PR planeja lançar candidato à Prefeitura de Palmas

Com a intenção de se lançar à disputa nas próximas eleições, partido precisa primeiro organizar-se internamente, pois possui membros com posições políticas muito diferentes. É o caso do vereador Lúcio Campelo

Vereador Lúcio Campelo, à revelia de um posicionamento oficial de seu partido, lança candidatura e diz que vai fazer oposição séria e contundente a Carlos Amastha | Foto: divulgação

Vereador Lúcio Campelo, à revelia de um posicionamento oficial de seu partido, lança candidatura e diz que vai fazer oposição séria e contundente a Carlos Amastha | Foto: divulgação

Gilson Cavalcante

O PR é mais um partido que tem inten­ções de lançar candidatura própria à Prefeitura da capital. Mas, para isso, terá que primeiro resolver alguns problemas internos. Isso porque a legenda ainda não está afinada no mesmo diapasão. Por exemplo: na Câmara Municipal de Palmas, o partido conta com dois vereadores — Lúcio Campelo e Milton Néris. O primeiro é adversário do prefeito Carlos Amastha (PP) e o segundo se posiciona sempre em defesa do Executivo.

Campelo sempre foi adversário político do prefeito, mas no início do ano tentou uma aproximação com o chefe do Executivo, o que durou poucas semanas, porque não encontrou guarida na Prefeitura. Retornou à condição de adversário, fazendo críticas ainda mais ácidas a Amastha.

Para encontrar ressonância em sua nova postura política, Campelo lançou seu nome a pré-candidato à Prefeitura da Capital, postulação que, obviamente tem que passar pelo crivo do diretório Metro­politano do PR de Palmas, cuja presidente é a deputada Luana Ribeiro, e ter a aquiescência do presidente regional da legenda, senador Vicentinho Alves.

Na Assembleia Legislativa, a situação é semelhante à da Câmara Municipal. O PR conta com dois deputados: Luana Ribeiro, que é oposição ao governo e José Bonifácio, que foi eleito pela coligação governista à época, mas que apoiou Marcelo Miranda (PMDB) durante a campanha eleitoral e hoje vota com a base aliada do governo.

A pretensão do vereador Lúcio Campelo em disputar a Prefeitura de Palmas acende o processo sucessório. Se vai frutificar ou não depende da política de alianças que o PR vir a entabular.

Para Campelo, as críticas ao prefeito são naturais e fazem parte do processo democrático. “Com o retorno do vereador Milton Néris, o PR, naquele momento, se posicionou como base e eu tentei atender os interesses do partido. Porém, entendo que não me cabia, que a linha traçada pelo prefeito como gestão é de aparência e engodo, e eu não poderia compactuar”, justifica o parlamentar o seu desinteresse em seguir com a base aliada.

De acordo com Campelo, nos últimos dois anos, a Prefeitura obteve como receita quase R$ 1 bilhão, e o que se vê até o momento são “falácias e maquiagem”.

Ele diz que está aguardando uma conversa com o presidente do PR no Tocantins, senador Vicen­tinho Alves, e com a presidente metropolitana, a deputada Luana Ribeiro, para tratar sobre esse assunto. “Estou colocando o meu nome à disposição. O partido irá discutir a viabilidade”, ponderou.

Vicentinho há mais de um mês havia manifestado interesse em filiar o ex-prefeito Raul Filho ao PR, com o objetivo de lançá-lo candidato a prefeito de Palmas, mas a intenção parece não ter vingado. Raul hoje é cobiçado por diversos partidos, dentre eles o PSDC, o PTN e o próprio PR, que ainda não desistiu de cooptar o ex-petista.

Campelo confirma que o PR fez convite ao ex-prefeito Raul Filho, mas até o momento nada foi concretizado. “Diante desse quadro, estamos indo a Brasília mostrar outra visão dentro desse processo”, observou o vereador. E emenda: “Naturalmente que, se for concretizada a filiação de Raul ao PR, a discussão tomará outra direção”.

Campelo não bate o pé para sustentar uma candidatura a prefeito, mesmo porque sabe que o caminho é longo para que essa pretensão se concretize. Primeiro, o partido tem que avaliar a viabilidade politico-eleitoral de uma candidatura própria; segundo, saber se o postulante dispõe de poder de aglutinação dentro da própria legen­da e com outros partidos, para se formar uma aliança competitiva. “Dentro de um processo político-partidário tudo se resolve através do diálogo”, resume Campelo.

O oposicionista não engole o prefeito Amastha e faz disso um cavalo-de-batalha. “Palmas precisa de um prefeito que olhe para a cidade como um todo, que tenha amor e respeito pelo povo; a cidade tem menos de 10% de sua infra­estrutura consolidada; nós não podemos, em momento nenhum, esquecer que a sua construção continua e depende, exclusivamente, do comprometimento de quem está à frente da gestão. Infelizmente, hoje nós não percebemos isso”, discursa o vereador oposicionista.

Ele afirma que está reunindo informações sobre gastos com os Jogos Mundiais Indígenas, que serão realizados em Palmas, no mês de setembro, porque considera fora da realidade o pagamento de R$ 2,3 milhões para aluguel de tendas para o evento. “Uma tenda é R$ 400 no mercado; com esse valor, dá para alugar até 4 mil tendas. Está muito estranho”.

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