“O PP e Marcelo Miranda querem o desenvolvimento do Tocantins”

Deputado federal diz que empréstimo, ainda travado na Assembleia Legislativa, será aplicado em obras para benefício dos tocantinenses

Deputado Lázaro Botelho | Foto: Billy Boss/ Câmara dos Deputados

Conhecido por sua ação efetiva pela causa ruralista e pelo municipalismo, o deputado federal lembra que o agronegócio faz a diferença na economia nacional. Nessa entrevista exclusiva ao Jornal Opção (concedida desde a Câmara dos Deputados via WhatsApp) ele discorre sobre outros assuntos e fala de sua passagem na condição de secretário municipal de Araguaína, e ainda sua ligação e apoio ao governador Marcelo Miranda (PMDB).

Lázaro Botelho Martins é maranhense da cidade de Loreto. Empresário e pecuarista, está radicado no Tocantins há muitos anos, antes mesmo da criação do Estado. Depois de exercer o cargo de secretário municipal da Prefeitura de Araguaína, nas gestões capitaneadas por sua mulher, hoje deputada estadual Valderez Castelo Branco, elegeu-se deputado federal, pelo PP, em 2006, em 2010 e novamente em 2014, para a legislatura de 2015 a 2018.

O sr. está filiado ao PP há mais de uma década, tendo exercido vários cargos, como presidente do diretório municipal de Araguaína, presidente estadual e, ainda, vice-presidente nacional entre 2013/2015. Como avalia e como está estruturado o partido hoje, no Tocantins?

O nosso partido está presente por meio de diretórios e comissões provisórias em praticamente todos os municípios e com filiados em todas as cidades do Estado. Somos o segundo maior partido do Tocantins em número de filiados e nossa história se confunde com a história do próprio Estado, onde estivemos presentes na luta pela sua criação. É inegável a nossa força e o crescimento constante do movimento progressista.

O sr. sempre esteve engajado em defender os agropecuaristas brasileiros, uma vez que compôs e ainda compõe a Comissão da Agricultura, Pecuária e Abaste­cimento na Câmara Federal. Quais os avanços nesta área que o sr. julga pertinentes e relevantes nas suas legislaturas?

Tive a honra de presidir a Comissão de Agricultura em 2016, período em que ocorreram diversas discussões e debates nacionais, como todos sabemos. Conseguimos aprovar e analisar matérias importantes, promover diversas audiências públicas e realizar um trabalho propositivo. Por essa experiência, e também por ser membro da Frente Parlamentar da Agropecuária, tenho absoluta certeza que a contribuição do setor para a balança comercial brasileira tem, por sucessivos anos, superado a de todos os demais segmentos da economia.

Avançamos muito e essas conquistas foram possíveis graças ao intenso processo de modernização da agricultura, da aproximação dos produtores rurais do processo político e de lideranças políticas comprometidas com o setor do agronegócio. Como agricultor e pecuarista, represento o Tocantins aqui na Câmara, um Estado que a cada ano aumenta sua participação na produção agrícola nacional. Possuímos milhares de hectares cultivados com soja, milho, frutas, entre outras culturas. Possuímos também uma importante participação na produção de proteína animal, especialmente a carne bovina, que exportamos para diversos países.

Este ano a safra brasileira deve registrar um recorde de 238 milhões de toneladas. Também é importante destacar que, após um longo período em queda, o PIB do Brasil voltou a crescer e disparou 13,4% no primeiro trimes­tre de 2017. O agronegócio é o carro-chefe dessa recuperação. Na úl­tima década e até o presente mo­mento, estive presente em to­dos os processos de avaliação, aná­li­se de projetos e discussões que envolveram e envolvem o agro­negócio. Como representante da classe, tenho orgulho de ter contribuído e por ainda contribuir para que, a cada ano, o setor continue sendo o pilar da nossa economia.

Como membro da Frente Parlamentar Agropecuária certamente lhe preocupa o boicote dos EUA à carne brasileira, após denúncias oriundas da operação Carne Fraca, comandada pela Polícia Federal. Considerando que Araguaína é conhecida como “capital do boi”, onde há, por consequência, muitos frigoríficos, qual o seu posicionamento acerca dos possíveis prejuízos e desempregos que esse acontecimento poderá gerar naquela região? Como isso poderia ser amenizado?

A transparência com a qual o nosso amigo e colega de partido, ministro Blairo Maggi, vem tratando essa crise é primordial em todo o processo. Sabemos que o Ministério da Agricultura já tomou as providências necessárias, afastando os investigados e fortalecendo a fiscalização. Mostrei durante diversas reuniões a minha preocupação com a situação do Tocantins, grande produtor de carne, e principalmente de Araguaína. É importante destacar que a carne brasileira é da mais alta qualidade e não podemos ser ingênuos em não perceber que o que também está por trás de muitas das medidas restritivas adotadas por alguns países, é uma grande guerra comercial em um mercado que movimenta bilhões de dólares.

Felizmente, a situação crítica foi momentânea e questões como essa dos EUA são pontuais. A situação da nossa pecuária, com todos os esforços que estamos fazendo, tende a melhorar a cada dia.

O sr. tem se postado como um deputado municipalista, sendo membro, inclusive, da comissão permanente que trata do tema. Como viu a derrubada do veto presidencial no caso da distribuição do ISS, favorecendo os municípios?

Nós do Partido Progressista defendemos sobre­maneira os nossos mu­nicípios, principalmente pela dificuldade en­frentada pelos gestores neste momento. Não poderíamos deixar que essa situação se agravasse. Portanto, propomos um acordo com o governo para a derrubada do veto. Da minha parte, busquei atender uma reivindicação dos prefeitos tocantinenses, uma vez que sei a realidade de muitos.

Estou feliz por ter contribuído com essa arrecadação nacional de mais de R$ 6 bilhões, recurso que vai ajudar de forma significativa as pre­feituras do Tocantins e de todo o País. Eu também defendo que seja feito um novo pacto federativo, com uma redistribuição de deveres e de receitas entre União, Estados e municípios. Eu defendo que os municípios brasileiros devem ter recursos suficientes para garantir a saúde, educação, infraestrutura entre outras necessidades básicas da população. É errado o prefeito ficar recorrendo ao governo federal para realizar obras tão básicas em seus municípios.

No que concerne à construção do Hospital Infantil de Araguaína, foram aportados recursos na ordem de R$ 16 milhões, fruto de emendas de bancada. Desse montante, R$ 1 milhão é oriundo de emenda individual do seu gabinete. Qual a previsão para aplicação desses investimentos?

O direcionamento da emenda de bancada já foi aprovado e a emenda individual também. A previsão é de que este ano já seja liberado e de que em três ou quatro anos o hospital esteja atendendo as nossas famílias de Araguaína e região.

Em relação a outras emendas destinadas às cidades do norte do Tocantins, quais foram as destinações mais significativas?

Cada emenda recebida pelos nossos municípios é significativa. Tenho muito orgulho de ser reconhecido por muitos como um deputado “campeão de emendas” por esse trabalho. Cada município tem uma realidade e uma necessidade que merece a nossa atenção. Os investimentos na saúde são sempre uma prioridade. Mas também temos ajudado nossos municípios a realizar obras de pavimentação e recuperação de vias urbanas e rurais, pois é preciso investir na aquisição de patrulhas mecanizadas, má­quinas agrícolas, entre outros.

Sua mulher, também filiada ao PP, é deputada estadual e líder do governo na Assembleia Legislativa. Como é esta relação partidária com o governador Marcelo Miranda?

Nosso partido apoia o governo Marcelo Miranda na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados, por entendemos tratar-se de um governo que tem objetivos semelhantes aos nossos: promover o desenvolvimento econômico, amparar a população carente e rea­li­zar uma gestão aberta ao diálogo com todos os setores da sociedade.

Marcelo assumiu o governo em um dos momentos mais difíceis da história do nosso país e isso tem gerado graves crises econômicas nos Estados e municípios. Diante de um cenário tão adverso, quando comparamos o Tocantins com os demais Estados, vemos que nossa situação está distante da vivida por outros que estão mergulhados no caos. O governador foi eleito para governar por 48 meses, e temos a convicção que até o final dessa gestão teremos muitas obras e realizações para apresentar.

Mostrei durante diversas reuniões a minha preocupação com a situação do Tocantins, grande produtor de carne, e principalmente de Araguaína. mas é importante destacar que a carne brasileira é da mais alta qualidade” | Foto: Marcello Dantas

Qual a sua percepção acerca do entrave, encontrado pelo governo e também pela líder do Palácio Araguaia na Assembleia, acerca do empréstimo de R$ 600 milhões, que visa estimular o crescimento do Estado, através de obras infraestruturais?

Os bancos já informaram que o Estado tem capacidade de endividamento e pagamento. Res­peitamos o posicionamento e as prerrogativas dos deputados estaduais, que estão analisando a proposta. No entanto, defendo veementemente esse empréstimo. As obras que serão realizadas com esses recursos nos municípios necessitarão de mão de obra, o que acarretará a geração de milhares de empregos diretos e indiretos. O povo estará trabalhando e o comércio de várias regiões ficará aquecido. Serão milhares de tocantinenses recebendo e gastando no próprio Estado, fortalecendo a economia e aumentando a própria arrecadação do governo.

Inobstante a isso, devemos considerar ainda os benefícios direcionados a unidades habitacionais, hospitais, pavimentações, prédios da Unitins, material para Segurança Pública e para a Polícia Militar, entre outros, que certamente vão melhorar a vida dos tocantinenses.

Acredito que essa questão está acima das disputas entre governo e oposição e deve ser tratada com um olhar focado no progresso do nosso Estado, como também nas necessidades da nossa gente e dos nossos municípios.

Enquanto sua mulher, Valderez Castelo Branco, foi prefeita de Araguaína, o sr. exerceu cargos de secretário da Fazenda no primeiro mandato e secretário de Governo, no segundo. Como foi essa experiência nos cargos mais relevantes do primeiro escalão daquela cidade? Quais foram os legados daquela administração?

Tenho muito orgulho em ter feito parte da equipe da prefeita Valderez. Nosso trabalho transformou a cidade e é visto, até hoje, como um marco na história de Araguaína. Foram oito anos de muitas realizações nas mais diferentes áreas, conquistando o reconhecimento das mais diversas autoridades e instituições nacionais e internacionais, assim como o da nossa população, que decidiu em 2004 conceder-nos mais quatro anos para continuarmos o nosso trabalho.

Eu colaboro com o desenvolvimento da minha cidade desde a década de 70, quando che­guei a Araguaína. Constitui fa­­mília, colecionei amigos e sem­pre trabalhei pelo desenvolvimento econômico e social da cidade. Através da maçonaria, desenvolvemos importantes projetos sociais, como o programa de construção de casas populares e o de distribuição diária de leite e pão para famílias de baixa renda.

Todavia, na prefeitura pudemos fazer ainda mais e não há maior realização do que saber que o seu trabalho ajudou pessoas carentes e contribuiu com o desenvolvimento da sua cidade. Eram quase 13 mil litros de leite e pães entregues diariamente para as famílias carentes. Na educação houve a construção de diversas escolas, qualificação de professores e criação do PCCS, valorização dos servidores municipais, do esporte, da cultura, do meio ambiente, sem falar na saúde, que também sempre foi prioridade. Tanto que o município ganhou prêmios nacionais como o Brasil Sorridente, Bibi Vogel, Davi Capistrano e muitos outros. Hoje não há como falar da construção de Ara­guaína, a capital eco­nômica do Tocantins, sem falar em Valderez.

Levando-se em consideração a sua popularidade, como também da sua esposa, já que foi prefeita da cidade de Araguaína por dois mandatos, além de se eleger deputada estadual representante daquela região, quais são os fatores que o sr. considera como preponderantes para que ela não fosse eleita prefeita em 2016?

Diversos fatores podem explicar o resultado de uma eleição. Fizemos uma campanha limpa, corpo a corpo, mas com poucos recursos financeiros, em um momento em que o nosso país passa por uma forte turbulência política, e isso certamente influenciou o resultado. Mais de 24 mil eleitores de Araguaína acreditaram no nosso projeto, mas isso não foi suficiente para alcançarmos a vitória.

Mas quando analisamos os números das eleições de 2016 em Araguaína, vemos que mesmo o vencedor daquele pleito não conseguiu a aprovação de parcela significativa da nossa população. Veja só: dos 102.878 eleitores aptos, 32.522 votaram no atual prefeito, o que representa 31,6% do eleitorado. Ou seja, mais de dois terços dos eleitores desejavam mudança.

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