“Se ganhar a eleição, vou fomentar a economia baixando os impostos”

Senador e pré-candidato ao governo diz que está visitando todos os municípios do Estado em busca da formação de uma grande chapa para o próximo pleito

Senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO) | Foto: Pedro França/Agência Senado

Natural de Estrela do Norte (GO), Ataídes de Oliveira é graduado em Contabilidade e Direito, tendo se tornado empresário no ramo de consórcios e, também, da construção civil. Senador da República pelo Estado do Tocantins, desde janeiro de 2014, disputou (e perdeu) as eleições para governador no mesmo ano, pelo Pros.

Agora no comando regional do PSDB e após ter se tornado protagonista nos episódios do impeachment da então presidente Dilma Rousseff, exercido a presidência da CPMI da JBS, dentre outras missões polêmicas, como relatar o processo de cassação do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), Ataídes se apresenta novamente como pré-candidato ao governo do Estado.
Pelos seus cálculos, em seis meses será possível mudar radicalmente o cenário de dificuldades existentes hoje, desde que uma série de medidas sejam adotadas e operacionalizadas com responsabilidade.

Na sexta-feira, 16, o sr. acompanhou o ministro dos Transpor­tes, Maurício Quintella, em sua vi­si­ta pelo Tocantins, que teve a fi­na­­lidade de entregar obras de in­fra­estrutura na região de Gurupi e For­moso do Araguaia. Qual a im­por­tância da visita e das obras pa­ra aquela região?
O prefeito da cidade de For­mo­so é tucano, Wagner da Gráfica, e logicamente, é meu dever, prestigiá-lo. Contudo, é importante dizer que a construção da BR-242 é uma luta de longa data. Ainda há uma grande parte dessa obra em território tocantinense que precisa ser pavimentada, como também, a cons­trução de uma ponte na cidade de Paranã. Esse corredor de ex­por­tação Leste-Oeste, que inclui a construção da travessia da Ilha do Bananal, é extremamente importante não apenas para o Tocantins, mas também para a Bahia, Pará e Mato Grosso, visto que a produção agrícola destes últimos, por exemplo, seguiria direto para os portos localizados no Nordeste, sem ter que passar pelo Sudeste ou por Goiás, gerando custos desnecessários.

Especificamente sobre a travessia da Ilha do Bananal, cujo projeto é de autoria de um entusiasta, um doente, no bom sentido, o engenheiro José Rubens Mazzaro, também é de grande valia, visto que interliga o Tocantins ao Mato Grosso e ao Pa­rá, trazendo muito desenvolvimento para a região, beneficiando muitas pessoas. Esse rapaz é um símbolo dessa luta, está há mais de dez anos tocando esse projeto, viajando a Brasília para centenas de reuniões, além de inúmeras gestões junto aos governos estaduais e federais, ao longo desse tempo.

Também é importante dizer que estamos lutando, junto ao Mi­nis­tério dos Transportes, pela retomada da duplicação da BR-153, uma vez que a antiga concessão que estava a cargo do consórcio Queiroz/Galvão foi desfeita em razão do envolvimento dos seus sócios em corrupção, desvendado pela Operação Lava Jato. Esse é um dos temas que tratamos com o ministro naquele encontro.

Em relação ao PSDB e os prefeitos que já estão filiados à sigla, há uma perspectiva de novas filiações nos próximos dias, visando as eleições de 2018. Essa informação procede?
É sabido, por toda classe política, que quem possui votos por es­se Brasil são os vereadores e prefeitos. Partindo desse princípio, es­ta­mos trabalhando muito para am­pliar nossa base. Peguei o partido “judiado” com apenas 5 prefeitos e hoje temos 23. Até 15 de abril, nossa perspectiva é filiar mais 19, incluindo o gestor de Tocantinó­po­lis, Paulinho do Bonifácio (PSD), totalizando 41 prefeitos, o que representa um colégio eleitoral de mais 280 mil eleitores.

Inobstante a isso, estamos visitando todos os municípios do Es­ta­do do Tocantins em busca da for­mação de uma grande chapa para o próximo pleito. Iniciamos con­versas com os deputados estaduais Vilmar do Detran (SD) e Osi­res Damaso (PSC), que provavelmente se candidatará a deputado federal em nossa coligação. Não deixamos de lado, sob nenhuma hipótese, deputados federais que lutam pelos mesmos ideais, co­mo Gaguim (Podemos) e Josi Nu­nes (MDB), que estão desconfortáveis em suas siglas partidárias e seriam bem recebidos no PSDB.

Além disso, não posso esquecer de dizer da importância da queridíssima e batalhadora Professora Do­ri­nha, atualmente líder da bancada. Essa deputada, inclusive, mesmo que porventura não esteja coligada co­migo nas próximas eleições, de­vido a outros compromissos políticos, terá meu eterno respeito, uma vez que é extremamente atuante e a condução do seu mandato parlamentar é irrepreensível.

Em âmbito estadual e na condição de presidente regional da sigla, o sr. recebeu, recentemente, um pedido de expulsão da vice-prefeita Cinthia Ribeiro. Qual a sua percepção em relação a este fato?
O presidente metropolitano, Carlão da Saneatins, já me encaminhou esse pedido. Várias foram as razões, entre as quais a tentativa dela de criar um diretório municipal sem a anuência da executiva estadual, não logrando êxito. Judicializou essa demanda e novamente foi derrotada.

Inobstante a isso, ela tem declarado publicamente que é eleitora e favorável a eleição do prefeito Amastha a governador, mesmo sa­ben­do que o partido dela tem candidato próprio para esse cargo. Isso é caracterizado, nos moldes do nosso estatuto, como infidelidade partidária. Ela será convocada para apresentar as defesas que porventura possuir, e após isso, o Conselho de Ética e não eu, na qualidade de presidente regional da sigla, fará o julgamento da vice-prefeita. A expulsão é uma possibilidade.

O sr. será candidato ao governo pelo PSDB neste ano. Na hipótese de ser eleito, qual a característica mar­cante que diferenciaria sua gestão das outras?
Tenho mais de 30 anos de experiência como empresário, atu­ando à frente do grupo Aragua­ia.  Entre erros e acertos, posso ga­ran­tir que o empreendimento é ren­tável e gera lucros e empregos, uma vez que já assinei mais de 50 mil carteiras de trabalho nesse pe­rí­odo e expandi a atuação do gru­po por vários Estados do país. Tam­bém tenho experiência política, vez que exerço o mandato de se­nador há mais de quatro anos.

É necessário coragem e se as medidas certas forem aplicadas, em apenas seis meses é possível re­sol­ver a grande maioria dos problemas que o Tocantins enfrenta. É uma de espécie de choque de gestão, mas não de “faz de conta”, de verdade mesmo. Medidas duras, mas extremamente necessárias.

A força da caneta de governador é capaz de reequilibrar as contas públicas e trazer os índices de corrupção para muito próximos de zero. Já fiz as contas – amo números – e isso significa uma economia de R$ 900 milhões. Isso resolve, de cara, o problema da saúde e da segurança.

Vou fomentar a economia baixando impostos, mas sem perder receitas. Posso garantir que isso é pos­sível. Veja: se exemplificativamente uma dona de casa gasta R$ 1 mil no supermercado, se reduzirmos o imposto em 10%, ela fará a mesma compra com R$ 900. Os outros R$ 100, ela certamente vai gastar em outros bens de consumo e, logicamente, vai pagar impostos ao adquiri-los. Então, é fácil concluir que não há perdas em baixar impostos, porque, se inicialmente há uma ideia de redução de arrecadação, quando a operação é finalizada verifica-se que não houve perdas. O que se perde hipoteticamente, é compensado de outras formas, mesmo porque fomentando o consumo, gera-se mais em­pre­gos e mais renda. Essas ações fa­zem parte do meu plano de go­ver­no, que será detalhadamente exposto no decorrer da campanha.

Além disso, é necessário modificar a política de incentivo fiscal, conclamando empresários a investir em nosso Estado, quer seja na piscicultura e no turismo ecológico e religioso, quer seja na exploração do nosso solo, tão rico em minérios e pedras preciosas.

Posso garantir que após quatro de governo, esse gigante adormecido chamado Tocantins estará acordado e em plena evidência. Se esse território não fosse tão rico como ele é, eu jamais falaria que isso se­ria possível. Não é questão de ser melhor do que ninguém e se postar como milagreiro. Nada disso, trata-se apenas de uma questão de fa­zer o dever de casa e promover a transformação econômica, financeira e social que nosso Estado e nosso povo merece.

 Por que o eleitor tocantinense deveria votar no sr. para governador do Tocantins?
Quero conclamar o povo do Tocantins, enojado com os políticos de uma forma geral, a analisar com bastante atenção nossa proposta, que foi denominada “Pacto pelo Tocantins”. Ela se baseia num tripé: o desenvolvimento econômico, financeiro e social; o segundo, o resgate da confiança do nosso povo na política e nos seus agentes, aos quais deixaram e acreditar há algum tempo, com muita razão; e trazer os jovens para movimento político, de forma a promover a transformação do nosso Estado.

Eu ofereço, por fim, minha disposição em servir as pessoas, minha coragem, meu trabalho, minha honestidade empresarial e política. Tenho as mãos limpas e sairei da política um dia, se Deus quiser, do mesmo jeito: sem quaisquer máculas.

Conclamo os irmãos tocantinenses a se unirem em torno do objetivo de tornar esse Estado um lugar melhor para se viver e que não percam as esperanças, porque dias melhores virão. Deus está no comando de tudo.

Como o sr. vislumbra administrar um Estado que é considerado pobre e não há muitas perspectivas de crescimento?
Não justifica um Estado tão próspero como o nosso, com cerca de 300 mil km de terras planas e férteis, agricultura pujante, clima definido, pecuária com mais de 8 milhões de bovinos, segunda maior bacia de água doce do Brasil, logisticamente privilegiado, cujo povo é trabalhador e honesto, amargar o título de terceiro Estado mais pobre da Federação. Alguma coisa está errada e precisamos reverter esse quadro.

Não precisa milagre para consertar isso, mas é primordial reequilibrar as contas públicas e não gas­tar mais do que arrecadamos. A iniciativa de baixar impostos também é uma alternativa mais do que importante, além da implantação de uma política de incentivo fiscal ade­quada e eficaz, valorizando nos­sos empresários e incentivando outros a se instalarem em nosso território, com o nítido intuito de gerar empregos para a nossa gente. Por fim, é necessário acabar, ou pelo menos baixar a níveis mínimos, os índices de corrupção, esta praga maldita que tanto nos prejudica.

Trazer o Estado para o 10º lugar nesse ranking não é questão de mágica, e sim de eleger um gestor/administrador competente, que tenha vontade de fazer e o espírito de servir as pessoas e, acima de tudo, que tenha coragem para tomar as decisões adequadas.

Considerando que a corrupção está enraizada no poder Legisla­ti­vo — e o sr. vivencia isso no Con­gresso Nacional todos os dias — como lidaria com a corrupção em nível estadual, existente em outro âmbito de poder e fora do seu controle?
Minha formação acadêmica em contabilidade e direito me ajuda como legislador, no exercício do meu mandato. Mas meu perfil é de exe­cutor e eu sofro muito no Con­gres­so Nacional, porque me vejo de mãos atadas. Não tenho interesse em permanecer no Senado e meu desejo é exercer o cargo de che­fe do poder executivo do Tocantins.

Não tenho dúvidas que 90% dos nossos políticos, dentro do Congresso Nacional, são corruptos ou pensam e defendem apenas seus interesses pessoais. Apenas 10% estão comprometidos com a Nação brasileira e seu povo. Creio que nos parlamentos estaduais, a situação não é muito diferente. Falo isso sem nenhuma reserva, porque eu estou na política por pura indignação. Estou farto de ver esse bando de ladrões dilapidando o patrimônio público e roubando o povo brasileiro, principalmente os mais pobres.

No caso de ser obrigado a enfrentar a corrupção no poder Legislativo tocantinense, posso dizer que sei lidar facilmente com es­sa situação e posso exemplificar: “de­putado, o governo não está lo­te­a­do e, também, não estou interessado em negociar o seu mandato por cargos ou dinheiro, mesmo por­que não posso fazer favores po­líticos com o dinheiro do povo. Que­ro e posso pagar as emendas que levarão obras e benefícios para os municípios que o sr. representa. Se queres permanecer na política, se reeleger ou se tornar deputado fe­deral, senador ou governador é necessário primeiro atender a sua base e a comunidade que lhe elegeu. Posso garantir asfalto, hospitais, médicos, postos policiais, es­colas, etc., mas não posso oferecer cargos ou quantias em troca de apoio”. É nessa linha que o governo estadual caminhará e acredito, sinceramente, que obterei êxito.

Como avalia seus possíveis adversários?
Respeito, primeiramente, todos eles. Assim como a minha, a pretensão deles é legítima. Me relaciono institucionalmente bem com todos, desde o governador Marce­lo Miranda, passando pela senadora Kátia Abreu, até o prefeito Ro­nal­do Dimas. Contudo, em relação a este moço que atualmente administra nossa capital Palmas, tenho cá minhas reservas. Ainda me faltam comprovações acerca do grau de honestidade dele, porque a Operação Nosotros, a Operação Fun­desportes trazem à tona algumas máculas totalmente incompatíveis com o cargo que ele se propõe ocupar. Além disso, esse au­men­to do IPTU em Palmas é abusivo, um crime, um assalto aos em­pre­sários e à população como um todo. Não posso concordar com aumento de impostos para crescer receitas, isso é impraticável. Por­tan­to, confesso-lhe que dentre os candidatos que se apresentaram até o momento, tenho muita dificuldade de me relacionar com o prefeito Amastha, em razão das suas repreensíveis condutas.

A ampla maioria dos governadores que ocuparam o Palácio Ara­gua­ia prometeu, em campanha elei­toral, que reduziria as tarifas de energia elétrica. Contudo, após to­mar posse, esse compromisso foi solenemente engavetado. O que o sr. pensa sobre o alto custo da tarifa de energia em nosso Es­ta­do, considerando que nosso território é uma matriz energética de primeira grandeza?
Poucos políticos neste país são tão favoráveis à privatização quanto eu. Entendo que gestores públicos, com graduação para tanto, de­vem comandar a saúde, a segurança, a educação, políticas públicas so­ciais e infraestrutura. Entretanto, no caso das companhias de energia e água/saneamento do Tocantins, foi um erro privatizá-las. Na condição de governante, vou resgatar, e isso é um compromisso, o controle acionário das duas companhias, custe o que custar. Falo isso com responsabilidade, não posso ser leviano e afirmar que vou pensar numa solução só quando eu já es­tiver no poder. Eu apresento a so­lução agora: o único jeito de regular e interferir, de forma a baixar as tarifas, é retomando o controle acionário das duas companhias.

As limitações impostas pela Ficha Limpa, bem como a utilização das redes sociais e a velocidade de propagação das informações por essas ferramentas, podem ser um diferencial nas eleições de outubro?
Não tenho a menor dúvida e isso já foi iniciado no sufrágio de 2016, se considerarmos que dentre os 139 municípios tocantinenses, mais de 100 experimentaram renovação dos gestores. No Congresso Nacional, sou um combatente incansável da corrupção e um defensor da Operação Lava-Jato que, se não houvesse ocorrido, confesso que eu já teria renunciado a este mandato de senador. A esperança de que as coisas estão mudando me levam a continuar lutando.

Em 2018, o que vai determinar a decisão dos eleitores será a história e o serviço prestado de cada candidato e espero que eu esteja certo, porque se eu estiver errado, não dá para continuar na política. O povo já colocou bandidos à frente da Nação e experimentou o gosto amargo da recessão e da crise. Então, a minha esperança é que o eleitorado tenha aprendido a lição. Tenho rogado muito a Deus para orientar e dar sabedoria à população para escolher seus governantes, porque a responsabilidade do voto é muito séria. Eleger presidentes, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores de forma errada traz como consequência décadas de atraso, porque são necessários muitos anos para consertar as mazelas de um mandato mal conduzido. Dessa forma, não há quaisquer dúvidas que os candidatos que possuírem ficha limpa, histórico de serviços prestados e compromisso com a população que representam, serão os diferenciais nas próximas eleições.

Nas eleições presidenciais, o PSDB já definiu que o candidato será o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin?
Tudo indica que sim. Arthur Virgílio é uma figura muito querida dentro do partido, mas acreditamos que o momento é do Alckmin, um sujeito extremamente preparado, que conduz e administra com maestria o maior Estado da federação. Acreditamos muito que ele é capaz de ganhar as eleições presidenciais.

E quanto ao prefeito João Dória, não seria um nome menos desgastado dentro do seu partido?
Dória é excepcional, sem dúvidas. Tem toda minha admiração e trata-se de um grande gestor. Ele impôs uma sensível melhora na administração da cidade de São Paulo, contudo, ele é muito novo na política e o momento, pelo menos ao meu sentir, é do Alckmin. |

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