Marcelo Miranda segue favorito

Peemedebista tem a preferência disparada nas pesquisas de intenção de votos realizadas até agora

Sede do poder máximo estadual, o Palácio Araguaia é o alvo cobiçado por cinco candidatos ao governo

Sede do poder máximo estadual, o Palácio Araguaia é o alvo cobiçado por cinco candidatos ao governo

Ruy Bucar

O ex-governador Marcelo Miranda, do PMDB, é disparado o nome mais cotado para conquistar o Palácio Araguaia nas próximas eleições. Lidera com larga vantagem todas as pesquisas de intenção de voto até aqui realizadas, até as encomendadas pelo governo. Um nome quase imbatível se não fossem as dúvidas quanto a sua elegibilidade. E o que ainda pode impedir Marcelo Mi­ran­da de ser candidato? Nada. Segundo seus advogados e juristas que acompanham o processo eleitoral e dizem que ex-governador é elegível.

Não é o que pensa ou quer pensar seus adversários, que continuam afirmando categoricamente que o peemedebista não será candidato. E por que afirmam categoricamente? Porque sabem do poder de influência do Palácio Araguaia em questões aparentemente insuspeitas.

Marcelo Miranda é goianiense de nascimento, criado no Estado de Goiás, precisamente em Ara­guaína. Convive com a política desde pequeno. Foi assessor do pai, Brito Miranda, na Assembleia Le­gislativa, e por duas vezes governou o Tocantins. Iniciou a carreira política em 1990, tendo sido eleito deputado estadual. Nos três mandatos que permaneceu na Assembleia Legis­lativa exerceu a presidência da Casa por duas vezes consecutivas, de onde saiu para se eleger governador. É senador eleito, mas não tomou posse.

Miranda compõe chapa com o jovem deputado Marcelo Lelis (PV), que abriu mão da candidatura própria, conforme recomendação do partido, para compor com o peemedebista na condição de candidato a vice-governador. A chapa conta ainda com a senadora Kátia Abreu como candidata à reeleição, e o ex-presidente do PT e suplente de deputado federal Donizete No­gueira como primeiro suplente; bispo Guaracy, do PSD, é o segundo suplente.

O governador Sandoval Cardoso (SDD) era o terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos, até a saída do deputado Marcelo Lelis para compor com Miranda. Nos próximos levantamentos deve saltar para o segundo lugar, não por méritos próprios, mas pelo conjunto da obra, pela força política da coligação governista que reúne 18 partidos.

Peemedebista Marcelo Miranda e o governador Sandoval Cardoso, do SDD: os dois candidatos mais competitivos | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção e Koró Rocha

Peemedebista Marcelo Miranda e o governador Sandoval Cardoso, do SDD: os dois candidatos mais competitivos | Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção e Koró Rocha

Cardoso foi eleito governador pela via indireta. É pecuarista, foi presidente do Sindicato Rural de Colinas e iniciou a carreira política em 2006 ao se eleger deputado estadual na chapa do então candidato a reeleição ao governo do Estado Mar­celo Miranda. Foi reeleito em 2010 junto com Carlos Henrique Gaguim. Aderiu ao governo em 2011, ao trocar o PMDB pelo PSD, tendo sido contemplado com a Secretaria das Cidades, onde iniciou uma relação de confiança e lealdade ao siqueirismo. Re­tornou ao plenário da Assem­bleia em 2012 para ser eleito presidente da Casa, apoiado pela base governista, cargo que permitiu assumir o governo depois da renúncia do governador Siqueira Campos em abril e se eleger governador indireto. É candidato à reeleição.

O senador Ataídes Oliveira (Pros) entra na briga pelo Palácio Araguaia como a terceira via que até então vinha sendo ocupada pelo deputado Marcelo Lelis, que deixou a raia livre depois de compor com Marcelo Miranda. O senador é um político preparado, estudioso, disciplinado e conhece como ninguém a realidade do Estado, pois se dedica ao estudo do tema. Seu estilo “mauricinho” que advém da sua trajetória bem-sucedida de empresário, talvez seja o seu maior desafio para a construção da imagem de um candidato popular.

Ataídes é empresário do ramo da construção civil e consórcio de veículos, goiano de Estrela do Norte, filho de meeiro, como faz questão de destacar. O senador é quase um estreante na política, pois disputa pela segunda vez um cargo eletivo. Foi eleito em 2010 suplente de senador na chapa de João Ribeiro e Siqueira Campos, tendo sido um dos principais doadores para a campanha de Siqueira.

Rompeu com o governo em 2012, insatisfeito com o andamento da gestão, que considera uma das piores da história do Estado. Trocou então o PSDB pelo Pros, que ajudou a fundar, tendo sido eleito vice-presidente nacional da sigla e presidente do diretório regional. Depois de algumas passagens rápidas pelo Senado assume a cadeira em definitivo, em dezembro de 2013, após a morte do titular, senador João Ribeiro. Ataídes tem como vice em sua chapa Cintia Ribeiro, viúva de João Ribeiro, e como candidato ao Senado o deputado Sargento Aragão, que pretendia concorrer a uma cadeira na Câmara Federal, mas aceitou a missão de tentar vaga na Câmara Alta.

Élvio Quirino é agrônomo, com pós-doutorado em sociologia, e pequeno empresário, professor da Universidade Federal do Tocantins com mais de 20 anos no exercício do magistério. Integrou a equipe de planejamento da Prefeitura de Palmas durante o governo Raul Filho (PT) e tem larga militância em partidos de esquerda.

Élvio é um candidato de esquerda que não tem medo de assumir posição. Seu partido é oposição no plano federal e estadual e não aceitou coligações com quem não segue os mesmos princípios ideológicos. O candidato vai priorizar o debate de ideias buscando conquistar primeiro os formadores de opinião e aí tentar chegar ao povão.

Preparo intelectual é o que tem de forte, o de fraco é o fato de ser uma figura desconhecida da grande massa dos eleitores. O professor ainda não concluiu a montagem da sua chapa.

No último momento o bancário residente em Porto Nacional Carlos Potengi anunciou que vai disputar o governo do Estado pelo PCB. Quase nada se sabe sobre este quinto nome a confirmar presença na disputa pelo Palácio Araguaia, e que até o fechamento desta edição ainda não havia concluído a montagem da sua chapa.

Já era previsível a baixa de candidatos na reta final. O rolo compressor do governo tentou levar todos os partidos para a sua base. Segundo balanço da convenção 18 partidos integram a aliança governista, que assim terá o maior tempo de televisão e também o maior número de candidatos.

Por outro lado, os partidos que se opõem ao Palácio Araguaia fizeram um esforço monumental para garantir a união das oposições e conseguiram. Pelo menos quatro grandes partidos da oposição terminaram juntos — PMDB, PT, PV e PSD —, numa chapa considerada altamente competitiva. Une os dois candidatos, Marcelo Miranda e Marcelo Lelis, mais bem posicionados nas pesquisas, além de garantir palanque forte para a presidente Dilma Rousseff.

Pelo discurso das convenções todos os candidatos falam de mudança. O discurso mais agressivo neste sentido é justamente do que menos sugere mudança. E é curioso observar que o governador San­doval Cardoso é o primeiro caso de alguém que está no governo que discursa como oposição e prega mudança. Um efeito de marketing que peca pelo excesso. Uma contradição fácil de ser observada. No palanque falam de mudança, no governo de continuísmo.

Marcelo Miranda fala em mudança de verdade, com medidas de austeridade como enxugamento da máquina administrativa e ampliação dos recursos para investimentos. Retomada das obras estruturantes, incentivo a industrialização e retomada de programas sociais que atendem os mais carentes.

Ataídes Oliveira é contundente em sua fala. Diz que é preciso um grande esforço para salvar a máquina pública, que por irresponsabilidade dos governantes foi levada à falência. Ele garante que tem planos e ideias para retomar o desenvolvimento do Estado com o serviço público sendo suporte estratégico.

O professor Élvio Quirino diz que é preciso mais do que mudança, é preciso reinventar a gestão com projetos criativos e inovadores que possam recuperar a credibilidade do serviço público. O professor prega também uma profunda mudança na prática política, trocando o paternalismo pela participação popular que dá transparência e maior agilidade ao serviço público.

Para os entendidos a campanha começa pra valer com o início da propaganda eleitoral no rádio e na TV. Até lá é muito barulho para pouco resultado. E é do palanque eletrônico e não das ruas de onde saem os favoritos que podem vencer as eleições. Se é assim é esperar para ver os magos do marketing político entrarem em campo e mostrar serviço.

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