“SD busca alianças e conversamos com o governador Marcelo Miranda”

Ex-deputado federal, que é vice-presidente nacional de seu partido, diz que será candidato ao Senado neste ano

Filho do saudoso José Gomes Sobrinho, um dos pioneiros de capital do Tocantins, o cidadão Carlos Eduardo Torres Gomes tem ampla trajetória política no Tocantins. Atualmente não tem cargo eletivo, mas é vice-presidente nacional do SD e sempre foi engajado em movimentos e iniciativas sociais e culturais. Foi chefe de gabinete da Prefeitura de Palmas, na gestão do primeiro prefeito da então recém-criada capital tocantinense, Fenelon Barbosa.

Em 1997, Eduardo se tornou vereador em Palmas. Já no PSDB, foi reeleito em 2000 e, como presidente da Câmara, as­su­miu interinamente a prefeitura em 2002. Foi presidente duas vezes da Câmara de Vereadores de Palmas.

Na eleição de 2002, chegou à Câmara dos Deputados, com número expressivo de votos: 37.251. Em 2006, foi reeleito com 33.664 votos. Já em 2010, obteve 49.455 votos. Em apenas três mandatos, Eduardo Go­mes se tornou um dos mais influentes par­lamentares do Brasil, exercendo o cargo de presidente da Comissão de Ciência, Tec­nologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados, função de relevância nacional pela primeira vez exercida por um parlamentar to­cantinense.

Foi candidato ao Senado Federal em 2014, perdendo a eleição para Katia Abreu por uma diferença ínfima de 0,87% dos votos, o que o credencia – na sua visão – a disputar novamente o cargo nes­te ano.

O sr. é um dos dirigentes nacionais do SD. No plano regional, co­mo estão as conversações do seu partido para o pleito deste ano?

Essa resposta ainda não está pronta, uma vez que está muito cedo para tais definições. O partido é comandado no Estado pelo deputado estadual Vilmar Oliveira, que compõe a bancada com os deputados Wanderlei Barbosa e Amélio Cayres. Temos outras lideranças já filiadas e outras que pretendem se filiar. Então, a minha candidatura ao Senado tem que ser fruto de um projeto conjunto com os candidatos da eleição proporcional e, também, da definição e ajustes das chapas que concorrerão ao cargo de governador.

Hoje o quadro político de pretensões ainda está em formação e há conversas de toda natureza, tan­to com a própria Katia Abreu (sem partido), quanto com Mar­celo Miranda (PMDB), que tem procurado afinar-se com nossos deputados estaduais durante esses três anos. As outras duas candidaturas, de Carlos Amastha e Ronaldo Di­mas, ainda não estão definidas, mas este último, meu amigo de lon­ga data, é uma novidade alvissareira, mesmo porque ele vem fazendo um excelente trabalho à frente da Prefeitura de Araguaína. Então, este início de 2018 trará muitas novidades quanto à forma­ção das chapas majoritárias. Sem re­velar nesse momento as minhas pre­ferências, posso dizer que não há restrições e o caminho está aber­to para conversações entre o par­tido e todos que se apresentaram até o momento, inclusive com o atual governador, mes­mo porque pesquisas internas já in­dicam que o eleitor tocantinense votaria em nós dois, caso formássemos uma chapa. Há, comprovadamente, uma rejeição ao nome da senadora Kátia Abreu.

Falando em composições, o SD mostra-se dividido. O maior exem­plo está na Câmara Muni­ci­pal de Palmas, uma vez que o ve­re­ador Léo Barbosa é oposição ao pre­feito Amastha, enquanto a verea­dora Laudecy Coimbra o apoia. Essa divisão interna não po­deria atrapalhar a formação das chapas para 2018?

Considero essa divisão como natural, vinda desde a concepção do partido. Não se trata de desu­nião, mas apenas e tão somente uma adequação ao quadro local. Lau­decy está com o prefeito, en­quanto Léo lhe faz oposição. Con­tudo, ambos disputaram a eleição compondo a coligação da Claudia Lelis (PV). Então, essas combinações locais não serão certamente consideradas quando a pauta estiver em nível estadual ou federal.

A vitória de Carlos Amastha em 2016 passou pela insegurança jurídica do candidato Raul Filho, que vin­ha pontuando bem nas pesquisas?

Sem dúvida. Raul é meu amigo e um grande líder. Na eleição agi com coerência, uma vez que fui apo­iado pelos dois na minha pretensão ao Senado em 2014. Porém, Amastha tinha direito natural à reeleição, por isso o apoiei. Se Raul estivesse no exercício do cargo de prefeito, eu o apoiaria. Esse foi o cri­tério utilizado por mim.

Penso que a derrota de Raul passou, não apenas pela insegurança jurídica, como também por uma certa confusão na formação do palanque. Hoje muitos compa­nheiros dele reconhecem isso. Pos­so afirmar que se houvesse uma situação jurídica tranquila e afastado de certos apoios políticos, Raul se­ria fortíssimo candidato a ganhar a eleição.

Essas alianças equivocadas in­fluem demasiadamente no resultado?

Sim, elas confundem o eleitor. Vou citar um fato moderno, mas talvez pou­co observado. Recen­te­mente, na inauguração de um ginásio de esportes em Wanderlândia, fruto de uma emenda parlamentar de minha autoria, o prefeito contratou um show com uma banda­ famosa. Havia mais de 20mil pessoas em razão da proximidade com a cidade de Araguaína. Pude ob­servar que essas pessoas não uti­lizavam celulares simples. A grande maioria, independentemente da classe social, usava smartphones e as redes sociais.

Esta é uma nova realidade que os políticos devem se atentar: a ma­neira de se comunicar com o elei­torado mudou, face a essa nova tec­nologia. Todos estão antenados e mais politizados. Não há mais co­mo mascarar qualquer atividade po­lítica, porque as notícias se espalham numa velocidade inimaginável.

Dentro desse contexto, uma eventual coligação com Katia ou com Mar­celo Miranda não traria esse tipo de problema à sua candidatura, já que sr. tem se mostrado um adversário histórico deles?

É o partido que define e não eu sozinho. Para chegarmos a uma coligação dessa – que eu repito: não é impossível –, teria que haver uma sintonia muito grande de propósitos.

Tenho tranquilidade para reconhecer isso, sem qualquer problema: aquela conduta da senadora Ká­tia, que eu combati em 2014, mu­dou. Ela passou a conversar mais com os prefeitos e lideranças locais. Ela foi mais presente nesse se­gundo mandato de senadora e mudou a estratégia. Não deixaria de reconhecer isso só porque eu perdi a eleição para ela. Apesar de termos sido adversários naquela elei­ção, hoje temos respeito mútuo pelo outro.

Em 2014, o sr. abriu mão de uma candidatura de deputado federal, quando tinha um cenário totalmente favorável para se reeleger uma vez mais, para disputar o cargo de senador. Em que se ba­se­ou essa nova etapa política da sua vida pública?

Essa é uma ótima oportunidade para explicar minhas razões. Havia uma determinação por parte dos companheiros políticos de eleger um senador. Como eu era o de­putado federal que obteve votações progressivas e crescentes, meu nome foi indicado. Nos três man­datos na Câmara Federal fui 3º se­cretário, presidente de várias co­missões, e exerci, inclusive, a liderança do PSDB na Comissão Mis­ta do Orçamento. Assumi ainda a 1ª Secretaria, que é um cargo de des­taque, uma vez que o 1º secretário da Câmara é também o 1º secretário do Congresso Nacional. Fiz um bom trabalho e me dou por satisfeito. Trouxe mais de R$ 350 milhões em recursos para obras de infraestrutura e benefícios e esse é um valor considerável. Me honra muito ter sido deputado federal e ter trazido conquistas para o Tocantins, mas essa fase passou, essa tarefa está cumprida.

Muito mais do arriscar mandato, era necessário abrir espaço para outras lideranças e novas gerações, além de ocupar outros espaços. Mi­nha pretensão, inclusive, de disputar o Senado, vinha de 2010, quando minha coligação não me escolheu, embora eu tivesse amplas chances de disputar e ganhar a eleição. Já em 2014, mesmo pesquisas indicando o contrário, eu sabia do potencial e também que seria possível ganhar a eleição. O resultado, com menos de 1% de diferença em relação a candidata adversária, prova o que estou dizendo.

Em 2018, novamente, considerando o quadro que se apresenta, entre os atuais senadores e também, em relação aos postulantes, considero que há espaços para uma nova candidatura ao Senado e minha pretensão é apresentar meu nome ao partido para essa disputa. O resultado não depende de mim e sim do povo, que eu espero convencer baseado no trabalho que desenvolvi e conquistas que trouxe para o Estado do Tocantins.

Na eleição que o sr. foi derrotado em 2014 havia apenas uma vaga para o Senado. Agora serão duas vagas, todavia considerando o trabalho que o líder da bancada, senador Vicentinho Alves, tem feito, é provável que se reeleja. Soaria forçado dizer que só tem uma vaga de novo?

Com todo respeito ao Vicentinho e ao trabalho que ele desenvolve, temos também as prováveis e fortes candidaturas do ex-governador Siqueira Campos e do deputado federal Cesar Halum. O resultado da eleição é fruto de uma vida de trabalho em prol da comunidade. Todos nós temos serviço para mostrar e por isso essa eleição será a mais disputada de todos os tempos. Eu tenho brincado ultimamente com meus eleitores que nesta eleição será um voto do coração e outro da coligação, portanto, escolham onde vocês me colocam (risos). Posso dizer que vou fazer uma campanha muito mais serena, madura e previdente que a última e espero, sinceramente, convencer o eleitorado.

O que faltou para o sr. ser eleito em 2014, uma vez que a diferença de 0,87% provou que havia muitas chances?

A divulgação de pesquisas eleitorais maquiadas, que apontavam diferenças absurdas de 28 pontos porcentuais, influenciou muito, principalmente os eleitores do interior.

Também faltou consolidação ao nosso grupo político, de forma a favorecer os candidatos proporcionais e o majoritário e, reconheço que houve muito improviso. Uma insegurança jurídica também, não minha, mas do grupo todo, tam­bém abalou e influenciou mui­to esse cenário político.

O sr. acredita – até mesmo pela ida­de – numa candidatura do ex-go­vernador Siqueira Campos?

Sim, acredito. A avaliação das questões pessoais, suas condições físicas, etc., só cabem a ele. Os ou­tros pré-requisitos ele já possui, que é um trabalho prestado à co­mu­nidade e um histórico político in­vejável. Respeito demais o direito dele de ser candidato, se assim lhe aprouver.

No momento, como é seu engajamento no SD?

Minha atuação partidária se di­vi­de em duas fases distintas: primeiro no PSDB, durante 17 anos, nos quais fui membro da executiva du­rante todo esse período, tesoureiro nacional da sigla durante dois mandados. Ainda tenho boas relações com líderes do PSDB, como Geraldo Alckmin e João Dória, respectivamente governador e prefeito de São Paulo, senadores e deputados federais.

Em 2013, ajudei a fundar o SD, do qual sou vice-presidente nacional. Fortalecemos o partido no To­can­tins e participamos da eleição de 2014 com muita força política. Em que pese não termos obtido êxi­to no pleito majoritário, conseguimos eleger o maior número de deputados estaduais e, mesmo após desfiliações, ainda é a maior ban­cada, com três parlamentares. Foi considerável também, o número de votos obtidos, por exemplo, pe­los suplentes Solange Duailibe e Stalin Bucar.

O partido ainda pode crescer muito, na minha opinião. So­bre­vi­vemos muito bem nos três anos de oposição ao governo Marcelo Miranda. Vamos manter alianças com vários partidos, evidentemente, e certamente estaremos participando da chapa majoritária que disputará o governo do Tocantins em 2018.

É preciso ressaltar que em 30 anos, o Tocantins elegeu, pelo vo­to direto, apenas três governadores: Avelino, Siqueira e Marcelo. Tal­vez esteja na hora de iniciar um novo ciclo e eu quero participar dessa nova etapa.

O sr. fez parte, até por estar filiado ao PSDB à época, do grupo po­lí­tico União do Tocantins (UT). Co­mo avalia essa experiência?

Tenho orgulho disso, porque esse grupo alavancou o Estado. Mas não adianta ter orgulho e não ter autocrítica. A vaidade prevaleceu. Houve erros na formação de qua­dros e na democratização e oxi­genação do avanço de novas li­de­ranças, que nos custou o fim de um ciclo de governos exitosos. Atualmente, precisamos recuperar a nossa capacidade de projetos e de­senvolver programas que sejam mai­ores que as pessoas.

Qual é a sua expectativa quanto ao cenário para a eleição presidencial de 2018?

Essa eleição passa pelo aspecto judicial, uma vez que dependerá da justiça legitimar, ou não, o ex-presidente Lula para a disputa. Além disso, como já ocorreu, haverá sem­pre o candidato sem nome, deno­minado liminar.

Inobstante a isso, do outro lado tem Geraldo Alckmin, que já disputou o cargo de presidente, tem experiência como governador do maior Estado brasileiro e, obviamente, se reciclou.

Por outro lado, há duas incógnitas, na minha modesta opinião: Jair Bolsonaro, uma candidatura mui­to forte no quesito movimento so­cial, de protesto, mas com pouca in­formação e muito entusiasmo, e Ál­varo Dias. Se a princípio pode pa­recer fraca no primeiro turno, no segundo, caso passe, torna-se imbatível no meu modo de ver. Se houver qualquer fato político que coloque Álvaro Dias no segundo turno, acredito que ele ganha de qualquer outro candidato, inclusive, do próprio Lula.

Considerando que, apesar do impeachment, a ex-presidente Dilma Rousseff ainda goza dos di­rei­tos políticos, ela não poderia ser uma alternativa do PT, no caso do impedimento de Lula?

Não acredito nessa hipótese. Considero que a absolvição que o Senado lhe agraciou é completamente nula. Além disso, ela teria que escapar do segundo impedimento jurídico, uma vez que ela não preenche os requisitos exigidos pela Lei de Ficha Limpa, na me­dida em que foi condenada por um colegiado. Inobstante a isso, há ainda o empecilho de que a sua can­didatura seria uma segunda reeleição, uma vez que o mandato que foi cassado já era fruto de uma re­elei­ção. Discussões jurídicas à parte, não vejo qualquer possibilidade de ela ser candidata à Presidência em 2018.

O sr. pertence à família Gomes, tradicional em Palmas, cujo pa­tri­arca é o saudoso poeta e pioneiro José Gomes Sobrinho. Seu irmão, Hiram Gomes, já exerceu o cargo de vereador em Palmas e o sr., além de vereador, também representou o Tocantins na Câmara Federal. O seu pai teve influência neste gosto pela política?

Meu pai era um intelectual, au­to­didata, poliglota, mas não necessariamente um político. Lembro que no início da minha carreira as pes­soas diziam a ele que votariam em mim, ele respondia que se eles achas­sem que eu tinha capacidade, que votassem, mas não pela amizade dele. Se o intuito do voto fosse “com­prar a amizade”, ele deixava bem claro que as duas coisas não se confundiam (risos).

Envolvi-me na política ainda em 1984 quando estávamos discutindo, de maneira mais objetiva, a criação do Estado do Tocantins. Organizei e coordenei a juventude nessa luta pela nossa independência, enfrentando os vetos do então presidente José Sarney, como também na Constituinte, em 1988, ligado politicamente do ex-senador João Ribeiro – que na mesma época se elegeu deputado federal.

Quando Palmas foi criada, vim trabalhar como assessor do ex-prefeito Fenelon e, também, do ex-de­pu­tado estadual Everaldo Barros. Em razão dessa estreita ligação com o parlamentar e atuação em Palmas, me elegi vereador da capital e, posteriormente, deputado fe­de­ral com expressivas votações, prin­cipalmente no norte do Estado.

O sr. pulou uma etapa, uma vez que não passou pelo parlamento es­ta­dual.

Realmente não fui deputado estadual, mas participei ativamente das ações da Assembleia legislativa, como servidor daquela casa. Foi meu berço político, posso garantir. Já na condição de deputado federal, como 1º secretário da Câmara e do Congresso, participei do processo que culminou na doação de todo equipamento para instalação da TV Assembleia e sua implementação. Isso me orgulha muito e foi muito marcante.

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José Roberto

Quero parabenizar você meu amigoirmão Eduardo Gomes, por esse esclarecimento rico nesse jornal de credibilidade, seremos sim unidos em um proposito de torna-lo o senador mais votado do nosso Estado do Tocantins, vamos juntos e na “esperança de cada um , à vitória sera de todos nós”, boa sorte abraços do amigo José Roberto Barbosa JOROBA para você e com você.