Prefeito reeleito de Gurupi conta como reorganizou as finanças e fez obras, para enfatizar que segundo mandato será de realizações

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“Institucionalmente, tenho um bom convívio com o governador Marcelo Miranda. Minha posição política, hoje, é de oposição, todavia, com muito respeito. As divergências devem ser de ideias e não de pessoas”, diz o prefeito Laurez Moreira, hoje no PSDB, confirmando seu modo diplomático de fazer política.

Laurez da Rocha Moreira nasceu em Dueré, quando a cidade ainda pertencia ao Norte goiano. É graduado em direito pela Faculdade Anhanguera, de Goiânia (GO). Foi vereador da sua cidade natal e deputado estadual pelo Tocantins, eleito em 1994 e reeleito em 1998 e 2002. No ano de 2006, foi eleito deputado federal e reeleito em 2010. Sua principal bandeira de luta sempre foi municipalismo. No parlamento federal foi um dos deputados que mais destinou recursos para os municípios do Tocantins.

Em reconhecimento ao seu trabalho parlamentar foi eleito, em 2012, prefeito da cidade de Gurupi e reeleito em 2016. Nessa entrevista exclusiva ao Jornal Opção, Laurez Moreira expõe os motivos pelos quais deixou o PSB, bem como relata como tem administrado o município do qual é prefeito.

Quais os avanços preponderantes que o sr. conseguiu no primeiro mandato? Quais são suas perspectivas para o segundo?

Conseguimos reorganizar o município que possuía muitas dívidas e hoje já reequilibramos as finanças. Para se ter uma ideia, as verbas que serão utilizadas para o pagamento do 13º salário em dezembro de 2017 já estão reservadas no caixa. Além disso, foram várias obras importantes e ainda faremos muitas outras, frutos de emenda de bancada e, também, recursos próprios. Estamos viabilizando a revitalização do mercadão – uma antiga reivindicação da comunidade – e, também, de praças públicas, além de asfalto em muitos setores da cidade. Esse segundo mandato será, sem dúvidas, de realizações.

Há poucos dias, após força-tarefa da bancada tocantinense, o governo federal revogou o contrato com a Queiroz Galvão e vai licitar novamente a obra de duplicação da BR-153, de Anápolis (GO) até Aliança do Tocantins. Qual a importância desse acontecimento para a cidade que o sr. administra?

Não havia mais condições da empresa anterior concluir a obra, que é de suma importância para nossa cidade e, também, para todo o Estado do Tocantins. Esse rompimento permite a retomada das obras de duplicação, que beneficiará a população de uma forma geral, diminuindo o número de acidentes, bem como o escoamento da produção agropecuária.

E quanto à construção do pátio da Ferrovia Norte-sul em Gurupi?

A licença ambiental já foi emitida. As obras serão iniciadas em breve. Faz parte do projeto de duplicação da BR-153, inclusive, o contorno da cidade, o anel viário, para atender os caminhões que farão o trajeto até o pátio multimodal, deixando de transitar pelo centro da cidade.

Gurupi se mostra como a cidade exponencial da região Sul. Como o Sr. lida com essa missão, que consiste em ser referência para municípios circunvizinhos?

Como muito cuidado e zelo com cada centavo que entra nos cofres públicos. Priorizo a população, sempre. Por ser uma cidade universitária, há uma considerável migração de pessoas dos municípios limítrofes para a nossa cidade, na busca pela educação. Por, também, ser referência no campo da saúde, as pessoas também procuram a nossa cidade.

Por falar em administração de verbas públicas, há poucos dias o Ministério Público propôs uma ação penal em seu desfavor, em razão de uma doação de 400 mil reais ao Gurupi Esporte Clube. Como o sr. recebeu essa notícia?

Recebi com muita tristeza. É lamentável que muitas pessoas não consigam compreender a importância de ajudar o futebol, a paixão do povo brasileiro. As pessoas mais humildes têm como lazer ir ao estádio, torcer pelo time da sua cidade. É um orgulho, na medida em que o time do Gurupi é referência no Estado do Tocantins, pois é a equipe que mais ganhou títulos regionais. Entendo que os municípios devem fomentar o esporte e o lazer e isso está previsto constitucionalmente. Os clubes tocantinenses, a bem da verdade, não são profissionais e necessitam da ajuda dos gestores municipais. Esse fomento permitiu que o nosso clube de futebol participasse da Série D do campeonato brasileiro e fizesse uma boa campanha, passando por muitas fases na competição, divulgando o nome da cidade pelo país afora. Essa publicidade e divulgação não têm preço.

Quanto a ação propriamente dita, apresentarei, oportunamente, os documentos pertinentes, como também minhas razões fáticas e jurídicas.

Como o sr. avalia sua reeleição em 2016, ainda pelo PSB, quando obteve 51,4% dos votos e uma diferença que pode ser considerada pequena, uma vez o adversário conseguiu 48,5%?

Vi de forma positiva. Vivemos hoje, no Brasil, uma situação em que todos os gestores que pleitearam a reeleição tiveram muita dificuldade. Em função da crise política e econômica, a situação geralmente não é favorável para quem tenta se reeleger. Dessa forma, considero que a obtenção de um novo mandato é um reconhecimento por parte da população, pelo incessante trabalho que fizemos ao longo dos primeiros quatro anos. Gurupi é uma cidade importante, com considerável contingente de universitários, que procuram resultados e bons nomes para a política.

Quanto ao porcentual de votos, em razão da bipolarização, é natural que a disputa seja mais acirrada, contudo, emocionante. Aqueles que estão descontentes com a classe política costumam votar na oposição, até como forma de protesto, e exatamente por essa razão, considero que o resultado das urnas foi muito bom.

Há poucos dias o sr. se desentendeu com uma aliada de peso, a deputada federal Josi Nunes (PMDB), cuja genitora é sua vice-prefeita. Em que circunstâncias isso ocorreu?

De minha parte, não há qualquer problema. Dolores Nunes continua sendo minha vice-prefeita e nos temos um bom relacionamento. Houve um pequeno desentendimento com a deputada Josi, contudo, longe de ser um problema da magnitude como foi colocado pela imprensa de uma forma geral. Em qualquer relacionamento, seja político, profissional ou amoroso, os desentendimentos são normais e com o decorrer do tempo, as arestas vão sendo aparadas.

No que concerne a partidarismo, há poucos dias o sr. deixou as fileiras do PSB para se filiar ao PSDB. Por que mudou?

Na condução do município, senti a necessidade de contar com um apoio mais sólido em Brasília, me filiando a um partido que tivesse uma bancada mais representativa no Congresso Nacional. De­puta­dos e senadores que pudessem realmente contribuir com os pleitos e com o desenvolvimento da cidade de Gurupi. Hoje, o modelo brasileiro concentra a grande maioria dos recursos nas mãos do governo federal, e por consequência, há uma grande dificuldade – por parte dos municípios – em captar essas verbas. Por tal razão, busquei ajuda do senador Ataídes Oliveira, que dispõe o gabinete à disposição, para facilitar nossa atuação nos mais diversos ministérios do governo federal. Entendo que a administração de um ente municipal deve priorizar, em primeiro lugar a população. Não dá para ficar fazendo política e esquecer a cidade. Dessa forma, procurei um partido com esse perfil e acredito que o município de Gurupi experimentará muitos ganhos com isso.

“Em qualquer relacionamento os desentendimento são normais. Dolores Nunes continua sendo minha vice.” | Foto: Atitude Portal Noticia/Divulgação

Restou algum aceleuma ou uma situação mal resolvida dentro do PSB?

Não, entrei e deixei o partido pela porta da frente. Tenho um bom relacionamento com todos os integrantes que permaneceram por lá. Fui presidente do PSB por alguns anos, ajudei a estruturar e organizar a sigla no Estado do Tocantins. Não houve, enquanto comandei o partido, quaisquer censuras ao meu trabalho, por parte dos integrantes, e tenho muito orgulho disso. Assim como tenho feito no decorrer da minha vida, procuro respeitar as pessoas que pensam diferente de mim, como também, quero ser respeitado por minhas ideias, conceitos e posições políticas.

E no que concerne à sua sustentação política na Assembleia Legislativa do Tocantins?

Tenho um bom relacionamento com os deputados estaduais, mesmo porque já estive no parlamento por três mandatos. Conheço bem o trâmite legislativo e isso facilita o meu trabalho. Evidentemente, em razão do Olyntho Neto ser o deputado que representa meu novo partido no parlamento, estreitei os laços com ele, visando beneficiar a comunidade gurupiense.

E quanto ao seu relacionamento com o governo estadual?

Institucionalmente tenho um bom convívio com o governador Marcelo Miranda. Minha posição política, hoje, é de oposição, todavia, com muito respeito. As divergências devem ser de ideias e não de pessoas. Administrativamente, tenho discordâncias pontuais e, exatamente por isso, não estamos politicamente do mesmo lado.

Quais são as suas intenções políticas para 2018?

Já fui deputado estadual por três mandatos, como já disse. Já fui deputado federal também. Renunciei a este último para assumir a Prefeitura de Gurupi. Nesse contexto, só deixaria esse cargo caso houvesse um consenso uníssono em torno do meu nome, para o cargo de governador. Não faz sentido nenhum, ao meu ver, deixar de administrar o terceiro maior município do Estado do Tocantins para ser deputado estadual ou federal, mesmo porque tenho compromisso com o povo dessa cidade e a confiança de sua população, que me outorgou outro mandato em 2016.

E o PSDB já está se organizando para 2018?

É necessário, primeiramente, fortalecer o partido, ganhar musculatura. Em 2016, foram eleitos 5 prefeitos e agora já são mais de 20. O próximo pleito ainda está muito longe e, partidariamente, vamos avaliar todas as situações, composições e só depois disso, decidirmos o melhor caminho para a sigla.