A crise nas universidades é induzida, afirma presidente da ANPG

Secretário de Educação Superior do MEC, no entanto, afirma que estudantes podem ficar tranquilos

Foto: Divulgação

O secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Arnaldo Barbosa de Lima Júnior, falou sobre o programa Future-se durante o 3° Congresso Internacional de Jornalismo de Educação. Ao discutir o tema “A Universidade na era do conflito”, o secretário afirmou que os estudantes brasileiros podem ficar tranquilos pois a assistência estudantil está 100% preservada. “Não faltarão recursos. Mas é bom lembrar aos defensores de mais recursos para o setor que é preciso apontar de onde eles sairão, pois não basta ter educação sem saúde, segurança pública e investimentos em outras áreas”, argumentou.

‌Ao Jornal Opção a presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), Flávia Calé, disse que as principais dúvidas sobre a proposta do governo federal, no entanto, seguem sem respostas. “A crise nas universidades é induzida pela ausência de investimento público. Quando eles sufocam a Universidade e apresentam um projeto de uma mudança da arquitetura das instituições, para que ela se torne uma catadora de recursos, ela perde sua finalidade da produção de ensino, pesquisa e extensão. Isso é um desastre em perspectiva”, afirma.

“Quem são esses entes que vão sustentar as universidades? Pois o mercado só investe onde eles têm segurança e isso só existe onde existe investimento público. Se o Estado deixa de investir na Universidade isso gera insegurança para o investimento privado. E isso faz com que vejamos esse projeto com insegurança. Ele não resolve o problema, o que faz isso é o retorno dos investimentos”, defende Calé.

Sem detalhes

De acordo com o presidente da Une, Iago Montalvão, o MEC estabeleceu um teto de esclarecimento sobre o Future-se, o que tem impedido o entendimento de alguns pontos importantes, a exemplo das organizações sociais. “Eles sempre desconversam quando são questionados sobre o papel das OSs na gestão da Universidade. No Future-se ela é proposta como uma atividade fim, como ela vai lidar com isso, no entanto, não foi respondido até o momento”, explica.

“Debater o financiamento em uma conjuntura em que temos desestruturação do orçamento público para as universidades é muito complexo porque não há possibilidade de se acreditar que vá ser garantido um orçamento público”, afirma ao pontuar que sequer o orçamento aprovado está sendo cumprido. As universidades ficam à deriva da vontade do governo que tem a opção de executar ou não os gastos discricionários”, complementa o presidente da Une.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.