“Situação financeira dos municípios só vai melhorar com novo pacto federativo”

Deputado afirma que vai trabalhar pela governabilidade mas sem deixar de fiscalizar com rigor os atos do governo de Mauro Carlesse

Stalin Bucar: “Um gestor público tem de assegurar educação, saúde e segurança pública de qualidade; já o deputado estadual tem o dever de fiscalizar as ações do governador e zelar pelo desenvolvimento do Tocantins”

A base política do deputado Stalin Juarez Gomes Bucar se estende pela região central do Estado e seus mandatos sempre tiveram como bandeiras a defesa da saúde pública, segurança e ações sociais, além de outras que visassem garantir a infraestrutura básica do Estado, como estradas, energia elétrica, escolas de industrialização e incentivo para a agricultura. Sob essa ótica e com os mesmos preceitos, o parlamentar é candidato natural à reeleição, pelo PR, em 7 de outubro de 2018.

Stalin Bucar, tocantinense de Tocantínia, é advogado e agropecuarista. Foi prefeito da cidade de Miranorte entre 1982 e 1988, época da criação do Estado do Tocantins. Ele foi eleito gestor do município em 2000, sendo reeleito em 2004. Nas eleições de 2006, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa, com 11.179 votos, sendo reeleito em 2010, quando conseguiu 11.006 votos. Em 2014, filiado ao PR — em que pese ter obtido 10.928 votos —, não foi eleito, em razão do coeficiente eleitoral, restando-lhe a segunda suplência. Em razão da ascensão do deputado Vanderlei Barbosa (PHS) ao cargo de vice-governador, após as eleições suplementares, reassumiu a cadeira na Assembleia Legislativa, em julho de 2018, para finalizar o mandato que se encerra em 31/12/2018.

A região central do Estado — Miracema, Miranorte, Tocantínia, Lajeado, Barrolândia, Dois Irmãos, Araguacema, Divinópolis — perdeu representatividade com sua ausência na Assembleia a partir de 2015. Nas eleições de outubro de 2018, o sr. se candidatará com a finalidade de representar a região?

Sem dúvida. É necessário que estas cidades tenham representantes na Assembleia Legisla­tiva, inclusive por que o deputado Junior Evangelista (PSC), de Miracema, não poderá ser candidato à reeleição, devido a questões judiciais. A saída dele da disputa abre, naturalmente, espaço para que eu represente aquela cidade no Parlamento, apesar de sempre ter obtido votos ali, como também ter lutado na defesa dos interesses da região.

No exercício dos mandatos anteriores houve uma consolidação do meu trabalho junto àquelas comunidades, como um instrumento de apoio e assistência aos menos favorecidos. Sempre lutei pela região central do Estado do Tocantins, não apenas como parlamentar, mas também como prefeito. Fiz várias gestões, requerimentos e pedidos ao senador João Ribeiro [falecido], como também aos governos, estadual e federal, no sentido de viabilizar a construção da ponte sobre o Rio Tocantins na cidade de Lajeado — que facilitou o acesso a Palmas — bem como a duplicação da travessia urbana de Miranorte, além da pavimentação asfáltica do trecho que liga a cidade de Dois Irmãos à BR-153.

Enfim, obras infra estruturais de suma importância, as quais tive participação direta para que saíssem do papel e que acabaram por elevar a qualidade de vida dos tocantinenses. A árdua e contínua batalha vem de muitos anos e, caso reeleito, não será diferente, porque tenho compromisso com a região central do Estado e um histórico de lutas para melhorar a vida do povo.

Por que o sr. não foi reeleito em 2014?

Por mais incrível que possa parecer, estava muito desmotivado com a política, naquele momento. Fiquei por muito tempo engajado na vida e na atividade públicas. Não culpo ninguém, a não ser a mim mesmo, porque não houve um esforço durante a campanha eleitoral. A decepção com o Parlamento, muitas vezes cheio de amarras e entraves, como também a instabilidade política, advinda da renúncia do governador Siqueira Campos e desnorteio do grupo político do qual eu fazia parte, contribuíram para esse desestímulo.

Entretanto, sou político por vocação, aprecio o contato com as pessoas e estou nesta atividade porque gosto. Nunca fui condenado pelas minhas atividades e tampouco fiquei inelegível. Nestes três anos, descansei e cuidei de atividades particulares. Ao retomar minhas funções como deputado — em julho deste ano — me convenci que não há como eu me afastar da vida pública, mesmo porque a política é a única forma de ajudar as pessoas, trazer benefícios, transformar a realidade e, por fim, contribuir para a evolução da sociedade de uma forma geral.

Há uma característica marcante dos mandatos exercidos, assim como o próximo, caso seja reeleito?

As ações voltadas para a saúde e segurança pública são minhas prioridades absolutas. Não sou deputado de gabinete, é da minha índole estar junto ao povo, escutando suas demandas para só depois trazê-las ao Parlamento e ao Executivo, visando soluções. É necessário equilibrar as contas públicas de forma a viabilizar recursos para a segurança e saúde públicas e, quer seja na apresentação de novos projetos, quer seja votando projetos de colegas parlamentares, essas duas áreas da administração foram, e sempre serão, meus focos prioritários. Mas talvez o marco desses mandatos parlamentares seja o municipalismo.

Também considero de crucial importância a revisão do pacto federativo. Digo isso não apenas pela experiência como deputado estadual, mas principalmente no exercício do cargo de prefeito.

A distribuição das riquezas e dos recursos públicos no Brasil é extremamente injusta, porque todos os problemas da população estão atrelados aos municípios. Sempre defendi isso nas reuniões da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) e da União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale). É necessário tirar as prefeituras desta situação de angústia financeira, porque os prefeitos estão de mãos atadas. Não há autonomia financeira para os gestores, o que impossibilita o planejamento, assim como alcançar metas.

Sou defensor de um pacto — encabeçado pela Unale — no sentido de sermos mais contundentes em relação à defesa dos municípios. São muitos encontros e reuniões em nível nacional que não estão surtindo quaisquer efeitos. Os legisladores estaduais de todo o país têm de se unirem em favor dessa causa e encorpar o movimento para revisão do pacto federativo. Já defendi e vou continuar defendendo essa ideia fortemente, enquanto exercer o cargo de deputado estadual. A situação financeira dos municípios vai melhorar com novo pacto federativo.

Como avalia o legado político do falecido senador João Ribeiro?

Incomensurável. João era uma figura ímpar com a qual convivi muitos anos e tive um aprendizado fantástico. Ele era o tipo do político transparente, adepto da harmonia e da conciliação e que, naturalmente, conquistava a todos por suas condutas e ações, agregando, ao seu redor, integrantes das mais variadas tendências ideológicas. Foi uma perdea irreparável para nós tocantinenses.

Em razão dessa estreita ligação, pode-se dizer que a viúva do senador, a prefeita de Palmas, Cinthia Ribeiro, tem acesso ao seu gabinete na Assembleia Legislativa, que pode ser o elo entre a prefeitura e o Parlamento?

Cinthia era um dos esteios do meu amigo João Ribeiro, uma parceira que sempre colaborou com suas ações e lhe deu forças, do melhor ao pior momento da sua vida. Ela incorporou várias características dele e, em minha opinião, a melhor delas é não agredir, gratuitamente, toda a classe política, como fazia o seu antecessor [Carlos Amastha]. Não há menor dúvida que meu gabinete na Assembleia está de portas escancaradas para a prefeita Cinthia. Dentro das minhas possibilidades, estou disposto a ajudá-la na condução da nossa capital. Tenho inúmeros eleitores que moram em Palmas e anseiam por boas gestões. Ela está no caminho certo, quando resolveu contingenciar os recursos, fechar as torneiras e ralos da Prefeitura de Palmas, equilibrando a saúde financeira do município. Ela tem um futuro brilhante na política, pelo seu comportamento retilíneo e ações pautadas pela eficiência.

“Vou zelar para que o governador Mauro Carlesse (foto) aplique os recursos com zero e beneficie toda a população do Tocantins”

O sr. foi prefeito da cidade de Miranorte por três mandatos. Qual a sua avaliação desses mandatos?

Extremamente satisfatória. A primeira avaliação é que sempre tive minhas contas aprovadas pelos órgãos de controle. Alavanquei aquele município. A primeira vez que assumi, quando aqui ainda era Norte de Goiás, a cidade era um referencial quase que insignificante: “entroncamento de Miracema”. Mudei o perfil do município. Construí um ginásio de esportes com área de lazer com piscina, um mercado municipal, promovi a revitalização de praças públicas, além de proporcionar shows de bandas famosas, fomentando o entretenimento para a população. O destaque da gestão foi tão intenso que cheguei a ser cogitado, à época, para ser o vice-governador na chapa do Henrique Santillo, representando o Norte. No segundo mandato foram construídas 472 casas populares e 70% da pavimentação asfáltica existente no perímetro urbano da cidade. Dei uma nova roupagem para o município. Naquela época, mantivemos o hospital público em pleno funcionamento e não faltavam atendimentos emergenciais ou medicamentos para a população. Nenhuma mulher saía de Miranorte para dar à luz em outra cidade. Possuíamos um centro cirúrgico adaptado para a especialidade. Hoje não temos mais miranortenses nativos, porque as mães são obrigadas a fazerem o parto em Miracema ou Palmas. É um absurdo.

Fomentei o emprego e a renda do município, incentivando a instalação de uma indústria de beneficiamento de abacaxi — uma das riquezas da cidade — e uma fábrica de doces com frutas da região. A cidade se desenvolveu ao longo da BR-153 e, em razão disso, construí uma avenida paralela para incentivar o comércio de serviços aos viajantes. Fiz questão de construir o prédio da prefeitura, que, além de bonito e moderno, tem um projeto urbanístico arrojado, capaz de abrigar todas as secretarias municipais. Os destaques das gestões foram a saúde e a assistência social, visto que meus mandatos sempre foram comprometidos com o bem-estar dos habitantes, desde o nascimento até a morte.

O senador Vicentinho Alves e o deputado federal Vicentinho Jr. têm uma longa folha de serviços prestados ao Tocantins e merecem ser reeleitos”

As administrações posteriores quiseram devolver o hospital municipal para a gestão do Estado do Tocantins, sob a alegação de que o custo é muito alto.

Tudo na vida é uma questão de prioridade. Sempre priorizei a saúde pública e, por isso, a unidade hospitalar de Miranorte sempre funcionou muito bem, com médicos, dentistas, fisioterapeutas, farmacêuticos e auxiliares de enfermagem. Apesar dos recursos do Ministério da Saúde não serem de grande monta, é possível pactuar com o governo do Estado alguns atendimentos. Contudo, o básico tem que estar sob a responsabilidade do município. A população mais carente sequer consegue se deslocar até outros centros para ser atendida.

No que concerne ao contexto político, o Tocantins passou há poucos dias a ser governado por Mauro Carlesse (PHS), após a cassação de Marcelo Miranda (MDB). Qual é a sua relação com o novo gestor?

Tenho tentado me alinhar e me esforçar para que o governador tenha governabilidade. Se eu puder ajudá-lo nesse sentido, sei que estarei ajudando a população. Enquanto agentes políticos, temos que saber respeitar a opinião pública. Carlesse foi eleito pelo povo e foi legitimado no cargo. Por isso, temos que dar respaldo à preferência popular, procurando ajudá-lo a sair da instabilidade financeira e política em que nosso Estado, infelizmente, se encontra. Não é questão de ser subserviente, longe disso, vou exercer o meu papel fiscalizador, mas principalmente vou zelar para que os recursos sejam bem empregados em prol da população.

Temos que iniciar um novo tempo, para que não haja corrupção e desvios das verbas públicas. O nosso Estado, tão novo, nasceu da ânsia de um povo humilde e sofrido. Portanto, tinha tudo para ser um exemplo e crescer sem máculas ou erros, mas já passou por duas cassações de governadores, além do afastamento de vários desembargadores. É lamentável, porque causa muita desconfiança, que acaba gerando prejuízos para o ente estatal. É necessário que os agentes políticos respeitem as leis para que os investidores sintam confiança para investir, desenvolver as cidades, proporcionando emprego e renda para o nosso povo.

“O ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha pode até ser apoiado por mim, mas não pode tratar os todos os políticos como se fossem ‘bandidos’”

Apesar da minirreforma eleitoral ocorrida há pouco tempo, algumas situações ainda são inevitáveis como coligações de partidos antagônicos ou parcerias entre antigos desafetos. Como o sr. vislumbra esse cenário no Tocantins?

Os interesses pessoais têm prevalecido em detrimento dos interesses partidários. Essa verdadeira salada, em vigor hoje no Brasil, faz com que as ideologias partidárias não sejam respeitadas e isso é muito ruim para o processo democrático. O PR no Tocantins vai se posicionar na convenção de domingo, 5. Vamos trabalhar pela reeleição do senador Vicentinho Alves, um político atuante com longa lista de serviços prestados ao Tocantins, com a destinação de inúmeras emendas parlamentares aos mais diversos municípios. O seu filho, Vicentinho Jr., também seguiu a mesma linha e teve um mandato parlamentar de destaque e, por isso, também merece ser reeleito deputado federal. Pela possível coligação dos partidos, em relação ao candidato a governador, o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (PSB), ainda estamos conversando e avaliando. Há alguns acertos e compromisso que esse candidato tem de firmar, em uma conversa comigo “olho no olho”, sem intermediários, para que passe a gozar do meu apoio.

Há algumas arestas a serem aparadas, e pode ser até que ele esteja bem-intencionado. Contudo, são necessários alguns ajustes na conduta dele, como também na forma de tratar os demais políticos do nosso Estado. Tenho orgulho de pertencer à velha política, tenho satisfação em ter ajudado construir este Estado — quer seja como prefeito, quer seja como deputado — e posso afirmar categoricamente: não sou bandido. Portanto, para caminharmos juntos e essa parceria ocorra, serão necessários alguns ajustes.

Deixe um comentário

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.