“Wanderlei Barbosa é um dos melhores nomes para Palmas”

Mas o deputado estadual e presidente do Solidariedade no Estado admite recuou na candidatura, se o pré-candidato da sigla não deslanchar

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Dock Júnior

Dirigente do SD no Tocantins se diz confiante com as perspectivas de seu partido para as eleições municipais, lembra que em nível nacional a sigla dá total apoio ao governo de Michel Temer e explica fatos da campanha passada, quando o grande nome da coligação, o ex-governador Siqueira Campos, ficou fora, o que pode ter contribuído para a derrota de Sandoval Cardoso. “Por mim, Siqueira deveria ter participado. Acho que foi coisa de marqueteiro”, alfineta Vilmar Alves de Oliveira, o Vilmar do Detran.

Goiano de Nazário, Vilmar tem características de um “mineirinho boa gente”. Simples, discreto, tranquilo, contudo, pronto para dizer algumas verdades, se necessário. O parlamentar recebeu o Jornal Opção em seu gabinete e contrariou – diga-se de passagem – o burburinho de que não é adepto a polêmicas. Ele respondeu todas as interrogações que lhe foram dirigidas, sem qualquer receio, por exemplo, de explicitar as razões pelas quais saiu das fileiras do PMDB.

O sr. hoje preside o SD no Tocantins. Sabe-se de sua ligação com o ex-deputado Junior Coimbra, que está sem partido. Não é seu interesse arregimentá-lo para a sigla?
O ex-deputado Coimbra hoje está sem partido, ele se desfiliou do PMDB recentemente. É evidente que precisamos crescer e fortalecer o SD e isso ocorre quando se filiam grandes lideranças. Ocorre que ele é primeiro suplente de deputado federal. Uma filiação em outro partido, neste momento, poderia culminar em riscos de perder essa primeira suplência. Creio que no momento certo, ele se filiará à nossa sigla.

Quantos diretórios já foram formados e quais as perspectivas para as próximas eleições municipais?
Coincidentemente o SD nasceu quando o Sandoval era governador. Evidentemente, isso atraiu muitas lideranças, prefeitos e vereadores. As pessoas não haviam sido eleitas pelo SD, mas migraram para ele no momento daquela criação. Nós organizamos o partido no Estado do Tocantins e temos por objetivo manter essas lideranças, assim como filiar outras. Hoje há 102 municípios com comissões provisórias regularizadas. Há perspectivas de lançar 30 candidatos a prefeito e vice-prefeito, além de cerca de 120 candidatos a vereador. Estamos trabalhando duro para obtermos bons resultados nas eleições municipais. Essa base vai nos fortalecer para o projeto 2018. Estamos preparados para candidaturas próprias como também para fazer alianças com outras siglas, se assim a executiva do partido decidir.

"Seria importante que siqueira campos estivesse no palanque de sandoval cardoso. não se pode dispensar o apoio de um líder como ele”

“Seria importante que siqueira campos estivesse no palanque de sandoval cardoso. não se pode dispensar o apoio de um líder como ele”

Como o SD vai se posicionar na sua base eleitoral, Colmeia e adjacências?
Essa região é meu berço político. Eu estou sempre presente e preocupado com aquela população. Haverá candidaturas próprias em Colmeia e Itaporã. As coligações e alianças político-partidárias ocorrerão em Pequizeiro, Goianorte e Guaraí.

E Palmas? O deputado Wanderlei Barbosa é o pré-canditado da sigla na capital?
Sim, perfeitamente, ele é o nosso candidato. Trata-se de um homem preparado. Creio que é uma excelente opção para Palmas. Eu e o partido temos um compromisso com o Wanderlei, um dos políticos mais conhecidos dessa região, o pai dele foi o primeiro prefeito de Palmas, portanto, são mais de 30 anos de história. Ele tem o perfil e todas as características para ser um excelente gestor na capital.

Como presidente do diretório metropolitano, o Wanderlei está na linha de frente conversando com outros partidos, organizando possíveis coligações. No momento certo, ele será lançado. Contudo, se o partido entender que a candidatura não avançou, também não seremos irresponsáveis a ponto de lançar uma candidatura suicida. Se isso ocorrer, no que não creio, iremos nos reunir e debater com Wanderlei e se for necessário, recuaremos. Tenho certeza que ele saberá entender, mesmo porque a política é feita de compreensão, entendimento, diálogo e o deputado Wanderlei é um democrata e zela por esses princípios.

Em termos nacionais, como o partido vai se postar em relação ao governo Michel Temer?
Nosso partido, através do nosso presidente nacional, Paulinho da Força, foi o primeiro a levantar a bandeira anti-PT. Fomos decisivos nesse processo e hoje somos aliados do presidente Temer, do PMDB. Nossa sigla busca essa mudança, a valorização do ser humano acima de tudo e, por fim, a vontade de fazer um Brasil melhor. O entendimento e a união são a nossa plataforma. Estamos dispostos a ajudar o novo governo, que está no caminho certo, com uma boa equipe e tem chance de melhorar – e muito – a imagem do país e, principalmente, a parte administrativa do nosso Brasil.

Na assembleia, o sr. se posiciona de forma contrária ou favorável ao governo Marcelo Miranda?
Me posiciono de forma independente, eu não tenho compromisso político com o governador Marcelo Miranda. Porém, entendo que temos que ajudá-lo. O país e o Tocantins passam por uma crise sem precedentes e só conseguiremos sair dela com união e trabalho.

Como o sr. avalia os primeiros três semestres do governo Marcelo Miranda?
Estamos passando por momentos difíceis, em função da crise que se instalou no país. Não quero aqui atribuir culpa a ninguém. Todos que passaram pelo Palácio Araguaia deram suas parcelas de contribuição, positivas ou negativas, para o Estado do Tocantins. Acredito até que o porcentual de ações positivas superam e muito as negativas.

Entretanto, eu tenho adotado o entendimento de analisar, caso a caso, os projetos e requerimentos de autoria do governo estadual. Não faço uma oposição irresponsável, ao contrário, minha oposição é coerente. Esse é o posicionamento que venho adotando e vou continuar agindo dessa forma. Tenho tentado ajudar de modo a resolver as dificuldades, na tentativa de superar a crise. Por exemplo: eu entendi as dificuldades financeiras apresentadas pelo governo e votei a favor do pacote que aumentava impostos, ocorrido no final do ano passado. Se assim não o fizéssemos, o governo estadual não teria como honrar compromissos básicos, como por exemplo, a folha de pagamento. Aqueles ajustes, aliados ao enxugamento da máquina administrativa, eram necessários. Em outras questões, quando entendi que não era razoável o pleito, votei contra.

Na condição de ex-servidor do Detran, e exatamente por isso, com bastante experiência nas lides daquele órgão, como o sr. votou na matéria de autoria do deputado Ricardo Ayres, que sustou os efeitos da Portaria nº 29 de abril de 2016, que regulamentava a cobrança de tarifa pela realização da inspeção veicular ambiental?
Votei a favor da sustação. Entendi que não era bom para o nosso povo, que já paga impostos demais. Veja, naquele caso o governo abriu mão da receita obtida com o recolhimento pelo contribuinte, daquela taxa. Apenas 10% iria para o Tesouro, num primeiro momento. Além disso, a tarifa de aproximadamente 150 reais, para fazer a inspeção veicular ambiental, estava elevada demais. Não achei justo e por isso fui contra.

Eu tenho preocupação com o meio ambiente, evidentemente. O Código de Trânsito Brasileiro prevê duas inspeções: aquela que averigua a segurança do veículo e aquela que tem o intuito de checar a poluição do meio ambiente. Não sou contra as inspeções. Sou contra a forma como feita, quem vai executar e o preço que está se cobrando. Eu creio que o Estado não necessita terceirizar esse serviço. Ele tem quantitativo de pessoal, além de condições físicas e administrativas de fazer essa inspeção ambiental. E o melhor: por um custo acessível e infinitamente inferior ao que vinha sendo cobrado. Ora, temos que refletir que o Estado também tem o dever de agir de forma social.

O sr. é autor de uma emenda no orçamento de 2016 que destina cerca de R$ 2 milhões para reforma e aparelhamento do Hospital Regional de Guaraí. Qual a importância da revitalização desse hospital para aquela região?
Fiz minha parte como parlamentar e após muitos esforços consegui, com a ajuda dos meus pares, incluir essa demanda no orçamento de 2016. O Hospital Regional de Guaraí atende um grande número de pessoas. Essa unidade hospitalar atende a própria cidade e as regiões circunvizinhas, aproximadamente 20 municípios. Se ele estiver bem aparelhado, bem equipado e com espaço físico suficiente para atender a população, os pacientes não virão procurar socorro em Palmas, “afogando” o HGP. Eles serão atendidos naquela regional evitando a desgastante viagem, além de ficarem perto de suas famílias, que, muitas vezes, não possuem qualquer suporte na capital.

É necessário que o governo entenda essa dinâmica e passe a investir nos hospitais regionais, que podem evitar a sobrecarga no HGP, em Palmas. Esse amontoado de pessoas por lá, além de ser desumano, desgasta ainda mais os gestores da saúde. Aguardo, portanto, que o governo, através do secretário da Saúde, utilizando a verba prevista no orçamento, priorize as reformas do Hospital de Guaraí.

O sr. foi eleito em 2010 e posteriormente reeleito em 2014. Suas votações sempre foram expressivas, desde a primeira tentativa de chegar ao parlamento, sempre utilizando como base eleitoral a região Centro-Norte. A quais fatores atribui essa receptividade da população em relação ao seu nome?
Na verdade, tenho votos em todo Estado, porém minha base é a cidade de Colmeia. A receptividade está intimamente ligada à seriedade. Eu sempre procurei trabalhar com transparência, além de estar sempre presente nas bases junto aos companheiros, correligionários e a população como um todo. Embora não seja possível resolver todos os problemas, não se pode fugir deles. É necessário enfrentá-los e tentar resolvê-los, mas acima de tudo, ser sincero com os companheiros se a solução for impossível. Eu creio que ninguém está obrigado a firmar compromissos, mas desde que ele seja feito, há uma obrigação em cumpri-lo. Eu sempre adotei esse posicionamento e isso acabou por gerar credibilidade.

Como surgiu esse codinome Vilmar do Detran? Foi por ter ficado muito tempo por lá ou por ter feito um bom trabalho naquele órgão?
Considero que foi pelos dois fatores. Eu fui diretor e secretário executivo na sede do Detran em Palmas por 11 anos. Iniciei com o Pastor Amarildo como diretor-geral e eu como diretor de Operações. Depois com o coronel Tenório, quando exerci o cargo de chefe de gabinete, acumulando as funções de secretário executivo e novamente, diretor de Operações. Posteriormente, auxiliei também o coronel Janílson, permanecendo nas mesmas funções. Depois, veio o coronel Magno e tive que me adaptar a cada um desses modelos de gestões, uma vez que cada qual tinha perfil diferente.

Considero que fiz um bom trabalho naquele órgão e priorizei a linha de frente, o atendimento ao público. Isso me deu grande visibilidade, fiquei muito conhecido em todo o Estado. Esse fator me incentivou a entrar na política, na medida em que eu percebi que, nela, eu poderia ajudar mais as pessoas. Porém, eu não tinha um nome nesse meio. Vilmar ficava muito sem referencial e Vilmar Oliveira não era conhecido. Então, adotei o Vilmar do Detran porque todo mundo me conhecia desta forma. O problema é que, posteriormente, a minirreforma eleitoral proibiu a vinculação da pessoa ao órgão ou entidade. Então fui obrigado a adotar Vilmar Oliveira nas urnas. Mas o povo que me conhece me chama por Vilmar do Detran e eu não me importo, aliás, gosto disso.

Na primeira legislatura o sr. foi eleito pelo PMDB, todavia em 2013 se filiou ao SD e se reelegeu por esta sigla partidária. Quais foram as razões que o levaram a essa mudança?
Eu tenho uma grande simpatia pelo PMDB, tanto é que fui eleito a primeira vez por essa sigla. Contudo, tudo lá é muito polêmico, o partido é muito grande. Na época, como até hoje, tenho uma boa ligação com o ex-deputado Junior Coimbra, somos da mesma região e também por isso, temos afinidade. Ele quis presidir o partido e houve uma insatisfação por parte da executiva estadual. Por consequência, uma divisão, um racha entre eles.

Quando há essa ruptura, é necessário escolher um lado. Eu acabei por ficar ao lado do Junior Coimbra. Houve discussões e debates, entretanto, do meio para o fim eu compreendi que não havia sentido continuar brigando por um partido que dificilmente manteria uma coesão, uma unidade dos membros. Por isso, eu e o deputado Iderval Silva resolvemos sair da sigla e adentramos no SD, que havia acabado de ser criado e, por isso, não haveria questionamentos acerca da perda do mandato.

Naquela época, quando o PMDB estava sob o comando de Junior Coimbra, houve uma crise de identidade que acabou por afastar muitos correligionários, em razão do racha havido com outra ala do partido?
Sem dúvidas. Graças à liderança dos ex-deputados Iderval e Junior Coimbra, além da minha própria influência junto à minha base de sustentação, muitos correligionários, prefeitos, vereadores e líderes comunitários nos acompanharam nesta nova empreitada. A maior prova disso foi o Solidariedade ter se tornado um partido forte, constituindo-se, por algum tempo, na maior bancada da Assembleia.

Naturalmente por também compor os quadros do SD, mesmo partido do ex-governador Sandoval Cardoso, o sr. o apoiou para governador do Estado. Como analisa a campanha daquele candidato? O que foi determinante para que ele não fosse reeleito?
O ex-deputado Sandoval Cardoso assumiu o governo em razão da renúncia do ex-governador Siqueira Campos e do seu vice, João Oliveira. Ele teve um espaço muito pequeno para mostrar seu trabalho. Mesmo assim o grupo político entendeu que ele poderia dar continuidade àquele trabalho e apostamos nisso, pela disposição dele e pelo compromisso com o povo, deputados e lideranças. Ocorre que ele não possuía um conhecimento do Estado como um todo, ao contrário do adversário, Marcelo Miranda, que já havia sido governador por dois mandatos. Aliás, penso que o povo queria devolver ao Marcelo os mandatos que lhe foram tirados pela Justiça, que, diga-se de passagem, deve ser respeitada acima de tudo. Era muito difícil competir com ele naquela eleição.

Como avalia a distância do ex-governador Siqueira Campos naquele pleito?
Considero uma grande perda. Não se pode dispensar, numa campanha acirrada como aquela, o apoio de um líder como Siqueira Campos. Sandoval não era uma terceira via, estávamos todos juntos, éramos todos do mesmo grupo, que havia saído da base do próprio governador Siqueira. Era natural que ele participasse ativamente daquele projeto. Eu não sei quais foram as razões desta ausência, uma vez que não participei dessa decisão, mas creio que está relacionada a estratégia dos marqueteiros e coordenadores de campanha. Contudo, também não posso afirmar se isso se deu por desinteresse do próprio Siqueira Campos, porque eu não estava presente na reunião que decidiu isso. Finalizando, afirmo que seria importante ele estar no palanque do Sandoval.

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