Palmas em 2024 deverá ter uma das eleições mais disputadas da sua história, pelo menos em número de candidatos. Há um ano do início do processo de definição dos nomes que vão disputar o pleito, a lista de pretensos candidatos não para de crescer. Já ultrapassa uma dezena e pode crescer ainda mais.

A prefeitura de Palmas é meio caminho para o Palácio Araguaia, daí a importância que a eleição da capital representa no cenário do Estado. O interesse pelo comando do Paço Municipal é uma tendência que se observa desde as últimas eleições. Em 2020, pelo menos 12 candidatos concorreram ao pleito, naquela que foi a eleição mais disputada da história e que tudo indica pode ser superada agora.

A lista de pretensos candidatos inclui nomes tradicionais como dos ex-prefeitos, Carlos Amastha (PSB), Raul Filho (MDB) e Eduardo Siqueira Campos (UB), e novos líderes como os deputados federais Ricardo Ayres (Republicanos), Vicentinho Alves (PP) e Felipe Martins (PL); os deputados estaduais Junior Geo (PSC) e Janad Valcari (PL), além de nomes conhecidos dos eleitores como os ex-deputados Marcelo Lelis (PV) e Paulo Mourão (PT), dentre outros, para ficar somente nos mais comentados no momento.

Para início de conversa, a disputa pode ser entre os que mais fizeram por Palmas. Eduardo Siqueira Campos, primeiro prefeito eleito de Palmas, em 1992 deixou uma marca importante na cidade. A construção do Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, com complexo cultural que inclui o Teatro Fernanda Montenegro, o Cine Cultura, Biblioteca Jaime Câmara, grande praça de eventos e escola de artes. Espaço que colocou Palmas no circuito nacional de cultura. Eduardo Siqueira ainda foi o responsável pelo início da urbanização da cidade com arborização, ajardinamento e plantio de flores.

Eduardo Siqueira, ao lançar seu nome para apreciação dos palmense, fez questão de esclarecer que a disputa não será entre quem mais fez, mas entre quem tem melhores projetos para Palmas.

Se a disputa for entre quem mais fez, será difícil para Eduardo. Raul Filho, que exerceu dois mandatos (2005-2013), transformou Palmas em referência na área da educação com a escola de tempo integral, projeto de educação de primeiro mundo. Raul deu início ao adensamento do centro de Palmas, preenchendo os espaços vazios que só serviam para atender os interesses da especulação imobiliária e adotou políticas inclusivas. Foi um grande tocador de obras, com destaque para casas populares e asfaltamento.

Carlos Amastha também fez história. Foi eleito em 2012 como um dos maiores fenômenos eleitorais do Estado e deixou uma boa impressão como gestor. A boa gestão lhe rendeu uma reeleição com uma votação expressiva – 52,38% dos votos contra 31,43%, justamente disputando com o ex-prefeito Raul Filho, que deixou o governo muito bem avaliado. Amastha aprofundou o trabalho de Raul na educação e melhorou sensivelmente as áreas da saúde, transporte e turismo.

Mas a disputa também pode ser entre os jovens líderes que saíram das urnas das eleições de 2022 com capital político para entrar na briga de pesos pesados. O deputado Professor Júnior Geo (PSC), na eleição passada, ficou em segundo lugar, perdendo para a prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB). Fez uma campanha leve, com base no apoio de voluntários e quase chegou lá. É um candidato propositivo, que agrada muito o eleitor consciente.

O deputado federal Felipe Martins (PL) e a deputado estadual Janad Valcari (PL) são dois nomes de peso da direita, especialmente do eleitorado evangélico. Apenas um deles deve ser candidato. Quem for escolhido tem grandes possibilidades de brigar para ir para o segundo turno. Ambos são ex-vereadores que saíram do plenário da Câmara de Palmas para voos mais altos. Janad, na última eleição mostrou que tem dinheiro e liderança para disputar o cargo de prefeita. Felipe Martins é filho do ex-deputado Amarildo Martins, um dos líderes evangélicos mais influentes do Estado.

O deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos) talvez seja o nome individualmente menos robusto nesta disputa. Pode ser temido não pelo seu prestígio, mas pela força do Palácio Araguaia na eleição de Palmas. Ayres poderá contar com o apoio do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), da senadora Professora Dorinha (UB), do vice-governador Laurez Moreira (PDT) e da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), o que representa muito, mas não é o bastante. Raul Filho e Carlos Amastha participaram de eleições em Palmas disputando contra tudo e contra todos e ganharam com folga.

É muito cedo para uma análise criteriosa. Além do mais, o advento do segundo turno, a grande novidade desta eleição, pode mudar completamente a lógica da disputa de agora em diante. Ou seja, até aqui foi de um jeito, daqui para frente pode ser outra forma completamente diferente. Como é sabido, a eleição decidida em dois turnos tende a valorizar mais todos os candidatos que participaram do pleito, independente da quantidade de votos que conseguiram aglutinar.

O segundo turno é outra eleição. Tudo pode acontecer. Sabendo disso, os dois candidatos que vão para o segundo turno tradicionalmente buscam nos outros candidatos o apoio necessário para vencer a eleição. Quem conta com mais apoio de candidatos do primeiro turno costuma vencer as eleições. O que se pode dizer é que todos estes nomes tem prestigio para disputar as eleições com alguma chance de vitória. Os que foram gestores têm o reconhecimento pelo que fizeram. Os que ainda não administram a cidade, podem conquistar a confiança do palmense pelo que podem fazer. É isso daí. A disputa pode ser entre quem mais fez, mas também entre quem mais pode fazer por Palmas. É esperar pra ver o que vai dar.