Um pré-candidato e sua estratégia de discórdias

Prefeito Carlos Amastha pratica uma “nova política” muito pior que a velha política que ele critica

Prefeito de Gurupi, Laurez Moreira, vereador de Palmas Marilon Barbosa e ex-prefeito de Axixá Auri-Wulange Jorge,
entre outros, estão na trilha de ex-aliados que o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (abaixo), vai deixando no caminho

Quando, ainda em ju­lho de 2017, o PSB de Carlos Amastha per­deu para o PSDB um grande líder da re­gi­ão sudoeste, o prefeito de Gu­ru­pi, Lau­rez Moreira, havia um cla­ro si­nal que o prefeito da capital co­mandava a sigla no Tocan­tins com atitudes ditatoriais. Já era de esperar que, com o decorrer do tempo, outros filiados também se­guiriam o mesmo caminho. Era uma questão de tempo…

Dito e feito. À época, Laurez arrastou mais cinco prefeitos do PSB: Miyuki Hyashida, de Bre­ji­nho de Nazaré, Diogo Borges, de Talismã, Batatinha, de Cristalân­dia, Ronaldo Parente, de São Ben­to do Tocantins, e Dr. Ladir, de No­va Rosalândia. Foi, certamente, um claro indicativo de insatisfação das lideranças políticas da re­gi­ão central do Estado do Tocan­tins, com a condução do PSB, por parte do prefeito Carlos Amastha.

Em dezembro do mesmo ano, os pessebistas sofreram um novo golpe: um dos esteios do prefeito na Câmara de Vereadores de Pal­mas, Marilon Barbosa (PSB), anun­ciou – totalmente insatisfeito e desprestigiado – seu rompimento com a gestão municipal, causando um desequilíbrio a favor da opo­sição (10 a 9). Tal insuficiência de quórum só foi revertida por uma manobra, digamos, um tanto quan­to questionável, uma vez que o prefeito nomeou o deputado Ju­ni­or Evangelista (PSC) como se­cre­tário municipal da Habitação, com a finalidade exclusiva de promover o suplente de deputado Ivory de Lira (PPL), que é vereador, à Assembleia Legislativa, permitindo a posse de Moisemar Ma­ri­nho (PDT), que acabou por vi­rar o placar em favor dos situacionistas.

Mais baixa

Em fevereiro de 2018, mais uma baixa: uma das únicas forças de Amastha no Bico do Papagaio, o advogado e ex-prefeito de Axi­xá, Auri-Wulange Ribeiro Jorge (PSB), também rompeu com o prefeito de Palmas. Con­forme informações de aliados, ele se sentiu desprestigiado com a decisão do prefeito de nomear o engenheiro Roberto Petrucci Júnior (denunciado por corrupção), indicado do ministro da Saúde, Ricar­do Barros, para o lugar do deputado estadual Ricardo Ayres (PSB) na Secretaria de Desenvolvimento Urbano.

Havia um compromisso de Ay­res — e, também, do próprio Amas­tha — de que Auri-Wulange seria o sucessor de Ayres. Con­tudo, para atender o ministro e ami­go pessoal, o prefeito preferiu Petrucci.

Ao site “Portal CT”, o ex-gestor recentemente disparou: “Real­mente eles não são iguais à velha po­lítica, são piores: mais frios, calculistas, maquiavélicos. A nova política não tem coração”.

Na mesma entrevista, de for­ma impressionante, ele revelou que o grupo de Amastha formou um “exército de fakes”. “Na sua gran­de maioria, são servidores do município, que trabalham de fa­cha­da, mas que, na realidade, passam o dia preparando posts e ma­qui­nando inverdades contra adversários políticos, jornalistas que porventura falem mal da gestão Amastha, delegados federais que investigarem qualquer ato sus­peito de corrupção, promotores e magistrados”.

As informações de bastidores dão conta que Auri-Wulange tinha pretensões, inclusive, de ser candidato a deputado federal pelo PSB, mas, atendendo pedido do grupo de Amastha e, visando não atrapalhar as pré-candidaturas ao mes­mo cargo do subprefeito de Pal­mas, Adir Gentil (Pode­mos), e do vereador Tiago Andrino (PSB), retirou seu nome da disputa.

Desprestígio

Prefeito Amastha 

O desprestígio de Amastha pa­ra com seus aliados é algo que cha­ma a atenção. Como esse cidadão pretende governar o Estado do Tocantins se não tem um gru­po político forte e, ainda, faz ques­tão de espantar aqueles “ga­tos pingados” que porventura lhe apoiam? Os deputados federais e estaduais nem sequer o recebem em seus gabinetes, uma vez que fo­ram rotulados de “bandidos e va­gabundos” pelo prefeito. Os se­na­dores também não fazem ne­nhuma questão de se aproximar do gestor da capital.

Será que é isso que o pré-candidato Amastha chama de “nova política”?

A insensatez na criação de taxas absurdas ano após ano, aliado ao aumento abusivo de impostos, que os palmenses rejeitam veementemente?

Aliar-se aos saturados ex-de­pu­tados Junior Coimbra (PSB), Jo­sé Geraldo (PDT), ao deputado federal Carlos Gaguim (Pode­mos) – que articulou, inclusive, um projeto de Emenda Constitu­cional que lhe prejudicava en­quan­to estrangeiro?

Nomear Roberto Petrucci Jú­nior, denunciado pelo crime de cor­rupção passiva qualificada pelo Mi­nistério Público Estadual (MPE) do Paraná, após exercer o car­go de secretário municipal de Obras Públicas de Maringá, na ges­tão de Carlos Roberto Pupin (PP), homem forte do grupo do mi­nistro Ricardo Barros?

Melhor seria que os tocantinenses não conhecessem a “futura política”.

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