Posse de Siqueira Campos no Senado é reconhecimento de uma trajetória

Governador do Tocantins por quatro vezes, fundador do Estado foi fundamental para o desenvolvimento da região, que pertencia a Goiás

Siqueira, no dia da posse como Senador
Siqueira Campos no dia da posse como Senador | Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

A posse de Siqueira Campos como senador da república é, sem dúvidas, um marco para o contexto histórico do Estado do Tocantins. Personagem que lutou pela divisão e criação do ente federado mais jovem do País, o ex-governador recebeu como uma espécie de “prêmio” a possibilidade de encerrar sua carreira política, aos 91 anos, em pleno exercício de cargo de senador.

Não obstante o desprendimento do titular, senador Eduardo Gomes, que desde sua eleição já manifestara o desejo de se afastar temporariamente para que Siqueira assumisse o cargo, o reconhecimento e a homenagem são muito mais do que justos. Gomes será secretário de Articulação Política no governo Carlesse a ajudará nas questões junto ao governo federal, porém, independente disso, seu gesto altruísta demonstra um sentimento de respeito pela história do Estado do Tocantins.

A saga de Siqueira Campos dispensa maiores comentários. De retirante nordestino a vereador na cidade de Colinas; de deputado federal constituinte a primeiro governador do recém-criado Estado do Tocantins; de estadista consagrado pela população – após governar por quatro vezes – a senador da República. É inegável que o Estado criou corpo, cresceu em todos os aspectos e avançou durante as gestões do “velho Siqueira”. Se a última delas não foi tão brilhante, tal fato não atinge as outras, reconhecidamente realizadoras.

Divisão boa para todos

Siqueira conseguiu mudar a vida de centenas de milhares de pessoas. Uma multidão em busca de oportunidades desembarcou em terras tocantinenses, após sua criação. A capital, Palmas, arquitetonicamente planejada, também é um dos seus legados. Atualmente o Tocantins tem cerca de 1,5 milhão de habitantes, das quais 300 mil residem na capital e no entorno. É, verdadeiramente, um marco para um território que tem apenas 31 anos de emancipação política e era apenas um “estorvo” para Goiás.

A divisão foi boa para o Estado goiano, para o sofrido norte, hoje Tocantins e, principalmente para o Brasil. Siqueira foi muito feliz ao dizer no seu discurso de posse que o país ainda precisa ser dividido, se possível mais 20 vezes. Não há sentido algum em Estados gigantescos como Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso, Amazonas e Pará permanecerem do mesmo tamanho. É impossível para o gestor administrá-lo, não há dúvidas. Quando se divide, as regiões se tornam independentes, descobrem outras vertentes e potencialidades e se desenvolvem.

Não é crível que Siqueira Campos consiga realizar seu sonho, publicamente declarado em discurso, contudo, uma sementinha foi plantada no árido solo do Congresso Nacional. O Brasil precisa de parlamentares com cabeças pensantes, ao invés de usurpadores do dinheiro público.

Se o “velho Siqueira”, em razão da avançada idade, permanecerá como senador por um, dois ou três meses, não importa. Já terá cumprido a meta de glorificar sua já consagrada carreira política. Em 1º de agosto, ele fará 91 anos e estará no pleno exercício do cargo. Um “presente de aniversário” muito mais do que merecido. Seu legado justifica a honrosa homenagem.

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