O futuro nas mãos dos eleitores

Os senadores Vicentinho Alves e Kátia Abreu, com Carlos Amastha perto, chegam com mais força na reta final da campanha, que terá a disputa de 1º turno neste domingo, 3

Vicentinho Alves e Kátia Abreu: campanhas mais estruturadas lhes deram vantagem na opinião do eleitorado tocantinense | Fotos: Edilson Rodrigues e Waldemir Barreto/Agência Senado

Chegou o grande dia para os tocantinenses. Será eleito neste domingo, 3 – caso não haja segundo turno –, o governador que terminará o mandato interrompido de Marcelo Miranda (MDB), cassado no mês de abril. O escolhido comandará os destinos do Tocantins até 31 de dezembro. Dentre as sete candidaturas registradas, quatro delas são altamente competitivas. As outras três apenas marcam território, quer seja político, quer seja ideológico.

Após uma série infindável de recursos judiciais junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), todas as candidaturas foram homologadas pela Corte Eleitoral, após proposta do ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto, que votou pelo cumprimento do princípio da excepcionalidade, flexibilizando prazos de filiação partidária, domicílio eleitoral e desincompatibilização de cargos. Nada mais justo. Era mesmo insano exigir o cumprimento de regras previstas para eleições ordinárias, num pleito totalmente inesperado e extemporâneo. O Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) poderia ter evitado tais batalhas judiciais, caso houvesse se posicionado quando deflagrou o processo eleitoral suplementar, contudo, não o fez. Paciência. Que sirva de lição.

Voltando ao sufrágio deste domingo, em primeiro lugar é necessário destacar a importância dos eleitores comparecerem às urnas. Lutamos por décadas e décadas por tal direito, e não é nada justo com o processo democrático renunciar a esta conquista. Ressalta-se que se houver maioria de votos nulos ou brancos, esse fator não anula a eleição; caso haja um número absurdo de abstenções, esse acontecimento também não tem o condão de provocar outra eleição. Resumindo: quem for às urnas neste domingo estará decidindo não apenas o seu próprio destino, mas também de todos aqueles que se abstiveram ou anularam seu voto. É necessário, portanto, demonstrar civismo, compromisso com a democracia e votar com convicção, mesmo que seja por protesto, em um dos candidatos nanicos.

Dentre as opções disponíveis, por ordem alfabética, Carlos Amastha (PSB), Kátia Abreu (PDT), Marcos Souza (PRTB), Mario Lúcio Avelar (PSol), Márlon Reis (Rede), Mauro Carlesse (PHS) e Vicentinho Alves (PR). Uma disputa com palanques pesados, afinal de contas, são dois senadores, um governador em exercício e um ex-prefeito da maior e mais importante cidade do Tocantins, Palmas. “Briga de cachorro grande”, como diria um antigo adágio popular.

Pesquisas indicam que a eleição deve se polarizar entre os dois senadores, Kátia Abreu e Vicentinho Alves. Mas as pesquisas nem sempre refletem a realidade. Já foram, inclusive, alvo de chacotas em eleições passadas, após as urnas serem abertas. Longe de afirmar que isso ocorreu nesta eleição – mesmo porque não há quaisquer provas ou base científica para isso – muitas dessas coletas de dados são manipuladas, ora pelos próprios candidatos, ora pelas instituições que as encomendaram, visando interesses muito mais do que sórdidos.

O certo é que as campanhas que “fazem mais barulho” são as dos dois senadores. Grandes carreatas – mesmo em tempo de greve de caminhoneiros – comícios, além de reuniões domésticas com grande quantidade de eleitores, marcam a campanha de ambos. É difícil definir quem está na frente. Seria mais prudente acreditar num empate técnico.

Mauro Carlesse e Carlos Amastha, em que pese estarem bem cotados em virtude de algumas peculiaridades, correm à margem da disputa. E essa conclusão não se dá apenas pelas estatísticas reveladas pelas pesquisas, mas também pelo modesto fervor público das referidas candidaturas no interior do Tocantins.

Carlesse – um ilustre desconhecido do grande público, mesmo após se tornar presidente da Assembleia Legislativa – mostrou a que veio após assumir interinamente o governo do Estado. Concedeu benesses a servidores públicos, reorganizou pagamentos, restabeleceu metas e, mesmo a duras penas, deu uma nova cara à máquina administrativa estadual. Isso foi primordial para que se posicionasse entre os favoritos, pelo menos, para ir ao segundo turno.

Já Amastha deu uma balançada após o trágico acidente automobilístico que culminou com o falecimento de seu coordenador de campanha, o ex-deputado federal Junior Coimbra. Após alguns dias, sofreu outro baque ao ver sua candidatura impugnada junto ao TRE, o que lhe causou certa insegurança jurídica. Porém, ele não se fez de rogado: fingiu que nada disso o abalou (sabemos que não é verdade) e seguiu firme na sua peregrinação em busca dos votos. Amastha, a bem da verdade, aprendeu a ser político e em suas andanças pelo interior, quem não o conhece nem sequer imagina que ele tem enfrentado dilemas e mais dilemas para tocar em frente o seu propósito de ser governador.

De resto, o candidato Márlon Reis, que viu seus porcentuais crescerem rapidamente de 1% para 6% ou 7%, mas não conseguiu avançar. Primeiro porque também é um ilustre desconhecido, cativa um voto eminentemente ideológico e, segundo, porque abusa do discurso feito o “samba de uma nota só”: a criação da ficha limpa. É muito pouco para quem quer ser governador de um Estado.

Por fim, Mário Lúcio Avelar, um excelente nome e com longa lista de serviços prestados à população, mas que demorou demais para começar a campanha e também esbarrou na bolha do voto ideológico. Ele escolheu o PSol para disputar esta eleição e, não restam quaisquer dúvidas que este partido não atrai a grande maioria do eleitorado brasileiro nem tampouco do Tocantins, na sua grande maioria pobre, desinformada e avessa à drásticas mudanças. Há sim, uma grande rejeição à plataforma partidária do PSol, ora ortodoxa em demasia, ora liberal ao extremo.

Quanto ao candidato Marcos Souza, que muitas vezes sequer gravou o programa eleitoral televisivo ou radiofônico – mesmo tendo recebido verbas do fundo partidário para isso – enveredou-se no que pode ser classificado como uma “aventura eleitoral” daquelas possíveis apenas em países democráticos como o Brasil. Talvez, seu objetivo é tornar-se conhecido para depois disputar um cargo na Câmara de Vereadores ou na Assembleia.

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