Kátia e Dorinha: disputa qualitativa pela cadeira do Senado

Disputa pode contar ainda com o ex-governador Marcelo Miranda (MDB), o treinador de futebol Vanderlei Luxemburgo (PSB) e o empresário João Vilela (PT)

Dorinha Seabra e Kátia Abreu: disputa para o Senado entre duas dignas representantes do Tocantins | Foto: Reprodução

Pesquisas de intenção de voto sobre as eleições 2022 dão conta de um empate técnico entre a senadora Kátia Abreu (pP) e a deputada federal Dorinha Seabra Rezende (UB), na disputa pela cadeira do Senado. Dado que, por si só não tem muita relevância, visto se tratar de uma corrida de longa distância, cuja largada ainda nem foi dada e que tem outros competidores no aquecimento. Pesquisa, no máximo, permite uma fotografia do momento, mas não diz nada do potencial eleitoral de ninguém.

O que chama atenção é a repercussão no meio político desse equilíbrio de forças – uma prévia, de outra disputa, a batalha pelo Palácio Araguaia. A empolgação com essa disputa talvez seja pelo embate qualitativo. E isso é inédito no Tocantins. As duas têm muito trabalho prestado ao Estado. Juntas, sem exagero, valem por quase toda a representação do Tocantins no Congresso Nacional, composta por 11 parlamentares. Pode se afirmar com segurança que, com qualquer uma que for eleita, a vitória é do eleitor.

Sem ignorar a participação de outros postulantes de peso nessa corrida – como o ex-governador Marcelo Miranda (MDB), o treinador de futebol e empresário Vanderlei Luxemburgo (PSB) e o empresário João Vilela (PT), entre outros que ainda estão se articulando, sem saber ao certo se serão escalados ou não, mas se forem, seguramente farão muita diferença –, vejamos o potencial dessas duas mulheres para escrever, cada uma a seu modo, um novo capítulo da história do Tocantins. Elas têm potencial, nestas eleições, para assumir a condição de fator decisivo.

Estamos falando de mulheres de luta, que chegaram onde chegaram por méritos próprios, pela força das ideias que defendem e pela postura e coerência no exercício dos mandatos que o povo lhes confiou. Duas mulheres que honram as saias, como se diz aqui no Tocantins, e que inspiram tantas outras que veem a política como espaço de exercício de cidadania. Dorinha organizou a educação; Kátia embalou o agronegócio. Dorinha se destaca como gestora sensível; Kátia, como líder classista obstinada.

O que representam nas chapas majoritárias
A senadora Kátia Abreu foi a primeira liderança de peso a se aproximar do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), logo no início da sua ascensão rumo ao Palácio Araguaia. Comandando três partidos de centro – pP, PSD e Avante –, uma espécie de federação familiar, com forte penetração na elite dominante, leia-se agronegócio, a senadora não teve nenhuma dificuldade de garantir vaga na chapa majoritária, ainda que tendo que superar algumas resistências internas.

Eleita senadora em 2006, reeleita em 2014, Kátia vai para a sua terceira eleição consecutiva para o Senado, com chances reais de conquistar novo mandato, o que permitiria permanecer durante 24 anos no plenário da Câmara Alta, como uma das líderes mais influentes do País. Atualmente preside a Comissão de Relações Exteriores e Segurança Nacional (CRE), que tem a atribuição de debater a política externa brasileira, compreendendo tratados, atos, acordos e convênios internacionais e demais instrumentos de política externa.

A líder ruralista tem acumulado desgastes pela longa permanência no Senado e pela eleição do seu filho Irajá Abreu (PSD), em 2018, para integrar a Casa, sendo a primeira vez na história do Senado em que mãe e filho dividem espaço no plenário, o que revela que sua máquina eleitoral continua azeitada. Naquele ano, disputou duas eleições. A eleição suplementar para governador do Estado, tendo ficado em quarto lugar, com 15,66% dos votos; e a vice-presidência da República na chapa de Ciro Gomes (PDT), que ficou em terceiro lugar com 12,49%. E conseguiu fazer o filho senador.

Nesta corrida, Kátia conta com um apoio de peso, do ex-presidente Lula (PT), que recomenda o voto à ex-ministra da Agricultura de Dilma Rousseff, por ter servido com lealdade ao governo do Partido dos Trabalhadores. O presidente do Diretório Regional do PT no Tocantins, deputado Zé Roberto Lula, comenta que o apoio do ex-presidente pesa muito, mas lembra que o partido tem candidato ao Senado. O certo é que a senadora soma muito para a chapa do governador e mais ainda para a governabilidade.

A deputada federal Dorinha Seabra Rezende, no exercício do terceiro mandato na Câmara Federal, consolidou a imagem de defensora da educação e não tem nada a provar a ninguém. É uma parlamentar impecável no cumprimento da sua função, mantém o foco em resultado, tem postura coerente. Pode ser considerada uma parlamentar avançada em meio ao retrocesso que tomou conta do País.

A deputada apresenta um histórico de lealdade à classe dos professores e chega com um trunfo político poderoso: ser considerada a mãe do novo Fundo de Manutenção do Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Dorinha  preside o Diretório Regional do União Brasil e é um nome com enorme capilaridade de voto, tendo apoio em todos os municípios do Estado, devido à boa atuação como secretária da Educação durante mais de uma década. Educação, a bandeira que ela sempre defendeu com firmeza no Congresso.

Por méritos próprios e alinhamento estratégico, Dorinha concorre em pé de igualdade com qualquer candidato ao Senado, até mesmo com a poderosa líder ruralista Kátia Abreu. É bom lembrar que o governador Wanderlei Barbosa fez de tudo para atraí-la, só não ofereceu a vaga já reservada à senadora Kátia. A professora é, por enquanto, a principal estrela do palanque de Dimas.

Kátia Abreu já foi fator decisivo na eleição de 2014, quando Marcelo Miranda conquistou o terceiro mandato. Quando a campanha começou, a senadora tinha quase 70% de intenções de voto. Tinha por tanto mais aceitação que o companheiro de chapa, que beirava os 45%. Kátia tinha ainda o voto leal dos movimentos sociais, mais à esquerda, em função da sua (na época) proximidade com a presidente Dilma Rousseff (PT).

Terminou a eleição parecendo que foi eleita de carona na chapa do emedebista, já que Marcelo Miranda teve mais votos para governador do que ela para o Senado, que por pouco não perdeu a cadeira para o hoje senador, Eduardo Gomes (PL). A verdade é que a senadora se desgastou durante a campanha, justamente ao entrar de cara na salvação da eleição do candidato a governador, após o escândalo do avião, que comprometeu bastante o desempenho da campanha. Kátia gastou capital político para salvar o companheiro de chapa e colocou em risco sua eleição. Os mirandistas nunca vão reconhecer o sacrifício da senadora, preferem tachá-la da “caroneira”.

Kátia e Dorinha protagonizam um duelo de gigantes na disputa pela cadeira do Senado. No meio político as convicções são de que a disputa será entre as duas sem chances para um terceiro nome. Ninguém arrisca dizer quem das duas tem maiores chances de vencer o duelo, mas todos defendem que as duas qualificam a disputa. Kátia e Dorinha têm projetos políticos consolidados, são de luta e tem trabalho prestado. Quem vencer as eleições terá conquistado a condição de postular candidatura ao governo do Estado em 2026.

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