“Prefeito aumenta o desemprego ao elevar a carga tributária”

Vereador campeão de votos em Palmas critica gastos exorbitantes de Carlos Amastha com tendas, shows e passagens aéreas, em vez de priorizar saúde e educação

Foto: reprodução

Dock Júnior

Leo Barbosa foi o vereador mais votado de Palmas no último pleito, quando disputou, pelo SD, uma vaga no parlamento municipal. Ele obteve 2.678 votos, o que significou 2% dos votos válidos.

Leo chegou à câmara de vereadores intimamente ligado a causa oposicionista. Assim como seu pai, o deputado estadual Wanderlei Barbosa (SD), é crítico ferrenho da administração do prefeito Carlos Amastha (PSB) e nesta entrevista, tece pesadas críticas ao modelo de gestão implantado pelo pessebista.

No que concerne à nova proposta de reajuste da taxa de lixo, anteriormente rejeitada com porcentual de 208%, agora reapresentado com 75% e aprovado, qual é o seu posicionamento?

Primeiramente, enfatizo que lamento muito esse tipo de votação estar ocorrendo no mês de julho, em pleno recesso parlamentar, época que as famílias palmenses estão de férias e sem poder acompanhar de perto os trabalhos do legislativo. No meu entender, convocações para votações desta natureza nesse período ferem o princípio da transparência.

Em relação aos reajustes propriamente ditos, é algo recorrente nesta gestão. Neste ano, já votamos a taxa de iluminação pública, o aumento do IPTU e, agora, a taxa do lixo. Quero, nesse momento, me manifestar e deixar claro à população que votei contra todos esses aumentos. É necessário ficar nítido para a sociedade que tenho me posicionado contrário a todos esses reajustes.

Desde o período eleitoral, venho combatendo e criticando esse comportamento do prefeito baseado em dilacerar o orçamento familiar, com medidas como esta. Temos um orçamento de aproximadamente R$ 1,3 bilhão e nem por isso ele não consegue tornar o município autossustentável. O gestor se utiliza de mecanismos tributários para tocar a máquina pública, e disso eu vou discordar sempre.

Aumentar tarifas e impostos contribuem para o desemprego latente, as famílias deixam de suprir necessidades vitais, sobrecarregadas pela carga tributária. Lamento muito que essa matéria tenha voltado à pauta, uma vez que já havia sido rejeitada e agora apresentou resultado diferente na nova votação. A Câmara Municipal deve ser posicionar como modelo, afinal somos o poder legislativo, contudo, ela tem se submetido e se apequenado ante as imposições do poder executivo, e isto jamais poderia estar ocorrendo.

Em relação à argumentação da base do prefeito na Câmara, de que o lixo é subsidiado pela prefeitura, contudo, quem deveria arcar com o ônus total desse serviço seria a população, qual é a sua visão?

É necessário frisar, de antemão, que o atual prefeito gasta três vezes mais com o lixo, que a gestão anterior. Ele se esquece – propositalmente – do passado. Não podemos deixar de enfatizar que é o contribuinte quem paga todo tipo de conta e dívida que o município assume.

Em relação ao estabelecimento da taxa mínima de 2% do ISS, o sr. também se posicionou contrariamente. Por quê?

Pela mesma justificativa anterior. Na minha opinião, não é possível pegar um imposto tão genérico quanto esse e estabelecer alíquotas mínimas para poder faturar em cima de serviços de qualquer natureza, como quer o Paço Municipal. Também é inconcebível apoiar uma guerra fiscal que visa pressionar aqueles que promovem nossa economia, por intermédio dos serviços.

Como o sr. avalia a proposta do “Shopping a céu aberto” a ser instalado na avenida principal de Taquaralto?

Trata-se de um projeto controverso. Cruzo todo o perímetro de Taquaralto quase todos os dias, visto que minha residência é em Taquaruçu, e vi a Avenida Tocantins se consolidar cada vez mais como o segundo eixo econômico da capital. Não tenho dúvida que os maiores geradores de emprego e renda estão ali naquela região da cidade, que valorizou de tal forma que, hoje, é o segundo metro quadrado mais caro de Palmas.

Ao impor uma obra – milionária, diga-se de passagem – sem conversar e ouvir os impactados, o prefeito fere os direitos e coage os comerciantes da região. Essa é a grande reclamação e há, inclusive, um abaixo assinado dos lojistas, condenando a maneira truculenta como está ocorrendo a implantação do referido projeto. Além disso, a isenção tributária do IPTU aos comerciantes que aderirem ao projeto coage os que são contrários e os colocam em situação constrangedora.

Acredito que ideia do shopping não é de todo ruim, mas sou contrário a forma como ele está sendo implantado, nesse momento, porque desrespeita os pioneiros da região, que geram emprego e renda.

“Para melhorar o distrito de Taquaruçu é preciso que a prefeitura atue com mais intensidade lá”

Há uma reclamação retórica da oposição – além de constantes denúncias – acerca dos gastos do prefeito com locação de tendas, pagamento de shows, entre outros gastos considerados supérfluos. Após efetuar pagamentos dessa natureza, acaba faltando verbas para outras prioridades como saúde e educação, que ele tenta recompensar com a criação de novas taxas ou impostos. Até que ponto tais premissas são verdadeiras?

O Portal da Transparência é a principal fonte de pesquisas. Os dados estão expostos lá. Há gastos exorbitantes com tendas, shows, passagens aéreas, enfim, gastos desnecessários. A prioridade deveria ser saúde, educação, asfalto, etc. Vejo o prefeito determinar o recapeamento, por lama asfáltica, de vias principais já asfaltadas – numa tentativa de maquiar e dizer que a cidade está bem cuidada –, ignorando a ausência do asfalto em bairros históricos que não contam com esse benefício. Essa é uma das razões pelas quais critico e não concordo com o modelo de gestão adotado.

Por falar em pavimentação asfáltica, algumas quadras dentro do plano diretor não contam esse benefício. Por que isso acontece?

Algumas porque são quadras abertas por particulares, outras pela ingerência ou “esquecimento” proposital do poder público. Tenho cobrado aqui na Câmara Municipal que esses investimentos sejam realizados. Faço isso baseado no discurso do próprio prefeito que, em campanha eleitoral, disse que onde não havia gente, havia asfalto e onde não havia asfalto, havia gente aos montes. Ele disse, em todos os palanques que subiu, que acabaria com a poeira, todavia, tais promessas não foram cumpridas e muitas quadras ainda estão sem asfalto, prejudicando a população, uma vez que o excesso de poeira causa doenças respiratórias, como também, a lama e o barro, na época das chuvas, causam vários transtornos.

Quando se fala em promessas de campanha, somos remetidos ao problema da saúde pública, uma vez que vários prefeitos, inclusive o atual, prometeram construir um hospital municipal, entretanto, o projeto nunca caiu do papel. Como o sr. contextualiza tal deficiência em nossa capital?

A falta de um hospital municipal – que deveria ser instalado na região sul da cidade – sobrecarrega o Hospital Geral Público de Palmas. Seria importante para atender a população, que necessita de procedimentos de baixa ou média complexidade.

Além disso, é sabido que a gestão municipal tem dificuldade para gerir as Unidades Básicas de Saúde, uma vez que não há farmácias municipais abertas durante os finais de semana, para atender a comunidade, além de faltar medicamentos básicos, profissionais gabaritados, entre outros problemas.

Em suma, a saúde não tem sido prioridade do governo Amastha e espero, sinceramente, que esta postura seja mudada, uma vez que além deste, há outros vários gargalos que precisam de solução, por parte do gestor.

No que concerne à proposta do seu colega de vereança, Diogo Fernandes, de transformar o distrito de Taquaruçu num bairro de Palmas, qual a sua opinião, uma vez que aquela região é basicamente um dos seus maiores colégios eleitorais?

Considero a alteração irrelevante, tendo em vista que os bairros já pertencem aos distritos que estão sob a jurisdição das subprefeituras. Então, não vejo essa mudança de nomenclatura como algo transformador.

O que me interessa é que a atuação da prefeitura seja mais intensa em Taquaruçu, que tem sofrido com a falta de alguns serviços públicos, como limpeza de vias públicas, infraestrutura, suporte, fomento e capacitação para aquela comunidade. Trata-se de um pólo ecoturístico e que merecia mais investimentos, maior atenção e eficiência por parte do poder público.

Sua sigla partidária, o Solidariedade, se encontra dividida no parlamento municipal, uma vez que o sr. faz oposição ao prefeito Carlos Amastha, enquanto sua companheira de partido, Laudecy Coimbra, apoia a gestão municipal. Como é essa dicotomia partidária?

O deputado estadual e presidente do partido, Vilmar Oliveira, nos deu essa liberdade. Está intrínseco no partido esse posicionamento, essa liberdade de aceitar pensamentos diferentes. Recebi uma carta no início do semestre, me concedendo poderes para direcionar a sigla na Câmara. Respondo pelo partido no parlamento municipal e nos postamos no bloco independente.

A vereadora Laudecy optou por participar da gestão do Amastha e eu respeito o posicionamento dela, contudo, entendo que as ideias desta administração não convergem com a ideologia da nossa sigla partidária, por isso não faço parte.

Considero essa decisão do presidente extremamente democrática e, ao contrário do que muitos pensam, apenas nos fortalece, uma vez que faz parte das atividades parlamentares conviver com a divergência.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.