O presidente da Agência de Turismo de Palmas, Tom Lyra, defende que Taquaruçu, distrito da Capital, encravado na Serra do Lajeado, com clima ameno e rodeado de belezas naturais, berço das águas de Palmas, tem um futuro promissor no segmento turístico de experiência. “Eu acho que no futuro, Taquaruçu, vai ser uma Gramado do Estado do Tocantins. Vai ser um lugar que vai ter um bom centro de convenções, com boas opções de hospedagem para absorver toda uma demanda de evento”, ressalta.

Tom Lyra revela que a prioridade da gestão no momento é ampliar o calendário de eventos de Palmas com a realização de novos projetos e a atração de eventos nacionais. Para 2023 já estão confirmados os eventos tradicionais – Carnaval da Fé, Campeonato de Pesca Esportiva, Arraiá da Capital, Temporada de Férias e Festival Gastronômico – e em estudo o Festival de Inverno previsto para primeira quinzena de junho. O presidente enfatiza que o objetivo é incrementar o trade turístico e aquecer a economia com a geração de emprego e renda.  

Tocantinense de Araguacema, Tom Lyra é um empresário bem sucedido do ramo ótico e um gestor experiente, tendo passado por várias pastas. Ex-vice-governador do Estado, tendo assumido o cargo de governador interinamente. Foi secretário da Agricultura, Produção, Cooperativismo e Meio Ambiente de Gurupi, secretário da Indústria, Comércio e Turismo do Tocantins e atualmente preside a Agência Municipal de Turismo de Palmas. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal Opção, o gestor fala sobre os planos à frente da pasta, anuncia a montagem de um calendário de eventos para 2023 e aponta que a prioridade da gestão é promover uma maior integração dos segmentos que compõem o destino Serras e Lago.

Tom Lyra | Foto: Divulgação

Determinação da prefeita foi de buscarmos promover a integração entre Serras e Lago, o que preconiza o Plano Municipal de Turismo

Presidente planeja uma série de ações com vista a implementar o destino Serras e Lago que é um dos mais importantes. Como a Agência de Turismo vem atuado para alcançar esse objetivo?

A Agtur é um órgão, não só nesta gestão, mas ao longo de toda a sua existência, que tem evoluído muito. Tem aprendido muito com o trade [turístico]. Quando assumi em junho, uma das determinações da prefeita [Cinthia Ribeiro] foi de buscarmos promover a integração entre Serras e Lago, o que preconiza o Plano Municipal de Turismo para os próximos 10 anos. E isso passa por um diálogo, por uma experiência de conversa, então baseado no conceito do Plano de Turismo e atendendo a uma determinação da prefeita, nós começamos a discutir uma série de ações. Primeiro, vamos discutir os eventos. Pegamos logo o Festival Gastronômico. O modelo do festival vinha num formato que conseguimos mudar para dar uma coisa mais intimista. Diminuindo as bandas nacionais e aumentando as bandas regionais para oferecer oportunidades para nossos artistas que foram por aí durante a pandemia impedidos de se apresentar ao público e retomar o mercado. Uma segunda coisa, antes do Festival Gastronômico, houve a negociação para a vinda do Rally dos Sertões. Passaram por aqui quatro mil pessoas. O índice de hospedagem da rede hoteleira que estava abaixo de 60% chegou até a 79% de ocupação, uma média alta em relação ao Brasil e esse evento foi buscado pela Prefeitura com contrapartida para também gerar toda uma cadeia produtiva em volta. Paralelamente no mês de junho fizemos a temporada de Férias, na Praia das Arnos, na Praia da Graciosa e na Praia do Cajú, eventos com shows, com artistas regionais, feira de artesanato e feira gastronômica. Esse pool de eventos que nós fizemos era um contexto de retorno da normalidade depois de dois anos de ausência de atividades turísticas, era para inserir de novo dentro do calendário [de eventos da Capital]. Muitas coisas vão ter que ser ajustadas, implementar novas ações também.

Para 2023 a prefeita tem em mente justamente aumentar o calendário de opções de eventos

Para 2023, a prefeita tem em mente aumentar o calendário de opções de eventos, tem uma proposta talvez de um festival de inverno, implementar mais o Festival de Circo, a partir da experiência bem sucedida do festival realizado pelo Circo os Kakos, que este ano foi incipiente, não teve tanta divulgação como merecia, muito tímido ainda. Este ano a gente pretende implementar mais este projeto belíssimo. O próprio Festival Gastronômico, trabalhar o evento da FENABB [Federação Nacional das AABB], que é do Banco do Brasil e vem aí, em maio; trabalhar a questão da pesca esportiva que é um grande campeonato de pesca esportiva para o final de maio também. O que nós queremos com tudo isso é fazer com que o turismo aqueça essa economia que estava muito deficitária.    

Palmas deve muito, sobretudo na pandemia, a Taquaruçu

Tom Lyra

A rede hoteleira de Palmas começa a promover mudanças em seus estabelecimentos para captar turistas, uma forma de compensar o período de baixa que foi durante a pandemia. Como o senhor vê essa nova posição do segmento que não se preocupava com turismo?

Acho que Palmas deve muito, sobretudo na pandemia, a Taquaruçu. Foi onde as pessoas puderam dentro do isolamento manter contato com a natureza, com esse turismo de experiência, visitar cachoeiras, as pessoas se deram oportunidade de ir mais a esses lugares. A partir daí o que já era consolidado, já estava preparado começou a absorver mais e automaticamente Palmas começou a se beneficiar desse momento turístico na Serra. Aí os hotéis com lotação, as pessoas de férias, não tinha praia, não tinha nada, se deslocavam para as cachoeiras. Aí sim, houve uma grande descoberta com a movimentação dos empreendedores de Taquaruçu que era a falta de implementos de integração. E essa falta de implemento de integração talvez tenha sido o empecilho para uma maior exploração e maior receita com o turismo naquelas comunidades. Quando a gente ouve a comunidade e percebe que existe Taquaruçu Grande e existe Taquaruçu, que são polos parecidos e complementos no turismo, mas distintos, com conceitos de exploração turística distinto, acho que Palmas começa a fazer o entendimento de fato da importância de rotas claras, acessos mais tranquilos para que o turista possa chegar. Então é assim, Palmas sai da vocação de turismo de negócio, turismo agrário, turismo da saúde, para o turismo de experiência, Serras ou Lago e também deixando um pouco de ser uma cidade dormitório de quem passa por aqui para ir ao Jalapão. Hoje passa-se um dia, ou explora Serra ou Lago, mas é preciso explorar o turismo, não só nos atrativos, cachoeiras e lago, mas a rota gastronômica, Taquaruçu Grande, pousadas na região norte no município e a pesca esportiva.

Nós precisamos de uma gerência de contas de captação de eventos

Presidente, o sr. fala da organização de um calendário de eventos com mais opções, também não está na hora da Agtur criar estrutura de captação de eventos, tendo em vista que Palmas conta com uma boa infraestrutura e é atrativa por ser a Capital mais jovem?

É verdade. Acho que falta aqui na Agência neste momento de retomada do turismo ter uma gerência de contas, de prospecção de grandes eventos. A exemplo desse que vai acontecer no dia 24 de maio, do Banco do Brasil. Um evento que vai movimentar 30 milhões de reais com aproximadamente quatro mil participantes, com gasto médio de 750 reais. O segundo que está no eixo, é o simpósio de pesca esportiva com campeonato de pesca esportiva. Então, são eventos que foram captados, não pela Agtur, mas ela foi procurada e nós resolvemos apoiar esses eventos. Mas nós precisamos de uma gerência de contas, de captação de eventos, congressos médicos, que gere turismo na cidade, ou seja, um campeonato de tracking na serra, atividades que tragam turistas.

Há uma dissonância dos eixos turísticos de Palmas. Uma das coisas que impacta essa dissonância é a comunicação

O sr. fala da determinação da prefeita de buscar uma integração dos segmentos serras e lago, na prática esses dois segmentos são completamente isolados e um não conhece o outro. O que fazer para mudar esta realidade?

Há uma dissonância dos eixos turísticos de Palmas e uma das coisas que impacta essa dissonância é a comunicação. Temos que trabalhar a comunicação que provoque isso no consumidor do turismo, que ele compreenda que há serra, há lago e que as agências que vendem o pacote sejam integradas nisto. Uma vez que você chega em Palmas temos que ter uma agência que saiba mostrar o vídeo de Taquaruçu, que saiba mostrar um vídeo da pesca, vídeo do Lago e das ilhas, e fazer essa integração. Em 2023 a nossa ideia é trabalhar o marketing e a propaganda da integração dos roteiros, para que os turistas saibam que existe e no caso das agências, que sejam comprometidas em vender esses atrativos integrados. O Centro de Convenções [de Taquaruçu], no meu entendimento, já foi aprovado

Tom Lyra visita Praia em Palmas | Foto: Divulgação

Presidente, nem sempre sai tudo conforme o planejado. De vez quando cai algo de paraquedas, no caso, a obra do Centro de Convenções de Taquaruçu, que não foi uma obra apontada pelo trade turístico, mas sugerida por um senador por meio de emenda parlamentar. Como está o andamento desta obra?

O Centro de Convenções, no meu entendimento, já foi aprovado. Essa semana recebi até um recurso proveniente da emenda para esse projeto, no valor de R$ 800 mil para as medições da obra. Lógico, eu acho que agora, falei até com a prefeita e ela concorda, que temos que levar esse debate, seja para a Governança de Taquaruçu para que a gente possa entender como vamos utilizar, de que forma esse centro pode ser aproveitado para não ficar subaproveitado. Há uma vantagem. Quando você faz uma pesquisa no município de Palmas você vê que só temos um centro de convenções, o Arnaud Rodrigues, com dois auditórios, com capacidade, um para 400 lugares e outro para 600 lugares. Há um problema, esse centro de convenções precisa de uma reforma e essa reforma não pode ser feita enquanto não tiver outro lugar que suporte essa demanda dos eventos que são muitos. Então eu acho que parte dos eventos que por ventura são alocados dentro do Centro de Convenções Arnaud Rodrigues serão alocados em Taquaruçu, consequentemente pode gerar ali um grande número de hospedagem, dentro dos leitos disponíveis, mas como em todo grande centro, os centros de convenções são sempre mais afastados. Pode ser uma oportunidade. O indivíduo vem para um congresso médico, agora mesmo acontece o congresso de fisioterapia, ele participa em Taquaruçu de almoço, janta, do evento, dorme em Palmas ou em Taquaruçu. Então eu acho que passa por este caminho. Sobre questionamentos de Taquaruçu não comportar, não saber se está preparado para um centro de convenções deste, eu tenho uma visão um pouco diferente. Por exemplo em Caucaia região metropolitana de Fortaleza um dos maiores centros de convenções da América Latina foi colocado lá, e aquele Centro de Convenções ajudou a desenvolver não só a rede hoteleira mas a qualificação da mão de obra, pessoal de serviço. Eu acho que no futuro, Taquaruçu na serra, vai ser uma Gramado do Estado do Tocantins. Vai ser um lugar que vai ter um bom centro de convenções, com boas opções de hospedagem para absorver toda uma demanda de evento.

Você pega por exemplo, o Osmar Bombeiro, ali em Taquaruçu Grande, da Aventura & Cia, que hoje recebe em média 100 pessoas

Presidente, se fala muito que turismo muda o tempo todo, todo tempo. Qual a tendência do turismo no momento?

Se você observar o comportamento, ou pelo menos o resumo da feira da WTM [World Travel Market] em Londres você vê que é uma tendência mundial, por exemplo a Nova Zelândia entra nesse eixo desse turismo de experiência, tracking de corrida, de pesca esportiva, de canoagem, de rapel. Então a tendência não é só o turismo de contemplação, praia, mar, litoral, essas coisas, eu acho que o turista vem para Palmas.  Para os próximos três ou quatro anos, nós vamos passar por aumento de inflação, aumento de preços, de um modo geral no mundo. Você pega a taxa Selic hoje está 17%, você pega a inflação na Europa fechou a 11%. O que isso vai trazer de benefício para o turismo? O indivíduo vai querer opções de exploração turística primeiro, que gaste menos; segundo, aproveite mais no contato com a natureza e que possa viajar em menor número de pessoas, nos esportes, seja ele corrida, canoagem, pesca esportiva, esportes que possam estar junto com amigos, agregando à família. Acho que essa é uma tendência e Palmas pode sair na vanguarda disso. Porque? Porque Palmas reúne tudo aquilo que a demanda turística para os próximos três, quatro, anos vai exigir. Lago, a Serra, oportunidade de turismo de saúde, de turismo de negócios e mais do que isso, a pesca esportiva que também é uma das modalidades turísticas que mais deixa receita. Você pega por exemplo o Osmar Bombeiro, ali em Taquaruçu Grande, da Aventura & Cia, que hoje recebe em média 100 pessoas na área de corrida de tracking de montanha e vai receber agora um grande evento em Palmas. Acho que isso é uma tendência, se houve lá atrás o Bota pra Correr no Jalapão, acho que Palmas vai absorver esse tipo de esportes. Então eu vejo que é uma tendência esse turismo de exploração de esporte aliado à natureza.

Pela primeira vez temos o município, o Estado, o Sebrae e governo federal, integrados no eixo de correspondência turística

Nunca se debateu tanto a viabilidade do turismo como agora. Ou pelo menos se falou muito no desenvolvimento do turismo tanto em nível nacional, estadual, e nos municípios. O que o senhor avalia que vai ficar de toda esta mobilização em torno do tema?  

Olha, o ex-governador Siqueira Campos, lá atrás, sempre atribuo a ele uma certa genialidade, nosso grande criador do projeto [do Tocantins], já pensava isso. Tanto que os cinco eixos turísticos do Estado do Tocantins foram idealizados lá no início do Estado. E pela primeira vez o município, o Estado, o Sebrae e governo federal, integrados no eixo de correspondência turística, ou seja, recursos, projetos como o Plano Municipal de Turismo de Palmas, e ainda com entidades como o Conselho Turístico de Palmas, (Comtur), Conselho Turístico dos empresários. da Fecomércio, do Sebrae, essa integração dá a oportunidade do Estado do Tocantins de viver este momento de consolidação. Eu acho que temos que continuar todos nessa integração. Turismo não é política, turismo é negócio, E como negócios os governantes entenderam que para desenvolver, gerar receita, que é o que importa e emprego é preciso fazer um trabalho de integração e disponibilização de recursos. Recursos tem, precisa chegar na ponta. Aí é que está, o recurso chegar na ponta de quem realmente desenvolve o turismo e para quem realmente vai explorar o turismo. Você pega por exemplo esse projeto Fungetur, para a construção de pousadas, isso foi um projeto maravilhoso e ainda está em consolidação, em exploração. Acho que temos que buscar mais recursos para integrar mais o estado e município e as comunidades.