Os namoros na janela (partidária)

Há partidos e políticos muito assediados, mas também há aqueles desinteressante demais para serem cortejados

Em época de janela eleitoral, a troca de partidos pelos políticos – algumas até inimagináveis – assemelha-se a um grande baile de gala, tão comuns há duas ou três décadas. As moças, com seus melhores vestidos e maquiagens, à espera de cavalheiros que lhes chamassem para dançar, flertar e conversar, nem que fosse de for­ma rápida, durante o enlace.

Em território tocantinense não é diferente: Os partidos adotam a mes­ma postura dos candidatos.

A deputada federal Josi Nunes, por exemplo, em razão da incompatibilidade de ideias com a cúpula nacional do MDB, flertou, dançou e já marcou o casamento com o Pros na próxima terça-feira, 27, em Brasília. Em contrapartida, o de­putado estadual Eli Borges, pre­­sidente regional da sigla, já ma­ni­festou seu interesse em se desligar e abdicar do cargo, contudo, não é possível afirmar que isso te­nha relação com a chegada da ex-eme­debista. Borges, atualmente, conversa com o SD e também com o Rede.

Por falar no partido de Marlon Reis, pré-candidato ao governo do Tocantins, a sigla filiou no último dia 19, em Brasília, a ex-prefeita de Palmas e ex-deputada fe­de­ral Nilmar Ruiz, afastada da po­lí­tica há alguns anos. A ficha de filiação foi abonada pela presidenciável Marina Silva (AC).

Se o abono de presidenciável va­­le alguma coisa, o tucano Geral­do Alckmin (SP) assinou a ficha de filiação do deputado estadual Osi­­res Damaso, ex-presidente da As­sembleia Legislativa e exatamente em razão da desfiliação, tornou-se ex-presidente estadual do PSC. Entretanto, o PSDB, co­man­dado no Tocantins pelo senador Ataídes Oliveira, quer mais, mui­to mais. Ele “flerta” com a de­putada estadual Luana Ribeiro, que já disse que não fica no PDT, cer­tamente pela iminente chegada da senadora Kátia Abreu, cuja fi­li­a­ção ocorrerá em Palmas, na se­gun­da-feira, dia 2 de abril, com a chan­cela e presença do presidenciável Ciro Gomes.

Pois bem, o certo é que Ataí­des ofereceu, inclusive, “dotes” pa­­ra firmar o compromisso matrimonial, ressaltando que caso Lua­na vá para o partido, colocará vá­ri­os prefeitos à disposição dela, ou seja, muitos líderes vão pedir vo­tos visando a reeleição da parlamentar. Cá entre nós: para quem con­ta, no momento, apenas com o prefeito da cidade de Pedro Afon­so, a proposta é tentadora…

Talvez por sua história e genética política (filha do senador João Ri­beiro), Luana tem o “passe” va­lo­rizado e também é disputada pe­­lo presidente estadual do PR, se­­nador Vicentinho Alves. Mas es­sa hipótese é um tanto quanto im­provável: Luana já saiu do PR em 2016, justamente em razão de dis­putas internas, e seus adversários ainda permanecem por lá, en­tre os quais o prefeito Ronaldo Di­­mas.

Já o PV, presidido pela vice-go­­vernadora Claudia Lelis, filiou no dia 16, o titular da Secretaria Es­­­tadual da Administração, Ge­fer­son Barros, como também, o ar­­quiteto responsável por planejar Pal­­mas, ainda em 1989, Walfredo An­­tunes. O secretário deve disputar espaço na Assembleia Le­gis­la­ti­va ao lado da própria presidente es­tadual da legenda e, Antunes, o car­go de senador.

Na mesma linha de coligações e articulações políticas, o ex-go­ver­nador Siqueira Campos e seu filho, Eduardo, ambos filiados ao DEM, já declararam apoio irrestrito ao prefeito de Araguaína e pré-candidato ao governo do Es­tado do Tocantins. “Até o dia 7 de abril deste ano, eu tenho com­promisso com prefeito Ro­nal­do Di­mas (PR). Se ele for can­didato, es­ta­rei ao lado dele; se ele não for can­didato, eu volto a analisar o qua­­dro e está tudo em aberto. Mas, com o prefeito Ronaldo Di­mas, eu dei a minha palavra juntamente com o meu pai”, afirmou Edu­ardo.

Os bastidores indicam que o DEM também tem feito acertos para conseguir arregimentar filiações de peso, mesmo porque a de­­putada federal Professora Do­ri­nha goza de muito prestígio jun­to aos prefeitos tocantinenses, em razão de sua atuação parlamentar. A sigla promete se fortalecer até o fim da janela de transferências.

Enfim, quase todo mundo tem na­morada(o), quase todo mun­do flerta, quase todo mundo con­trai matrimônio. Menos o PSB tocantinense, que não conversa com nin­guém, ou pelo me­nos não se tem notícia da troca de alianças com aspirantes importantes. O Po­demos é praticamente seu úni­co aliado, mas a história des­sa ali­ança e em quais circunstâncias ela se deu, talvez assuste o lei­tor mais desavisado.

É melhor voltar à história do bai­le para, metaforicamente, em­pres­tar ao PSB do Tocantins a ima­­gem da moça que outrora era lin­da, mas virou uma “titia” de­sin­teressante. É praticamente im­pos­sível para ela flertar com quem quer que seja, pois seu pai é um imi­grante ranzinza, que abusa do po­der econômico, além de fa­las­trão, agressivo e arrogante, ca­rac­terísticas que acabam por “es­pan­tar” todos os possíveis pretendentes .

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