A pedido da Consciente, Prefeitura de Goiânia arranca árvores saudáveis da calçada do Nexus

Justificativa da Gerência de Arborização Urbana é que quatro oitis e uma aroeira pimenteira atrapalhariam acesso ao empreendimento e acessibilidade

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Após conseguirem suspender a liminar que impedia a construção do investigado Nexus Shopping & Business, a Consciente Construtora e a JFG Incorporações conseguiram, também, que a Prefeitura de Goiânia removesse cinco árvores saudáveis do passeio público do local.

Nas imagens acima é possível ver o que restou de quatro oitis e uma aroeira pimenteira, que foram arrancadas pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) nesta semana das calçadas das Avenidas D e 85, no Viaduto Latif Sebba.

Ao Jornal Opção, a gerente de Arborização Urbana da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), Jarina Padial, explicou que o pedido de remoção das árvores partiu da própria construtora, que alegou que estas impediam acesso ao empreendimento e  atrapalhariam o plano de “calçada sustentável” proposto. Além disso, a análise realizada pelo órgão municipal identificou que havia “conflito” com a rede de energia elétrica.

“Foram três fatores: acesso ao empreendimento, acessibilidade para transeuntes e a rede de alta e baixa tensão”, disse, fazendo questão de ressaltar que o processo “seguiu os trâmites legais”. Segundo Padial, foram apresentados os projetos aprovados pela Secretaria de Planejamento Urbanismo e Habitação (Seplanh) e pela Secretaria Municipal de Trânsito, Transportes e Mobilidade (SMT).

De fato, o Nexus Shopping & Business teve seus projetos aprovados pelas Seplanh e SMT; contudo, como mostrou o Jornal Opção com exclusividade, os estudos apresentados pela Consciente JFG estão sendo questionados na Justiça. O Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) ajuizou ação civil-pública exigindo que a Prefeitura de Goiânia revogue as licenças e alvarás concedidos ao empreendimento, por fortes indícios de fraude.

“Na gerência de arborização não chegou nenhum questionamento do MPGO. Se chegou ao licenciamento é outro departamento, não tenho conhecimento. O embargo da obra foi posterior ao processo de arborização, e outra coisa, arborização é passeio público… O que acontece dentro do empreendimento, na área particular, já não é com a gente”, desconversou Padial.

Questionada se o corte das árvores não havia sido realizado apenas para atender os interesses comerciais do Nexus Shopping & Business, a gerente respondeu de forma ríspida: “Você não escutou. Não é interesse do imóvel. Eles apresentaram um projeto de acesso e acessibilidade, que é de interesse público. Como contraproposta irão colocar uma calçada toda com acessibilidade, farão replantio ao longo do passeio, vai ser ‘sustentável’.”

Além disso, ela informou que a lei prevê a qualquer cidadão, “se ficar comprovado que a árvore impede acesso a sua moradia”, a Amma faz a retirada.

Combo

Nesta foto do fotógrafo Renan Accioly do começo deste ano mostra como eram as árvores

Nesta foto do fotógrafo Renan Accioly do começo deste ano mostra como eram as árvores

Entre as justificativas apresentadas à reportagem pela gerente de Arborização Urbana para a retirada dos quatro oitis e da aroeira pimenteira  — que estavam saudáveis, sem nenhum problema de fitossanidade — na calçada do Nexus Shopping & Business, está o “conflito” com a rede elétrica.

A questionamos se a justificativa não seria frágil, já que normalmente é mais fácil realizar apenas uma poda, em vez de arrancar as árvores. Segundo Jarina Padial, “quando levado em consideração os outros dois motivos [acesso ao empreendimento e acessibilidade]”, esse também seria válido.

 

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Revista ecoLÓGICA

Big business as always!
We goin’ eat money…

Amanda

Fico decepcionada. Várias vezes vi árvores saudáveis sendo retiradas em nome de um “projeto mais sustentável” que as construtoras pregam. Goiânia está perdendo cada vez mais seu espaço verde, em nome de grandes edifícios,
que só servem para encher ainda mais lugares/bairros que já estão sem saturados, onde seria inimaginável a existência de outro “empreendimento”. E a “fiscalização” na cidade corre frouxa. Sustentabilidade é uma palavra que não existe na antiga cidade mais arborizada do país.

Amanda

Antiga capital mais arborizada, corrigindo.