Marcelo Miranda reluta sobre reeleição

Governador pode disputar o Senado e compor aliança com Vicentinho e Kátia Abreu para enfrentar Carlos Amastha na corrida ao governo

Quando se trata de política, não é completamente absurdo parafrasear o velho personagem humorístico João Canabrava, narrando um fictício jogo de futebol: “…abrem-se as cortinas, os atletas entram em cena…”. Mas já? Ainda estamos em março de 2017 e as eleições ocorrerão apenas em outubro de 2018. Não é possível que já estejam falando no processo sucessório! Sim, é possível. A bem da verdade, os agentes políticos respiram isso dia e noite, não conseguindo desviar o pensamento desse foco.

Na sexta-feira, 17, o PMDB se reuniu em peso na cidade de Guaraí. O gaúcho Germano Rigotto, um dos caciques da sigla, e também Derval de Paiva, presidente do partido no Tocantins, numa espécie de demarcação de território, lançaram o governador Marcelo Miranda como candidato à reeleição.

Ocorre que fontes palacianas garantem não ser esse o desejo do governador, uma vez que ele estaria um tanto quanto esgotado pela pressão e desgaste, natural ao exercício do cargo. Miranda estaria interessado num cargo de senador ou deputado federal, que pelo menos a princípio não lhe traria muitos problemas e, ao mesmo tempo, lhe garantiria a manutenção do foro privilegiado.

Porém, o cargo de deputado federal para Miranda, caso sua mulher Dulce Miranda seja candidata à reeleição, restaria prejudicado. Restaria-lhe o Senado Federal, que, inclusive, já disputou em 2010 e obteve êxito, não tomando assento na cadeira por decisão do TSE.

Aliás, Marcelo Miranda ostenta no currículo o fato de jamais ter perdido uma eleição que tenha disputado. O certo é que em 2018 ocorrerá a renovação de dois terços do Senado e estarão em disputa as vagas de Vicentinho – que “herdou” a vaga do próprio Marcelo Miranda, face ao referido imbróglio jurídico – e de Ataídes Oliveira, que “herdou” a vaga após o falecimento de João Ribeiro, e exatamente por esta razão, com pouco cacife político para um embate desta grandeza, em que pese ser um bom articulador e com muito dinheiro para gastar.

Diante destas circunstâncias, é provável que o governador opte por disputar uma vaga no Senado.

Com Marcelo fora do páreo, os prováveis aliados são: o próprio Vicentinho, que andou afastado do Palácio Araguaia por um longo tempo, não apenas pelas suas raízes “siqueiristas” como também pelo fato de ter disputado a cadeira do Senado exatamente com o governador, deixando de ser uma disputa política, para adentrar na esfera jurídica; e a senadora Kátia Abreu, ex-ministra da Agricultura.

Seria mais confortável para Kátia disputar o cargo, uma vez que, caso viesse a perder a eleição, ainda manteria o mandato de senadora até 2022. Já Vicentinho, caso seja derrotado, ficaria sem mandato e praticamente fora do cenário político por quatro longos anos.

Acertos a parte, porque os três estariam juntos nessa empreitada? Sem quaisquer sombras de dúvidas, a união de forças visando derrotar o fenômeno denominado Carlos Amastha, prefeito de Palmas, e pré-candidato ao governo do Estado do Tocantins.

Em que pese seu partido, o PSB, lhe cobrar essa tomada de decisão e postura, Amastha parece padecer do mesmo mal que aflige Marcelo Miranda: ele quer disputar o cargo de governador? Tratar-se-ia de um candidato que além do apoio popular, possuirá em 2018, um histórico de realizações e obras, um enorme legado político, bem como verbas disponíveis para investir na disputa.

Mas o fator preponderante, repito: Amastha quer isso? Não creio que a simples vaidade o faria deixar a “galinha dos ovos de ouro”, com orçamento bilionário e esmagadora base de sustentação no parlamento, que aprova ao bel-prazer seus projetos e propostas, para assumir um governo que – assim como todos os outros entes federados – passa por sérias dificuldades financeiras, que, por consequência, inviabilizam as gestões.

Além disso, na renúncia ao cargo de prefeito para disputar o governo do Estado, Amastha entregaria a Prefeitura de Palmas, de bandeja, ao senador Ataídes Oliveira, uma vez que a vice-prefeita, Cíntia Ribeiro, é a cota do PSDB na gestão municipal. Apesar de Cíntia ter demonstrado autonomia em algumas oportunidades, quando assumiu a prefeitura em razão do procedimento cirúrgico do titular, o compromisso dela é com o senador que herdou a vaga do seu esposo, João Ribeiro, e não com Carlos Amastha.

Neste caso, caso o prefeito perdesse a eleição para governador, iniciaria uma peregrinação ao ostracismo, uma vez que nem mesmo a Prefeitura de Palmas ele poderia disputar em 2020, uma vez que foi reeleito em 2016. E o pior: nesse tempo que ficasse fora da política, o prefeito não gozaria de foro privilegiado, o que, por si só, já é um grande prejuízo.

Inobstante a isso, ainda há o risco de o prefeito, cuja origem é colombiana, ver aprovada a PEC proposta pelo deputado federal Hildo Rocha (PMDB-MA) que prevê que apenas brasileiros natos possam preencher os cargos de senador, governador, vice-governador e o de ministro das Relações Exteriores. Trata-se, portanto, de um risco muito grande, e há muitas dúvidas se Amastha quer realmente corrê-lo.

A bem da verdade, imposições partidárias e vaidade pessoal talvez não sejam suficientes para convencer Amastha a disparar um “tiro no pé”. Em contrapartida, pesará na decisão a pressão de que a oposição não possui outro nome de peso capaz de enfrentar os caciques da política tocantinense.

As especulações existem e afloram a todo momento. O pavio desse barril de pólvora chamado “eleições 2018” já foi aceso. Como diria o imperador Júlio Cesar: “…A sorte está lançada…!”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.