“Os pré-candidatos oposicionistas precisam se unir, sob pena morrerem abraçados”

O ex-senador Ataídes Oliveira, pré-candidato a prefeito de Palmas pelo PP, acredita que consegue aglutinar forças para seu projeto de chegar ao executivo municipal

O ex-senador pelo Tocantins, Ataídes Oliveira foi, por muitos anos, presidente estadual do PSDB. Há pouco tempo – em razão de disputas internas – deixou o partido para se filiar ao Progressistas, do qual se tornou presidente metropolitano. Comprometido com o combate à corrupção, foi protagonista no Senado neste particular e, também, no que diz respeito ao fim do foro privilegiado. Ataídes Oliveira foi candidato à reeleição em 2018, contudo, não obteve êxito, mesmo após obter mais de 170 mil votos. Em 2020, é pré-candidato a prefeito de Palmas adotando, como sempre, o discurso desenvolvimentista.  

Natural de Estrela do Norte (GO), Ataídes de Oliveira é formado em Contabilidade e Direito, se tornou empresário no ramo de consórcios e da construção civil, estendendo seus negócios por Goiás, Distrito Federal, Tocantins e Mato Grosso.

Sua migração do PSDB para o Progressistas surpreendeu muitos, visto que o Sr. era um figura icônica no ninho tucano. Em seu novo partido, os “caciques” que já estavam lá aceitaram, com tranquilidade, a sua vontade de ser candidato a prefeito de Palmas?

A política é a arte do convencimento, por isso tenho conversado com os parceiros de partido, especialmente a senadora Kátia Abreu, que comanda o Progressistas no Tocantins, e também com o senador Irajá, líder do PSD. Não conversei ainda com o ex-deputado federal Lazaro Botelho e nem com a deputada estadual Valderez Castelo Branco, contudo, devido a nossa admiração e respeito mútuo, creio que não enfrentarei problemas com esses líderes. Primeiramente, vou lutar por todas essas alianças internas, afim de, passo a passo, confluir forças em torno desse projeto político. 

O fato do Sr. ter conseguido ser alçado à presidência metropolitana do partido altera ou, pelo menos, fortalece suas pretensões?

Sem dúvidas que ter a sigla na mão propicia uma certa segurança e nos deixa mais confortáveis. Mas independente disso a senadora Kátia – presidente estadual – já me garantiu que teremos candidatura própria e que este candidato sou eu. Então, estamos agora pavimentando isso, visando as eleições 2020.

E no que concerne a essa dispersão dos oposicionistas, cada qual querendo vencer a luta sozinho? Qual a sua percepção?

As alianças internas que já disse, por si só, não bastam. Os pré-candidatos a prefeito oposicionistas precisam se aglutinar, caso contrário, ficará muito difícil que um de nós se eleja prefeito da capital. Se a oposição não se unir, fatalmente, todos perderão. 

Desse modo, tenho conversado com todos os grupos políticos, como os ex-prefeitos Amastha e Raul Filho, o vereador Tiago Andrino e o deputado estadual Junior Geo. 

É preciso miscigenar, esquecer antigas mágoas, conversar com todos os pré-candidatos, como por exemplo Marcelo Lelis, Alan Barbiero, Gil Barison, entre outros. 

O Sr. poderia se aprofundar mais nesse tema, expondo suas impressões…

Todos esses pré-candidatos tem o meu respeito. O Geo se filiou ao PROS quando eu ajudei a criar o partido no Tocantins em 2013. O Eli Borges, pela mesma razão, também se tornou um companheiro. Tenho falado por telefone com o ex-reitor Alan Barbiero, um bom moço e, também, tenho feito algumas reuniões com o empresário Gil Barison. O deputado federal Damaso também é uma figura que respeito muito. O Lelis, por sua vez, tem uma experiência ímpar na política. Não há dúvidas que temos sim, bons nomes para a disputa. 

Creio que precisamos fechar o grupo e fazer um tripé: primeiro, união dos partidos e pessoas (grupo forte); segundo, utilizar o tempo de TV de todos eles em nosso favor; terceiro, utilizar os recursos financeiros de todos os partidos integrantes, em nome da vitória desse projeto.

Em suma, penso que se não houver uma união entre todos esses oposicionistas, seremos todos derrotados. Essa senhora que atualmente ocupa o cargo de prefeita, com a caneta na mão, é especialista e tem habilidade na arte de enganar as pessoas. Por isso, temos que nos unir, caso contrário o povo estará a mercê dessa senhora por mais quatro anos. 

Especificamente sobre a gestão de sua ex-correligionária, Cinthia Ribeiro, quais são suas críticas?

Ela ganhou a prefeitura de presente, ganhou também a presidência do PSDB de presente, no entanto, faz mal uso daquilo que lhe chegou de graça. Já estou com vários números e relatórios da gestão dela, que demonstram a incapacidade. No momento certo, o farei. Precisamos resgatar essa capital, o desenvolvimento econômico e a geração de emprego, principalmente nessa pós-pandemia. Esse será nosso maior desafio. Baixar decretos e “prender” todo mundo em casa é fácil demais, porém, competência e responsabilidade para gerir a coisa pública, é para poucos. 

Como o Sr. viu a condução do enfrentamento à Covid-19 em Palmas? 

O problema do Brasil (Estados e Municípios) não se resume apenas à corrupção. A má gestão e a falta de competência também é um enorme problema. Para mim, não foi surpresa nenhuma a desastrosa forma como a prefeita de Palmas conduziu e enfrentou a pandemia. 

A cópia fiel das estratégias do governador de São Paulo, João Dória, foi um tiro no pé. Vivemos uma outra realidade, uma vez que São Paulo tem milhões de pessoas, enquanto Palmas apenas 300 mil. São situações diferentes, que não foram observadas. Também não foram feitas barreiras sanitárias no aeroporto e rodoviária, não foram investidos recursos na saúde, nem na compra de respiradores, nem tampouco na aquisição de testes rápidos. Foi lamentável fazer lockdown quando a doença não havia avançado e liberar tudo em pleno pico da pandemia. 

Palmas tem cerca de 30 mil micro e pequenas empresas. No pós-pandemia, 10 mil delas não reabrirão suas portas, causando desemprego e fome. A incompetência do poder público nesse caso, é latente. 

Como ex-congressista, o que o Sr. pensa da PEC que adiou as eleições de 2020?

Creio que foi acertado salutar. Todos nós vivemos ainda as incertezas da pandemia. Prorrogar por trinta dias é uma forma de dar um fôlego, aguardando que a ciência apresente o medicamento ideal ou a vacina para combater o vírus. Por isso, considerei como positivo. 

Por falar no tema, sou favorável – e já existe projeto tramitando nesse sentido – para que as eleições ocorram sempre no final de novembro ou começo de dezembro. É que os governantes que perdem as eleições costumam fazer um verdadeiro estrago financeiro nas gestões. Encurtando esse tempo – entre a eleição e a posse do eleito – poderíamos minimizar essas más condutas.

Finalizando, o que pode ser diferente na sua gestão e porque o Sr. quer ser prefeito de Palmas?

Eu tenho uma história, um elo com esse Estado e com essa cidade. Formei um grupo de empresas e, só no Tocantins, já assinei mais de 15 mil carteiras de trabalho. Eu amo tudo isso, tenho um compromisso com esse povo. Eu poderia morar em qualquer lugar, tenho posses e condições para isso, mas eu escolhi aqui para viver.

Eu vejo que não dá mais para ficar só reclamando dos maus políticos. É necessário descruzar os braços e ir para o sacrifício. Não é obstinação pelo poder, longe disso. Não quero dinheiro público, tenho princípios. Sou empresário há trinta e cinco anos, permaneci sete no senado federal e presidi três CPIs. Me sinto preparado, com coragem e competência suficiente para administrar essa cidade. É necessário ajudar os mais necessitados e isso não é “papo demagógico”, mas sim um sentimento verdadeiro de quem já vivenciou todos os tipos de mazelas desse povo. O dinheiro público deve servir para isso, melhorar a vida da população que paga impostos. 

O segundo ponto que me leva a querer governar essa cidade é que não dá para admitir que um município tão rico, cujas receitas são mais do que suficiente para boas práticas e ações, tenha um povo tão pobre. Precisamos atrair empresas e empreendimentos, gerar empregos para nossa gente, direcionar recursos para infraestrutura, saúde, educação e segurança. Essa prefeita não conseguiu investir sequer o mínimo constitucional nessas áreas. Enfim, precisamos fomentar os pequenos produtores rurais e agricultura familiar, criando políticas públicas para isso. É preciso investir – ainda mais – nas áreas sociais. Além disso, é possível também fazer com que a cidade cresça a partir da piscicultura, agropecuária, turismo de negócios, entre outros. É isso que me move, portanto, a ser prefeito dessa capital. 

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