“Num governo planejado para 4 anos, não há que se falar em mudanças radicais pelo governador interino”

Vice-governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa assume o governo por 15 dias devido ao pedido de licença do titular, Mauro Carlesse

Wanderlei Barbosa, vice-governador do Tocantins | Foto: Elisângela Silva

Wanderlei Barbosa é pioneiro no Tocantins e em Palmas, onde exerce cargos eletivos há quase 30 anos. Já exerceu o cargo de vereador em Porto Nacional e, também, o de subprefeito do distrito de Taquaruçu. Foi eleito vereador por cinco mandatos na capital, Palmas, após sua criação, tendo exercido o cargo de presidente da Câmara por dois biênios. Posteriormente, foi eleito deputado estadual em 2010 e reeleito em 2014. Em 2018, foi eleito vice-governador do Estado do Tocantins, nas eleições suplementares de junho, como também no pleito ordinário de outubro.

Na condição de vice-governador e em razão de pedido de licença do titular, o sr. estará no exercício do governo do Estado do Tocantins por aproximadamente 15 dias. Qual é a sua expectativa para mais esse desafio?
A população sempre espera dos personagens que elegeu, que eles correspondam quando estiverem no exercício do poder. Nós dividimos responsabilidades, portanto, não há que se falar em mudanças radicais, visto que, num governo que foi criteriosamente planejado para quatro anos, não cabem alterações bruscas. Neste caso, durante os 15 dias, meu intento é acrescentar minha disposição ao governo. Temos 80% da nossa equipe de governo formada por técnicos capacitados. São especialistas que ocupam as pastas, como o Toline na Secretaria da Saúde; o Sampaio na Segurança e, na Indústria e Comércio, o Chiareloto. Portanto, há um planejamento das ações e minha função e zelar para nada saia do rumo neste período.

A cidade de Porto Nacional é sua raiz política e, recentemente, houve uma celeuma acerca da ponte sobre o Rio Tocantins, uma vez que o Governo do Tocantins a interditou para reparos, obrigando os motoristas a fazer a travessia por balsa. Evidentemente, esse fato trouxe prejuízos econômicos à cidade, o que gerou várias críticas. Qual é o seu posicionamento acerca do tema?
Para o governo, o mais importante e vital foi a segurança da população. Foi realizada uma sondagem, tanto na estrutura da ponte, quanto na parte superior e restou provado que ela representava um risco. Por isso, optou-se pela interdição.

Efetuamos alguns reparos urgentes, de modo a viabilizar a passagem de automóveis e motocicletas, contudo, os técnicos não recomendam a utilização por ônibus e caminhões. Por esta razão, optou-se pela racionalização e esses veículos continuam fazendo a travessia por intermédio das balsas. Foi a providência mais sensata, que evitou mortes e acidentes mais graves.  

Nossa missão agora é angariar os recursos para a construção de uma nova ponte, pois temos consciência que a travessia dos caminhões por balsas, traz prejuízos para o setor produtivo. Portanto, essa obra é prioritária. A bancada federal está empenhada na obtenção desses recursos, como também a Assembleia Legislativa. O presidente do parlamento estadual, deputado Antonio Andrade, que é de Porto Nacional, está junto e firme no propósito de ajudar/aprovar empréstimos para que o governo do Estado construa uma nova ponte, que é estratégica para a consolidação do desenvolvimento da margem direita do Rio Tocantins.

“O Hospital Geral de Palmas, um centro de referência, está trabalhando no limite” | Foto: Elisângela Silva

Por consequência, a interdição da ponte de Porto Nacional obriga os caminhões a passarem por dentro da cidade de Palmas para chegarem ao pátio multimodal da ferrovia norte-sul. Entretanto, o anel viário – obra a cargo do governo estadual – não está concluído, o que traz transtornos para o tráfego da capital. Qual é o estágio dessas obras?
A Avenida NS-15 é fundamental para o escoamento da produção para a BR-153, como também para a ferrovia, porque desvia o tráfego do centro de Palmas. Porém, infelizmente, esta obra do anel viário (Av. NS-15) foi paralisada pela justiça no governo anterior. Havia suspeita de desvios e superfaturamento e, por isso, foi embargada. Isso, naturalmente, trouxe prejuízos não apenas ao governo, mas também ao setor produtivo e à própria população.

Após um período, as obras foram retomadas, foram feitas pontes e pavimentação asfáltica ligando a região norte à UFT e Avenida JK, mas ainda há muito para ser feito entre a Avenida Teotônio Segurado e a TO-050. Estamos trabalhando incessantemente porque essa via de escoamento é prioritária para nossa região. Nesses 15 dias que ficarei à frente do governo, será uma das minhas agendas a visita a essa obra, juntamente com o Secretário de Infraestrutura.

Um dos gargalos do governo do Tocantins, não só agora, como em gestões anteriores, é a saúde pública. Quais são as saídas para solucionar essa questão?
Especificamente no que concerne ao Hospital Geral de Palmas, um centro de referência, não apenas para o Tocantins, como também para o Maranhão, Piauí, Pará e Mato Grosso, estamos trabalhando no limite. Os pacientes SUS, de qualquer localidade, chegam a este hospital e devem ser atendidos, independente da cidade ou o seu Estado de origem. É claro que, por esta razão, muitas vezes o nosso planejamento é desfeito, uma vez que a unidade hospitalar estava preparada para atender a população do Tocantins.

“A gestão de Palmas deixa a desejar quando não se preocupa em construir um hospital para atender pequenos procedimentos ou mesmo uma maternidade municipal”

Contudo, há que se ressaltar que a gestão da cidade de Palmas deixa a desejar quando não se preocupa em construir um hospital para atender pequenos procedimentos ou mesmo uma maternidade municipal. Especificamente na capital, tudo isso está a cargo do Estado e isso é uma responsabilidade muito grande. Precisamos que as cidades maiores, como Palmas, Araguaína e Gurupi, que possuem orçamento diferenciado, atendam as suas populações no que concerne a atendimentos básicos, evitando a transferência – desnecessária – desses pacientes ao HGP. 

Essa parceria tem que ser pensada, de forma urgente. Os deputados federais e estaduais estão dispostos a ajudar essas cidades na obtenção dos recursos junto aos Ministérios, mas antes de tudo, os prefeitos tem que querer também.

“Temos regiões com potencial turístico inquestionável, que necessitam que o poder público esteja mais próximo” | Foto: Elisângela Silva

O Governo do Estado do Tocantins viabilizou, em parceria com a empresa aérea Azul, um voo ligando Palmas ao nordeste do país, sem escalas. Essa iniciativa abre novas perspectivas, mas o que ainda falta para que o turismo no Tocantins se consolide de vez?
Temos regiões com potencial turístico inquestionável, que necessitam que o poder público esteja mais próximo. Na região do Jalapão, por exemplo, não há placas na estrada que indicam os atrativos turísticos e isso é algo que precisa ser corrigido. O Tom Lyra, presidente da Agência de Turismo, tem uma inigualável capacidade para assimilar essa força turística do nosso Estado. Tenho certeza que ele está mapeando todos esses gargalos, e conta com o apoio do governo para fazer as correções e ajustes. O turista de aventura, se bem recebido, vai repetir o passeio a cada ano. Esse retorno do visitante às cachoeiras, dunas e fervedouros é que vai ajudar a fomentar a economia do Tocantins.

Estamos elaborando estudos, entre os quais o de impacto ambiental, para facilitar o acesso à região do Jalapão, visando operacionalizar a pavimentação asfáltica. Não apenas para que os turistas sejam beneficiados, mas também – e principalmente – a população que reside naquela região: Lizarda, Mateiros, São Félix, entre outras cidades.

É necessário ressaltar o leste do Tocantins (divisa com a Bahia) é uma região produtora de grãos. Assim sendo, essa condição de mobilidade é essencial, uma vez que beneficia o setor produtivo, as comunidades que habitam a região, como também, o turismo de aventura e contemplação.

E no que concerne a outras regiões turísticas?
Sem dúvidas, há uma enormidade delas. As praias nos rios Tocantins e Araguaia, o Cantão, a Ilha do Bananal, os Azuis, a Lagoa do Japonês em Pindorama, como também, a bela e aconchegante Taquaruçu com suas cachoeiras, belezas naturais, clima ameno, entre outros atrativos. Tudo isso vem sendo monitorado de perto pelo Governo do Estado do Tocantins, pois sabemos das pontencialidades, mas é necessário explorar com consciência.

E quanto ao turismo ecológico e de negócios em Palmas? O lago não vem sendo mal explorado?
Talvez esteja, contudo, já estamos discutindo a melhor utilização do nosso belo lago. Há um potencial turístico enorme, quer seja através dos esportes aquáticos, quer seja pela pesca esportiva. A utilização de flutuantes e as condições das praias também fazem parte das nossas preocupações e atividades.

Inobstante a isso, temos aliados como a prefeita de Brejinho de Nazaré, Miyuky Hyashida, uma estudiosa das potencialidades econômicas do nosso lago. Há projetos para a implantação de tanques-redes, visando a criação de tilápias em cativeiro, o que pode, sem dúvidas, fomentar a nossa economia, gerando mais emprego e renda para nossa população.

Trinta anos após a criação de Palmas – capital que sua família ajudou a fundar – três legítimos representantes do clã exercem cargos de destaque: o sr. na condição de vice-governador, seu filho como deputado estadual e seu irmão no exercício da presidência da Câmara de vereadores de Palmas. Qual sua avaliação acerca desse momento?
Na minha visão, é um momento de trabalho. Temos que devolver e reconhecer a confiança que o povo nos concedeu para fazer por eles, pela sociedade tocantinense como um todo. Acreditei no projeto do Carlesse, uma pessoa diferente dos demais que exerceu o cargo de governador. Enquanto ele foi presidente da Assembleia, as respostas foram positivas. Enquanto governador, do mesmo modo. Portanto, considero que tanto o meu trabalho, quanto do meu filho e do meu irmão, é um “trabalho de formiguinha”.

Temos que fazer o passo a passo, um dia de cada vez, buscando voto a voto, elencando demandas, representando as necessidades da comunidade e, por fim, apresentando as soluções. Essa é a função de todos nós, enquanto políticos. Sempre buscamos estar exatamente onde estamos e temos que honrar, portanto, esse reconhecimento das pessoas – através do voto – com muito trabalho. Isso é fundamental, na minha opinião.

O sr. é pré-candidato natural do Palácio Araguaia à Prefeitura de Palmas. As demandas da cidade, nestas circunstâncias, lhe interessam e muito. Qual seria a solução razoável para a população do distrito de Luzimangues, que não recebe – como deveria – os equipamentos e serviços públicos de Porto Nacional e exatamente por isso, se beneficia da infraestrutura de Palmas sem, no entanto, recolher impostos para a capital?
O que tem que ser dito, primeiramente, é que aquele distrito pertence a Porto Nacional e a divisão territorial se faz por leis específicas. Hoje não há normas razoáveis, tramitando ou aprovadas pelo Congresso Nacional, que tratem da emancipação de municípios. Então, qualquer discussão acerca do tema é extemporânea. Qualquer iniciativa, portanto, de encaixar o distrito à capital, é politicagem pura. Geograficamente, ele pertence a outro município e isso deve ser respeitado.

O que nós, enquanto governo estadual, temos que buscar é um ordenamento urbano para Luzimangues, em razão do seu crescimento desenfreado. Além disso, é preciso ouvir a população para saber o que ela quer, elaborar estudos, pesquisas qualitativas e, por fim, viabilizar soluções. Enquanto não se resolve toda a questão legal acerca da emancipação ou não, a população não pode ficar desassistida.  

“Sou pré-candidato a prefeito de Palmas, mas não é um projeto pessoal e sim de grupo. É relevante a cidade ser governada por um gestor nascido e crescido na região”

O sr. confirma sua pré-candidatura à prefeitura de Palmas em 2020?
Sim, mas não é um projeto pessoal e sim de grupo. Considero como relevante o fato da cidade ser governada por um gestor nascido e crescido na região, que acompanhou passo a passo, cada evolução e cada queda. Tenho essa experiência, Deus me deu oportunidade de nascer aqui na gleba de terras denominada São João, hoje município de Palmas, mas à época, pertencente a Porto Nacional. Sempre morei aqui, desde o início, a cidade que escolhi para criar meus filhos e formar minha família.

Precisamos debater os anseios da sociedade palmense e o que ela espera do próximo gestor. Alinhado a esse pensamento, se esse for o desejo da população, verificada por pesquisas qualitativas, enfrentarei o desafio.

“Fui agredido gratuitamente [pelo vereador Major Negreiros]. Mas não vi sentido em contra-atacar e desmoralizá-lo” | Foto: Elisângela Silva

Recentemente, no evento denominado “Taquaruçu por um dia”, o sr. foi duramente criticado pelo vereador da capital, Major Negreiros. Segundo ele, enquanto vereador, deputado estadual e vice-governador, o sr. não levou benefícios para a região. Poderia explicar por que o Sr. não respondeu ao ataque?
Estou com aproximadamente 30 anos de vida pública e, por onde se passa em Taquaruçu, há obras e placas com meu nome, fruto de recursos que encaminhei, através de emendas parlamentares. Levamos asfalto, praças, colégios, UPAs, entre outros benefícios, desde a gestão dos ex-prefeitos Odir Rocha, Nilmar Ruiz e Raul Filho.

Naquele dia, quando fui agredido gratuitamente pelo referido vereador, já havia saído da Mesa de Honra e da própria escola, em razão de outros compromissos. Fiquei sabendo, onde eu já estava, da referida agressão. Entretanto, não vi sentido em voltar para contra-atacar e desmoralizá-lo, porque além do debate ser improdutivo, a história fala por si só.

Veja: a população concedeu mandatos de vereador, deputado estadual e vice-governador a mim, de deputado estadual ao meu filho Leo Barbosa, de vereador ao meu irmão Marilon Barbosa e de prefeito ao meu pai. Nestas circunstâncias, posso dizer que fomos e estamos – cotidianamente – avaliados pelo povo. Isso é o importa de verdade. Toda a família Barbosa, portanto, levou e tem levado vários benefícios, avanços e ações sociais à comunidade de Taquaruçu.

Já o referido vereador, nas poucas ações que fez pelo distrito, teve problemas com a justiça. Não faço aqui juízo de valor e nem quero entrar nesse mérito. Isto está a cargo da esfera judicial, mas a verdade nua e crua é que não acho que valha a pena esse bate-boca. Percebo, claramente, que vereador busca, incessantemente, uma briga desnecessária e sem sentido. Não acho que seja o caso de entrar nessa pilha.

Em razão do PHS não ter conseguido transpor a cláusula de barreira nas últimas eleições, é natural que o sr. se filie a outra sigla, como fez o próprio governador Carlesse migrando para o DEM. Já definiu qual será o seu destino?
Tenho recebido convite de várias siglas importantes do país, como o PP do ex-deputado federal Lázaro Botelho. Também já recebi convite do DEM, através do deputado federal Gaguim que, inclusive, incentivou minha pré-candidatura à prefeitura de Palmas. Conversei com líderes do PODE, do PPS, entre tantos outros.

Ainda há muito tempo para definir essa questão e, no momento oportuno, farei a melhor opção de acordo com minhas convicções ideológicas, tempo de TV, fundo partidário, entre outros critérios.

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