“Sob o comando de Sandoval Cardoso, o partido fica em dificuldades e não queremos isso”

Deputado estadual quer que a legenda se aproxime do governo estadual e planeja assumir o comando da sigla em Palmas

Foto: Gilson Cavalcante

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Gilson Cavalcante

O Solidariedade (SD), cuja bancada na Assembleia Legislativa é composta por quatro deputados, vai formalizar, dentro de poucos dias, o seu apoio ao governo Marcelo Miranda (PMDB). Para isso, está dependendo apenas de uma decisão da Executiva Nacional de retirar o ex-governador Sandoval Cardoso do comando da direção estadual da legenda. O partido, segundo explica o deputado Wanderlei Barbosa, será comandando no Tocantins por Amélio Cayres ou Wilmar Oliveira. “Depois de definido o comando estadual, iremos discutir os rumos que o partido irá tomar, com vistas às eleições municipais de 2016. “Tivemos uma boa conversa com o governador Marcelo Miranda, para que o partido discuta uma integração na base governista. Se o SD for tratado como partido da base, poderemos contribuir e muito com o governo do Estado”, adiantou Barbosa, que já articulou com os três colegas de bancada para ficar à frente da legenda no município de Palmas, sua principal base eleitoral. Barbosa disse que o projeto político dos partidos que fazem oposição ao prefeito Carlos Amastha é formar um grande bloco para trabalhar um nome de consenso e que não tenha rejeição para concorrer à sucessão na capital. “Esse nome, além de não apresentar altos índices de rejeição, tem que aglutinar outras forças políticas”, especulou. Barbosa é um dos críticos contumazes do prefeito Amastha e reiterou, na entrevista, sua intenção de continuar combatendo a administração municipal, que considera um “fiasco”.

Quais os rumos do SD, maior bancada na Assembleia Legislativa, já que os deputados da legenda não estão satisfeitos com a inapetência do presidente regional, ex-governador Sandoval Cardoso?
Primeiro, nós estamos esperando uma definição da Executiva nacional do partido quanto à questão do comando da legenda em nível estadual. Nós, aqui na Assembleia, esperamos que o comando do partido fique com um dos quatro parlamentares. Já fizemos o encaminhamento, depois de uma discussão, que Wilmar Oliveira ou Amélio Cayres assuma a presidência do diretório, porque eu e o deputado Jorge Frederico já abrimos mão da postulação. Eu, por exemplo, não tenho essa pretensão. Minha ideia é presidir o SD de Palmas e, posteriormente, depois de definido o comando estadual, iremos discutir os rumos que o partido irá tomar, com vistas às eleições municipais de 2016. Tivemos uma boa conversa com o governador Marcelo Miranda, para que o partido discuta uma integração na base governista. Se o SD for tratado como partido da base, poderemos contribuir e muito com o governo do Estado.

Então, o SD poderá fazer parte da base do governo?
Existe sim essa possibilidade. Estamos discutindo a questão. O SD, sob o comando do ex-governador Sandoval Cardoso, dificulta essa aproximação do partido com o Palácio Araguaia. Agora só depende da Executiva Nacional fazer essa troca. Conversei com o Sandoval Cardoso e deixei claro o objetivo do bloco de ter no comando do partido no Estado uma liderança que não tivesse nenhuma restrição junto ao Palácio Ara­guaia, porque existe verdadeiramente uma disposição do partido de segurar as suas bases, os seus prefeitos e vereadores, e trabalhar para que o partido não perca tanta força. Se ficar da forma como está, o SD vai se enfraquecer e se tornar um partido totalmente debilitado politica e eleitoralmente. Nós não queremos que isso aconteça. Enfim, precisamos de alguém que possa ter trânsito com o governo do Estado, até para mediar a relação com nossos prefeitos.

"A gestão do prefeito Carlos Amastha não tem um marco. Ele queria o BRT, cuja verba é do governo federal, mas pelo visto não vai ser realizada”

“A gestão do prefeito Carlos Amastha não tem um marco. Ele queria o BRT, cuja verba é do governo federal, mas pelo visto não vai ser realizada”

O sr. tem pretensões em dirigir o diretório Metropolitano de Palmas. O seu propósito é fazer um combate mais ferrenho à administração do prefeito Carlos Amastha?
Eu me considero totalmente adversário da gestão municipal. Não existe nenhuma possibilidade de acordo com o prefeito Amastha de o SD fazer uma aliança com ele para as eleições de ano que vem. Pretendo estar no comando do SD em Palmas porque sou o único deputado do partido no município, que é a minha principal base eleitoral. Nós vamos trabalhar um grande grupo contra a administração municipal, com a qual não concordamos.

Que grupo seria esse?
É um grupo que está sendo formado pelos mais diversos segmentos oposicionistas. Tentaremos fazer uma unidade desse grupo. Tentaremos convencer, mais na frente, alguns dos partidos que fazem parte da base do prefeito Amastha. Mas posso adiantar que vamos ter um grande número de partidos contrários ao prefeito Amastha, que estão se juntando para disputar, com chances de sucesso, as eleições de Palmas.

Percebe-se que o prefeito Amastha utiliza muito do marketing pessoal nas redes sociais, mas politicamente tem se metido em algumas confusões.
O prefeito deixou claro agora que não tem obras. As obras dele são apenas de reformas. Ele está reformando e trocando placas, um sinal claro que a troca de placas é um marketing. Quer deixar o nome dele em algumas obras para dizer que foi ele que fez. Foram obras feitas por outras administrações.

O prefeito não realizou até agora uma grande obra, no seu entendimento?
Nenhuma grande obra visível. Ele é o prefeito da reforma. Reforma os canteiros, asfalto, escolas, parque, mas não faz nada como o grande marco de sua administração. A obra que ele pensava realizar é o BRT, cujos recursos são do governo federal. Ele queria apenas tirar proveito dessa obra, pegar uma carona, e pelo visto não vai ser realizada. A gestão do prefeito Amastha não tem um marco.

O sr. acredita que o ex-prefeito Raul Filho, ainda sem partido, pode ser o nome de consenso dentro do grupo de oposição que está sendo formado em Palmas?
Tanto ele (Raul) quanto outro nome. Nós temos vários nomes com condições de promover esse consenso. O que nós temos que discutir é qual dos nomes que vão se apresentar que não tenha um alto índice de rejeição e que aglutine. Nós queremos definir um nome com essas características que tenha condições de combater esse engodo, essa mentira, que é a administração do prefeito Amastha.

O sr. questionou, recentemente, da tribuna a averiguação do Ministério Público Estadual com relação à obra do Ginásio de Taquaruçu. O sr. considera uma obra superfaturada?
Sempre tive uma preocupação com a maneira com a qual as obras neste município estão sendo tratadas. Na averiguação, o MPE pede o afastamento do presidente da Fundes­portes, Cleiton Alen. A reforma do ginásio não tem qualidade, é superficial. R$ 700 mil dá para reformar duas vezes. Quero dizer ainda que Palmas virou a indústria da multa. O prefeito pratica a velha prática nojenta de quem faz corrupção com o dinheiro público.

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