“PT tem o compromisso de ajudar a reeleger a senadora Kátia Abreu”

Dirigente reconhece que a liderança da senadora no agronegócio foi importante para a governabilidade do país e declara que se ela colaborou com o avanço do governo Dilma deve continuar no Senado para ajudar mais o Brasil e o Tocantins

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Divulgação/PT

Ruy Bucar

O presidente regional do Partido dos Trabalhadores, Júlio César Brasil, é enfático ao defender o apoio da sigla à reeleição da senadora Kátia Abreu (PMDB). “Somos adversários históricos, mas neste momento político é estratégico que a gente construa essa aliança preciosa para a presidente Dilma. Se é importante para Dilma é importante para nós, e vamos fazer, como estamos fazendo”, defende o presidente, ressaltando que é preciso reconhecer a liderança da senadora no agronegócio, que tem contribuído para a governabilidade do governo Dilma e avanço do Brasil.

O dirigente petista está convicto da reeleição da presidente Dilma Rousseff e da eleição do governador Marcelo Miranda. Para ele, Dilma e Marcelo têm condições de continuar os avanços que a sociedade exige. “Se a gente tiver a capacidade de ouvir, a capacidade de formular novas políticas para o Brasil e para o Tocantins, com certeza sairemos vitoriosos. E pelo que temos visto a população cobra, mas ao mesmo tempo apoia. E nós temos tido a capacidade de nos reinventar para fazer um Brasil melhor.”

Júlio César avalia que se o Tocantins tivesse tido um governo mais eficiente seguramente teria recebido mais apoio do governo federal. O dirigente observa, porém, que mesmo assim o Estado recebeu apoio considerável. “Tivemos um governo acéfalo, um governo medíocre, que foi esse governo de Siqueira Campos e que está tendo continuidade com Sandoval Cardoso. Mesmo assim o governo federal não deixou de investir, não deixou de oferecer ajuda a este Estado”, garante, defendendo que se houver um governo com maior capacidade de ação o Estado vai receber muito mais ajuda.

O PT editou resolução ameaçando de expulsão filiados que apoiem candidatos fora da coligação à qual o partido integra. Por quê?

Na verdade não é nada de novo. Só relembramos o que o nosso estatuto já diz, mas é para orientar sobre o rumo, para publicizar para toda militância. É um documento voltado aos nossos filiados para lembrar que fizemos um processo de escolha, que conduzimos todo um processo de debate e que o PT decidiu, inclusive com orientação nacional, garantir apoio ao PMDB, de apoiar Marcelo Miranda para governador, Kátia Abreu para o Senado e adotamos a estratégia de ter apenas um candidato a deputado federal, o companheiro Freitas. Enfim, temos que trabalhar para que a nossa estratégia seja vencedora. O objetivo é dar o norte, dar o rumo para que algum desavisado depois não venha alegar que não informamos e por isso fez. Isso já aconteceu em outros momentos.

Lideranças de Gurupi anunciaram apoio ao governo, contrariando a orientação do partido. Eles serão expulsos?

É uma infelicidade. In­fe­lizmente aconteceu e aquilo foi um dos incidentes que nos mostraram que precisávamos nortear, dar rumo. O objetivo não é punir, não é expulsar, pelo contrário, é unir. Lançamos a resolução mais com o intuito de relembrar das nossas obrigações, mas neste momento, em definitivo, não estamos propensos a começar uma caça aos infiéis e fazer faxina. Não é essa a intenção, até porque não é assim que se resolvem as coisas.

O ex-prefeito de Palmas Raul Filho é reincidente. Na eleição de 2010 fez campanha para o senador João Ribeiro, contra uma candidatura do partido, de Paulo Mourão, para o Senado. Agora, mais uma vez, ele apoia uma chapa que não é a do PT. Esse é um caso que só expulsão resolve?

Acredito que ele não será expulso. Porque ele tem dito, por intermédio do Marcilon, coordenador da tendência do Movi­mento PT, que já anunciou para a imprensa que vai se retirar do partido, aliás, nós já esperávamos por isso. Uma vez que a pessoa não participa dos debates, não divide os seus desejos, as suas ansiedades, não coaduna com nenhuma propositura que o partido vem fazendo — e isso há muito tempo, não é uma coisa que começou agora —, então automaticamente ela vai se excluindo e o grupo se excluiu junto. Então, achamos que não precisaremos fazer isso (expulsar), eles se excluíram a tal ponto que precisam tomar um rumo e tomaram. Não é uma parte do PT que está apoiando o Sandoval. Para nós é um pessoal que sempre esteve fora do PT e que agora está mais distante ainda, só isso.

Qual a expectativa do partido e qual a meta para essas eleições?

O PT está vivendo um momento muito favorável. Nossa candidata à Presidência pontua com possibilidade de ser eleita no primeiro turno — se não for, no segundo turno temos condições de trabalhar com afinco e elegê-la. Nosso candidato a governador, Marcelo Miranda, está na preferência popular, tem o reconhecimento social e não só porque foi governador, é porque ele se contrapõe ao projeto fracassado do siqueirismo, que continua nesse governo do Sandoval, que tenta a reeleição, mas é a continuidade do siqueirismo. Então podemos eleger a presidente, o governador, a senadora Kátia Abreu, que tem legitimidade social, sempre teve e agora com o apoio do PT, com certeza também vai receber um reforço. Nós vamos sim votar nela, estamos trabalhando para elegê-la porque o momento político-eleitoral e a conjuntura exigem que o PT esteja enfileirado no processo da reeleição da senadora Kátia. Estamos imbuídos nessa luta. E para deputado estadual temos condições de ampliar a nossa bancada, eleger companheiros de fato comprometidos com o partido. Para federal também, temos só um candidato, o companheiro Freitas, que muita gente acha que não temos condição de eleger, mas o PT conseguiu 60 mil votos para deputado federal nas duas últimas eleições. Se conseguirmos 45 mil a 50 mil votos, estamos no páreo e podemos levar uma vaga de deputado federal. Para termos um deputado federal basta que a militância do PT acredite e venha para cima. Se ajuntarmos os votos que historicamente temos, elegeremos o nosso federal.

A aliança PT e PMDB em nível nacional e no Tocantins tem chances de eleger seus candidatos, mas terá que conviver com a pressão da sociedade por mudanças. Como trabalhar esse tipo de cobrança?

O eleitor não é bobo. E nós eleitores temos aprendido a votar eleição após eleição. Temos críticas quanto ao excesso de eleições, uma atrás da outra, mas isso tem nos ajudado a errar menos e acertar mais. A população sabe que quem mudou o Brasil pra melhor pode fazer muito mais mudança. É natural que os governos sejam pressionados. Não vemos como problema a pressão em cima do nosso governo, vemos como alerta, porque a gente sabe ouvir a voz da população. Sempre soubemos debater com o povo, por isso não soa como uma grave ameaça de que seremos derrotado porque recebemos críticas da sociedade. Crítica é combustível dessas mudanças que o povo espera. Se tivermos capacidade de ouvir e formular novas políticas para o Brasil e para o Tocantins, com certeza sairemos vitoriosos. A população cobra, mas ao mesmo tempo temos tido a capacidade de nos reinventar para fazer um Brasil melhor. Ao mesmo tempo em que nos pressiona, também estamos recebendo mais um voto de confiança, o que é grande responsabilidade para todos nós. Temos que ter muita sabedoria para fazermos um ótimo quarto mandato do PT no Brasil.

"O ex-prefeito  Raul filho tem dito,  por intermédio do coordenador da tendência do Movimento PT, que  vai se retirar do partido. aliás, nós já esperávamos por isso”

“O ex-prefeito Raul filho tem dito, por intermédio do coordenador da tendência do Movimento PT, que vai se retirar do partido. aliás, nós já esperávamos por isso”

Qual a grande contribuição do PT para um futuro governo de Marcelo Miranda?

O PT, com os presidentes Lula e Dilma, já tem feito isso pelo Tocantins, independentemente da capacidade dos seus governantes. Estamos vendo isso agora, neste governo que está acabando. Um governo acéfalo, medíocre, que foi o governo de Siqueira Campos e que está tendo continuidade com Sandoval Cardoso, mesmo assim o governo federal não deixou de investir, não deixou de oferecer ajuda ao Estado. Agora, se tiver um governo com maior capacidade de ação, o Estado se desenvolve mais.

Para você ter uma ideia, em Mato Grosso um município conseguiu construir mais casas populares do que todo o Estado do To­cantins, tamanha a incapacidade gerencial deste governo que está aqui. Tem coisa que esbarra mesmo na incapacidade.

Agora, respondendo a sua pergunta, a grande contribuição que o PT pode dar ao governo do PMDB vai depender da capacidade do partido em abrir as portas, em nos chamar para contribuir. Estamos prontos, agora mesmo profundamente comprometidos com a construção do plano de governo do nosso governador Marcelo Miranda. No horário eleitoral vocês vão ver as ideias do PT. Óbvio que não estamos sozinhos, temos atuado com o PV, o PSD e o próprio PMDB. Mas damos a nossa contribuição de ideias, de projetos, na área da agricultura, de gerenciamento urbano.

Temos conseguido inovar, as gestões petistas têm apoiado a agricultura familiar, a melhoria das condições de vida, inclusive na saúde. Há município do Tocantins que está dando de lavada neste governo incompetente na gestão da saúde, basta andar pelo interior. Na verdade muito do que tem sido feito na saúde se deve aos municípios, que se fossem tão sem juízo e sem capacidade quanto o Estado, o Tocantins estaria hoje muito pior.

Então é assim, o PT tem muito a contribuir, resta saber qual espaço que teremos e isso nós vamos discutir depois. Não estamos ansiosos nem nervosos com isso. Neste momento queremos é ajudar eleger Marcelo Miranda governador e depois tentaremos ocupar o espaço que nos for confiado, tentando fazer isso com o máximo de compromisso e na melhor forma possível.

O PT do Tocantins fez uma inflexão ideológica à direita ao compor com a senadora Kátia Abreu, em outros tempos a inimiga nº1 do partido da presidente Dilma. A senadora mudou ou o PT mudou?

Nós não fazemos política pela metade. Daí a resolução. Ou a gente está de um lado ou está do outro, isto é histórico no PT. Fácil não foi. Toda construção política desta envergadura demanda muito diálogo, tanto que fizemos cinco reuniões grandes antes da convenção para tratar da possibilidade de fazer coligação com Marcelo Miranda e Kátia Abreu. É um novo desafio, esta aliança é valiosa para o nosso governo federal. Kátia Abreu e Dilma, desde o começo do seu governo, se entenderam. Nós precisamos entender a liderança forte da senadora no agronegócio, que é muito importante na economia do País. Não dá para simplesmente sermos contra. Se ela tem ajudado a dar governabilidade para o país, se tem ajudado a intermediar conflitos e conquistar avanços na área do agronegócio, avanços para o Brasil, não é um avanço para a Dilma, se o Brasil avança todos nós avançamos. Nós somos adversários históricos, mas neste momento político é estratégico construir essa aliança preciosa para a presidente Dilma. Se é importante para Dilma é importante para nós, e vamos fazer, como estamos fazendo.

É possível prever como vai ser a campanha?

Falo do que eu estou vendo, de previsão eu não sou muito bom. Vemos mais uma vez a quantidade de dinheiro que os candidatos governistas estão gastando na campanha. Uma eleição muito cara, com compra de lideranças a torto e a direito, isso me deixa apreensivo. Quando a gente pensa que estamos evoluindo, que a compra de votos está diminuindo, descobrimos que essa prática persiste, só está mudando de cara. Um político desse grupo me confessou que não se compra mais voto no varejo, se compra agora lideranças. Comprando lideranças está garantida a eleição. E eles têm comprado muitas lideranças. Fico apreensivo, mas espero que o resultado não saia em virtude do poder econômico. Que o senador o governador não sejam escolhidos por causa de dinheiro. Espero que a eleição seja decidida com base em que cada um já fez ou pode fazer por nosso Estado.

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