Quem passa no crivo das convenções

Marcelo Miranda, Lelis, Sandoval, Ataídes e Paulo Mourão têm todas as condições para serem escolhidos

Ruy Bucar

Dos mais de 20 nomes que se apresentaram ou foram lançados para a disputa, menos de 10 têm condições de chegar à convenção e garantir vaga pa­ra o pleito. Pelo ce­ná­rio de hoje esses são os no­mes que podem chegar lá. O ex-governador Marcelo Mi­ran­da (PMDB), o deputado Mar­ce­lo Lelis (PV) e o governador Sandoval Cardoso (SD) são os nomes com maior visibilidade neste processo no momento.

A senadora Kátia Abreu (PMDB), o ex-secretário de Re­lações Institucionais Eduardo Si­queira Campos (PTB) e o ex-governador Siqueira Campos (PSDB) são nomes com prestígio político e densidade eleitoral para compor esta lista dos prováveis. A diferença que eles compõem uma lista de reserva, pois só terão alguma chance se os titulares por algum motivo desistirem.

Siqueira Campos desistiu do governo ao antecipar o fim do seu mandato com a renúncia que provocou eleição indireta e mudou o quadro sucessório. Ele almeja disputar o Senado, isso se houver alguma convocação convincente das bases. O receio de uma derrota acachapante faz o ex-governador manter a cautela e certo distanciamento das urnas.

Eduardo Siqueira ainda não desistiu de disputar o Palácio Ara­guaia, mas o processo político já o expurgou destas eleições. Ele articula candidatura a deputado estadual e é pretensioso, quer ser o deputado mais votado para assumir a presidência da Casa e tentar chegar ao Palácio Araguaia por eleição indireta, tendo Sandoval Cardoso como trampolim. Outra pretensão é já contar com a vitória de Sandoval Cardoso. Pelo menos é o que se comenta nos bastidores do Palácio Araguaia.

A senadora Kátia Abreu é candidata à reeleição. Pode até vir disputar o governo se for convocada pela militância em caso de impossibilidade de Marcelo Miranda. A senadora, que está sendo ventilada candidata a presidente da República em 2018, parece focada na reeleição para o Senado e na presidência da CNA.

Logo atrás do pelotão de elite vem o senador Ataídes Oliveira (Pros), o ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão (PT) e o procurador da República Mário Lúcio Avelar (PPS). Dos três Ataídes é que está mais bem estruturado para seguir caminho depois da convenção. Ele tem estrutura partidária, recursos para a campanha e a motivação de que se não for eleito não perde nada.

O ex-prefeito de Porto Na­cional Paulo Mourão é um nome indispensável nesta disputa. O ex-deputado trabalha para unir a oposição independentemente de quem vai encabeçar a chapa. Paulo é um político articulado que tem uma forte inserção no meio acadêmico e que sabe o quanto é importante mobilizar todas as forças vivas da sociedade para promover mudanças. Mourão está com o time em campo e com enorme disposição para derrotar o siqueirismo no voto. Se não for candidato a governador será um dos primeiros nomes a compor a majoritária, como vice ou suplente do Senado.

Lá atrás com enorme dificuldade para entrar em campo estão os professores Élvio Quirino (PSOL) Adail Gama (PSDC) e o empresário To­ni­nho da Brilho, que podem chegar à convenção, mas dificilmente passam dela. Quirino garante que não tem pressão que o faça desistir, vai manter o seu projeto até o fim. É possível que pelo menos ele consiga se livrar do rolo compressor do governo, que está levando os partidos pequenos para a base, ao todo já somam mais de 12 siglas na aliança do governo.

A eleição será disputada por qua­tro ou cinco candidatos somente. Um candidato do governo, um candidato da oposição tendo o PMDB como cabeça de chapa, um candidato da terceira via e dois candidatos avulsos representantes dos pequenos partidos, sem nenhuma força eleitoral, apenas para fazer figuração política. A disputa ainda promete ser entre o candidato do governo contra o candidato da oposição, com possibilidade real de consolidação da terceira via. Ainda não há nada que indique que haverá segundo turno. O grande número de pré-candidatos que parecia indicar esta perspectiva já não existe mais.

Pelo cenário que se apresenta a oposição tem as melhores condições de vencer a disputa. O governo desgastado e sem discurso só tem alguma chance se conseguir inviabilizar os adversários mais fortes, como Marcelo Miranda e Marcelo Lelis, do contrário, será derrota na certa. Sandoval Cardoso por estar no governo é o nome com melhores condições, mas ainda é bastante desconhecido da grande massa de eleitores. Tem pouco tempo para fazer milagres, mas usando a máquina para distribuir bondades como aumento para servidores e assinatura de ordem de serviço que ninguém sabe quando (e se) serão feitas, pode ser que consiga alguma coisa. Se emplacar será por força do dinheiro e do uso da máquina, que no Tocantins até bem pouco tempo ainda decidia eleição. Vamos saber se ainda decide em época de revolta popular e luta por mudanças radicais? É esperar pra ver.

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