“Minha atuação parlamentar será direcionada para que o governo acerte mais e erre menos”

Deputado estadual eleito pela base de Mauro Carlesse diz que uma das missões a partir de agora é pôr em prática o que as gestões anteriores prometeram e não cumpriram

Deputado estadual eleito Léo Barbosa | Foto: Reprodução

Vereador campeão de votos em Palmas nas eleições de 2016, Léo Barbosa repetiu a dose ao se tornar o deputado estadual eleito mais votado em 2018. O parlamentar é filiado ao Solidariedade e seu mandato na Câmara Municipal foi marcado por ferrenhas críticas à administração do ex-prefeito Carlos Amastha (PSB).

Léo Barbosa é graduado em Gestão Pública e tem profundas raízes com o município de Palmas e com o Tocantins, uma vez que seu avô, Fenelon Barbosa Sales, foi o primeiro prefeito da cidade e seu pai, Wanderlei Barbosa, já exerceu cargo de vereador na capital, deputado estadual e, atualmente, ocupa o cargo de vice-governador.

Entusiasmado pela surpreendente votação e pela consequente vitória, Léo Barbosa recebeu o Jornal Opção para apresentar as diretrizes que pretende dar ao seu mandato como parlamentar estadual. Ele também avalia o processo eleitoral presidencial, a gestão do ex-prefeito e Amastha e da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), além das suas perspectivas acerca da próxima composição da Assembleia Legislativa.

Em 2016, o sr. recebeu a maior votação entre os vereadores eleitos em Palmas. Já em 2018, foi mais votado entre os deputados estaduais, quando obteve 23.477 votos. A quais fatores o sr. atribui votações tão expressivas?
Antes de mais nada, é necessário agradecer. Primeiro, a Deus por tudo e, segundo, a cada um dos tocantinenses que compreenderam a importância da minha mensagem e do meu projeto pelas ruas, avenidas ou pelas redes sociais. Ser o mais votado em ambas as eleições é motivo de muita alegria, mas, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade com toda a população do Estado. Os eleitores decidiram por um novo perfil na Assembleia Legislativa, não apenas na idade, mas também nas ideias, no comportamento como legislador.

Tive uma conduta retilínea enquanto vereador e é exatamente esse perfil que levarei para o parlamento estadual. Evidentemente, vou procurar me aperfeiçoar ainda mais e, na condição de deputado, buscar melhorias para o nosso povo, contribuir para que o governo estadual faça as correções necessárias e disponibilize melhores serviços públicos para a população.

Agradeço também ao meu pai, o vice-governador Wanderlei Barbosa, aos prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e aos líderes municipais religiosos e esportivos que participaram e contribuíram ativamente para essa expressiva votação. A representatividade desse mandato, portanto, será integral e estará em evidência, uma vez que fui votado em 132 dos 139 municípios do Tocantins e o compromisso com todos eles está reafirmado.

Qual é, na sua visão, o legado que o sr. deixa para a capital?
Sem dúvidas a defesa das pessoas. Em momento algum abri mão de defender os direitos das pessoas. Apresentei projetos sociais que beneficiam a sociedade e mantenho vários outros projetos na Região Sul da cidade. Votei contra sete aumentos de impostos que dilaceravam os orçamentos familiares. Fui relator de projetos importantes, como o Prouni municipal, que vai propiciar bolsas para estudantes de baixa renda oriundos de escolas públicas. Fiz, portanto, um mandato participativo e humanizado, voltado para atender ao povo de Palmas.

O sr. lutou muito para que a CPI do PreviPalmas fosse instalada e faz, inclusive, parte da Comissão. Qual a importância da conclusão dessa investigação e quais são os avanços até o momento?
A CPI se arrastou por meses, haja vista que o presidente da Casa não tinha interesse em instalá-la. A minha maior contribuição para essa CPI foi determinar a instalação, quando assumi interinamente a presidência da Câmara Municipal [devido à prisão temporária do presidente Folha Filho]. A CPI estava engavetada há quase dois anos e, sob meu comando, foi instalada. À época, fiz questão de ser membro dessa Comissão de suma importância, que apura desvios de recursos do PreviPalmas na ordem de R$ 50 milhões. Esse dinheiro é fruto do suor e das contribuições dos servidores municipais com o Instituto de Previdência.

Vamos apurar todas as circunstâncias desses investimentos em fundos podres como, por exemplo, o Cais Mauá, que já teve sua falência decretada e também causou prejuízos irreparáveis a outros institutos de previdência. Cabe a nós, enquanto vereadores, concluir a CPI, passar a limpo essas aplicações e, por fim, apontar os culpados e responsabilizá-los, como também devolver esses recursos aos cofres do PreviPalmas.

Nestes dois anos de mandato, o sr. legislou ao lado do seu tio, Marilon Barbosa, o próximo presidente da Câmara Municipal. Qual o seu sentimento acerca dessa experiência?
Nossa relação familiar, como tio e sobrinho, é fantástica. Já a relação parlamentar foi uma situação atípica, sem dúvidas, mas que conduzimos com muita responsabilidade, respeito, coerência e sensatez. Não tivemos quaisquer atritos, tanto na tribuna quanto nos bastidores. É bem verdade que votamos de forma divergente em algumas situações, mas posso dizer que fui um dos responsáveis, juntamente com outros pares, por trazê-lo para a bancada de oposição, mesmo sendo filiado ao partido do ex-prefeito Amastha, o PSB. E foi justamente esse grupo que contribuiu muito para que ele fosse eleito o próximo presidente da Casa de Leis a partir de 2019.

Qual é a sua expectativa para o exercício do mandato dele enquanto presidente?
Ele é um homem tranquilo e sensato. Espero que faça uma boa gestão, porque tem capacidade para isso. Minha expectativa é que, sob a administração dele, a Câmara evolua, como evoluiu quando meu pai foi presidente, valorizando os servidores e modernizando equipamentos, tenha a primazia pela transparência. Espero também que ele faça a diferença, priorize o processo legislativo e não permita, em nenhuma hipótese, que esta Casa seja subserviente ou um anexo do Poder Executivo, como ocorreu quando Amastha era prefeito.

Qual é o seu posicionamento sobre a polêmica criada pela decisão judicial que obrigou a Câmara de Vereadores de Palmas a reduzir seu quadro de servidores comissionados, determinando a finalização do concurso para que a maioria dos funcionários sejam efetivos?
Considero o Poder Judiciário como salutar e, na condição de parlamentar, sempre respeitei as decisões judiciais. É necessário retirar os entraves do concurso da Câmara de Vereadores, resolver os impasses, finalizá-lo e convocar os concursados para assumir as funções técnicas e administrativas. Já os assessores parlamentares, à disposição de cada um dos vereadores, serão sempre comissionados porque são funções de confiança.

Nestas circunstâncias, considerando que o último concurso foi realizado em 1994, os ajustes determinados pela lei e pela Justiça devem ser cumpridos com muita responsabilidade, evitando o corte de direitos dos servidores. Penso que é necessário reduzir privilégios, mas nunca cortar direitos. Espero, sinceramente, que o atual presidente saiba conduzir essa questão da forma menos gravosa possível.

“A população, principalmente a de Palmas, rejeitou Carlos Amastha”

Para Léo Barbosa, o recado das urnas foi claro | Foto: Reprodução

Tanto o sr. no exercício do cargo de vereador quanto o seu pai como deputado utilizaram a tribuna para denunciar supostos desmandos e ações administrativas pouco recomendáveis do ex-prefeito Carlos Amastha à frente da Prefeitura de Palmas, na tentativa de alertar a população e os órgãos de controle. Como o sr. viu as duas derrotas do Amastha em 2018, nas eleições suplementar e ordinária?
Entendo que o povo do Tocantins teve a oportunidade de escolher, nas duas eleições, entre dois candidatos: um que falava muito e fazia pouco e outro que falava pouco e fazia muito. A capacidade de realização e gestão do segundo foi reconhecida pelo eleitorado. A população, principalmente a de Palmas, rejeitou Carlos Amastha, porque na eleição ordinária ele perdeu na capital. Uma prova inequívoca de sua reprovação enquanto gestor.

Sem pessoalizar, tanto eu quanto o meu pai, na Câmara e na Assembleia, fizemos oposição coerente e responsável, mostrando os problemas, fiscalizando os gastos excessivos, apresentando soluções e alertando a população acerca das condutas do ex-prefeito, que, por fim, caiu no descrédito. O recado das urnas, na minha visão, foi claro.

Agora, novamente pelas redes sociais, o ex-prefeito disse que perdeu muito dinheiro na política. O curioso é que, quando ganhou duas eleições para prefeito, ele não reclamou. Havia uma outra perspectiva? Esse é o questionamento. Amastha alega ter experimentado prejuízos após duas derrotas, mas posso garantir que quem realmente teve prejuízo foi o povo de Palmas. Os moradores dessa cidade viram a carga tributária aumentar, as vagas em creche diminuírem e a saúde não evoluir, uma vez que ele não cumpriu a promessa de construir o hospital municipal, como também não evoluiu na questão da mobilidade urbana, porque o que cresceu mesmo foi a indústria da multa.

Me sinto realizado, portanto, ao constatar que nosso trabalho não foi em vão e que a população compreendeu, com muita maturidade, que ele não era a melhor pessoa para administrar o nosso Estado.

Como será a sua linha de atuação enquanto deputado estadual?
Evidentemente que fui eleito pela base do governador Mauro Carlesse e por lá me manterei. Mas o contexto é, sem dúvidas, um mandato municipalista. Minha atuação parlamentar também será direcionada para que o governo acerte mais e erre menos. Precisamos fazer o que foi prometido ao longo dos anos pelos governos anteriores e não foi feito e concluir obras ou corrigir aquelas que foram mal feitas. Há pontes inacabadas, escolas abandonadas e prédios públicos que necessitam de reformas, entre outras demandas. Há uma dívida histórica do governo com o seu povo. É necessário trabalhar, e muito, para que esse débito seja quitado ou, pelo menos, amortizado.

Vou me empenhar para que os benefícios também cheguem aos municípios mais afastados e de pequeno porte, como Recursolândia, Itacajá, Mateiros e Lizarda, entre tantos outros. Porque são investimentos que trazem retorno social. Vou lutar para que o governo estadual seja mais sensível aos problemas das pequenas localidades, onde falta água tratada, saneamento básico, energia, educação e transporte público de qualidade. Vou ser um deputado com espírito de vereador, com atuação multifocal em várias áreas. É meu dever lutar pelos pequenos agricultores e também pela revitalização dos hospitais regionais, descentralizando o atendimento, porque isso evita, por exemplo, a superlotação do Hospital Geral de Palmas ou do Hospital Regional de Araguaína.

Meu compromisso é contribuir com a gestão, sugerindo as intervenções que julgar necessárias e, consequentemente, retribuir a confiança que o povo depositou em minha pessoa.

E quanto às políticas públicas para a juventude, que constitui grande parte do seu eleitorado?
É de crucial importância a criação da Secretaria da Juventude e Esportes, extinta pelo governo anterior. Entendo que essas políticas públicas e essas alternativas, tais como criação de escolinhas poliesportivas, por exemplo, são capazes de mudar as vidas dos jovens, principalmente para afastá-los do mundo das drogas.

Qual a sua perspectiva em relação ao exercício do cargo de vice-governador pelo pai?
Quem o conhece sabe que ele não aceitou a missão para ser figura decorativa. Aliás, posso afirmar que ele foi de fundamental importância para a vitória nas urnas em razão de sua conduta parlamentar ao longo de seus mandatos, como também pela extraordinária pessoa que ele é. Um humanista por excelência, proativo, que vai contribuir muito para a gestão do governador Carlesse.

Há a perspectiva de ele assumir alguma secretaria e se assim o governador decidir, digo-lhe que será de grande valia, em virtude de sua maturidade, além da experiência administrativa e parlamentar, uma vez que foi eleito em outubro para o seu nono mandato.

Qual é a sua expectativa sobre o segundo turno das eleições presidenciais?
Essa eleição é muito importante. O resultado dela influenciará na rotina nos municípios e, consequentemente, na vida das pessoas. Vejo como um momento de extrema responsabilidade para os brasileiros escolher entre duas vertentes antagônicas. Me preocupo com o excesso de radicalismos das duas chapas, mas votei no primeiro turno no candidato Jair Bolsonaro e, logicamente, vou repetir esta opção. Admito que o plano de governo dele não é completo e deixa a desejar em alguns pontos. Entretanto, acredito que o Brasil precisa virar a página para que haja um choque de gestão e mudanças pontuais nas políticas públicas. É preciso romper com esse modelo que deixou mais de 14 milhões de desempregados, combaliu o setor energético, petrolífero e aumentou a carga tributária, entre outros desmandos. Por isso, neste momento, o único candidato que pode romper com tudo isso, resgatar a ordem e o progresso esperado por todos, é o Bolsonaro.

Há um alinhamento do seu partido, o Solidariedade, com Jair Bolsonaro?
Sim. Há um estreitamento das relações do nosso senador eleito, Eduardo Gomes, com Jair Bolsonaro. Eles são muito próximos e certamente Gomes será um dos pilares do presidenciável no Senado, caso Bolsonaro seja eleito. Vejo isso com bons olhos, porque nosso partido é relativamente novo, está apostando numa candidatura nova e totalmente fora dos padrões observados nas eleições anteriores. Caso Bolsonaro chegue à Presidência, o Tocantins estará fortalecido junto ao governo federal, ministérios e autarquias por meio da representatividade da nossa sigla partidária, uma vez que, além do próprio senador, o partido conseguiu eleger os deputados federais Tiago Dimas e Eli Borges.

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