Quem é quem no novo cenário político-eleitoral do Estado?

Marcelo Miranda, Sandoval Cardoso e Marcelo Lelis são os nomes que mais cresceram. Eduardo Siqueira, Paulo Mourão e Roberto Pires podem surpreender. Ataídes Oliveira, Mário Lúcio Avelar e Júnior Coimbra deixam a desejar

Ex-governador Marcelo Miranda tem os melhores índices nas pesquisas de intenção de voto / Foto: Edilson Pelikano

Ex-governador Marcelo Miranda tem os melhores índices nas pesquisas de intenção de voto / Foto: Edilson Pelikano

Ruy Bucar

Dos mais de 20 nomes que se apresentaram no início da pré-campanha apenas 9 se mantêm com chances de chegar à convenção e seguir em frente. Depois do dia 30 de junho apenas quatro ou cinco nomes, no máximo, devem permanecer e disputar as eleições, que ao que tudo indica deve ser decidida no segundo turno. Pelo novo cenário dificilmente a eleição será decidida entre o ex-governador Marcelo Miranda (PMDB) e Eduardo Siqueira Campos (PTB), como se previa. O mais provável é que haja alguma renovação, em meio ao confronto dos líderes tradicionais.

Marcelo Miranda, o governador Sandoval Cardoso (SD) e o deputado Marcelo Lelis (PV) são os nomes que mais cresceram desde o início da pré-campanha até o momento. Os dados são de pesquisas de intenção de voto encomendadas pelos partidos e avaliação de analistas políticos. Se a eleição fosse hoje, certamente seria decidida entre eles. Não estamos aqui afirmando que os três serão decididamente candidatos ao governo, mas apenas constatando que por força das circunstâncias do momento são eles os mais bem cotados no novo cenário político do Estado, após a eleição indireta deste domingo, 3.

Marcelo Miranda tem luz própria, mesmo sendo boicotado pelo partido é de longe o nome mais bem posicionado no processo em termos de aceitação popular. As pesquisas o apresentam como um pré-candidato quase imbatível, com índice de aceitação sempre acima de 50% das intenções de voto, bem distante dos demais concorrentes. Marcelo tem prestígio político, carisma e credibilidade, resultado da boa avaliação do seu governo e do desastre administrativo do governo do seu principal adversário, o ex-governador Siqueira Campos (PSDB).

Sandoval Cardoso ainda tem pouca aceitação popular, sua ascensão é resultado de articulação da cúpula que em nenhum momento levou em consideração o sentimento popular. Sandoval tem apoio da maioria dos deputados e dos prefeitos, graças à força da máquina administrativa que no Tocantins tem poder para eleger até poste. Se souber usá-la sem caracterizar o abuso de poder inerente ao siqueirismo pode se tornar um forte candidato a continuar ocupando o Palácio Araguaia.

Um dado importante que precisa ser observado: a aceitação de Sandoval é inversamente proporcional ao de Siqueira. O deputado está conseguindo ir mais longe que o criador porque sugere ser diferente do antecessor. Se aceitar ser tutelado por Eduardo Siqueira Campos estará fadado ao fracasso. Pode até continuar tendo apoio de prefeitos e deputados, mas não terá apoio do povo e no final também não terá dos líderes políticos, que por uma questão de sobrevivência costumam acompanhar o sentimento popular. Siqueira é sinônimo de desgaste.

O deputado Marcelo Lelis pode ser considerado a grande surpresa. Não tem apoio da máquina, nem é um nome tão conhecido no Estado e além de tudo até ontem integrava o governo Siqueira Campos, tendo sido candidato a prefeito de Palmas por duas vezes com forte apoio do aparato siqueirista. Rompeu na hora certa, se distanciou do desgaste do governo e numa atitude de ousadia e perspicácia política lançou-se candidato ao governo do Estado. Vem ocupando um espaço vago que era da terceira via, lançada pelo prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PR), que não decolou. O nome de Marcelo Lelis tende a crescer.

Também tem chance de integrar a lista de favoritos o ex-secretário de Relações Institucionais Eduardo Siqueira Campos, o ex-prefeito de Porto Nacional Paulo Mourão (PT) e o empresário Roberto Pires (PP), pré-candidatos com bagagem política, estrutura partidária e condições para surpreender até as convenções. O que mais chama atenção nestes pré-candidatos é a demora para entrarem em campo. O atraso não os favorece, pelo contrário, pode comprometer o resultado.

Eduardo Siqueira está tão atrasado que sugere ter desistido da postulação que obrigou o seu pai a renunciar. Se a renúncia foi para permitir a sua candidatura por que ainda não se apresentou como pré-candidato? Baixo índice de intenção de voto e alto índice de rejeição impedem o filho do ex-governador de entrar no processo. Quanto mais tempo passa mais fica difícil reverter esses índices negativos.

Eduardo ainda tem o escândalo do Igeprev a atentar contra a sua postulação. Com o pai fora do poder Eduardo depende não apenas do sucesso do governo Sandoval, mas, sobretudo da lealdade do governador. Pelo que se observa Sandoval já é mais competitivo que Eduardo. Desse ponto de vista a candidatura de Eduardo seria um contrassenso.

Enquanto alguns nomes decolam outros não conseguem os mesmos resultados. O senador Ataídes Oliveira (Pros), o procurador da República Mário Lúcio Avelar (PPS) e o deputado Júnior Coimbra (PMDB) estão deixando a desejar. Ataídes é um quadro preparadíssimo, tem discurso e propostas bem elaboradas, mas é um nome ainda desconhecido da grande massa de eleitores. O senador não convence que é candidato para valer. Parece muito mais refém de um compromisso que fez com filiados que cooptou para o Pros com a garantida de candidatura própria. Ataídes pode mais. Mas a verdade é que ainda não aconteceu.

O procurador da República Mário Lúcio Avelar definiu a filiação pelo PPS, mas não tem nenhuma garantia de que terá legenda para ser candidato. O PPS integra a base do governo e o procurador não é uma figura bem vista pelos governistas. Avelar permanece em Brasília, distante da realidade do Tocantins. Dessa forma não tem condições de virar o fenômeno eleitoral que acredita que poderia ser. É um projeto que tende a não vingar. De Brasília não é fácil tocar campanha no Tocantins.

O deputado Júnior Coimbra é outro pré-candidato com erro de foco. Coimbra tem feito da sua postulação um instrumento de desconstrução da candidatura do ex-governador Marcelo Miranda. Dessa forma demonstra que não é candidato, mesmo estando em campanha não parece comprometido com um projeto político que leve as oposições de volta ao comando do Palácio Araguaia. Coimbra tem compromisso apenas de derrotar Marcelo Miranda, daí para frente certamente não sabe o que fazer. Ainda não deve ter planejado. Talvez aceite compor com o candidato governista, justificando assim porque está tão comprometido em derrotar o adversário interno.

A cinco meses e um dia das eleições o cenário político-eleitoral do Tocantins ainda permanece indefinido, de certa forma confuso, mas com algumas tendências claras. A oposição tem nomes e condições de vencer as eleições, mas está sendo incapaz de buscar a união, indispensável para vencer o pleito. O governo tem apoio de deputados e prefeitos, mas não tem do povo. A renúncia de Siqueira foi um plano para criar um fato novo, mas, como diz o deputado Sargento Aragão, se esqueceram de combinar com o povo. Pelo sentimento dos eleitores demonstrado através de pesquisas encomendadas pelos partidos, quem apresentar o melhor discurso de mudança pode ser eleito governador.

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