36 anos depois, avó encontra neto sequestrado durante a ditadura militar argentina

Estela de Carlotto é presidente do “Avós da Praça de Maio”, grupo que reúne mulheres em busca de seus netos roubados pelos opressores. “Guido” é o 111º encontrado dos cerca de 500 desaparecidos

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A história de uma avó que teve o neto desaparecido durante a ditadura militar argentina teve um final feliz nesta terça-feira (5/8). Depois de procurar por 36 anos, Estela de Carlotto encontrou “Guido”, sequestrado por militares logo após o nascimento, enquanto sua mãe era mantida em cárcere.

Foi um filho de Estela, Kivo Carlotto – que também é secretário de Direitos Humanos da província de Buenos Aires –, quem fez o anúncio do encontro em um programa de TV. “O resultado é positivo. Encontramos o meu sobrinho depois de 36 anos. Ele se apresentou voluntariamente, submeteu-se a um exame de DNA e deu 99,9% de compatibilidade. É uma emoção enorme”, disse ao “Todo Noticias”.

Após o nascimento da criança, a mãe o batizou de Guido, mas eles não tiveram muito tempo juntos. Laura Carlotto havia sido sequestrada pelos militares durante a gravidez e, segundo relatos de uma companheira de cativeiro, foi morta em 26 de junho de 1978, logo após dar à luz.

A avó, então, iniciou uma busca incansável pelo neto perdido, certo de que ele ainda estava vivo. Ela se tornou presidente do movimento conhecido como “Avós da Praça de Maio”, criado em outubro de 1977 como uma organização semelhante à “Mães da Praça de Maio”, buscando (re)encontrar os descendentes sequestrados.

Guido, que provavelmente não utiliza mais este nome hoje em dia, é o 111º neto encontrado pelas avós. Estima-se que cerca de 500 bebês e crianças tenham sido roubados pelos repressores durante a ditadura, muito deles nascidos nos campos de tortura e extermínio.

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