, por exemplo, devem buscar construir pontes, enquanto a política partidária pode acabar levando à divisão. “Ela [Igreja] se envolve em política enquanto o olhar do bem comum, o bem do povo, as principais questões da vida de uma sociedade, que têm incidência no dia a dia, questões éticas”, conclui.