Radialista de Palmas prestes a oficializar filiação ao DEM se coloca como pré-candidato à prefeitura, firmando posição de que o partido pode fazer composição com qualquer um, menos com o prefeito Amastha

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Marco Antônio Pelágio Alves Poggio é popularmente conhecido como Marcão. Apresentador do programa televisivo “Balanço Geral Tocantins”, exibido diariamente pela afiliada da Rede Record, ele também ancora diariamente o programa de rádio “Opinião e debate”, transmitido pela emissora Jovem Palmas FM. O comunicador, de fisionomia e vocabulário simples – desprovido de “politiquês” – não perde oportunidade para evidenciar sua indignação com a administração do prefeito Carlos Amastha, ressaltando acima de tudo, o descompromisso dele com a população, na medida em que sequer ouve o que ela tem a dizer.

Marcão deixou o PSDB recentemente, está se filiando ao DEM e se coloca desde já como pré-candidato à Prefeitura de Palmas. Deixa claro que caso sua candidatura seja confirmada e porventura seja eleito, a característica marcante de seu mandato será o prestígio à democracia, traduzindo em ações governamentais as prioridades da comunidade palmense.

Goianiense, 50 anos, casado – como faz questão de ratificar – há 30 anos com Shirley Alves Poggio, a arquiteta Shirlynha, Marcos Poggio é bacharel em Direito com especialização em Direito Público pela Faculdade Anhanguera de Goiânia. Também é graduado em comunicação social – publicidade e propaganda, pela Ulbra, de Palmas, com especialização em educação, comunicação e novas tecnologias pela Unitins/UFBA. Fez MBA em marketing político pela Funiversa, de Palmas.

A sua trajetória midiática televisiva e radiofônica é bem consistente, uma vez que está há muitos anos no ar. Como classifica o seus programas? O programa de rádio é de cunho político?

Creio que ambos têm uma função social muito grande. Isso é inegável. Tanto no rádio quanto na televisão temos essa amplitude social de dar voz à população. Na TV, principalmente, o programa serve para aquelas pessoas que não conseguem resolver os problemas que os afligem. Chegam ao programa quando já procuraram as autoridades, a Justiça, políticos, etc., e não tiveram suas questões solucionadas. Então, decidem apelar para um programa popular televisivo.

Já o rádio tem uma audiência maior devido a abrangência, todavia, da mesma forma dinâmica. A moderna ferramenta denominada WhatsApp permite discutir as demandas públicas em tempo real, quer seja por mensagens, áudios ou vídeos. Assim sendo, consigo dar voz à população e ambos são programas de opinião nos quais também emito a minha posição. Assuntos mais diversos em que tenho de expressar minhas convicções e faço, por consequência, que o ouvinte tome algum partido: favorável ou contrário ao que eu penso, não tem importância. O importante mesmo, neste caso, é fazer a população refletir acerca dos assuntos e problemas sociais. Tenho por prática debater com os convidados e com o ouvinte, cada uma das notícias que são veiculadas.

O sr. disse várias vezes que não tinha pretensões políticas, no entanto, neste ano de eleições municipais, desfiliou-se do PSDB para entrar no DEM, presidido no Tocantins pela deputada Dorinha. O sr. é pré-candidato a prefeito de Palmas?

Eu sempre disse e reiterei que não tenho qualquer interesse em disputar cargos para o Legislativo. Não faz parte dos meus projetos, e se tivesse que entrar na política que fosse para o Executivo. O trabalho que o parlamento faz, creio que eu já faço, exercendo minha profissão nos meios de comunicação. Eu sou um vereador sem mandato, um deputado sem mandato.
No que concerne ao convite do DEM, meu nome foi lembrado pelas lideranças locais do partido – deputada Dorinha e Lutero – e desde já agradeço pelo prestígio e me sinto lisonjeado. Aceitei me filiar e coloquei meu nome à disposição dessa sigla, mesmo porque após 12 anos não me encaixava mais com os projetos do PSDB. O DEM vai promover um evento estadual com as ilustres presenças de Ronaldo Caiado e ACM Neto, e neste dia concretizarei minha filiação. Sou, portanto, pré-candidato a prefeito de Palmas, mas para isso se tornar realidade, o partido tem que homologar meu nome.

Acho que fui lembrado por ser uma pessoa simples, que fala a linguagem do povo e que conhece, profundamente, a cidade de Palmas. Eu sei dos problemas que existem e mesmo que eu não vá até onde eles estão, os problemas vêm até mim, quer seja através dos repórteres, quer seja por abordagens dos próprios moradores. Quando eu entro na casa das pessoas que reclamaram ou pediram ajuda, pelas ondas do rádio ou pela TV, eu tento levar na maioria das vezes, a solução daquela questão. Esse é um grande diferencial. Eu conheço a cidade de ponta a ponta, sei dos problemas e posso apontar as soluções. Na maioria das vezes, a solução é simples, é questão apenas de prioridade. Falta também planejamento. O atual gestor não consegue traduzir ou entender quais são as prioridades da população.

Veja um exemplo simples: como nós, palmenses, vamos discutir o BRT (Bus Rapid Transit) – a grande maioria da população não sabe o que significa –, se não temos sequer banheiros nas estações de ônibus? Nenhuma estação desta cidade possui banheiros públicos, o que obriga motoristas e passageiros a fazerem necessidades fisiológicas atrás de carros, muros ou pedirem para usarem o banheiro de um comércio… As soluções existem, mas o poder público não avalia prioridades.

Creio que a Av. Teotônio Segurado deve ser o grande eixo de transporte da cidade, afinal os canteiros centrais foram planejados para isso. Acho justo discutir metrô ou transporte sobre trilhos no canteiro central da avenida, todavia, temos que resolver primeiro os problemas emergenciais.

O sr. entende que pode se transformar numa nova opção para o eleitorado, uma vez que nunca exerceu cargos públicos, e por isso mesmo têm baixos índices de rejeição?

Essa palavra “novo” já está muito desgastada, porque muitas vezes surge o novo que tem práticas velhas. Nem toda ideia nova é boa nem tampouco toda ideia boa é nova. As propostas que eu faço é que são diferentes. É necessário traduzir as prioridades da população para o paço municipal e isso eu sei fazer. Eu convivo com os problemas do povo todos os dias, sei fazer a leitura correta deles.

Vamos exemplificar: O valor de aproximadamente R$ 100 milhões gastos nos jogos indígenas – que não deixou nenhum legado para a cidade em termos de estrutura – dava para fazer 3.500 unidades habitacionais ou dez escolas de tempo integral ou até mesmo um hospital de urgência e emergência em Palmas. Não restaram obras de infraestrutura, uma vez que havia apenas palcos e alambrados desmontáveis. Eu questiono: os jogos indígenas eram mesmo a prioridade da população palmense? Hoje há um déficit de aproximadamente 4.500 a 5 mil vagas para crianças em creches, pré-escola e nível fundamental. São mães e pais que estão fora do mercado de trabalho porque não têm com quem deixar as crianças.
Isso poderia ser feito em audiências públicas ou através do orçamento participativo, onde o gestor tem a chance ímpar de ouvir e discutir com a população as suas prioridades. Há mecanismos disponíveis para isso, basta vontade. O que há hoje dentro da Prefeitura de Palmas é uma guerra de vaidades que visa a promoção pessoal, enquanto o chefe do executivo deveria se preocupar com a promoção do povo da capital.

A legislação eleitoral vai lhe impor uma espécie de entrave ao exercício de sua profissão. O sr. pretende utilizar sua exposição midiática até o dia que a lei permitir?

Assim como haverá restrições à minha profissão, quem está no poder também sofrerá algumas limitações. Estamos todos sob a lupa da Justiça Eleitoral. Exercerei sob a irrestrita forma da lei o meu direito, até porque é o meu trabalho, eu faço isso para sobreviver. Não brinco de fazer rádio ou TV, eu vivo disso.

O sr. acredita que o fato de ser um homem da comunicação ajuda angariar votos?

Não vejo como conseguir votos apenas por esse fato. As pessoas acreditam em mim e isso pode ser revertido em votos. Vou levar do rádio e da TV, a credibilidade demonstrada por muitos e muitos anos. Eu sempre digo aos meus colaboradores que muitas vezes o ouvinte pode não concordar com minha opinião – é um direito dele – todavia a informação que nós veicularmos, esta tem que ser verdadeira. A partir daquele fato que foi noticiado, o sujeito pode formar a opinião dele. A credibilidade está nesse ponto: o interlocutor receber a informação correta.

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Evidentemente que o fato de o sr. ainda não ser oficialmente o candidato a prefeito pelo DEM o impede de responder acerca das coligações com outras siglas ou candidatos. Contudo, pelo que o sr. sentiu no novo partido, acha que isso é possível?

Já iniciamos as conversas com outros pré-candidatos de outros partidos e até mesmo dentro do DEM. Minha candidatura não pode ser uma imposição. Se a direção do DEM entender que o lançamento do meu nome é viável, ótimo; se, todavia, entenderem que é melhor nos coligarmos ou fazermos uma outra frente partidária, acatarei a decisão. Não vejo qualquer empecilho, as composições políticas são sempre possíveis, a não ser que seja com o atual prefeito. Esta eu não aceito, sob nenhuma hipótese. Contudo, essa situação também não está nos planos do DEM.

E quanto aos vereadores, aliados tão necessários à base de sustentação de um prefeito? Há negociações no sentido de lançarem novos nomes no DEM? Como o sr. classifica suas habilidades para lidar com adversidades, principalmente políticas?

A minha filiação vai acontecer num evento estadual do partido. A deputada Dorinha, presidente estadual do partido, tem o desejo de fazer também nesse dia várias outras filiações. Ela tem percorrido o Estado no intuito de fortalecer o partido como um todo. É raro o final de semana que ela não visita quatro ou cinco colégios eleitorais angariando filiações partidárias naqueles municípios. E Palmas não vai ser diferente, temos que eleger sim vários parlamentares municipais, uma vez que para governar é necessário uma boa base de sustentação política. Se porventura formos eleitos e não obtivermos maioria na Câmara, o melhor é conversar na busca de novos caminhos. A política é a arte de dialogar e convencer as pessoas que seus projetos são viáveis. Os resultados só acontecem gastando saliva e sola de sapato.

O sr. tem ligações com o denominado grupo Siqueira Campos?

Conheço o ex-governador, com quem tive convívio, era, inclusive, filiado ao PSDB. Respeito demais a história dele, pois não há como ignorar que Siqueira Campos é um ícone vivo para o Tocantins. Portanto, não há como não respeitar a história política dele, mesmo porque ele se transformou num divisor de águas para o povo do Norte. Hoje sabemos que a maioria das coisas que ele dizia que era possível fazer, foram feitas, por ele ou por outros governantes, mas que são reais, existem, são legados. Ele foi um visionário e para isso basta analisarmos o próprio Tocantins, a capital Palmas, o lago do Lajeado, o aterro e a ponte sobre o referido lago. Tudo era apenas um sonho, que ele ajudou a se tornar realidade.

Entretanto, hoje os horizontes são outros, estou entrando no DEM para fazer parte desse grupo político e abraçar os projetos deles. Olho no futuro, vamos em frente.

“Como nós, palmenses, vamos discutir o BRT se não temos sequer banheiros nas estações de ônibus? Nenhuma estação desta cidade possui banheiro público”

Qual sua avaliação sobre a gestão do prefeito Carlos Amastha? Como a sua gestão poderia ser diferente da dele?

Eu creio que a principal diferença entre uma possível gestão minha e a atual é esse excesso de pessoalidade, de vaidade, de promoção pessoal do próprio gestor, que existe hoje. Acho desnecessário. Sou uma pessoa acostumada a ouvir as outras pessoas. Eu falo muito também, afinal é minha profissão, todavia, antes de falar eu ouço, reflito, tento compreender e atender o clamor público. Isso, definitivamente, não ocorre na atual administração municipal.

A minha exposição pública perante os meios de comunicação me ensinou que devemos simplificar em vez de complicar. Entendo como característica marcante e necessária para um chefe do Executivo dar prioridade à coisa pública, ao povo, e não às suas próprias vaidades, ao seu “eu”. A bem da verdade, posso garantir que não viso promoção pessoal. Onde estou hoje, já tenho uma gama infinita de fãs, admiradores e simpatizantes. As pessoas me param na rua, às vezes não querem nem denunciar ou reclamar de nada, mas simplesmente tirar uma foto, me cumprimentar pelo trabalho social. Então, essa história de me deixar levar pela fama, pela vaidade, definitivamente, não vai ocorrer, porque eu já tenho tudo isso, não preciso ser prefeito para conseguir essa visibilidade. Estou saindo da minha zona de conforto com a finalidade de mudar os conceitos de administração do município, ouvir a população e trabalhar em prol dela.

Dentre todos os problemas enfrentados pela capital tocantinense, sem dúvida, os alagamentos das avenidas é a que a população mais anseia por soluções. O sr. tem projetos para essa questão?

Esse é um problema sério. Já pensei, caso seja eleito, em encaminhar um projeto de lei obrigando que as próximas pavimentações asfálticas utilizem o asfalto CBUQ (concreto betuminoso usinado a quente), sem dúvidas, de maior qualidade. Inobstante a isso, é necessário refazer as pavimentações que foram concluídas com material de baixa qualidade, além de resolvermos o problema de coleta e escoamento das águas pluviais, tais como na estação Xambioá – próximo ao fórum –, Avenida Palmas-Brasil, bem como na Avenida LO-27.

Há gargalos que precisam de solução imediata, obras que não aparecem por ficarem debaixo do asfalto, e talvez por isso, muitos governantes não quiseram fazer. Essas águas que ficam empossadas nas rótulas, provenientes das chuvas, criam buracos que além de danificarem os veículos causam até mortes. Há pouco tempo, um homem morreu na região norte da cidade, após cair com sua motocicleta em um buraco na rotatória, que estava momentamente tapado por enxurrada, e na queda, rompeu o baço. Uma situação absurda.

Outra coisa sem sentido são equipes de tapa-buraco. Essas equipes fazem um trabalho semelhante a enxugar gelo. Tentam consertar um trabalho que no passado não feito adequadamente. Não adianta ter 10 ou 12 equipes de tapa-buraco. O que resolve mesmo são equipes construindo asfalto de qualidade na cidade.

Outro problema de ordem social é o distrito de Luzimangues. A população daquela região, vinculada a Porto Nacional, recolhe impostos para aquela cidade, mas utiliza os serviços básicos oferecidos pelo município de Palmas, que acaba ficando com os encargos. Como resolver essa situação?

Luzimangues, enquanto não for emancipado, tem que ser discutido entre os dois municípios, Palmas e Porto Nacional, para a implantação de uma gestão compartilhada. São problemas comuns entre os dois municípios: saúde, educação, segurança, transporte. Dessa forma, não adianta um tentar resolver de forma isolada. Sob meu ponto de vista, os dois prefeitos têm que se reunir e discutir as soluções, compartilhar receitas, despesas e obrigações.

A emancipação daquele distrito, caso a emenda autorizativa seja aprovada pelo Congresso, seria a solução?

O processo democrático deve sempre ser respeitado e estar em primeiro plano. Mesmo que Luzimangues preencha os requisitos emancipatórios, entendo como viável a realização de um plebiscito na região, questionando os moradores se é isso que eles desejam. A tendência é que eles queiram e o local se torne uma potência econômica em razão do pátio multimodal da Ferrovia Norte-Sul, mas a consulta popular não pode ser descartada.

O que pode antecipar sobre projetos a serem apresentados na sua campanha eleitoral, bem como a sua plataforma de governo?

Em primeiro lugar queria destacar e agradecer o Jornal Opção pela abertura do espaço. Creio que democraticamente será oferecida a mesma oportunidade aos demais candidatos. Sou da comunicação e sei valorizar um veículo democrático. Em segundo lugar, ressaltar que a prioridade será a despersonalização da figura do prefeito com o ente municipal. O gestor não é o mais importante e sim o povo que vive na cidade. A prioridade será a população, dar voz a ela. Isso será uma característica marcante, caso seja eleito.

Vamos por parte: a educação em Palmas precisa ser revista com a construção de creches e escolas. O problema da falta de vagas precisa ser solucionado. A verba utilizada no carnaval, por exemplo, seria suficiente para construir uma creche para 500 crianças. É inadmissível uma mãe ficar dois anos na fila esperando uma vaga para seu filho. Paralelamente, há ainda o problema dessa mesma mãe estar fora do mercado de trabalho. É um efeito cascata. Escolas de tempo integral são mais que necessárias, visando conciliar os estudos com esportes, atividades extraclasse. As quadras poliesportivas dentro das quadras precisam ser revitalizadas e se a prefeitura disponibilizar professores de educação física e bolas, as crianças e adolescentes sairão das ruas e da ociosidade, enfim, mudarão a mentalidade. Eu tenho certeza que um projeto de socialização dessa natureza diminuiria em três anos os índices de criminalidade na cidade. O que falta são projetos de iniciação esportiva. Esse lago, por exemplo, é uma riqueza, mas não há incentivos para as atividades esportivas, como natação, remo, canoagem, etc. O parque Cesamar, o ginásio Ayrton Sena, que poderiam sediar eventos esportivos, não o fazem.

Outro ponto preponderante: Palmas tornou-se uma máquina de arrecadar. O IPTU subiu 2.500% nesta gestão. Os valores de Alvará de funcionamento, de construção sofreram aumentos abusivos também na ordem de 25%. E quanto ao estacionamento rotativo? Onde é que se viu falar que uma empresa chega para implantar a área azul, encontra os bolsões de estacionamento prontos, pinta as faixas, cobra a tarifa, se apossa de 93% e repassa para 7% para a prefeitura? Que loucura é essa? Deveria ser o contrário… Se fosse para terceirizar, que a prefeitura ficasse com a maior parte do bolo e pagasse a tal empresa, uma espécie de taxa de administração. Esse dinheiro arrecadado, evidentemente, não está sendo revertido em favor da população. Foi praticamente um negócio de pai para filho, isso é inadmissível com a coisa pública, porque está servindo a interesses de terceiros e não da população.

O combate às endemias é outro exemplo do descaso com a coisa pública. Fazer campanhas de combate ao mosquito não adianta absolutamente nada, se há 40 dias faltam roupas apropriadas aos agentes para manusearem o veneno e concluírem o combate e a borrifação pela cidade. É tanto absurdo. Até vacinas antirrábicas estão faltando nos postos de saúde.

E quanto à infraestrutura, quais são os projetos?

O problema dos caminhões que se dirigem à Ferrovia Norte-Sul passarem dentro de Palmas já começou. Não são mil caminhões por dia, na verdade são 2 mil, porque eles voltam após descarregar. Não podemos ficar alheios a isso, é necessário solução urgente. Não adianta proibi-los de trafegar, seria o caos. Uma solução paliativa seria fazê-los trafegar pela Avenida Orla até a pista do antigo aeroporto – Av. LO-09, que possui asfalto de altíssima qualidade – e seguir pela Av. Teotônio Segurado até a altura da rodoviária ou do estádio Nilton Santos. Seria necessário fazer algumas pavimentações asfálticas a fim de interligar as avenidas, bem mais logístico que o atual percurso. Aliado a isso, também seria necessário estipular horários para que os caminhões carregados atravessassem a cidade, limitando esse fluxo fora dos horários de pico.

A solução definitiva é a construção do anel viário pela Av. Parque. Os caminhões seguiriam pela TO-010 até o fim da duplicação na saída para Miracema. Depois contornariam a cidade pelo anel, até chegarem ao lago pela Avenida que margeia a UFT, entrando no aterro que dá acesso à ponte da amizade e integração. Para a construção dessa obra, é necessário apoio político, pagamento de contrapartidas, etc., não se pode fingir que o problema não existe. Temos que pensar Palmas para o futuro e não apenas no dia seguinte ou no próximo evento. Essa forma de governar está equivocada.

A saúde é outro gargalo. Palmas é única capital do país que não tem um hospital municipal de urgência e emergência. Não tem sentido sermos tão dependentes dos governos federal e estadual. É uma obra grandiosa e dispendiosa, mas indubitavelmente, necessária e urgente. É preciso coragem para assumir esse compromisso. Falta isso na atual gestão. Além disso, precisamos organizar as carreiras de médicos e odontólogos, hoje mal remunerados pelo poder público municipal, que acabam pedindo exoneração, deixando a população mais carente sem atendimento.

Quanto aos possíveis adversários, por ora, é possível enumerar muitos, tais como Raul Filho ou Luana Ribeiro (PR), deputado Zé Roberto (PT), deputado Wanderlei Barbosa (SD), Claudia Lellis (PV) ou um possível candidato do PMDB, além do próprio prefeito. Qual sua avaliação?

Esse processo eleitoral é muito positivo. O fato de haver vários pré-candidatos – inclusive eu – significa que precisamos discutir a cidade, ampliar o debate. Só não gosta disso, quem se acha o dono da verdade, quem não quer ser confrontado. Quanto a mim, não vejo qualquer problema, estou acostumado a debater problemas e ouvir ideias adversas, faço isso todos os dias. Em relação aos outros pré-candidatos, mantenho o bom diálogo e já conversei com a vice-governadora Claudia Lellis, com o ex-prefeito Raul Filho, com o deputado Eli Borges. Só não há possibilidade de composição, como já disse, com o prefeito, porque eu acho que a maneira que ele conduz está equivocada e não vejo qualquer possibilidade de mudanças.

A lei que abre uma janela de transferências para troca de partidos – por 30 dias – sem a perda do mandato foi promulgada em sessão conjunta do congresso no último dia 18. Em razão dessa janela podem ainda surgir outros candidatos?

Eu acho que as trocas serão tão intensas que haverá pessoas que trocarão de partido no primeiro dia da janela e o farão novamente no final do prazo (risos). Vamos vislumbrar muitas conversas, fofocas, bastidores, troca de favores, interesses pessoais, etc. Vamos experimentar, pela primeira vez, essa janela de transferências. Tudo é muito novo.

É justa a mudança das regras a esta altura dos acontecimentos?

Eu não considero justa. Entendo que as pessoas são eleitas por um determinado partido por se identificar com os projetos, com as ideologias daquela sigla partidária. Eu acho que essas alterações são casuísticas por demais.

No final de dezembro de 2015, foram promulgadas novas regras eleitorais – uma espécie de minirreforma – e entre a mais polêmica, está a determinação expressa para que os candidatos não recebam doações de pessoas jurídicas, com a finalidade de igualar as campanhas no que se refere aos gastos. Qual sua posição?

A minha preocupação é a fiscalização. Já temos muitas leis, o que necessita ser feito é a fiscalização de doações não contabilizadas. Estamos acompanhando o processo eleitoral nacional em que o juiz federal Sergio Moro já declarou que há provas cabais que as doações para a campanha presidencial foram obtidas à base de pressão, coação. A minha preocupação são os mecanismos de vigilância, portanto. Se as pessoas obedecessem o que está escrito no papel, nas leis, o país seria maravilhoso. No Brasil, deveria ser instituída uma única e última lei: cumpram-se as leis anteriores. Estaria resolvido.