“PSB participa da gestão Amastha, mas isso não significa que o partido não disputará a prefeitura”

Prefeito de Gurupi e presidente regional do partido exalta sua gestão e confirma que é candidato à reeleição em 2016

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Gilson Cavalcante

O prefeito de Gurupi e presidente regional do PSB, Laurez Moreira, diz que vai disputar a reeleição no próximo ano. No entanto, evita falar em detalhes sobre o processo de alianças para o pleito. “Nós estamos começando a discutir agora a sucessão municipal. Vamos fazer um encontro dia 7 de maio, em Palmas, com a presença do presidente do diretório nacional do partido, do presidente da Fundação João Mangabeira e o ex-governador do Espírito Santo, senador Renato Casagrande. Eu vou para a re­eleição, sim, porque acredito que estamos fazendo um bom trabalho em Gurupi. Em todas as áreas, nós avançamos muito. Quando assumimos a gestão, a cidade era só buracos. Recuperamos o maquinário todo e compramos uma usina de recapeamento asfáltico”, disse o prefeito em entrevista exclusiva ao Jornal Opção. Porém, segundo ele, o partido ainda não cogita discutir sobre as eleições de 2018. Mas, de acordo com ele, independe das eleições estaduais, o PSB é um partido que busca construir o seu próprio caminho. “A decisão de participar da gestão do prefeito Carlos Amastha (PP)”, explica, “foi uma decisão do diretório municipal de Palmas e nós respeitamos”. Contudo, Moreira ressalta que o PSB dispõe de bons nomes para 2016 e cita o de Alan Barbiero, secretário do prefeito Amastha e presidente do diretório metropolitano, como possível candidato na capital.

O sr. completa dois anos de mandato. Como avalia sua gestão até aqui?
Quando assumi a prefeitura de Gurupi encontrei o município falido, endividado, sem crédito. A insegurança administrativa travava as ações. A saúde estava aos frangalhos com índices altos de dengue e outras doenças; sem atendimento de urgência e com pouquíssimos médicos, a falência da saúde era evidente. As escolas municipais estavam depredadas, com professores insuficientes e sem creches. A cidade estava intransitável, com tantos buracos que não dava mais para desviar. Ruas às escuras, folhas de pagamento em atraso, entre outras calamidades.
Tudo isso faz parte do passado. Uma nova realidade está sendo vivida no município como um todo, pois todas as áreas estão recebendo a atenção municipal.

O sr. diria, então, que a cidade é outra?
Nós assumimos a prefeitura com muitas dificuldades. Até três meses de salários atrasados de algumas categorias; a cidade toda esburacada, o maquinário sem funcionar e dívidas enormes. Dentro de dois anos, nós mudamos essa situação. Gurupi, hoje, é o primeiro município do Norte do Brasil que entregou para todos os alunos da rede municipal de ensino escolas com ar condicionado em todas as salas de aula, inclusive na zona rural. Então, isso é motivo de muito orgulho para nossa gestão. Reformamos todas as escolas, ampliamos e hoje dá gosto entrar numa sala de aula em Gurupi, tudo novo e funcionando. Agora, estamos indo para a segunda etapa. Já projetamos quatro escolas de tempo integral, uma em cada região do município, estamos viabilizando a área e vamos trabalhar para isso. Então, Gurupi está passando por uma verdadeira revolução na educação. Para se ter uma ideia, quando assumimos, tínhamos 5 mil alunos e já passamos de 7 mil na rede municipal de ensino. As pessoas perceberam que as escolas do município estão bem melhores que algumas particulares.

O sr. tem recebido apoio dos governos federal e estadual?
Só os repasses normais e de direito. Agora, do Estado, tem faltado, por exemplo, os recursos do transporte escolar. Agora, parece-me que vai normalizar. Mas, mesmo tudo isso, não impediu que a gente mudasse a realidade do ensino. E hoje posso falar que foi o único município do Estado que conseguiu dar um aumento de 13,1% para todos os professores da rede municipal de ensino.

Gurupi tem um dos melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDHs) do Estado. A que isso se deve?
O índice da educação é o melhor do Estado e também o IDH. Tudo isso é resultado dos investimentos que fizemos na cidade, em todos os sentidos.

A cidade sempre foi tida como um dos principais polos de desenvolvimento do Estado. Como está a situação do Distrito Agroindustrial, a política de atração de grandes empresas?
Gurupi é uma cidade que dispõe de vários eixos de desenvolvimento. Um deles é o setor educacional. Conta com duas universidades (UFT e Unirg), com um alto oferecimento de cursos. Gurupi, em nível de Norte do Brasil, é uma cidade, proporcionalmente ao número de habitantes, que tem mais mestres e doutores. A educação, portanto, é um setor importante para o desenvolvimento da cidade. Agora, nós estamos querendo firmar também na área da saúde. Está em construção o Hospital Regional de Gurupi, com 200 leitos, o que vai fazer com que os 18 municípios que gravitam em torno de nossa cidade sejam beneficiados. Estamos nos preparando para isso. Temos uma faculdade de medicina, cursos de farmácia, enfermagem, fisioterapia.

Essa obra do hospital regional tem a participação do governo estadual?
Essa obra é com recursos federais, por meio de emendas da bancada tocantinense e o governo do Estado é quem está construindo.

No campo político, o sr. deve disputar a reeleição. Qual a estratégia do PSB, legenda que o sr. comanda regionalmente, para as eleições municipais de 2016?
O PSB, desde quando nós assumimos a sua direção, tem crescido muito. Quando assumimos o diretório regional, o partido contava com apenas quatro vereadores no Estado. Elegemos quatro prefeitos e 88 vereadores, em 2008. Depois, nas eleições de 2010, elegemos um deputado federal e um deputado estadual. Na eleição de 2012, elegemos 15 prefeitos e 111 vereadores. Portanto, o PSB é um partido que tem crescido.

Como o partido está se preparando para as eleições de 2016, sobretudo nas principais cidades do Estado?
Nós estamos começando a discutir agora a sucessão municipal. Vamos fazer um encontro no dia 7 de maio, em Palmas, com a presença do presidente do diretório nacional do partido, do presidente da Fundação João Mangabeira e do ex-governador do Espírito Santo, senador Renato Casagrande. Eu vou para a reeleição, sim, porque acredito que estamos fazendo um bom trabalho em Gurupi. Em todas as áreas, nós avançamos muito. Quando assumimos a gestão, a cidade era só buraco, recuperamos o maquinário todo, compramos uma usina de recapeamento asfáltico. Gurupi é uma das cidades tocantinenses melhor iluminadas. Agora, estamos partindo para uma segunda etapa, que é a sinalização da cidade, tanto horizontal quanto vertical, e também na parte do paisagismo. Estamos também procurando atualizar a Plano Diretor da cidade, porque é importante que se adeque a esse novo cenário de crescimento. Quando assumi, fiz um plano pensando em Gurupi daqui a 50 anos. Já traçamos o anel viário, tirando o movimento do trânsito do centro da cidade. Já conseguimos junto ao governo federal a duplicação da BR-153, até a cidade de Aliança do Tocantins.

O PSB faz parte da administração do prefeito de Palmas, Carlos Amastha. É intenção do partido manter a aliança com o PP e outros partidos para as eleições municipais e as de 2018?
Não. Nós não discutimos ainda alianças do PSB em nível estadual. Independe das eleições estaduais de 2018, o PSB é um partido que busca construir o seu próprio caminho. A decisão de participar da gestão do prefeito Amastha foi uma decisão do diretório municipal de Palmas e nós respeitamos. Os diretórios municipais devem procurar o melhor caminho para a sua gestão. Isso não significa dizer que o PSB esteja junto com algum outro partido em nível estadual. Ainda é muito cedo para se discutir sucessão estadual. Estamos começando agora a discutir as eleições municipais de 2016.

"Alan (Barbiero) tem condições de disputar  eleição para qualquer cargo no Estado”

“Alan (Barbiero) tem condições de disputar eleição para qualquer cargo no Estado”

O sr. acha que o PSB dispõe de nomes para disputar a prefeitura de Palmas no próximo ano? O professor Alan Barbiero, presidente metropolitano do partido e secretário de Amastha, pode ser um nome competitivo?
É um grande nome. O Alan (Barbiero) tem condições de disputar eleição a qualquer cargo no Estado do Tocantins. É uma pessoa preparada técnica e politicamente. A participação do PSB na gestão do prefeito Amastha é meramente administrativa, o que não significa que o partido não venha disputar a prefeitura da Capital. Mas tudo vai depender da conjuntura política, no momento oportuno.

Há possibilidade de aproximação do PSB com PMDB e PT?
O PSB tem procurado construir o seu próprio caminho, com independência. Em Gurupi, por exemplo, eu tenho apoio do PT, do PSDB, do PMDB [a vice é peemedebista], do Democratas e do PDT, entre outros. Então, eu sou um politico de conciliação, respeitando o ponto de vista de cada um e fazendo uma administração da maneira que a gente acha que seja melhor para o Estado. Eu acho que a política de ficar atacando eventuais adversários políticos é para quem não tem proposta, projeto. Partido que tem projeto não tem que se preocupar com seu adversário, ele tem que buscar construir a credibilidade e a confiança das pessoas. Quem tem que julgar a postura dos políticos é o povo. Não sou de sair falando de ninguém.

O sr. considera Gurupi como uma cidade estratégica para o desenvolvimento do Estado?
Não somente para o Estado do Tocantins, mas para todo o Brasil, porque é a cidade mais central do País. Quando Juscelino Kubistchek fez o traçado rodoviário brasileiro, a mais longa rodovia nossa é a BR-153. Ela sai da divisa de Bagé, no Rio Grande do Sul com o Uruguai e vai até o extremo-norte do Brasil. A mais longa rodovia brasileira, no sentido Leste-Oeste, é a 242, que sai da Bahia, passa por Gurupi, vai até Mato Grosso e Rondônia. O traçado ferroviário brasileiro também passa por Gurupi e tudo isso é estratégico para o desenvolvimento do Brasil. Quando se fala em Tocantins, é uma cidade polo, com 18 municípios ligados economicamente a Gurupi.

A economia do município é basicamente a agropecuária, mas nota-se que grandes empresas estão instaladas na cidade.
Gurupi é uma cidade que tem vocação para o comércio. O nosso comércio, hoje, é muito forte. Hoje, nós temos os maiores empreendimentos na área de máquinas e implementos agrícolas. A maior revendedora da Massey Fegurson está e nossa cidade. Inclusive, assinamos, recentemente, a escritura definitiva de doação da área onde está instalada a empresa Centercom Tratores, concessionária em Gurupi da Massey Ferguson. A marca Massey Ferguson é comandada pela AGCO do Brasil, que é a maior fabricante de tratores da América Latina e a maior exportadora do produto no Brasil, com atuação destacada na Austrália, Estados Unidos, Japão, Argentina e México, além do Caribe e da América Central. Outro empreendimento é da Jandir. A Ambev vai fazer um grande investimento na cidade, o que vai tornar Gurupi como um polo de distribuição de cerveja na região Norte do País. Um dado interessante é que no ano passado, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, Gurupi foi a cidade do Tocantins que teve o melhor desempenho em termos de criação de emprego. Quando se tira os contratos em 2013 e os exonerados em 2014, Gurupi superou inclusive Palmas e Araguaína.

O sr. fez uma viagem à Nova Zelândia, no ano passado, tentando parceria para a implantação do Parque Tecnológico. O que o sr. pretende com esse empreendimento?
Estivemos lá para conhecer empresas que atuam nas áreas de biotecnologia, bem como buscar parcerias para a implantação do Parque Tecnológico da cidade. Já estamos fazendo um trabalho de prospecção de investidores para este projeto e acreditamos que os contatos trarão resultados positivos não só para Gurupi, mas também para o Tocantins. Gurupi concorreu e venceu na categoria de Novos Projetos do VIII Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, com o projeto InovaGurupi – Ciência & Tecnologia para o Desen­vol­vimento Sustentável. E foi com esse prêmio que ganhamos a viagem técnica a Austrália e Nova Zelândia. O projeto trata de uma estratégia da administração municipal indutora do desenvolvimento econômico e social no âmbito local-regional do Sul do Tocantins, onde apoia a consolidação das incubadoras de base biotecnológicas. Esse projeto já havia vencido a etapa estadual do prêmio, quando concorreu com 42 projetos inscritos, dos quais 35 foram habilitados a concorrer ao prêmio na edição nacional em seis categorias: Melhor Projeto Estadual, Lei Geral Imple­mentada, Compras Governa­mentais, Desburocratização, Peque­nos Negócios no Campo e Novos Projetos. No total, mais de 7 mil inscrições de projetos foram feitas para o Prêmio Sebrae Prefeito Empreendedor, sendo que 1.300 foram classificados, com 123 prefeitos disputando nacionalmente, em seis categorias. Essa é a primeira vez que uma cidade do To­cantins é premiada.

Um dos gargalos da cidade refere-se à Fundação Unirg. O sr. se reuniu com a direção da universidade para tentar sanar alguns pontos que estão impedindo a instituição de deter um melhor funcionamento.
Positivo. Eu e o Presidente da Fundação Unirg, Sávio Barbalho, estivemos reunidos com a reitoria, coordenadores dos cursos e gestores da Instituição para apresentar o plano de trabalho que dará andamento ao novo projeto arquitetônico para ampliação das obras do campus I. A Fundação, de acordo com o Sávio, aderiu a uma licitação já existente no município, em que a empresa SC Arquitetura e Con­sultoria, de Palmas, foi a vencedora. A Unirg nos apresentou o projeto para traçar o plano de trabalho e observar a demanda de um Centro Univer­sitário moderno e eficaz. A proposta é aumentar o número de vagas de estacionamento e distribuí-las em pontos estratégicos; construir restaurante universitário; laboratórios; biblioteca ampla; mais 40 salas de aulas; auditório com maior capacidade de pessoas, entre outras sugestões. Somos parceiros, porque entendemos que o projeto irá beneficiar toda a comunidade acadêmica com a redução de custos e qualidade nos atendimentos. Sabemos a importância em unir todos no mesmo local, pois teremos uma economia enorme com a manutenção da Unirg, além disso, irá agilizar os atendimentos à toda comunidade em um espaço adequado. A intenção é concentrar cursos e gestão de forma que atenda a necessidade de todos. Sabemos onde buscar os recursos, mas, para isso, é preciso que tenhamos o projeto concluído. É importante a participação de todos que estão à frente da instituição.

O sistema de esgotamento da cidade ainda é precário. Recentemente, o sr. fez uma parceria com a Saneatins para melhorar o sistema. Quando a obra será iniciada?
O contrato que a prefeitura assinou com a Saneatins – Odebrecht Ambiental e a Caixa Econômica Federal para a ampliação do sistema de esgoto sanitário e abastecimento de Gurupi está em andamento e as obras devem iniciar logo. O projeto terá investimento de cerca de 60 milhões de reais e abrangerá diversos bairros de Gurupi cobrindo uma área de 80 % da cidade. É uma obra que representa prevenção de doenças. Estamos honrados em fazer parte desse momento e, além disso, a obra deve gerar emprego e renda para o município, o que é muito importante. A obra também vai ser fundamental para o setor imobiliário e, com isso, o município atrairá novos investimentos. Gurupi se transformará numa cidade modelo, sem falar no ganho para a saúde. O poder público está avançando e a cada dia estamos firmando novas parcerias para trazer qualidade de vida para a nossa população.

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