Palácio aceita entrega de cargos de comandantes da SSP e eleva o tom

Cargos são “prerrogativas exclusivas do governador”

Deputado Olyntho Neto | Foto: reprodução

Em resposta à entrega dos cargos pela cúpula da Secretaria da Segurança Pública, como forma de protesto à exoneração dos doze delegados regionais na sexta-feira (16/11), o governo do Tocantins elevou tom em nota pública divulgada na segunda-feira (19). O comunicado oficial afirmou que “troca de ocupantes de cargos em comissão, de livre nomeação e exoneração, é uma prerrogativa exclusiva do governador do Estado”.

“Sempre que houver a necessidade de substituição, será realizada dentro dos parâmetros constitucionais”, frisou a nota pública. O Palácio Araguaia voltou a insistir que as dispensas visam “o equilíbrio das contas públicas”, contudo, não explicou, especificamente, a relação dos cargos de delegado regional com os ajustes na máquina do Estado, não revelando se esses cargos, por exemplo, serão extintos, e como o Palácio pretende economizar com essas medidas.

Segundo a nota, os inquéritos policiais em curso “prosseguem com seus titulares, ocupantes de cargo efetivo, e os trabalhos terão sequência normal, sem qualquer prejuízo às investigações, não sendo admitida pelo Governo, nenhuma interferência externa”. Especificamente sobre os cargos entregues pela cúpula da SSP, o governo ressaltou que “serão ocupados por profissionais do setor, assegurando assim a sequência dos trabalhos iniciados e mantendo a normalidade dos serviços prestados aos cidadãos”.

Nomes da cúpula da SSP que entregaram os cargos:
Secretário: Fernando Ubaldo
Delegado Geral: Vinicius Mendes
Gerente de Operações: Wanderson Chaves
Diretora de Polícia da Capital: Antônia Ferreira
Diretor de Polícia do Interior: Marcio Giroto
Diretora de Inteligência: Luciana Midlegi
Diretor da Academia de Polícia: Marcelo Falcão

Toda essa polêmica se deu em razão da exoneração dos doze Delegados Regionais, entre os quais, Bruno Boaventura, responsável por instaurar dois inquéritos e operações policiais que respingam no ex-líder do governo na Assembleia Legislativa, Olyntho Neto (PSDB). O primeiro, a apreensão de R$ 500 mil com o irmão do parlamentar, em plena campanha eleitoral, dentro de um veículo locado pela Assembleia, à disposição do deputado.

Já o segundo, versa sobre investigações sobre acúmulo de lixo e resíduos hospitalares encontrados, sem a devida destinação, em um galpão de propriedade do deputado, onde está instalada uma empresa de propriedade do seu genitor, o advogado João Olinto, atualmente com prisão preventiva decretada.

Para o delegado Boaventura “Esta perseguição foi muito mais direcionada à Polícia Civil como um todo do que diretamente a mim. O governo sentiu uma PC forte, que estava independente e indo para cima de crimes que estão lesando o erário. Acho que entendeu que isso era perigoso”, disse. “Não sou eu o atingido destas exonerações, porque a partir de agora a organização administrativa da PC está abalada.

E isto traz reflexos depois nas investigações”, acrescentou o delegado. “Eu sei que a minha postura, como delegado regional, não estava agradando o governo. A partir do momento que viram que as nossas ações de investigação poderia de alguma forma desestruturar o governo, porque estava envolvendo o líder na Assembleia [Olyntho Neto], optaram por desestrutura a PC”, finalizou.

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