“Irajá tem luz própria e não votará necessariamente igual à mãe no Senado”

Vereador e primeiro suplente de senador acredita que haverá sintonia, mas não atrelamento automático do filho de Kátia Abreu nas votações parlamentares

Integrante de uma nova safra de políticos do Tocantins, Teciliano preside a união de vereadores

Terciliano Gomes faz parte da safra dos novos políticos em ascensão no Estado do Tocantins. Graduado em direito, foi eleito vereador na cidade de Xambioá, em 2008. Quatro anos depois, foi eleito vereador em Araguaína e reeleito, em 2016, como o mais votado no município. Foram expressivos 2,06% dos votos válidos.

Gomes é um dos coordenadores da Frente Nacional em Defesa das Famílias, movimento encabeçado pela União dos Vereadores do Brasil. Dentre os mais de 57 mil vereadores do país, foi recentemente condecorado com a medalha “Top Legislativo”, um reconhecimento ao trabalho desenvolvido na Câmara Municipal de Araguaína.

Gomes é ainda presidente da UVET – União dos Vereadores do Estado do Tocantins e, na última eleição, em 2018, elegeu-se primeiro suplente de senador, na chapa encabeçada pelo então deputado federal Irajá Abreu (PSD), que obteve mais de 214 mil votos.

Sua trajetória política é um tanto quanto meteórica e se consolidou nos últimos dez anos. Como o sr. avalia seus mandatos enquanto vereador nas cidades de Xambioá e Araguaína?

Há de se pontuar algumas ressalvas porque talvez eu seja suspeito para discorrer sobre mim mesmo. Contudo, posso dizer que esse histórico se iniciou no movimento estudantil, na condição de presidente de centros acadêmicos e grêmios estudantis. Minha primeira candidatura a vereador em Araguaína, ainda em 2004, não foi exitosa. Fiz a transferência do domicílio eleitoral para Xambioá, fixei residência e fui eleito vereador da cidade no pleito de 2008. Foram apresentados vários projetos que merecem destaque nessa atuação parlamentar e contribuíram com o crescimento e desenvolvimento da cidade. Após dois anos de exercício, fui convidado, em 2011, pelo recé-empossado governador Siqueira Campos, a assumir a Diretoria do Núcleo do PROCON em Araguaína. Foi uma decisão difícil, contudo, aceitei o desafio e, juntamente com uma equipe competente, foi possível desenvolver um excelente trabalho à frente do órgão. Com o devido respeito aos lojistas e consumidores, obtivemos ótimos resultados durante aquele período.

Após essa ocorrência, o sr. se elegeu vereador em Araguaína, na eleição de 2012. O que houve de diferente em relação à disputa de 2004?

Creio que um histórico de trabalho e luta foram preponderantes. Houve, com o decorrer dos anos, o reconhecimento da população e fui o quarto mais bem votado na eleição de 2012, com 1.906 votos, enquanto que em 2004 obtive pouco mais de 800 votos. Iniciava-se ali um novo ciclo, compromissado com a fiscalização dos atos do poder executivo, como também o zelo pelo bem estar do povo. Em 2016, fui reeleito na condição de vereador mais bem votado em Araguaína. É que eu tenho como meta, ser da base do povo e não da base do prefeito ou da oposição. Não tenho o direito de ser subserviente ao Paço Municipal, nem tampouco fazer oposição só por fazer, sem subsídios ou posicionamentos coesos. Creio, portanto, que um mandato em que o povo é a base de sustentação, os resultados são recompensadores.

E como foi a decisão de se candidatar a suplente do senador eleito Irajá Abreu?

Em 2018, o projeto inicial era lançar a candidatura de deputado estadual, visando proporcionar mais representatividade legislativa ao norte do Estado do Tocantins. Todavia, após o convite do então deputado Irajá Abreu, para ser primeiro suplente de senador na chapa dele, fiz essa opção, em nome da unidade do grupo. A resposta das urnas foi revigorante e logramos êxito.

A sua opção em acompanhar – na condição de suplente – o então deputado federal para o cargo de senador foi considerada ousada, mesmo porque, ele não estava bem cotado no início da campanha eleitoral. Quais razões o levaram trilhar esse caminho?

Há um histórico de ações positivas por parte do parlamentar Irajá Abreu. Eu sabia que, no decorrer da campanha, conseguiríamos mostrar para a sociedade e para o eleitorado, o seu preparo e sua conduta irreparável. Em questões polêmicas como a reforma da previdência, que prejudicava grande parte da população, ele foi o único deputado federal do Tocantins que se posicionou de forma contrária. Entre outras ações, seus posicionamentos foram firmes, por exemplo, como no caso da abertura das investigações contra Michel Temer, que ele se posicionou favorável, mas foi voto vencido. Além disso, Irajá destinou emendas para os 139 municípios e isso demonstra que há um compromisso do parlamentar com o Estado do Tocantins.

O Sr. acredita que ele e a mãe dele (Kátia Abreu) vão votar de forma conjunta no Senado?

Não, necessariamente. Ambos têm luz própria e creio que em muitos casos vão votar de forma coesa, mas esse alinhamento não é uma obrigação. Garanto-lhe que se o Irajá não for convencido de que aquele voto é o certo, ele não o fará, mesmo que sua mãe deseje. Ele tem uma postura independente e creio que permanecerá assim.

Como o Sr. vislumbrou a filiação da senadora Kátia Abreu ao seu partido?

De forma natural. É necessário sempre dar uma oxigenada nas siglas. Faz parte do processo político. Trata-se de uma pessoa extremamente gabaritada, preparada, possui capacidade técnica e política e que desenvolve um trabalho que prima pela excelência. A senadora é reconhecida nacionalmente e tem serviços parlamentares prestados. É lógico que todos nós, políticos, temos que refletir sobre onde e quando podemos melhorar para poder avançar. A senadora sabe fazer isso.

Qual é a situação estrutural do seu partido, o PDT, em Araguaína?

O partido tem vereadores e possíveis candidatos a prefeito da cidade, como por exemplo, o Marcio Parente, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial da cidade. Vamos reestruturar o partido para disputar as próximas eleições. Quero deixar claro que, nos dias atuais, os eleitores preferem mais as pessoas do que os partidos. A ideologia tem sido deixada de lado, em razão do excessivo número de siglas no Brasil. Isso tem que ser repensado e uma reforma política é emergencial. Além disso, nossos representantes em Brasília precisam se articular para fazer também uma reforma, não menos importante, que é a tributária. Precisamos trocar impostos por emprego.

Sobre essa reforma política quais são suas percepções?

As coligações acabaram, mas as legendas permanecem. Eu penso que o mais justo seria que os mais bem votados assumissem os cargos, deixando de lado o sistema que alça pessoas ao poder pelo quociente partidário. O número de partidos também é excessivo, e o pior, muitos deles perderam a ideologia. O PMB (Partido da Mulher Brasileira), por exemplo, não é dirigido por mulheres; o PV (Partido Verde), na essência, não tem encabeçado a luta pela preservação do meio ambiente. Já o PSC (Partido Social Cristão), deveria estar na linha de frente da caminhada cristã, mas efetivamente, tem poucas ações nesse sentido. Assim sendo, é necessário coerência por parte dos dirigentes partidários, mais comprometimento pelas ideologias. Para isso, apenas uma reforma política em nosso sistema, resolveria o problema.

E quanto ao voto distrital?

Também precisa ser refletido. A discussão sobre o tema deve ser mais ampla para que possamos amadurecer ideias e nos posicionarmos com responsabilidade visando avançar. Tal conduta permite que não tenhamos retrocessos.

Especificamente sobre o seu mandato de vereador em Araguaína, como o sr. avalia?

Com toda certeza, de forma muito positiva. É possível destacar, por exemplo, o projeto que visa a diminuição da abusiva tarifa de esgoto de 80% do valor do consumo de água, para 40% no âmbito do município de Araguaína. Contudo, o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) decidiu recentemente que um projeto desta natureza deve ser de autoria do Poder Executivo. Porém, o que importa aqui é que é vital olhar e se sensibilizar com as necessidades do povo. Fui eleito para colocar os temas em discussão e promover o debate saudável no parlamento, conclamando os responsáveis a promoverem as mudanças na legislação, que beneficiem a população. Há vários outros projetos dessa natureza. Inclusive, meu reiterado posicionamento quanto à tentativa do chefe do poder executivo de ressuscitar uma contribuição de melhoria, que havia sido revogada e arquivada em 2017. Mesmo fazendo parte da base do prefeito na Câmara, votei contra a decretação de mais esse tributo aos cidadãos.

O sr. pretende se candidatar a prefeito de Araguaína em 2020?

Essa conversa de bastidores existe, não posso negar, mas ainda é muito cedo para falar sobre o tema. Por enquanto, tenho que respeitar o eleitor que me confiou um mandato de vereador, apresentando proposições em defesa da família e dos princípios cristãos. É lógico que é possível que em 2020 essa hipótese se fortaleça. Entretanto, penso que não adianta o meu partido, eu mesmo ou alguns correligionários, quererem. É necessário que essa iniciativa parta do seio da sociedade.

Como o sr. avalia a gestão do prefeito Ronaldo Dimas?

Vejo de forma muito positiva. Ele conseguiu avançar muito no campo da infraestrutura e há qualidade nas obras. Contudo, ele ainda pode melhorar alguns aspectos na área da saúde. Reconheço que contamos com bons profissionais, no entanto, há lacunas nesse segmento que precisam ser preenchidas e só o próprio gestor pode atender essa expectativa.

No que concerne ao exercício da presidência da União dos Vereadores do Estado do Tocantins, houve muitos avanços após sua ascensão ao cargo?

Minha histórica com a luta classista começou há muito tempo, em parceria com o prefeito de Tocantinópolis, Paulinho. Viajei por todo o Tocantins, fiz alguns planejamentos, conversei com a categoria e vi que eles estavam carentes de representatividade. Apresentei minha pretensão e ganhei a confiança deles. Hoje a entidade representa os vereadores, principalmente nas causas municipalistas, permitindo que eles façam bons trabalhos em beneficio da população. Nessa gestão, fizemos parcerias com a União dos Vereadores do Brasil, com o Tribunal de Contas do Estado, além de muitos avanços junto ao Ministério Público de Contas. Hoje, muitos deles já entenderam que os órgãos fiscalizadores exercem muito mais o papel de orientar os vereadores e os gestores de uma forma geral – quanto aos investimentos, gastos e responsabilidade com o erário – do que puni-los.

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