“Tem candidato a prefeito que não conhece nada de Palmas”

Presidente da Acipa diz que o excesso de multa na capital preocupa o empresariado palmense e defende estímulo para formalização dos empreendedores

Foto: Divulgação

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Dock Júnior

O líder classista do empresariado palmense é natural de Porto Nacional, com formação superior em Direito pela Faculdade Objetivo e MBA em gestão financeira e controladoria pela Fundação Getúlio Vargas. É empresário no ramo de franquias e administra as marcas M. Martan e Arezzo em Palmas, além de exercer o cargo de presidente da Acipa e do Conselho de Inovação e Desenvolvimento Econômico de Palmas (Cidep).

Ao assumir a Associação Comercial e Industrial de Palmas (Acipa), Karielo Souza Coelho discursou dizendo estar convicto que as parcerias com os governos municipal e estadual eram vitais, ressaltando o propósito de fazer com que as empresas tenham um tratamento justo, sendo possível dessa forma, gerar mais empregos e qualidade de vida para a população.

A Acipa tem por tradição promover campanhas promocionais em datas comemorativas, visando estimular o comércio. Qual é a perspectiva da associação para o dia dos pais em 2016, que se comemora neste domingo? Quais são as campanhas promocionais, sorteios, etc?
A parceria com o Clube de Dirigentes Lojistas (CDL) foi de extrema importância. Estamos caminhando juntos. Especificamente, quanto ao Dia dos Pais, o prêmio é muito bom. A maioria dos pais adoraria receber este presente: um kit completo de pesca, com carretinha, barco, motor, molinetes, etc.

A expectativa é excepcional, o comércio abraçou a ideia. As empresas participantes adquiriram os kits com adesivos, banners, urnas e cupons e promoveram o evento. O departamento comercial do CDL nunca trabalhou tanto nesse período. O Dia dos Pais não era uma data chave em termos de promoções. O apelo maior geralmente é o Dia das Mães e o Natal. Mas estamos reavaliando tudo isso e no próximo ano faremos campanhas promocionais inclusive para o Dia dos Avós, que são tão importantes quanto pais e mães. São datas que o comércio precisa explorar e essa diretoria está focada nisso.

A Acipa caracteriza-se por propagar a união entre empresários, movidos por uma causa, se posicionando ao lado de quem movimenta o comércio e contribui para o desenvolvimento de Palmas, restando claro que a luta pela classe é uma das bandeiras da entidade. Quais as ações que a Acipa tem feito para divulgar suas propostas bem como filiar mais comerciantes?
A associação criou a campanha “Minuto Acipa”. O próprio empresário é que patrocina a campanha publicitária. Funciona assim: após expor as atividades e serviços que a entidade promove, entra uma vinheta explicando que aquele “Minuto Acipa” foi um patrocínio da empresa tal, aproveitando todo o contexto para divulgar o nome de quem arcou com os custos daquele programa. Essa campanha está sendo veiculada nas emissoras de rádio de Palmas.

Outra ação são os outdoors. Os empresários divulgam suas ações, produtos e promoções em conjunto com a Associação Comercial, tendo o outdoor, neste caso, função dupla.

Também veiculamos nos jornais a campanha “Mãos à Obra”, que tem a finalidade de divulgar as ações da associação, além do site – totalmente reformulado – no ar a partir deste mês. Essa nova roupagem do nosso endereço eletrônico vai permitir até mesmo ao usuário se filiar digitalmente. Será possível agendar exames admissionais, demissionais, audiométricos, etc.

Por fim, importante ressaltar a parceria com o CDL, atualmente comandada pelo empresário Antonio Davi Goveia. A partir dessa gestão, todas as campanhas são feitas em conjunto com a Acipa e o sucesso da parceria é espetacular. As duas entidades lutam pela mesma causa e não havia sentido caminhar separadamente. Essa parceria implantou campanhas segmentadas – com direito a premiação aos consumidores – da seguinte forma: “liquidação de estoque” em janeiro e fevereiro; Páscoa entre março e abril; Dia das Mães em maio; o “Liquida Palmas” em julho; Dias dos Pais em agosto; Dia das Crianças em outubro; o feirão do “nome limpo” com estandes de lojas e instituições financeiras, no mês de novembro; e, por fim, o “natalzão CDL Palmas”, em dezembro.

Faremos este ano, ainda, nos dias 21 e 22 de outubro, provavelmente no Centro de Convenções de Palmas, a feira de franquias do norte. Um total de 45 estandes dos mais diversos segmentos das mais sérias e maiores franquias, todas chanceladas pela ABF. Todas elas estarão na feira com a finalidade de explicar ao futuro franqueado todas as possibilidades e vantagens do negócio.

Todas as empresas ligadas ao comércio, indústria, turismo, prestação de serviços, profissionais liberais ou artesãos podem fazer parte da Acipa. Especificamente em relação aos profissionais liberais, o cotidiano deixa transparecer que poucos deles estão filiados. Quais benefícios que a associação poderia lhes proporcionar e por que, na sua visão, eles demonstraram interesse?
A bem da verdade creio que nunca foi feito um trabalho institucional efetivo com a finalidade esclarecê-los. Aliado a isso, poucos possuíam CNPJ e por esta razão, não havia como se filiarem. Com o advento das mu­danças na legislação, como a opção pelo Simples, por exemplo, muitos se movimentaram para obter um CNPJ, tornaram-se empreendedores individuais. Isso influenciou no aumento de filiações de profissionais liberais junto à associação, mesmo porque eles possuem uma gama de serviços a serem prestados. São advogados, médicos, odontólogos que estão se filiando.

Como funciona o programa Empreender?
Esse projeto era subsidiado pelo Sebrae, mas face a crise exposta e instalada no Brasil e, por consequência, no sistema S, o programa está temporariamente suspenso. Ele poderá ser reativado em breve, mas em síntese, visa o fortalecimento da micro e pequena empresa ao reunir empresários de um mesmo município nos chamados núcleos setoriais. Os núcleos setoriais são grupos de empresários de um mesmo segmento que se reúnem periodicamente nas Associações Comerciais. Nos núcleos, os empresários, com o apoio de um consultor, cujo papel principal é o de moderar as reuniões, discutem problemas comuns e buscam soluções conjuntas. O diferencial de tantos outros programas é que no Empreender as soluções vêm “de baixo para cima”, ou seja, são apontadas e executadas pelos próprios empresários.

Qual o suporte oferecido pela Acipa para as microempresas e microempreendedores individuais? O processo para a abertura de empresas hoje no Brasil está menos burocrático?
Nas mudanças do estatuto da Acipa foi criada uma diretoria exclusiva para atender o empreendedor individual. A burocracia diminuiu muito, contudo, os pequenos comerciantes, independentemente de ser burocrático, nem sequer sabiam os trâmites para abrir uma empresa, regularizar seu negócio. O Sebrae fez um grande trabalho nesse sentido com técnicos especializados que esclareceram muitos comerciantes informais.

O que precisa ser trabalhado agora, em forma de conscientização, não é apenas o custo mensal que os empreendedores individuais terão com a Acipa, mas sim usufruir dos benefícios que a associação oferece. Esse envolvimento se dá em orientações no sentido de como se portar como empresário, quer seja no fluxo de caixa, quer seja no planejamento dos investimentos. Essa entidade também deve se preocupar com esse comerciante no sentido de orientá-lo para não se desenquadrar da condição de microempreendedor, esses cuidados acerca do faturamento anual. Por exemplo, às vezes o comerciante acha que sair do Simples para lucro presumido é vantagem. Ledo engano. No Brasil, infelizmente, é mais vantajoso ser gigante ou pequeno, eles sim usufruem de muitos benefícios. O empresário médio fica apenas com os prejuízos e paga a conta. Assim como as pessoas físicas, o pequeno tem benefícios, o grande conhece a lei e o médio assalariado, sustenta o país. A história de empreendedorismo no Brasil é muito linda, mas a realidade é bem diferente e cabe a nós da Acipa orientá-lo.

a informalidade  é uma realidade.  A carga tributária assusta as pessoas que querem empreender”

“A informalidade é uma realidade. A carga tributária assusta as pessoas que querem empreender”

No bairro Taquaralto e suas sub-regiões – Jd. Aureny, Sta Barbara e Jd. Taquari – é possível verificar um fluxo muito grande de pessoas, e por consequência, um volume grande de negócios. Contudo, verifica-se também muita informalidade. Qual a visão da Acipa em relação a estes pequenos comerciantes daquela região e o que poderia ser feito para incluí-los no contexto empresarial, quando poderiam ser capazes de gerar emprego e renda, além de contribuir com a arrecadação de impostos?
A informalidade no Brasil é uma realidade, não é exclusividade do Tocantins. A carga tributária assusta as pessoas que querem empreender. Aliado a isso, muitas vezes o grau de instrução é um pouco menor, o sujeito não se capacitou da forma ideal e acaba por enxergar na formalidade, um entrave. A Acipa não tem uma visão distante dos comerciantes daquela região e sim o contrário: eles se distanciam, talvez por considerarem que associação atende Palmas apenas, deixando a região sul – Taquaralto – de lado. Não é verdade. O nosso vice-presidente é daquela região e foi escolhido exatamente em razão dessa preocupação da entidade com aqueles comerciantes. Temos incentivado eles a se associarem e a prova disso é o desconto de 50% na mensalidade, visando estimular a filiação. Depois de filiado, ele pode usufruir de vários benefícios, como assessoria jurídica, contábil, etc. É preciso, portanto, que eles também saiam da zona de conforto e nos procure, mesmo porque não possuímos estrutura para ir de porta em porta. A Acipa é a casa deles, é necessário que eles compreendam isso.

A Acipa considera – de acordo com seu portfólio de apresentação – que envolver a comunidade industrial, comercial e terceiro setor em ações sociais contribui para uma sociedade mais justa e solidária. Quais as ações a entidade tem promovido no sentido de convencer seus associados a desenvolverem ações sociais?
Havia 22 diretorias e, com a renovação que promovemos, agora são 30. Várias delas estão voltadas para essa finalidade. Criamos, por exemplo, uma diretoria de sustentabilidade e desenvolvimento econômico, que defende o meio ambiente. Fizemos um projeto piloto para incentivar nossos associados a utilizarem a energia fotovoltaica, reduzindo os custos, além de receber incentivos fiscais do Estado do Tocantins e da Prefeitura de Palmas.

Há também o “Acipa Social”, um novo programa que contemplará entidades sociais que precisam de doações e suporte logístico, mesmo porque muitas delas são geridas por voluntários, na maioria das vezes sem conhecimento técnico. Muitas delas nem sequer possuem documentação hábil para firmar convênios e receber verbas. Abraçaremos essas entidades e forneceremos suporte a elas, além de direcionar ações anuais específicas para ajudar cada uma.

Essas ações sociais junto a essas entidades certamente trarão retorno, mesmo que seja a longo prazo. É de extrema importância cuidarmos dos órfãos, dos desamparados, como também das pessoas expostas à miserabilidade. Assim, é provável que evitaremos a proliferação de mais bandidos que acabam atacando os nossos associados: os comerciantes e seus clientes.

É fato que o comércio palmense, assim como no restante do país, passa por uma crise. Até que ponto pode-se atribuir culpas aos governos federal, estaduais e municipais? O fechamento de várias empresas durante a gestão do atual prefeito, Carlos Amastha, é apenas uma coincidência ou sua forma de gerir a cidade acabou por refletir na classe empresarial?
Foi um conjunto de coisas. O Brasil está em crise e não apenas Palmas. Assim como várias portas se fecham, muitas outras também se abrem. A bem da verdade, o sistema brasileiro prioriza a coisa pública em detrimento do privado e isso acaba atrapalhando um pouco o comércio. Quanto ao gestor municipal, Amastha, houve muitas correções às distorções existentes. A gestão, através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, aportou recursos nas campanhas promocionais conduzidas pela Acipa. A cidade apresentou melhoras, sem dúvidas, mas há ainda muito a ser feito. O estacionamento rotativo, por exemplo, era necessário e importante, contudo a forma que foi implantado e executado é péssima. A empresa demonstrou não possuir capacidade técnica para prestar o serviço e a associação já se posicionou contra isso inúmeras vezes, inclusive para o próprio prefeito. Outro ponto: o empresariado está preocupado com o excesso de multas. Óbvio que a conscientização é importante, contudo a prefeitura não pode se transformar numa máquina de arrecadar. O gestor tem que entender que a diferença entre a droga que cura e a que mata é a dose.

Em razão do pátio multimodal da Ferrovia Norte-Sul, muitas pessoas abriram pequenos comércios ao longo da rodovia, no distrito de Luzimangues, município de Porto Nacional, e por consequência, fora do alcance da Acipa. Houve, neste caso, uma verdadeira evasão de receitas. Paradoxalmente, o governo do Estado determinou há poucos dias o início do processo licitatório para a construção do anel viário de Palmas, que circundará a cidade, e naturalmente, também culminará com uma nova investida de comerciantes para aquela região, visando aproveitar o fluxo de caminhões e transeuntes. A Acipa tem algum projeto que vise organizar a aglomeração de comerciantes – formais ou não – naquele trecho, evitando a ocupação desordenada?
O distrito de Luzimangues encontra-se na situação atual por conta da desorganização da gestão de Porto Nacional. Uma cidade tão pujante, com enorme potencial e que tem sofrido com administrações pífias. O distrito é muito distante geograficamente da cidade sede e cresce desordenadamente porque onde há ausência de “Estado” alguém assume o encargo. Se a prefeitura não ocupa o espaço, as próprias pessoas ocupam e o fazem, na maioria das vezes, de forma desorganizada.

Quanto à ocupação do anel viário, tenho convicção e confiança que aquele problema não ocorrerá em Palmas. A Acipa teve participação ativa na revisão do plano diretor da capital e o secretário municipal José Messias tem sido muito criterioso nesse quesito. As audiências públicas são convocadas oficialmente pela mídia e as discussões têm sido muito úteis. A parte do anel viário já foi discutida em uma das reuniões e não haverá espaços para ocupações desorganizadas. A chance de repetir o desastre que foi o distrito de Luzimangues é próxima de zero. E digo mais: o entorno do anel viário hoje – para quem possui disponibilidade financeira – é um dos melhores investimentos da cidade.

Demonstrando preocupações com o desenvolvimento da cidade, a Acipa promoveu, há poucos dias, sabatinas com os pré-candidatos a prefeito de Palmas. Qual foi o balanço que a associação fez em relação aos argumentos por eles apresentados e a qual a avaliação final do referido evento?
Foi muito positivo, proveitoso mesmo. Havia um rol de perguntas comuns a todos os candidatos e nos surpreendemos com a quantidade de pessoas da sociedade que se interessaram em acompanhar esses debates. Alguns candidatos demonstraram estar preparados para administrar a cidade, três ou quatro talvez. Outros nem tanto e, para dizer a verdade, me impressionou negativamente a falta de conhecimento de alguns deles. Aproveitamos também para expor as nossas reivindicações enquanto parte integrante da sociedade civil. Todas as sabatinas foram gravadas. Compilamos todos os dados e entregaremos – aos candidatos que efetivamente participarão do processo eleitoral – um documento contendo todas as discussões, promessas e convicções políticas aqui adotadas por cada um deles. Tudo será cobrado porque a sabatina teve o intuito de saber dos candidatos suas propostas e debatê-las com a sociedade.

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