A nova política

José Eliton*

O amadurecimento da democracia fortaleceu a cidadania e fez surgir uma geração de brasileiros consciente de seus direitos e deveres e mais atenta à direção dada ao País por seus representantes políticos. As manifestações de junho de 2013 demarcaram essa mudança de posicionamento e as ruas foram inundadas pela expressão desse sentimento de mudança, pouco menos de 30 anos após o movimento das Diretas-Já.

Se em 1984 e 1985 os brasileiros foram às ruas para reivindicar o restabelecimento do voto direto para a presidente da República, em 2013 os gritos de protesto pediam a revisão da representação e o restabelecimento da conexão perdida entre representantes e representados. Em outras palavras, mais ética, mais transparência e mais moralidade. Uma nova política.

O forte desejo de mudança e restabelecimento de uma nova política esbarrou no maior processo de depuração ética e moral da história do Brasil. Não há dúvidas de que saímos maiores desses dois momentos, na verdade complementares. O esclarecimento dos fatos está contribuindo na tomada de decisões na definição dos seus representantes.

A nova política surge desse novo conjunto de valores construídos a partir dessas reflexões e das luzes jogadas sobre a classe política. A mensagem e o aprendizado mais importante é a disposição para restabelecer a conexão direta com o cidadão, discutindo, diretamente com ele, o atendimento das demandas. Fazer do diálogo a ferramenta fundamental do entendimento.

Numa sociedade plural, a disposição para o bom debate de ideias, com transparência, honestidade intelectual e tolerância não são mais peça de retórica. Têm de ser item de agenda, porque o cidadão deseja participar da tomada de decisões. Os governos não podem se isolar na arrogância de sua suposta sabedoria, porque os representados exigem que a representação seja compartilhada com todos e entre todos.

Os espaços para este debate estão disponíveis e são os mais diversos, dos parlamentos às entidades de representação da sociedade civil, passando pelas mídias sociais e pelos veículos de comunicação. A nova política, portanto, requer uma nova espécie de contrato social, baseada no pressuposto de que as demandas são mutáveis e de que os cidadãos querem exercer seus direitos e garantias por inteiro.

José Eliton é governador de Goiás

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