Treinador trabalha a paixão do brasileiro pelo futebol como estratégia para conquistar a confiança do eleitor tocantinense

Técnico Vanderlei Luxemburgo (direita), segurando a ficha de filiação ao PSB com o presidente nacional do partido, Carlos Siqueira e o ex-prefeito de Palmas Carlos Amastha (esquerda) | Foto: Reprodução

O treinador de futebol e empresário Vanderlei Luxemburgo (PSB) foi escalado pelo partido para desempenhar a função de puxador de votos nas eleições 2022 no Tocantins – contribuindo com a eleição do maior número de deputados federais e estaduais e, naturalmente, conquistando a cadeira de senador. Um sonho que o treinador acalenta desde 2008, quando se aproximou do então prefeito Raul Filho e buscou até uma filiação ao PT.

O cenário agora é outro. Pragmático dentro e fora das quatro linhas, Luxemburgo agora é socialista, filiado ao PSB, do ex-prefeito Carlos Amastha. O partido trabalha com a meta de eleger dois deputados federais e pelo menos quatro estaduais. O treinador entrou em campo disposto a desempenhar o papel tático para o qual foi escalado pela direção – leia-se Carlos Amastha, que é só entusiasmo com o pupilo.

Luxemburgo, que é empresário da área de comunicação no Tocantins, (proprietário da TV Jovem Palmas, afiliada da Rede Record), resolveu botar o pé na estrada, em vez de ficar esperando o poder cair do céu, como acontece com muitas celebridades que entram para a política, confiantes apenas no fenômeno da popularidade e número de seguidores. O treinador confia em sua popularidade, mas não apenas.

Por isso decidiu, muito cedo, realizar um trabalho de articulação política de base, no contato direto com lideranças do interior. O treinador mantém agenda de visita a todos os municípios, para conhecer a realidade e conversar com pessoas. Segundo aliados, o treinador já percorreu quase todos os municípios do Estado, em sua cruzada em busca de tentar conquistar um mandato eletivo como resultado do seu trabalho e não apenas de conchavos eleitoreiros.

Há um ano e meio iniciou a caminhada pelo Tocantins levando a sua mensagem de desportista, por meio de um projeto que busca divulgar o Estado para o tocantinense. O empresário avalia que o Tocantins seria mais desenvolvido se o povo soubesse com profundidade o potencial que tem a ser explorado e transformado em riqueza.

O treinador percebeu que os agentes públicos encarregados de promover o desenvolvimento são eficientes em vender o Estado para investidores de fora, mas não têm a mesma disposição para fazer isso aos tocantinenses, sobretudo os do interior, das pequenas cidades.

Segundo aliados, o treinador está vindo com força capaz de surpreender na disputa pela cadeira, que tem duas mulheres favoritas – Dorinha Seabra Rezende (UB) e Kátia Abreu (PP) lideram as intenções de voto até aqui. Mas é apenas o começo e tudo pode mudar com a campanha nas ruas. Dizem que onde o treinador chega faz enorme sucesso. Não apenas pela mensagem de confiança, mas pelo carisma e respeitabilidade que representa no mundo futebolístico. Luxemburgo trabalha a paixão do brasileiro pelo futebol como estratégia para conquistar a confiança do eleitor tocantinense. Bem diferente de outros tempos.

Em 2010, quando ensaiou candidatura ao Senado e filiado ao PT, foi bastante questionado, inclusive chegou a ser denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por falsidade ideológica. Não conseguiu comprovar domicílio no Estado, conforme havia declarado. O vacilo gerou condenação, levando o treinador a ter os seus direitos políticos suspensos. Tudo esclarecido posteriormente por sua defesa: não se tratou de má-fé, mas de documentos com erros na emissão.

Luxemburgo não tem mais obrigação de comprovar domicilio eleitoral. Virou empresário no Estado e tem aproveitado a condição para pavimentar o seu projeto político. A postulação tem o apoio do ex-prefeito de Palmas, Carlos Amastha, presidente do diretório regional do PSB, que se diz impressionado com a popularidade do futebolista no Tocantins.

Marcelo Miranda
A despeito da polarização entre Kátia e Dorinha, não se pode desprezar outros postulantes que, quando entrarem de vez, pode mudar o cenário. O ex-governador Marcelo Miranda (MDB), três vezes eleito governador do Estado, duas das quais foi cassado antes de concluir o mandato e, claro, Vanderlei Luxemburgo (PSB), dentre outros, que ainda não foram apresentados.

Miranda busca finalmente chegar ao Senado Federal, depois da tentativa frustrada em 2010, quando foi eleito, mas impedido de tomar posse no cargo. Na época estava inelegível, após ter o mandato de governador cassado em 2009, por uso da máquina na reeleição de 2006.

Miranda teve o diploma negado com base na Lei da Ficha Limpa. Em seu lugar, assumiu Vicentinho Alves, 3º colocado na disputa. A condição política do ex-governador não é muito diferente daquela época: teve o seu mandato de governador cassado novamente em 2018, mas acredita que desta vez, se for eleito, tomará posse. Miranda avalia que é a partir das convenções que a disputa começa de verdade. Portanto, o processo só está começando e tudo pode acontecer.

Não há como separar a disputa para o Senado das postulações para o governo do Estado. A senatoria integra a chapa majoritária e passa a ser estratégica na aglutinação de forças. Levando em consideração apenas este aspecto da composição da chapa majoritária – a influência do candidato a governador no bom desempenho de toda a chapa –, Kátia e Dorinha levam vantagem, no momento. Compõem as chapas mais competitivas. Dificilmente um senador é eleito na chapa do candidato a governador que não alcance pelo menos o segundo turno. Mas é bom lembrar que eleição muito polarizada para o governo do Estado divide os votos e favorece um candidato ao Senado da terceira via.

Pelo cenário que se observa, todos os quatro pré-candidatos ao Senado, em função de se tratar de nomes competitivos, têm chances de se eleger. Pelo jeito, a disputa pode ser mais acirrada do que para governador. O que tiver melhor projeto ou maior carisma junto ao eleitor pode vencer a disputa. Uma briga de pesos pesados que qualifica a campanha e valoriza a decisão do eleitor.