“Prefeito de Palmas agride as normas vigentes no País, no Estado e no município”

Considerado um “deputado-vereador” pela atenção dedicada à capital, presidente do SD reafirma discordância com o modelo de gestão de Amastha

Deputado Wanderlei Barbosa (SD) | Foto: Reprodução/ Aleto

Eleito deputado estadual em 2010, e reeleito em 2014, pelo SD, com 13.285 votos, o tocantinense de Porto Nacional, nascido na década de 1960, Wanderlei Barbosa é conhecido por seus efusivos discursos em plenário. Em que pese transparecer, a princípio, um sujeito duro, a bem da verdade é solícito, cordial e compromissado com causas do seu eleitorado. Seu pai, Fenelon Barbosa, foi o primeiro prefeito de Palmas, o que confirma sua vocação política.
Trata-se de uma tradicional família de políticos, e a maior prova disso é o fato de Wanderlei – antes de se tornar deputado estadual – ter sido nomeado subprefeito do distrito de Taquaruçu e eleito vereador por cinco mandatos na capital. Wanderlei tem o irmão Marilon e o filho Leo Barbosa vereadores na atual legislatura na capital.

O SD, do qual o sr. é o presidente metropolitano, enfrentou crises internas no último pleito, uma vez que um dos seus líderes, o ex-deputado federal Eduardo Gomes, ensaiou uma composição com o prefeito Carlos Amastha (PSB). Houve uma divisão na sigla?
Realmente, houve essa dificuldade, devido ao comportamento de alguns dirigentes que compõem o partido. Isso dificulta a relação interna não apenas em Palmas, como também em outros municípios tocantinenses. No decorrer do processo eleitoral, recebi telefonemas sugerindo intervenções em diretórios municipais. Essa não é uma característica da nossa gestão, que prima pelo estado democrático de direito. O partido tem que respeitar os filiados, como também os projetos nos municípios.

Um dos fatores determinantes para minha filiação ao SD foi o compromisso do presidente nacional, Paulinho da Força, que me garantiu liberdade e autonomia para escolher os destinos do partido. Contudo, esse comportamento, de início, não prevaleceu, na medida em que houve tentativas de levar a sigla para a base de apoio do prefeito Amastha, que todos sabem, tem um modelo de gestão com o qual não concordo.

Tenho um grande apreço e respeito pelo nosso presidente estadual, o deputado Vilmar, que tem se mostrado ético, leal e comprometido com o partido. Contudo, há outros dirigentes que não estão comprometidos com o fortalecimento do partido e muitas vezes tentam utilizar a sigla como instrumento de negociação ou moeda de troca. Repudio esse comportamento, veementemente. Portanto, declaro, desde já, que permanecerei filiado apenas e tão somente se o partido mantiver a independência, se reestruturar, como também respeitar as ideologias e os seus filiados. Agindo assim, seguramente o partido crescerá, caso contrário, não sobreviverá.

Recentemente, o sr. participou do encontro de prefeitos na Associação Tocantinense dos Municípios (ATM), quando foram discutidos vários temas, entre os quais os desafios dos novos gestores. Quais foram suas impressões acerca desse debate?
A ATM é uma casa que visa apoiar os gestores municipais tocantinense, e goza do meu profundo respeito. Fui convidado para o encontro, onde o ex-presidente João Emídio apresentou a prestação de contas de sua gestão. Ele fez um excelente mandato frente à associação e repassou essa missão ao prefeito de Pedro Afonso, Jairo Mariano (PDT), que, tenho certeza, também fará um bom mandato, face ao seu conhecimento técnico, como também em função de suas relações político-partidárias.

Talvez o convite para que eu comparecesse ao referido encontro se deu pela minha característica municipalista, uma vez que, no parlamento, apoio e tenho ciência da constante busca e luta dos prefeitos por melhores condições para suas cidades. Estarei sempre disposto a discutir soluções para os municípios e sempre que ATM me convidar para tais debates, estarei lá.

Partindo desse princípio municipalista, o sr. apresentou há poucos dias, requerimentos visando conclamar a gestão de Palmas a enxergar o isolamento do distrito de Buritirana. A Prefeitura de Palmas, ao seu sentir, esqueceu aquela região?
O gestor municipal não pode se dar ao luxo de cuidar apenas de algumas avenidas e esquecer a macrorregião e o entorno da cidade. São aproximadamente 300 mil pessoas que vivem aqui e todos merecem o mesmo respeito. Buritirana, um distrito que possui vários assentamentos e grandes áreas rurais produtivas, está isolada. O transporte público foi desativado e as pessoas que residem por lá e trabalham no plano diretor sofrem com isso. Também não posso me calar diante do fechamento, sem qualquer explicação prévia, da escola Marcos Freire, no assentamento São João. Essa também é uma função parlamentar: zelar pelo direito dos cidadãos.

No que concerne à conservação de rodovias vicinais, é necessário uma frente permanente de serviço para averiguar tais situações, ao invés de justificar a inércia com base no período chuvoso.

Em relação à iluminação pública e roçagem do mato ao longo da marginal leste, que liga Taquaralto à saída de Lajeado, também apresentei requerimento, uma vez que encontra-se abandonada. A prefeitura não pode impingir essa responsabilidade apenas ao Estado do Tocantins, se instalou, ao longo da marginal, radares e lombadas eletrônicas. Portanto, a ela também compete a manutenção da via, visto que é corresponsável. A segurança dos cidadãos deve ser prioridade, o que, verdadeiramente, não está ocorrendo.

Busco, portanto, fazer valer a responsabilidade que deve ter o governo estadual e também os governos municipais com seu povo, e por tal razão também apresentei requerimentos solicitando serviços básicos para a população e reparos em vias vicinais de Pedro Afonso, Tocantínia, Novo Acordo, Brejinho de Nazaré, Santa Tereza, entre vários outros.

Considerando que sua base eleitoral é a cidade de Palmas, como o sr. viu o realinhamento da tarifa pública de transporte coletivo na capital?
Os reajustes tarifários devem ser feitos de acordo com índices inflacionários. Todavia, considero incabível todo e qualquer porcentual que ultrapasse a inflação do período imediatamente anterior, como quer o prefeito. Veja, nem os estudantes, nem tampouco os trabalhadores tiveram reposição de perdas acima do índice da inflação. Por consequência lógica, não podem arcar com tais ônus nas tarifas públicas. Assim sendo, considero o aumento da passagem extemporânea e fora de tamanho. Creio que o conselho municipal e a própria Câmara de Vereadores farão os ajustes e as reparações em conformidade com os moldes inflacionários.

Em que pese ser minoria e quase sempre perder as votações em plenário, a maioria das ilegalidades denunciadas pelos vereadores oposicionistas de Palmas é revertida pelos órgãos de controle, como o Ministério Público Estadual, Ministério Público de Contas, Tribunal de Contas do Estado (TCE), OAB, entre outros. Como o sr. classifica a atuação desses órgãos?
Já disse várias vezes que o prefeito vive num mundo imaginário e surreal. Ele acaba por agredir, com seus projetos manifestamente ilegais, todas as normas e regras vigentes no País, Estado e município.

O BRT, por exemplo, não sou contra sua implantação. Longe disso. Mas creio que ainda não é o momento oportuno. Questiono as tratativas do gestor municipal ao insistir no projeto, mesmo havendo sérios vícios e irregularidades. Evidentemente que a explicação lógica é que, neste momento, o BRT não vai trazer vantagens para os municípios, mas sim para alguns grupos, que se organizaram para usufruir dos eventuais desvios, que certamente ocorrerão se a conduta for a mesma, que já foi inclusive, objeto de denúncia. A primeira etapa está orçada em R$ 227 milhões, sem contar os possíveis aditivos. Ora, a população de Palmas deve estar atenta, porque neste ritmo, serviços básicos e essenciais ficarão, em breve espaço de tempo, comprometidos.

A conta é simples: o prefeito já obteve autorização para contrair empréstimo na ordem de R$ 200 milhões este ano. Se ele contrair mais R$ 227 milhões, serão R$ 427 milhões. Se formos otimistas e hipoteticamente os juros fossem 10% ao ano, serão R$ 42,7 milhões por ano, a título de juros que a cidade terá que arcar. É preocupante… A população precisa se conscientizar disso.

Eu tenho feito meu papel. Tenho levado à tribuna do parlamento estadual todas as denúncias acerca das ilegalidades, que posteriormente o Ministério Público, o Tribunal de Justiça ou os Tribunais de Contas – Estadual e da União – reconheceram. Isso aconteceu em relação ao aumento do IPTU por decreto, ao levantamento aerofotográfico, como também no que diz respeito ao estacionamento rotativo. Cabe a mim e também aos demais parlamentares estaduais e municipais fiscalizar a aplicação dos recursos públicos em todas as searas.

Arbitrariamente, a Prefeitura de Palmas quis proibir o sepultamento do jornalista Iberê Barroso no cemitério de Taquaruçu, distrito que ele amava e se declarava entusiasta, por ser um dos berços da cultura tocantinense. Como pioneiro e habitante daquele distrito, como o sr. avaliou tal postura por parte do poder público?
Causou espanto e me preocupou essa questão. O jornalista Iberê residiu em Taquaruçu por muitos anos, amava aquele lugar. Liderei, juntamente com a imprensa escrita, falada e televisionada, todo esse movimento para que ele fosse sepultado lá, mesmo porque eu também quero ser enterrado naquele distrito, haja visto que cheguei na região quando tinha apenas 1 ano de idade.

O entrave foi imposto por um decreto do prefeito, que não conhece nossa cultura, raízes e tradições do povo tocantinense e ainda tem coragem de se intitular pré-candidato ao governo do Tocantins. Ele não busca conhecer nossos costumes e isso é lamentável. O tal decreto preceitua que pessoas que recebam acima de dois salários mínimos não sejam sepultados naquele cemitério, e isso é um absurdo sem precedentes. Vejo como uma espécie de angústia pessoal, face a votação pífia que ele obteve por lá no último pleito.

Alguns críticos o rotulam como um deputado/vereador de Palmas, uma vez que grande parte dos seus discursos, no púlpito da Assembleia, são direcionados à gestão municipal da capital. Como o sr. recebe e rebate tais críticas?
Eu defendo, com todas minhas forças, a população que reside no município, que é minha base eleitoral. Luto pelo povo que concedeu um mandato, nada mais natural. Não tenho compromissos com o prefeito e sim com a boa gestão das verbas públicas direcionadas para essa cidade.

E quanto a sua estreita ligação com o município de Itacajá? Como surgiu?
Tenho base política em mais de 30 cidades e laços com prefeitos, vereadores e lideranças. Conto o apoio político dos prefeitos de Itacajá, Bom Jesus, Santa Tereza, Rio Sono, Aparecida do Rio Negro, Novo Acordo, Ponte Alta, entre outros. Na eleição de 2014, obtive votação em mais de 120 municípios e tenho que corresponder às expectativas dessas pessoas, que acreditaram e ainda acreditam no nosso projeto político.

É natural que o sr. seja candidato natural à reeleição de deputado estadual. Qual é a sua perspectiva para o cenário político que se forma para 2018?
Sim, o meu projeto é ser candidato à reeleição. O cenário em relação a formação de chapas majoritárias ainda é nebuloso, ao meu ver. Alguns nomes potenciais vão se posicionando, contudo ainda é muito cedo para qualquer previsão. O importante é surgir nomes que tenham por princípios discutir amplamente, e de forma participativa com a sociedade, os problemas que ela enfrenta cotidianamente.

Quanto a minha candidatura, vejo evoluções e a considero como um projeto viável, devido ao apoio que prestei aos municípios, como também ao trabalho que venho desenvolvendo enquanto parlamentar, quer seja com a destinação de emendas, quer seja protegendo os interesses da comunidade. Estes fatores, certamente, fortalecem e engrandecem nosso trabalho.

“Deputado Mauro Carlesse é homem de poucas palavras, mas coerente. é um líder entre os parlamentares da Casa” | Foto: Silvio Santos/ Aleto

Em relação a projetos de sua autoria, o mais recente prevê a impossibilidade de apreensão de veículos que estejam com o IPVA atrasado. Em que pese ter sido considerado um tanto quanto polêmico juridicamente, teve amplo apoio popular. Como o sr. justifica a interposição de tal projeto?
Realmente há por parte do departamento jurídico dessa Casa de Leis, alguma resistência, contudo, creio plenamente na constitucionalidade do projeto, e vou lutar para aprová-lo. Veja: a apropriação de qualquer bem móvel de alguém – sem mandado judicial – caracteriza-se como apropriação indevida, prevista no Código Penal como crime. O Estado, logicamente, não pode ser arbitrário nesse aspecto, muito pelo contrário, deve dar exemplo. Assim sendo, cabe a ele buscar as vias legais para receber o tributo, negativar o contribuinte pelo inadimplemento, porém, é injusto por demais expropriar o bem em questão, sem uma decisão judicial definitiva.

Essa coação por parte do nosso Estado, e também de outros entes federados, acarreta ao contribuinte, além dos naturais transtornos, diárias em pátios públicos, serviços de guincho, entre outras despesas.

Há poucos dias, a Assembleia Legislativa do Tocantins prestou homenagem ao ex-governador de Goiás Henrique Santillo, e o sr. foi um dos precursores desta condecoração. Qual a relevância do ex-gestor para o Estado do Tocantins?
À época da divisão dos Estados, Santillo era governador de Goiás e caso ele se posicionasse contrário à cisão, certamente a criação do Tocantins seria inviabilizada. Contudo, desde o princípio, ele se manifestou favorável à divisão, por entender que o desenvolvimento do norte de Goiás passava pela independência dessa região. Isso precisava ser reconhecido por nós, tocantinenses. Por tal razão, mesmo diante do falecimento dele em 2002, merece destaque e honrarias. Devemos reconhecer o mérito das pessoas que fizeram parte da nossa história, contribuíram e foram fundamentais para a criação do nosso Estado do Tocantins e, dentre eles, sem dúvidas, destaca-se Henrique Santillo.

Na posse do deputado Mauro Carlesse (PHS) como presidente da Assembléia Legislativa no início do corrente ano, o sr. discursou em nome dos demais parlamentares. Quais são as suas perspectivas para esse biênio?
Carlesse é um homem de poucas palavras, mas coerente e de atitudes importantes. Trata-se de um líder entre os parlamentares dessa Casa de Leis. A expectativa é que seja um biênio cercado da mais absoluta transparência, primando sempre pela economicidade, uma das mais baratas do País para os contribuintes.

Em nome do Jornal Opção, desejo-lhe sucesso no restante do seu mandato, e que o sr. possa apresentar bons projetos e requerimentos, que beneficiem a população.

Eu que agradeço essa oportunidade, porque quando eu falo com um veículo importante como esse – de grande circulação – eu consigo ser lido (e ouvido) por pessoas não apenas do Tocantins, mas fora dele também. Estarei sempre disponível para elucidar dúvidas e me apresentar como um estudioso das matérias em trâmite nesta Casa e que acabam por impactar a população tocantinense como um todo. Muito obrigado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.