“Palmas não pode esperar muito para ter soluções aos seus problemas”

Vereador do PSB palmense, reeleito com mais de 1,7 mil votos, diz que colega que for contra o que propõe o Executivo, deve expor sua opinião para que a Casa vote

Foto: Reprodução / Facebook

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Dock Júnior

Maranhense de Pastos Bons, Raimundo Rêgo de Negreiros tem 46 anos e migrou para Palmas em 1990, onde constituiu família e iniciou sua carreira como policial militar com apenas 19 anos. Iniciou como soldado no 1º Batalhão da Polícia Militar em Palmas, onde trabalhou em diversas frentes de serviço, desde rádio-patrulha até componente de destacamento de Taquaruçu, optando sempre pelo serviço operacional, ao invés dos burocráticos.

A ascensão das patentes se deu paulatinamente: sargento, tenente, capitão. Em meio a um curso e outro, graduou-se em Letras pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra). Foi elevado à condição de major, após mais de 20 anos de farda. Tornou-se um dos expoentes da nova polícia chamada comunitária, que contribui para o renascimento da relação harmônica entre sociedade e Estado.

Major Negreiros foi eleito vereador em Palmas em 2012, pelo PP, com 2.006 votos, tendo como base de apoio os militares e a Região Sul de Palmas. Surpreendentemente foi eleito presidente da Câmara de Palmas, com 12 dos 19 votos, para o biênio 2013/2014. Já em 2014 disputou a eleição – pela mesma sigla partidária – para deputado estadual, conseguindo angariar aproximadamente 10 mil votos. Por fim, em 2016, já no PSB, o militar foi reeleito para vereador, após obter 1.702 votos, o 12º mais bem votado na capital.

O sr. esteve ligado, desde sempre, ao prefeito reeleito Carlos Amastha. A bem da verdade, foi um dos pilares de sustentação parlamentar do chefe do executivo na Câmara. Como avalia a gestão que se encerra, bem como seu irrestrito apoio às demandas por ele apresentadas à casa de leis?
Avalio a gestão como positiva, até mesmo porque participei ativamente dela. Cheguei a assumir, na condição de presidente da Câmara, a Prefeitura, na ausência do Amastha. Sempre acreditei no potencial de gestão dele e os resultados das urnas comprovam: a população também acredita. Ele foi reeleito com mais votos que na primeira eleição, o que demonstra aprovação do trabalho desenvolvido ao longo dos quatro anos.

No parlamento, eu e os vereadores da base governista temos nos pautado em tratar a coisa pública com seriedade. Não é a pressão dos pares oposicionistas que me fará mudar de ideia. Faço sempre a coisa de forma correta e com seriedade. Prezo bastante o compromisso que eu fiz com a população. Veja bem, eu tenho uma responsabilidade imensurável. Carrego no meu nome a patente de major da PM. Eu represento essa classe, não posso decepcionar nem tampouco envergonhar a corporação composta por mais de 5 mil militares.

No que concerne às tratativas, discussões e aprovações da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, posteriormente, do orçamento de 2017, quais são as suas perspectivas e também as da base de sustentação do prefeito Amastha?
Estamos trabalhando agora lei de diretrizes junto à base, em constantes reuniões com os secretários de governo. Que­remos aprová-la nos próximos dias e logo após, discutir o orçamento. A cidade não pode parar, não temos o direito de impedir seu crescimento. Além disso, os problemas da cidade também não podem esperar muito tempo para ter soluções. Por isso, creio que nos meses de janeiro e fevereiro, já esteja tudo aprovado. Traz muita insegurança à gestão governar com base apenas no duodécimo. A boa vontade e o bom senso dos vereadores devem imperar nessa hora, colocando a responsabilidade e o compromisso com a cidade em primeiro plano.

Penso que mesmo que o vereador da oposição seja contrário ao que foi proposto pelo Executivo, que ele se manifeste, exponha suas razões e após isso, colocaremos em votação. O parlamento é democrático, contudo, precisamos de agilidade no que se refere a este particular. Pre­cisamos reunir a bancada de vereadores e as comissões, dirimirmos as dúvidas e fazermos de tudo para aprovarmos o texto até 31 de dezembro.

"O prefeito Carlos Amastha agora é o presidente estadual do PSB  e isso me deixa muito confiante que o crescimento será ainda maior” | Foto: Divulgação

“O prefeito Carlos Amastha agora é o presidente estadual do PSB e isso me deixa muito confiante que o crescimento será ainda maior” | Foto: Divulgação

A casa está de “cara nova” para a legislatura em 2017, uma vez que foram eleitos 9 novatos entre os 19. Como o Sr. viu esse fenômeno e a quais fatores atribui essa renovação?
Não vejo essa renovação tão propalada não. Quando eu disputei a primeira eleição houve uma renovação ainda maior. O certo é que o fato de quatro vereadores não disputarem a reeleição causa essa errônea impressão; se eles tivessem entrado na disputa, na minha visão, pelo menos dois seriam eleitos.

Quanto ao desgaste na Câmara Municipal, que poderia supostamente ter gerado insatisfação do eleitorado, creio que foram apenas questões pontuais. Discordâncias da presidência do parlamento municipal com o prefeito. A pauta foi trancada e, sem dúvida, isso acaba gerando um mal-estar. Porém, convém ressaltar que nós vereadores nunca deixamos de trabalhar, mesmo porque o trabalho de um parlamentar não se resume às sessões ou a discursos na tribuna. São necessárias ações de gabinete e também junto às bases eleitorais ouvindo a população, apresentando requerimentos e, por fim, tentando encontrar soluções para os problemas que as comunidades enfrentam.

Falando em desgaste da Câmara Municipal, como o sr. se posiciona em relação à polêmica do concurso público da Casa Legislativa, já recomendado pelo Ministério Público, e ainda em fase de estudos?
Acho extremamente necessário, sou a favor da ascensão aos cargos públicos por concurso. Quando eu assumi a presidência, enxuguei a folha de pagamento e fiz mais de 200 demissões de comissionados. À época isso foi necessário, uma vez que havia sido aprovado o aumento de 12 para 19 vereadores, contudo, o orçamento era o mesmo. Pre­cisávamos fazer novos gabinetes e anexos, elevador para atender pessoas portadoras de necessidades especiais, além de adquirir veículos novos, etc. Com as demissões, nos enquadramos dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Entendo que é preciso fazer o certame, uma vez que o numero de servidores efetivos é muito pequeno. Espero que o novo presidente tenha essa sensibilidade e promova o concurso, dentro dos ditames da lei, com lisura acima de tudo, evitando suspensões e cancelamentos.

Dentro desse mesmo aspecto, qual seja, a preservação da lisura e da ética, e também na condição de major da PM, como o sr. vê as operações da Polícia Federal em relação aos crimes de corrupção, que, infelizmente, já se tornaram rotineiros no Estado do Tocantins?
Vejo de forma natural, é o cumprimento da lei. A bem da verdade, não era para ocorrer, se os políticos não cometessem atos de improbidade. Porém, como na maioria das vezes fica provado o desvio de conduta, o órgão repressivo fiscalizador é obrigado a agir. Mas a polícia foi criada exatamente para isso: onde houver possibilidade de crime, deve haver atuação, mesmo porque ninguém está acima da lei. Falo isso em relação a qualquer esfera de poder, federal, estadual ou municipal.

O que eu discordo é da exposição midiática desnecessária. Muitas vezes, um pai de família é apenas suspeito de um delito, mas após a operação policial em sua casa, já foi condenado. Não pela Justiça, mas pela sociedade. Isso é desumano e deixa marcas incuráveis para o resto da vida da pessoa. Deve haver um cuidado com isso.
Em todo caso, como acredito na polícia de uma forma geral, parabenizo as instituições Polícia Federal e Ministério Público, que comandam essas operações, porque se houver quaisquer dúvidas, a investigação tem que ser realizada.

Em relação a projetos importantes apresentados e votados na legislatura que se encerra, se destaca o “Palmas Solar”. Qual sua posição e como votou?
Trabalhei nas comissões para que esse projeto fosse aprovado. Sou adepto da energia limpa e sustentável. Temos um potencial incrível para produzirmos energia solar e devemos explorar essa riqueza. Ado­tamos os incentivos, como descontos, para aqueles contribuintes que aderirem ao “Palmas Solar”. Votei a favor, fui plenamente favorável, na certeza que a produção dessa energia sustentável produzirá emprego e renda para a nossa cidade.

Seu elo com a Polícia Militar e também com o distrito de Taquaruçu, como não poderia deixar de ser, é muito forte e determina os pilares da sua base eleitoral. Especi­ficamente naquele distrito há trabalhos sociais desenvolvidos que ajudam melhorar a vida daquela comunidade?
Eu resido em Taquaruçu há 26 anos. Cheguei lá trabalhando como soldado da PM e dormia dentro da delegacia em uma cela que estava, momentaneamente, desocupada. Eram tempos difíceis. Me casei por lá e também conclui o segundo grau naquela época. Posteriormente, ingressei na Ulbra para fazer o curso superior de Letras. Nunca me mudei do distrito e sempre mantive projetos sociais que atendessem aquela comunidade, como escolinhas de futebol, por exemplo.

Tive 774 votos em Taquaruçu na minha primeira eleição, em 2012, e isso pode ser considerado um grande feito, na medida em que o distrito possui pouco mais de 3 mil eleitores. Quase todos meus parentes, pais e irmãos, residem na região sul da cidade, Taquaralto e Jardins Aurenys. Isso contribui muito para haver expressiva votação junto àquela comunidade. Além disso, o fato de trabalhado por longos anos no Batalhão da PM e também no Comando Geral fez com que eu tivesse uma votação considerável junto à corporação.

Nesta última eleição, obtive mais 500 votos distribuídos entre Bu­ritirana e Taquaruçu, mas isso já era esperado, mesmo porque houve pessoas ligadas ao meu gabinete que também foram candidatos e isso dividiu um pouco os votos do eleitorado.

Em que pese ser relativamente pequeno, o distrito de Taquaruçu apresentou três candidatos fortes: Marilon Barbosa (PSB), Leo Barbosa (SD) e Major Negreiros (PSB). Os três foram eleitos. O sr. acha que isso demonstra a força política daquela região? Ou paradoxalmente esse fato dificultou sua eleição?
Realmente não foi fácil. Contudo, na intenção de eleger representantes da região, as famílias do distrito acabaram por dividir os votos. Cada membro dos clãs familiares acabou por votar em um dos três candidatos que representavam Taquaruçu. A população foi bem centrada nesse posicionamento e os votos apurados nas urnas de lá – na sua grande e absoluta maioria – foram para um dos três. Há bairros em Palmas que possuem mais de 10 mil pessoas, no entanto, não elegeram nenhum representante, em virtude dos votos serem pulverizados em vários candidatos.

Quanto à sua saída do PP e filiação ao PSB, como foi essa transição e por quais motivos ela se deu?
Ainda ativo na corporação militar, não estava filiado, por determinação legal, a nenhum partido político. Contudo, sempre admirei a ideologia pregada pelo PSB e cheguei a frequentar algumas reuniões. Quando decidi me candidatar pela primeira vez, por um consenso do grupo político ao qual eu pertencia, me filiei ao PP. Disputei as eleições e me tornei vereador por esse partido. Cheguei também a disputar uma eleição de deputado estadual por essa sigla partidária.

Com a saída do prefeito Amastha e do seu grupo do PP, eu o acompanhei. Fomos todos para o PSB, que já tinha em seus quadros o prefeito de Gurupi, Laurez Moreira, o Professor Alan Barbiero, o vereador Marilon Barbosa e o deputado estadual Ricardo Ayres. O partido nos recebeu de portas abertas, fomos todos bem-vindos. O prefeito de Palmas agora é o presidente estadual do partido e isso me deixa muito confiante que o crescimento será ainda maior.

Vejo, portanto, essa sigla partidária em franca evolução no Tocantins, mesmo porque é o partido que mais recebeu votos no último pleito. Fomos vencedores nas eleições majoritárias em dois dos três maiores colégios eleitorais, Palmas e Gurupi, além de Dianópolis.

Diante da sua tranquila reeleição, sem riscos, em nome do Jornal Opção desejo-lhe uma boa legislatura e que o sr. possa colocar em execução muitos dos seus projetos, beneficiando a população palmense.
Quero agradecer o veículo de comunicação pelo espaço, todavia, agradecer de coração os eleitores que acreditaram no projeto e no trabalho do Major Ne­greiros. Sempre direcionei meu trabalho para o social e desde o primeiro mandato, venho mantendo cursinhos preparatórios gratuitos para o Enem, vestibular e concursos, sempre na região sul. Tenho arcado com os custos dos professores com verbas próprias. Acredito piamente que a educação é a única ferramenta de transformação para as comunidades.

Sou autor do projeto de criação do Colégio Militar do Corpo de Bombeiros, que atende mais de 1.200 crianças. Estou agindo fortemente para a criação do Colégio da Guarda Metropolitana (CGM) que será direcionado para os filhos e familiares desses servidores. Os colégios militares são referências no país e no Estado do Tocantins.

Eu sei, porque passei por isso, das dificuldades que as pessoas menos abastadas têm para lograr êxito num vestibular e cursar uma faculdade. É complicado, na medida em que na maioria ampla das vezes os menos favorecidos estudaram em escolas medianas, que não oferecem o suporte necessário para esses desafios.

Agradeço todas as oportunidades e confiança recebida. Vou continuar trabalhando pela minha cidade, pelo meu povo e também pela instituição que é digna do meu respeito: a Polícia Militar do Tocantins. Afirmo com convicção: se por acaso hoje eu não fosse detentor de mandato político, não exerceria nenhuma outra atividade comercial ou empresarial, voltaria a ser a policial. Não tenho medo de desafios.

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