“Vou continuar denunciando as mazelas e fiscalizando a aplicação de recursos pelo Governo do Tocantins ”

O deputado federal Vicentinho Jr tornou-se a personificação da oposição ao governo de Tocantins

Vicente Alves de Oliveira Junior, é conhecido politicamente como Vicentinho Jr. Natural de Goiânia-GO, foi eleito deputado federal pela primeira vez em 2014, com apenas 29 anos, pelo PSB, após obter 51.069 votos. Foi reeleito em 2018, pelo PR, atualmente PL. Neste último pleito, foi o terceiro mais votado com 49.868 votos, demonstrando força política, uma vez que a eleição de 2018 foi mais disputada que a anterior. 

Combativo, vem demonstrando e denunciando – em seus discursos na câmara federal ou nas redes sociais – as mazelas existentes no Estado do Tocantins. Na ampla maioria das vezes, tem encarado essa árdua tarefa sozinho. Talvez por isso, tornou-se a personificação da oposição, na medida em que suas denúncias estão consubstanciadas em documentos. 

O Sr. tem se postado como o político tocantinense mais crítico do atual governo do Tocantins, especialmente ao gestor Mauro Carlesse. É uma questão de cunho pessoal ou realmente há alguns desacertos na referida gestão?
Alguns não, vários. Quanto às críticas, elas não são pessoais ou agresssivas e nem tem cunho revanchista. Eu apenas debato democraticamente. As críticas apenas expõem as mazelas da gestão que a grande maioria dos políticos do Tocantins não tem coragem de dizer e, concomitantemente, fiscalizar e cobrar. 

A minha voz ecoa o clamor da população e o que uma parte da imprensa já denuncia. No tocante à saúde, por exemplo, quando reclamo que o Tocantins é o último Estado no ranking em termos de vacinação contra a Covid-19, não é uma perseguição, mas sim a verificação dos números nos próprios portais oficiais do governo estadual e federal, como também, nos portais nacionais de notícias. Não estou inventando nada. 

Porque essas doses não estão saindo dos Centros de Distribuições e chegando até as cidades? Qual é a dificuldade? Os prefeitos reclamam da burocracia do governo estadual, porque são cobrados pelos munícipes. Até o dia 10/02, último prazo para começar a aplicação da primeira dose, menos de 30% das pessoas do grupo de risco estavam vacinadas. Repito: não é culpa dos gestores municipais, porque os estoques do Centro de Distribuição – pelo menos em Palmas – estão abarrotados de imunizantes, enquanto nosso povo sofre com essa abstinência, sem ser vacinado. 

E quanto aos recursos que o Sr. direcionou para a saúde e para o combate ao coronavírus, que o gestor da Pasta alega que trata-se de emenda de bancada, não reconhecendo a destinação da sua emenda individual?
Fiquei surpreso com a atitude do Secretário Tollini. A resposta da Pasta, alegando que cerca de R$ 8,3 milhões que entraram nos cofres da saúde tratava-se de emenda de bancada, não é verdadeira. Dentre os mais de R$ 16 milhões destinados pela bancada federal à saúde do Tocantins, a metade desse valor era emenda de minha autoria. Busquei e divulguei as Notas de Empenho, Ordens Bancárias e documentos oficiais junto ao Ministério da Saúde, como também, da bancada federal, provando que destinei aquelas verbas para o combate à pandemia.

Penso que o governador e seus secretários estão num debate raso, vão sempre bater nesse discurso eleitoreiro, politiqueiro, cheio de mentiras, tentando desqualificar quem os questiona. Tentam, a qualquer custo, emplacar uma chapa palaciana já para as eleições de 2022, utilizando para tanto, a desinformação. Como parlamentar, minha obrigação é contraditar, questionar e esclarecer os fatos. 

E quanto ao extrato apresentado pela Secretaria de Saúde – retirado do site do Fundo Nacional de Saúde e amplamente divulgado pela imprensa – que informa que os recursos na ordem de R$ 16 milhões se referem a Emenda de Bancada? 
Os políticos que tem por hábito disseminar a desinformação, pegam uma verdade e a transformam numa “meia mentira”. A bancada federal, composta por 8 deputados federais e 3 senadores, acordou que os mais R$ 200 milhões destinados à bancada, seria dividido em partes iguais entre os onze parlamentares. A cada um, foi destinado cerca de R$ 21 milhões para indicações a título de emenda parlamentar. Na época ainda não estávamos no período pandêmico e fiz, inclusive, destinações para outras áreas, inclusive manutenção de vias federais que cortam o Tocantins. Uma vez decretado estado de calamidade, em razão da pandemia, remanejei os recursos – assim como outros parlamentares – e destinei aproximadamente R$ 8 milhões para o combate à Covid-19 no Tocantins. A atitude do Secretário Estadual de Saúde, ao não reconhecer o meu trabalho e desmerecer minha atuação parlamentar, foi lamentável e um gesto acima da ingratidão. 

E quanto aos outros recursos que foram direcionados pelo Sr. e pela bancada federal para que outras obras fossem iniciadas ou concluídas?
A minha preocupação é constante e desconfio de todas as atitudes do atual governador e da grande maioria dos seus assessores diretos. Alguns dias atrás, na abertura da safra 2021 em Porto Nacional, fiquei observando o discurso do governador e dos secretários presentes, dizendo que o Estado é parceiro do agronegócio e dos produtores rurais. Contudo, mesmo diante da vontade do governo federal de tornar TO-050 e TO-080 federalizada ao custos do que já pagamos de impostos, os projetos estão engavetados na mesa do governador do Tocantins porque, na verdade, o que ele quer é fazer concessão dessas estradas, que resultarão em pedágios para os usuários. Os produtores, por exemplo, que forem buscar fertilizantes, defensivos ou outros insumos no pátio multimodal da ferrovia, terão esse custo extra. Isso é ser amigo do agronegócio?

Quando o governo firma o empréstimo para construir a nova ponte de Porto Nacional, com o BRB, não informa que os juros da CEF eram muito mais razoáveis. E porque o empréstimo não foi feito com a instituição financeira federal? Porque o governo do Tocantins – ao contrário do que tentam fazer crer – não se adequou e não se enquadrou nos quesitos da responsabilidade fiscal e não pode contrair empréstimos em bancos oficiais estando nessa situação. A CEF não aceita balancetes maquiados como foram apresentados e, por isso, partiram para o plano B, que foi contrair o empréstimo junto Banco de Brasília, com juros mais altos.  

Na condição de presidente regional do PL, qual a sua avaliação do processo eleitoral de 2020?
Sai muito satisfeito, porque mesmo me mantendo na oposição ao atual governo estadual, conseguimos eleger seis prefeitos, cinco vice-prefeitos e 54 vereadores. Apoiamos muitas candidaturas vitoriosas e isso nos fortaleceu bastante, como em Araguanã, Muricilândia, Colméia, Itaguatins, entre outros. O partido hoje é orgânico que busca, no campo co contraditório, o melhor para o Estado do Tocantins. Vamos formar, não tenho dúvidas, boas chapas de candidatos a deputados estaduais e federais para as eleições de 2022. 

Quais são as suas perspectivas para os dois anos de mandato que ainda lhe restam?
Independente de quem esteja governando o Tocantins, trabalharei sempre pelo Estado, pelos municípios e pela população que nele habita e, digo mais: não faço mais que minha obrigação. Tenho feito minha parte, enquanto parlamentar. Os recursos – que beneficiam, agregam valor e geram empregos – tem chegado aos municípios, visando atender suas necessidades. Devo reconhecer, também, o empenho dos meus colegas, parlamentares federais, que não medem esforços para lutar pelo desenvolvimento do Tocantins. 

A pauta no Congresso Nacional em 2022 promete trazer temas polêmicos. Qual será o seu posicionamento no que concerne à base do governo Bolsonaro?
Eu acredito e estou na base do presidente Bolsonaro desde a sua eleição. Considero como eficiente a condução do combate à covid, como o auxílio emergencial, a distribuição de alimentos, medicamentos e vacinas. 

Estou confiante na parceria da presidência e parlamento. O novo presidente da Câmara, Arthur Lira, tem a confiança do chefe da república e de muitos parlamentares. Fiz campanha e acredito que os bons resultados virão em breve, como a autonomia do Banco Central, por exemplo, que acaba com a politicagem na questão econômica da instituição. Vamos votar também as reformas administrativas e tributárias. Trata-se de pautas essenciais, questões de honra para o congresso nacional.  

Por fim, seria interessante que o Sr. expusesse sobre a PEC dos Pioneiros, que resgata a autonomia dos antigos servidores do Estado do Tocantins…
Vamos entregar essa PEC votada em dois turnos, ainda em 2021, para os companheiros – homens e mulheres – que ajudaram a construir o nosso Tocantins. É um direito deles que temos por obrigação reconhecermos. Dentre os oito deputados do Tocantins, temos a maioria absoluta totalmente favorável. Até o dia da votação, no entanto, tenho certeza que seremos maioria plena, mesmo porque nenhum deles vai ter coragem de votar contra as pessoas que fizeram a história do nosso Estado.

Em relação ao argumento do atual governo do Estado, que tem dito que, se aprovada, o Estado quebra, pondero que não é possível que o Senado Federal aprovou em dois turnos de votação, uma PEC que quebraria um Ente da Federação. Isso não existe. 

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