Novo cenário político começa a se desenhar, e a novidade é Kátia Abreu com Siqueira Campos

Enquanto isso, o governador Marcelo Miranda e seu PMDB ficam em silêncio e aguardam para se definir

Senadora licenciada e ex-governador Siqueira Campos: segundo a ministra, encontro foi para “colher sugestões”|

Senadora licenciada e ex-governador Siqueira Campos: segundo a ministra, encontro foi para “colher sugestões”|

Gilson Cavalcante

O cenário político para as eleições municipais de 2016, embora falte mais de 14 meses para a disputa, dá sinais de definições, mas vai depender ainda da posição do Palácio Araguaia, principalmente em Palmas e nas outras maiores cidades do Estado. Por enquanto, nem o governador Marcelo Mi­randa e o seu partido, o PMDB, se manifestaram sobre o assunto.
Em meio às especulações, o PMDB só vai discutir sucessão municipal a partir do início do próximo ano. Primeiro, porque precisa resolver alguns problemas domésticos para chegar a um consenso de unidade do partido: de um lado, o grupo dos considerados autênticos e históricos peemedebistas, e de outro, o grupo que abriga alguns descontentes com o governador, a exemplo da ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o deputado federal Carlos Gaguim.

A senadora licenciada é, hoje, aliada temporária do prefeito Carlos Amastha (PSB), que joga pesado para disputar a reeleição. Atualmente, o PSD do deputado federal Irajá Abreu também compôs com o prefeito. No entanto, o que se comenta nos bastidores é que essa aliança é apenas no campo administrativo e não político, o que significa antever que Amastha terá que “rebolar” para sustentar uma ampla aliança em torno do seu projeto político para 2016, com olhos lá em 2018.

Gaguim já disse que quer ser o candidato do PMDB à Prefeitura de Palmas, pretensão que vai depender muito de um entendimento interno, tendo em vista as desavenças com os “autênticos” peemedebistas, comandado por Derval de Paiva. O parlamentar é um dos ferrenhos adversários e críticos do prefeito Amastha. Gaguim é um aliado de Kátia, que nutre boas relações com o prefeito da capital. Assunto para os analistas políticos gastarem fosfato para destrinchar e entender.

Quem está se preparando para retornar ao Paço Municipal palmense é o ex-prefeito Raul Filho. Agora no PR do senador Vicen­tinho Alves, o ex-petista está angariando forças para ir para a disputa, com chances reais de derrotar Amastha. Nesse caso, o PR tem que articular uma ampla aliança para dar sustentação ao seu projeto. Comenta-se que consta do projeto de Raul Filho uma aproximação com o governador Marcelo Miranda, de quem já foi aliado em passado recente. Mas Miranda, hoje, mantém, pelo menos aparentemente, uma relação de cordialidade com o prefeito Amastha, que inclui algumas parcerias entre Estado e Prefeitura. Aliás, um aspecto que deve ser ponderado.

Imposição de Amastha

O prefeito Amastha, com a volubilidade política que o caracteriza, deixou o PP, partido pelo qual foi eleito em 2012, com receio de não conseguir sair candidato à reeleição, diante dos desentendimentos com o presidente regional da legenda, deputado Lázaro Botelho. Daí foi para o PSB do prefeito de Gurupi, Laurez Moreira. Não satisfeito e temendo ameaças ao seu projeto político, Amastha cuidou logo de dar um “golpe” em Laurez. Foi a Brasília e negociou com a direção nacional do PSB. Bateu o pé e disse que só permaneceria na legenda se o comando regional ficasse sob seu poder, o que ficou acertado.

Agora, com o comando do partido no Tocantins, sente-se mais seguro para fazer suas negociações com outras legendas. Resta saber se as lideranças políticas das outras siglas que são suas aliadas de hoje confiam nele a ponto de firmar um acordo para 2016 e 2018.
No fundo, o prefeito Laurez ficou contrariado com a decisão na executiva nacional do PSB. E resumiu o episódio como uma “exigência” de Amastha para ficar no partido. “O partido tem como meta eleger o maior número de prefeitos de capitais, e o Amastha exigiu a presidência”, conforma-se Laurez.

Kátia se encontra com Siqueira

A relação de amor e ódio da hoje ministra Kátia Abreu com o ex-governador Siqueira Campos (PSDB) vem de longas datas. Ambos já foram grandes aliados no passado, mas estavam distantes um do outro, politicamente. No entanto, ela fez uma visita recentemente ao ex-governador, sob a alegação de que queria colher sugestões do velho Siqueira sobre a Agência Mato­piba, o projeto de seus sonhos, que pode gerar bons dividendos políticos, futuramente.

“Siqueira tem muito a contribuir com suas ideias, pelo amplo conhecimento que tem de logística e de desenvolvimento desta região”, argumentou a ministra ao site T1 Notícias. A visita, de certa forma, causou estranheza no meio político, apesar de Kátia Abreu exercer o seu papel suprapartidário enquanto ministra. Ela apoiou a eleição de Siqueira em 2010, deixou o governo em 2013 e se reelegeu para o Senado junto com o governador Marcelo Miranda em 2014.

Na conversa, Kátia disse que Siqueira apresentou suas sugestões a ela e destacou da importância da Rodovia 0500, cujo projeto corta a Ilha do Bananal.

A pergunta que se faz o mundo político: Kátia e Siqueira podem voltar a ser aliados e romper definitivamente com o Palácio Araguaia?

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