Kátia Abreu prega unidade e Amastha reforça aliança com Marcelo Miranda

Governador avisa que quem for candidato no ano que vem pode “preparar o lombo”, porque não vai ser fácil

Prefeito de Palmas Carlos Amastha e governador Marcelo Miranda: uma parceria além do institucional? | Foto: Antônio Gonçalves; Fernando Leite/Jornal Opção

Prefeito de Palmas Carlos Amastha e governador Marcelo Miranda: uma parceria além do institucional? | Foto: Antônio Gonçalves; Fernando Leite/Jornal Opção

Gilson Cavalcante

Numa semana agitada, o cenário político tocantinense caminha para uma coalizão de forças que pode definir o panorama da sucessão municipal de 2016. No entanto, o processo vai depender – e muito – de determinados entendimentos até o início do ano que vem. A ministra da Agricultura e senadora licenciada Kátia Abreu (PMDB), por exemplo, resolveu empunhar, momentaneamente, a bandeira da paz e da unidade. Pelo menos deixou isso claro em solenidade recente no Sul do Estado. E apregoou: “Vamos esquecer quem é adversário de quem. Não interessa quem foi governador, quem quer ser. Vamos deixar essa discussão para as eleições, e olha que eu sou boa de briga numa eleição. Mas agora é hora de trabalhar”.

O distanciamento de Kátia e Marcelo Miranda (PMDB) aconteceu a partir do final do ano passado, quando da formação do secretariado. Mas os dois tiveram um tête-à-tête no Palácio Araguaia, recentemente, sem conversas, por ocasião da visita ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR), Eleonora Menicucci, ao governador, na parceira pelo Pacto Estadual de Defesa e Proteção à Mulher Tocantinense.
Pelo seu turno, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha, agora no comando do PSB do Es­tado, vai ao governador para reforçar o apoio do partido ao Palácio Araguaia e firmar uma possível aliança para 2016 e 2018. Existem lideranças peemedebistas que não acreditam nesse projeto político de aliança. Entendem que muitas legendas que estão com Amastha podem abandonar o barco para evitar um naufrágio logo no início da navegação sucessória de 2016. Motivo: distorções no afinamento do discurso.

“Nossa ideia é somar, construir um projeto de desenvolvimento do Estado. E, para isso, queremos que o senhor seja nosso aliado”, disse Amastha a Marcelo. Sem espichar conversar, o governador garantiu a parceria política e institucional e, laconicamente, disse: “Coloco o Palácio Araguaia e o governo à disposição para parceria institucional e política”. O PSB não apoiou Marcelo nas eleições de 2014, mas hoje faz parte da base política palaciana. Portanto, o governador se colocou à disposição do partido para discutir projetos e iniciativas públicas para o Tocantins.

“Estamos inseridos no projeto Marcelo Miranda. Vamos trabalhar todos os dias para que o governo do Estado tenha administração de muito sucesso”, sustentou o hoje prefeito socialista. “O Estado vive hoje momento turbulento. Se não unirmos nossas forças, não conseguiremos superar”, defendeu o governador, com um aviso curto e grosso: “Quem for candidato ano que vem pode preparar o lombo, porque não vai ser fácil”.

Ministra aposta em dividendos políticos

Titular do Ministério da Agri­cultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Kátia Abreu, apesar de cogitar pela trégua aos adversários, não perde tempo em agilizar projetos e ações que vão lhe gerar robustos dividendos políticos já em 2016. Na semana que passou, ela esteve em Aliança do Tocantins, no Sul do Estado, para o lançamento da pedra fundamental do Frigorífico de Ovinos. Kátia é a bola da vez na equipe da presidente Dilma Rousseff. Tem sido alvo de elogios em artigo do jornal “Estadão” pelo seu trabalho à frente do Mapa e já começa a ser cogitada pelo presidente de seu partido, Michel Temer, para disputar a sucessão presidencial em 2018. No próximo dia 15, a ministra irá à Praia Norte, para o lançamento do Plano de De­senvolvimento da Região do Bico do Papagaio, em parceria com o Sebrae Tocantins.

Em editorial, o “Estadão” garante que o Ministério da Agri­cultura tem surpreendido por um “dinamismo que há muito não se via na esfera federal”. Diz que a promessa da atual ministra é ambiciosa e, mesmo num cenário de crise política e de ajuste fiscal, é possível trabalhar. “O atual Ministério da Agricultura tem surpreendido por um dinamismo que há muito não se via na esfera federal. Também sofreu cortes segundo a pasta, nos primeiros seis meses houve uma redução de R$ 69,39 milhões em despesas operacionais, como água, luz, diárias, passagens e contratos de terceirização, mas o ajuste fiscal não foi motivo, nem desculpa, para paralisias. Apesar da diminuição das receitas, o Mapa conseguiu definir suas prioridades e tem trabalhado a partir daí”, diz um trecho do editorial.

Entre os planos do Mapa está a criação de uma Escola de Gestão da Agricultura. Na primeira fase, a melhoria da capacitação profissional estaria voltada aos servidores do ministério (atualmente, são 11 mil), com posterior ampliação aos servidores das superintendências e, a partir do segundo semestre de 2016, aos produtores rurais.

“Tenho certeza de que até o final do ano o Brasil vai ser outro Brasil. Não é a primeira nem será a última vez que passamos por isso. A agricultura está fora da crise política”, afirmou Kátia Abreu, durante o lançamento da pedra fundamental do Complexo Agroindustrial de Apoio ao Desenvolvimento Sus­tentável da cadeia produtiva de ovinocultura na cidade de Aliança.
O complexo de Aliança é viabilizado com verba da parlamentar e apoio da prefeitura de Aliança, Sebrae, Basa, Banco do Brasil e governo do Estado. Kátia Abreu também viabilizou emenda parlamentar para a construção de uma fábrica de rações no município. “Vamos montar uma cooperativa, vai ser um frigorífico com uma gestão privada”, sustentou a ministra.

A ministra reafirmou a decisão da presidente Dilma de dar total apoio à região do Matopiba. A implantação de um frigorífico de ovinocultura em Aliança se insere dentre as medidas do Mapa para incentivar os produtores do Estado. “A ferrovia precisa ser ativada, não pode ser apenas um caminho de passagem”, defendeu Kátia, para quem é prioridade dar valor agregado à obra nas suas plataformas de Gurupi, Colinas e Porto Nacional, para dinamizar a produção de grãos do Tocantins.

A ministra adiantou que até o mês de outubro o Ministério da Agricultura terá licitado perfuratrizes para a perfuração de poços artesianos. “Na região Sudeste do Tocantins nós vamos trabalhar dia e noite para fazer poços artesianos”, disse a Ministra. “A agricultura está fora da crise política”, reiterou.

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