“Temos um Estado muito rico e um povo pobre”

Ex-senador aponta que o Tocantins tem enorme potencial de produção de riquezas, mas tem se mantido pouco atrativos aos empreendedores

Ataídes Oliveira: “Eu pretendo realmente voltar ao Senado” | Foto: Divulgação

O empresário e ex-senador Ataídes Oliveira (Pros) tem a firme convicção de que o Tocantins deve trilhar o caminho da industrialização para alcançar melhores índices de desenvolvimento. Para o empresário, o Estado possui um potencial invejável. “São 250 mil quilômetros quadrados de terras planas e férteis; a segunda maior bacia de água doce; 10 milhões de cabeças de gado bovino; estamos caminhando para 10 milhões de toneladas de grãos; um turismo para ser explorado, tanto religioso como de negócio”, comenta o empresário que acaba de inaugurar um novo empreendimento, um shopping center, em Gurupi, no sul do Estado.

O ex-senador aponta, porém, que o Estado vem perdendo a capacidade de atrair novos negócios porque, segundo ele, o governo não tem dado conta de cumprir o dever de casa. “Nós precisamos trazer empresários para o Tocantins. E nós temos tudo o que oferecer a esses grandes empresários. Mas eles precisam que o Estado disponibilize pelo menos três coisas: estabilidade política, segurança jurídica e uma mão de obra minimamente qualificada.

Ataídes Oliveira avalia que o Tocantins passa por um momento político muito ruim.  Desde 2006 nenhum governador consegue cumprir o mandato. Sobre a importância das eleições como processo de renovação, o ex-senador é taxativo. “Eu tenho muita dúvida se nesses quatro anos vindouros quem vá se sentar na cadeira venha a resgatar esta estabilidade política. Eu, como otimista que sou, fico na esperança, no otimismo de que sim, que esse novo governador para o mandato de 2023 a 2027 venha a garantir estabilidade ao nosso povo”, defende.

O ex-senador declinou da sua candidatura ao governo do Estado, seu grande sonho, e busca agora conquistar o direito de representar o Tocantins no Senado Federal. Nesta entrevista ao Jornal Opção, Ataídes Oliveira fala dos seus novos investimentos, da retomada do comando do Pros, de sua admiração pelo pré-candidato ao governo pelo PT, Paulo Mourão, e de sua crítica ao ex-governador Mauro Carlesse, figura que, para ele, nunca deveria ter sentado na cadeira de governador do Estado.

O sr. não esconde que seu grande sonho político é governar o Tocantins. Porque o sr. resolveu mudar de projeto, depois de iniciar pré-campanha como candidato ao governo?

Há 35 anos que eu presido um grupo de empresas que é o grupo Araguaia. O que aprendi na verdade foi fazer. Apesar da minha formação acadêmica ser contabilidade, economia e direito e ter até navegado bem dentro do Poder Legislativo, o que eu gosto é de fazer. Eu gosto de ver as coisas acontecer. Eu sou chão de fábrica. Nasci em Estrela do Norte e fui criado ao norte do nosso estado de Goiás, hoje Tocantins. Escolhi aqui para morar, viver e, se Deus permitir, morrer. O nosso projeto é governar o Estado. O Tocantins politicamente está muito ruim, desde 2006 nenhum governador não concluiu o seu mandato. É um Estado muito rico, com riquezas minerais; 250 mil quilômetros quadrados de terras planas e férteis; a segunda maior bacia de água doce; 10 milhões de cabeças de gado bovino; estamos caminhando para 10 milhões de toneladas de grãos; um turismo para ser explorado, tanto religioso como de negócio. É um Estado muito bem localizado, no centro do País; ou seja, é muito rico, mas nosso povo, muito pobre. Hoje, com a minha experiência adquirida com os meus erros e acertos, não tenho dúvidas que estou preparado para governar este Estado. Esse é o nosso projeto, mas política é muito dinâmica. Essa saída lá atrás desse cidadão [Mauro Carlesse] que estava sentado na cadeira de governo, a qual não deveria nunca ter ocupado, causou um dano enorme ao nosso povo. Isso, está aí, muito às claras, ainda está na fase de investigação, mas a fratura é exposta e nós sabemos disto. Com esse afastamento, o Wanderlei [Barbosa] assumiu o governo. É um político de profissão, um político habilidoso, ao qual chamo de curraleiro, igual a nós. Sabe fazer política, tem proatividade, tem disposição e tem a máquina na mão. E ele está fazendo isso, com muita competência. E Ronaldo Dimas, que está há três anos fazendo campanha. Também caminhou bastante. E eu como empresário, construindo um shopping center lá na cidade de Gurupi, que nós inauguramos no dia 8 de dezembro, e faço questão de dizer, com 852 empregos diretos. Esse empreendimento fez com que nós não pudéssemos colocar o nosso projeto de governo.

Estaria atrasado em relação aos principais concorrentes, que já estão em campo há algum tempo?

Diante desta constatação, consultando nossos apoiadores e a nossa equipe, chegamos à conclusão que deveríamos adiar esse projeto de governo para 2026 e a gente, então, voltar ao Senado Federal. Agora, estamos visitando os nossos líderes municipais. Os vereadores, os prefeitos, comunicando sobre este projeto do Senado para continuar o combate a corrupção e trazendo recursos para os nossos municípios.

Como o sr. avalia a perda de capacidade de investimento do governo e o desaceleramento do desenvolvimento do Estado? A preocupação é maior frente a uma crise de instabilidade política que vem desde 2006. O que esperar das eleições?

Nós precisamos trazer empresários para o Tocantins, grandes indústrias. E nós temos tudo para oferecer a esses grandes empresários, não só brasileiros, mas inclusive estrangeiros. Mas esses grandes empresários precisam que o nosso Estado disponibilize pelo menos três coisas: estabilidade política, segurança jurídica e uma mão de obra minimamente qualificada. Você percebe que os empresários não querem favores. Só querem que a coisa pública faça a sua parte. Pois bem, desde 2006 que um governador não conclui o seu mandato, ou seja, não temos estabilidade política, lamentavelmente. Nós temos um Tribunal (de Justiça) que lamentavelmente, tem cinco desembargadores afastados por possíveis venda de sentenças. Então não tem segurança jurídica. E a nossa mão de obra precisa ser melhorada. Enquanto a gente não restabelecer estas três coisas, dificilmente um empresário vem investir neste rico Estado. Eu acabei de fazer um investimento milionário, com recursos próprios, sem financiamento de banco, mas é porque eu sou filho deste Estado, porque eu aqui quero investir. Mas outros dificilmente vêm.

É possível que nestas eleições o cidadão tocantinense volte a ter esperança de ver o Estado retomar aos trilhos do desenvolvimento?

Recentemente apareceu na televisão alguma coisa de um pré-candidato. E se fala de possíveis outras ações da Polícia Federal aqui em nosso Estado. Isso deixa a todos nós muitos inseguros. Eu tenho muita dúvida se nesses quatro anos vindouros quem vai se sentar na cadeira definitivamente venha a resgatar essa estabilidade política. Eu, como otimista que sou, fico na esperança, no otimismo de que sim, que esse novo governador vá fazer o mandato de 2023 a 2027 garantindo estabilidade ao nosso povo.

O sr. retomou o comando do Pros, o qual havia perdido para o ex-vereador de Palmas, Diogo Fernandes. Como foi o processo de articulação?

Em 2013, eu e esse moço, chamado Eurípedes Júnior, que eu não o conhecia, mais uns quatro ou cinco amigos, criamos o Pros. Eu digo que tive uma participação muito grande na criação do partido. Pois bem, mas logo no ano de 2014 eu percebi que esse moço não era digno da minha amizade e também de eu participar efetivamente desse partido, que já nasceu grande. Eu era vice nacional desse partido. Diante dessa constatação, eu simplesmente me afastei em 2014. Quando foi agora recentemente, esse mesmo moço me procurou, com discurso diferente, e eu mais uma vez acreditei nesse moço e fui decepcionado. Mas houve uma decisão e as pessoas que ajudaram a fundar o partido reassumiram o comando e nós assumimos a direção aqui no Tocantins. E estamos ajudando inclusive a nacional. Então a história do Pros é passado, pois eu acredito que esse moço, Eurípedes Júnior, o ex-presidente, em hipótese alguma retorna ao partido. Até mesmo pela forma com que deixou a agremiação, saqueando tudo que tinha dentro do partido, aeronave, gráfica, isso está tudo provado e tudo mais, então eu acredito que ele não volta mais.

Como o Pros vai se posicionar em relação à disputa nacional e para o governo do Estado?

Nós ainda temos algo aí em torno de 70 dias para o fim das convenções que será em 5 de agosto. Estamos conversando muito. Essa fase agora é de conversa. É certo que o partido tem um candidato ao Senado Federal, isso é fato, se Deus permitir. Eu pretendo realmente voltar ao Senado. E, com relação ao governo, se nós não tivermos candidato próprio, nós podemos olhar outro candidato que tenha a nossa linha de pensamento, em que a honestidade e a transparência sejam elementos básicos. Se tiver, nós vamos caminhar com esse candidato. Caso contrário, vamos tocar nossa candidatura independentemente.

Um dos pré-candidatos com quem o sr. vem mantendo diálogo é o deputado federal Osires Damaso (PSC). Há algum entendimento em vista?

Não, não temos. O Osires é uma pessoa amiga, é um companheiro. Eu tenho conversado muito com ele, como também tenho conversado com Paulo Mourão que é uma figura extraordinária, um moço muito sério. Um empresário que tem uma história bonita. Tenho admiração especial pelo Mourão. Tenho conversado com o Wanderlei, sempre, a gente se encontra aí no campo, como agora, no domingo, em Araguaína, então é uma pessoa que a gente tem um bom relacionamento. E o próprio Dimas, eu tenho um bom relacionamento com todos. Eu só não tenho bom relacionamento com quem rouba o povo. Esse eu não dou conta de aproximar.

Em que deu aquele trabalho sistemático de luta por transparência no sistema S, que se estendeu durante a sua permanência no Senado?

O Sistema S é composto por nove entidades privadas, mantidas com recursos públicos: Sesi, Senai, Sesc, Senac, Senar, Sest, Senat, Siscob e Sebrae. Essas empresas têm a finalidade de qualificar nossa mão de obra do trabalhador, de oferecer cursos profissionalizantes. No caso das microempresas, ajudar pequenos e microempresários. Eu tenho dito ao longo dos anos que o Sistema S é de uma importância e de uma relevância enorme para o nosso país, para o nosso Estado. O meu propósito quando cheguei ao Senado era organizar o sistema, que foi criado em 1942 e que hoje tornou-se um gigante. Esse era o propósito, reorganizar o sistema. Entrei com um projeto para criar uma lei única, geral para o sistema, e a gente conceder gratuidade a nossos trabalhadores e especialmente aos jovens chamados de “nem-nem” – nem estudam nem trabalham – a oportunidade de um curso profissionalizante gratuito para eles entrarem no mercado de trabalho. Nós tivemos debates pesados. Acho que exagerei algumas vezes, porque eu não via a coisa caminhar. Eu acho que o sistema também precisa melhorar. Principalmente sua área contábil, sua área de transparência, mas é um sistema que eu continuo ainda defendendo, é um sistema muito importante para o nosso País, porque os governos não têm condições de fazer esse trabalho, que é então capacitar a nossa mão de obra. Dar cursos profissionalizante e ajudar os nossos micros e pequenos empresários.

O sr. é um empresário bem-sucedido, tocantinense e tem um perfil de gestor que agrada ao eleitor, tendo em vista o resultado das últimas eleições favorável a esse tipo de perfil. Por que o senhor não tem obtido bons resultados eleitorais em suas disputas?

Eu continuo dizendo que ainda sou muito novo na política. Eu sou empresário e estou político. Diferente do Laurez, que é um político; diferente do Dimas, que é um político de carreira. Eu tenho dito que o grande problema do Brasil não é só a corrupção, mas a má gestão. Eu, quando parlamentar, ajudei muito tanto o Laurez, como o Dimas e eles realmente aplicaram os recursos como deveria ser aplicado. Eu acredito que influencie o fato de a política ser muito dinâmica e também a história do nosso Estado, pelo fato de ter uma extensão grande, territorialmente gigantesco. Tem também minha disposição de tempo como empresário: são muitas empresas, de vários segmentos, já gerei quase 70 mil empregos em todo o Brasil – só no Tocantins mais de 15 mil. Então, eu não tive até agora a disponibilidade de tempo como essas pessoas tiveram para percorrer o Estado mostrando o que pensam. Mas hoje, sim. Depois de sete anos no Senado com atuação que, graças a Deus, foi bem avaliada, até mesmo pela imprensa e pelos nossos irmãos tocantinenses. E agora novamente percorrendo o Estado, falando com líderes municipais que são os verdadeiros líderes do nosso povo, eu acredito que dentro de curto prazo esses frutos virão. Os nossos irmãos tocantinenses conhecerão a história desse homem Ataídes e quem sabe uma hora eles vão dar um voto de confiança para que a gente então possa trabalhar em prol deles, porque eu já trabalhei para mim.

O sr. tem dito que está entrando na disputa para vencer as eleições para o Senado. A que se deve esta autoconfiança, tendo em vista que o senhor tem pesos pesados da política tocantinense como adversários?

O empresário aprende muito rápido, principalmente com os erros. Nós tivemos uma eleição em 2018 em que não logramos êxito e gente então cataloga os erros. Agora então nós estamos fazendo esta pré-campanha de uma forma mais consciente, mais experiente, indo na fonte, conversando com os verdadeiros representantes do povo, que são os vereadores. Então essa é uma diferença que nós temos nesta eleição. A segunda diferença é a nossa história de vida. Chegar até ao eleitor com a nossa história de vida, cidadão limpo, ficha limpa, um empresário que nunca recebeu um processo criminal nas costas, passei pelo Senado Federal, presidindo três comissões parlamentares de inquérito, encarando as grandes corporações, os bancos, grandes empresários e nada se encontra contra este homem. Um gerador de empregos, um presidente de um grupo de empresas há mais de 30 anos, eu vejo que a nossa história é um grande diferencial, com todo o respeito aos demais pré-candidatos.

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