Janela partidária termina com o DEM dividido

Partido ganhou reforços importantes, como o presidente da Câmara de Palmas, mas deve ter guerra pelo comando entre grupos de Carlesse e Dorinha Seabra

Observado por Dorinha, Marilon assina ficha de filiação ao DEM | Foto: Lucas Feitosa

Finalizado o prazo de filiações e troca partidárias, o movimento dos políticos – mesmo em época de coronavírus – foi intenso. Especificamente em Palmas, a ampla maioria dos parlamentares municipais trocou de sigla, entre os quais, basicamente toda a mesa diretora: o presidente Marilon Barbosa (PSB para DEM) e Vandim do Povo (DC para PSC); o primeiro secretário Etinho Nordeste (PTB para DEM) e o terceiro secretário, Jucelino Rodrigues (PTC para o PSDB). Só permanecerá no mesmo partido o segundo secretário, Gerson Alves (PSL). Já o vereador Filipe Fernandes saiu do DC para PSD; Filipe Martins do PSC para o PSDB; Major Negreiros do PSB para o PSDB; Folha Filho do PSD para o Patriotas e Milton Neris do PP para PDT. Por sua vez, os vereadores Erivelton Santos (PV), Laudecy Coimbra (SD), Moisemar Marinho (PDT), Rogerio Freitas (MDB), Tiago Andrino (PSB) e Pastor Rogerio Santos (PRB) permaneceram nas mesmas siglas.

Mas a chegada do presidente da Câmara de Palmas, vereador Marilon Barbosa, ao DEM, desencadeia uma série de ocorrências políticas, em efeito dominó. O Democratas será presidido pela deputada federal Dorinha Seabra até 31 de dezembro. Em que pese as conhecidas divergências internas com os colegas de partido – o também deputado Carlos Gaguim e o próprio governador Mauro Carlesse – as decisões da executiva estadual e do diretório metropolitano – comandado pelo seu esposo, o ex-vereador Fernando Rezende – estarão sob seu comando e responsabilidade. Numa “jogada de mestre”, Dorinha conseguiu atrair para o DEM ninguém menos que o irmão do vice-governador Wanderlei Barbosa (PHS) e isso muda todo o cenário.

É que o vice-governador ensaia para também aportar no DEM, onde já estão Carlesse e Gaguim. Frisa-se que o trio quer o comando do partido a partir de 2021. O PHS não cumpriu a cláusula de barreira e, caso o vice-governador, por quaisquer circunstâncias, quisesse se candidatar a prefeito em outubro, teria que estar filiado a outra sigla. A melhor opção é o DEM, sem dúvidas. Porém, nesse momento, sob o domínio e comando de Dorinha Seabra, a cúpula do Palácio Araguaia não tem voz ativa no partido. A maior prova é que ela já declarou apoio político à atual prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB), como também vai ceder o tempo de TV e parte do fundo partidário à chapa, além do compromisso dos dois novos filiados (Marilon e Etinho) comporem a base da gestora no parlamento municipal.

Trata-se de um complexo emaranhado, pois a presidente estadual do DEM não estaria trocando tudo isso por nada. Evidente que ela vai exigir reciprocidade. Nesse caso, o mais provável é que solicite a vaga de candidato a vice-prefeito na chapa de Cinthia. Logicamente, os dois com mais musculatura política são os dois vereadores recém-filiados. Mas Marilon Barbosa estaria, pelo menos, dois degraus acima do suposto concorrente. É que ele pertence a uma tradicional família política de Palmas – seu pai foi o primeiro prefeito da capital – e sua musculatura política é considerável. Além disso, Barbosa é um sujeito muito simples, faz política de um modo brejeiro, tem um enorme legado na área social e traria, à tiracolo, os votos e o peso da “família Barbosa”.

Esse seria o “pulo do gato” da presidente estadual do DEM: se Marilon Barbosa for candidato a vice-prefeito na chapa de Cinthia Ribeiro, a candidatura de Wanderlei Barbosa, pelo DEM ou por outra sigla, estaria inviabilizada. Neste caso, Dorinha teria conseguido – pela via transversa – que o Palácio Araguaia não entrasse e não influísse na eleição municipal da capital.

Sem candidato, a cúpula do governo estadual poderia até mesmo apoiar a chapa – em razão de Marilon fazer parte dela – ou mesmo se manter inerte. Neste caso, não prestaria apoio, mas também não se postaria como ferrenho adversário. Um cenário eleitoral extremamente confortável, portanto, para a atual prefeita de Palmas.

Como num jogo de tabuleiro, a democrata Professora Dorinha, na condição de presidente estadual do partido, deu um show de estratégia. Aniquilou o “fogo amigo”, reforçou o elenco do time que comanda e, a reboque, adquiriu “moedas de troca” para o pleito eleitoral. Realmente digno de congratulações.

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